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“Churchill”: e dá-lhe Winston

Drama com Brian Cox no papel do primeiro-ministro é um bom “esquenta” para o que vem por aí

Das grandes personalidades da história recente, o primeiro-ministro inglês Winston Churchill é uma das mais frequentemente retratadas no cinema e na TV – por sua relevância crucial no evento definidor do século 20, a II Guerra Mundial de 1939-1945, e porque é uma delícia retratá-lo: Churchill é um personagem suculento, desses que em inglês definem-se como “larger than life”, ou maiores que a vida. Onde Churchill estivesse, só dava ele: com uma intensa e longuíssima carreira na diplomacia, no comando naval, na inteligência e na política, ele não era só astuto, habilidoso e de inteligência extraordinária. Era assombrosamente carismático também – um homem que transbordava energia e autoridade, mas também humor e espirituosidade; um líder profundamente comprometido e um orador que arrebatava; e um político com intuição quase infalível para saber quando negociar e quando perder as estribeiras. Com todo mundo à espera da personificação de Gary Oldman em O Destino de uma Nação, que deve estrear aqui em janeiro, este Churchill com Brian Cox, que acaba de entrar em cartaz, é um bom “esquenta”. Até por mostrar o primeiro-ministro em um instante em que essas qualidades o abandonaram – os dias anteriores ao Dia D (6 de junho de 1944), a invasão da Normandia pelos Aliados para libertar a França da ocupação nazista. Churchill, por uma vez, se enganou: achou que a operação seria uma derrota fragorosa e um morticínio, e fez de tudo para melar os planos do general americano Dwight Eisenhower.

Leia a seguir a resenha completa:


O Momento de Fraqueza

Churchill exibe o formidável primeiro-ministro inglês como poucas vezes antes: em pânico e em depressão com a ideia de mandar milhares de soldados para a morte no Dia D

Em filmes como O Destino de uma Nação, que deve estrear aqui em janeiro, o Winston Churchill (1874-1965) que se costuma retratar é o capaz de exortar, como nenhum outro, uma Inglaterra abatida pela guerra a manter-se firme: o líder que fez da derrota militar em Dunquerque uma vitória de espírito, e que se mostrou incansável durante o período terrível dos bombardeios nazistas a Londres. Em Churchill , o primeiro-ministro é, porém, uma figura diversa. Às vésperas da Operação Overlord – a invasão da Normandia pelos Aliados, em 6 de junho de 1944, ou Dia D –, Churchill (Brian Cox) remancha e recalcitra na tentativa de espanar a engrenagem. Intromete-se nos planos do general americano Dwight Eisenhower (John Slattery) e do marechal britânico Bernard Montgomery (Julian Wadham), constrange subordinados expedindo contraordens, faz o que pode para aliciar George VI (James Purefoy). Ouve horrores da mulher (Miranda Richardson), irritada com essa versão infantil e acovardada do marido. Mas não se contém: tem a certeza de que a Overlord vai fracassar, e que terá de carregar na consciência um massacre.

Churchill

(California Filmes/Divulgação)

Churchill tinha precedentes para essa crença. Na I Guerra, em 1915, como primeiro-lorde do Almirantado, fora o idealizador de um desembarque maciço em Gallipoli, na Turquia – uma campanha que terminou com a vitória dos otomanos e meio milhão de mortes. O primeiro-ministro sabidamente podia ser controlador, cansativo e apegado ao poder (como na ótima caracterização de John Lithgow na série The Crown). Mas raras vezes é visto em pânico, como aqui. O momento de fraqueza lhe é lisonjeiro: por mais colossal que fosse sua força, e que seja seu lugar na história, o filme faz lembrar que todo dia, antes de ser todo-poderoso, ele acordava um homem.

Isabela Boscov
Publicado originalmente na revista VEJA no dia 04/10/2017
Republicado sob autorização de Abril Comunicações S.A
© Abril Comunicações S.A., 2017

Trailer

CHURCHILL
(Inglaterra, 2017)
Direção: Jonathan Teplitzky
Com Brian Cox, John Slattery, Miranda Richardson, James Purefoy, Richard Durden, Julian Wadham, Ella Purnell, Danny Webb
Distribuição: Califórnia

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