BUSCA

Busca avançada      
FALE CONOSCO
Escreva para VEJA
Para anunciar
Abril SAC
Publicidade
Blog
De Honduras

Thaís Oyama, enviada especial de VEJA a Tegucigalpa


ÚLTIMOS POSTS
Tegucigalpa, onde estão os seus encantos?
Estado de exceção termina até segunda-feira
Pusilanimidades e alucinações
A embaixada que já era
Honduras amanhece sob estado de exceção

RSS
Receba as notas do blog De Honduras em seu computador


ARQUIVO

 
 01 de outubro de 2009

Tegucigalpa, onde estão os seus encantos?

Tirando a bela vista das montanhas, é difícil achar alguma beleza na capital de Honduras.

No país que é um dos mais pobres do continente americano (50% da população vive abaixo da linha da pobreza), as poucas construções que restaram do período colonial estão tristemente abandonadas. Carros decrépitos, comprados usados nos Estados Unidos, rodam pelas ruas cuspindo peças e os muros de muitas das casas do centro estão cobertos por grossos rolos de arame farpado. Qualquer lojinha tem um segurança particular ostensivamente armado na porta --escopetas calibre 12 são bastante populares por aqui.

O aparato se deve, sobretudo, ao medo das gangues de jovens que prestam serviço ao narcotráfico. Os bandos, que rivalizam e brigam entre si, copiam o modelo americano, mais precisamente o de Los Angeles. Há muitos hondurenhos vivendo ilegalmente nos Estados Unidos. Praticamente todos os dias aterrissa em Tegucigalpa um avião fretado do serviço de imigração americano trazendo deportados. Só em 2007, foram mais de 8 mil.

Anteontem, quando estava almoçando com o motorista no centro da cidade, um tiroteio entre policiais e assaltantes, travado bem diante da janela do nosso restaurante, fez todo mundo se atirar no chão. Mas logo todos voltaram a comer. E não pareciam nem um pouco surpresos com o acontecido.



Por Thaís Oyama - 13:12 | Enviar Comentário


Estado de exceção termina até segunda-feira

O presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, afirmou agora há pouco a VEJA que vai suspender, “no máximo”, até segunda-feira o decreto que estabeleceu o estado de exceção no país. Perguntado se isso significaria também a reabertura da Radio Globo e do Canal 36 - fechados pelo seu governo sob o argumento de que estariam incitando à desordem - Micheletti tergiversou: “Isso já não é comigo. Essa decisão cabe à Conatel”, a agência reguladora do setor de telecomunicações do país.



Por Thaís Oyama - 01:34 | Enviar Comentário

 30 de setembro de 2009

Pusilanimidades e alucinações

De novo, Zelaya – o hóspede cada vez mais inconveniente – usou a embaixada brasileira para chamar “a resistência às ruas”. O presidente deposto já havia feito o mesmo no domingo – e deu no que deu. Sua exortação foi o principal argumento utilizado pelo governo Micheletti para decretar o estado de exceção em Honduras. Diante da reincidência de Zelaya, o que fez o ministro Celso “Não Há o Que Fazer” Amorim?

Precisamente o que tem feito até agora, ou seja, nada.

Diante dos jornalistas convocados para a entrevista, Zelaya deu plena vazão aos seus delírios: voltou a falar na iminência de uma invasão militar à missão diplomática e disse que a crise hondurenha já produziu “uma centena de mortos”, embora “eles contabilizem só dez” (foram três as vítimas dos confrontos entre polícia e zelaystas).

Dois fatores podem estar contribuindo para as alucinações do hondurenho: o cansaço (hoje à tarde, Zelaya filho não agüentou e pediu para sair, junto com a namorada – dos membros da família, resta agora apenas Xiomara Zelaya, que faz aniversário amanhã) e a qualidade das leituras do presidente deposto.

Prova de que só pensa naquilo, Zelaya está lendo “El Candidato”, do argentino Jorge Bucay, autor de obras como “Vinte Passos para a Felicidade” e “Amar de Olhos Abertos”. “El Candidato” é seu primeiro título de ficção. A resenha descreve assim a mirabolante trama que anda embalando as noites do Comandante Vaqueiro:

Um certo coronel que, por décadas, comanda com mão-de-ferro uma obscura república resolve, de uma hora para outra, convocar eleições democráticas. A população fica radiante de felicidade, mas eis que essa alegria é interrompida por uma série de assassinatos misteriosos que um psicólogo forense, sua namorada jornalista e um cientista tentarão solucionar, correndo assim enormes riscos de vida.

Alucinante.



Por Thaís Oyama - 01:07 | Enviar Comentário

 29 de setembro de 2009

A embaixada que já era


 

Diante da rejeição praticamente unânime ao decreto que estabeleceu o estado de exceção em Honduras, o governo Micheletti engatou marcha-a-ré. Nem a fala grossa do presidente interino na entrevista coletiva de ontem – que ele encerrou com o punho levantado e o brado “Honduras!” – conseguiu disfarçar o fato de que seu grupo saiu enfraquecido do episódio.

Quanto ao ultimato dado ao governo Lula para que defina a situação de Zelaya (dez dias, que se esgotam na próxima terça), no entanto, nenhum recuo: os comunicados oficiais feitos pelas rádios ao longo do dia de ontem se referiam à embaixada brasileira como “o local que abrigava a missão diplomática” do Brasil. Hoje de manhã, em mensagem endereçada "ao povo das Nações Unidas", o governo liderado por Micheletti reiterou que continuará dando proteção “aos escritórios do Brasil”, ainda que o país não "cumpra com a sua obrigação" de definir o status de Zelaya.

Na prática, o governo Micheletti já retirou o status diplomático da embaixada – o prazo de dez dias é apenas para que os diplomatas entreguem suas credenciais e saiam de Honduras. Nesse caso, o plano do Itamaraty é: esvaziar o local e mandar os funcionários de volta para o Brasil, deixando lá apenas um  – com a ingrata missão de tomar conta de Zelaya.



Por Thaís Oyama - 12:24 | Enviar Comentário

 28 de setembro de 2009

Honduras amanhece sob estado de exceção


A exortação para que a população hondurenha se organizasse para "praticar atos de desobediência civil", feita anteontem da embaixada do Brasil pelo presidente deposto, Manuel Zelaya, serviu de pretexto para que o governo de Roberto Micheletti endurecesse. O presidente interino de Honduras baixou decreto que proíbe as manifestações públicas, suspende a liberdade de imprensa, autoriza prisões sem ordem judicial e permite o fechamento imediato de veículos de comunicação que "incitarem a insurgência" ou "atentarem contra a ordem pública". O decreto foi veiculado ontem às 20h (23h em Brasília), em cadeia nacional de rádio e televisão. Hoje, dia 28, a destituição de Zelaya completa três meses. Manifestações em favor do presidente deposto estavam previstas para ocorrer em toda a capital, Tegucigalpa. Agora, estão proibidas por decreto. As próximas horas dirão a quem os hondurenhos irão obedecer.



Por Thaís Oyama - 14:18 | Enviar Comentário


Stress no Big Brother zelaysta

Os hóspedes provisórios da embaixada brasileira começam a dar sinais de cansaço. A rotina de dormir sobre papelões, enfrentar uma hora de fila para tomar banho gelado, almoçar e jantar sopa instantânea (isso no caso da ratatouille, já que o Big Brother zelayista não aboliu a sociedade de classes e ao presidente deposto, bem como à sua família, são reservados outros quitutes) está aumentando a irascibilidade dos presentes. As discussões no andar de baixo da embaixada têm sido frequentes e, por vezes, acaloradas.

Mas a inquietação não se limita ao setor dos anônimos. Também no seio da família Zelaya ela vem crescendo. Uma neta do presidente deposto está para nascer em Tegucigalpa, entre terça e quarta-feira. A impossibilidade de acompanhar a chegada do bebê tem afligido sobretudo sua mulher Xiomara, que ontem de manhã recebeu a visita e o consolo de um religioso próximo à família.



Por Thaís Oyama - 14:17 | Enviar Comentário


Zelaya, fique à vontade: a casa é mesmo sua


Nenhuma surpresa: a enfática reação do Brasil diante do fato consumado de que Zelaya está usando a embaixada como bunker para exortar os hondurenhos à insurreição resumiu-se a um acanhado pedido oficial para que ele "abstenha-se de fazer conclamações e que não ultrapasse os limites já firmados".

A progressiva desenvoltura com que o hondurenho vem se comportando e a proporcional condescendência com que vem sendo tratado pelo governo brasileiro permitiram que, ontem, o presidente deposto distribuísse comunicado a jornalistas instando a população de Honduras a "organizar-se para promover atos de desobediência civil contra a ditadura" - coisa que ele sabe muito bem no que pode dar.

A tensão em Tegucigalpa é crescente. A presença de soldados, e agora das tropas de choque, diante da embaixada foi reforçada ontem e hoje. Amanhã, dia 28, completam-se três meses da deposição de Zelaya e grandes manifestações de rua estão sendo esperadas.

O ministro Celso Amorim soube do episódio do comunicado de Zelaya aos hondurenhos assim que chegou ao Brasil, vindo da Venezuela, na noite de ontem. Nem se deu ao trabalho de transmitir ele mesmo ao presidente deposto a resoluta e inapelável mensagem do governo brasileiro. Passou a tarefa para o único diplomata presente na embaixada, o ministro-conselheiro Lineu Pupo de Paula - que, aliás, já havia dito o mesmo ao hondurenho no dia anterior. Zelaya deve estar tremendo de medo.



Por Thaís Oyama - 14:16 | Enviar Comentário


A verdade sobre o "gás mortal" de Zelaya

De onde quer que tenha partido o tal "gás tóxico" de que falou Manuel Zelaya, ele não teve outro efeito que não o de servir para que o presidente deposto exercesse seu marketing histriônico mais uma vez.

Um cheiro forte de gás foi de fato sentido na manhã de sexta-feira na embaixada brasileira e alguém terá de dar uma explicação sobre isso. Mas, segundo relatos insuspeitos de quem está lá dentro, ele:

- não provocou mais do que um ressecamento passageiro na garganta e um ardor nas narinas

- ninguém passou mal, vomitou sangue ou urinou sangue por causa disso, como alardeou Zelaya, que hoje chegou a comparar a substância às "duchas de gás nazistas"

- os médicos da Cruz Vermelha não foram impedidos de entrar para examinar os supostos "feridos"

- os 63 partidários do presidente deposto que se encontram na embaixada estão todos muito bem, obrigado

Tão bem que hoje, depois do almoço, resolveram se juntar para, aproveitando a recém permitida proximidade da imprensa, espalhar cartazes na varanda com frases conclamando a resistência. Só desistiram depois de tomar uma bronca do novo encarregado de (tentar) manter o que resta da autoridade brasileira na embaixada, o ministro-conselheiro Lineu Pupo de Paula.

Um pouco mais tarde, foi a vez do próprio Zelaya mostrar que, na qualidade de "hóspede", já ultrapassou todos os limites da desenvoltura: em comunicado distribuído aos jornalistas que estão dormindo na embaixada, exortou os hondurenhos a "organizar-se em cada aldeia, bairro, povoado, município, para promover atos de desobediência civil contra a ditaduras". Zelaya não tem mais qualquer dúvida de que a embaixada brasileira é seu bunker particular. Registre-se que ontem mesmo o presidente Lula ligou para o hondurenho para pedir-lhe um pouco de moderação e compostura. Agora, terá de engolir a seco mais essa afronta.



Por Thaís Oyama - 14:09 | Enviar Comentário
 
Publicidade

 
  VEJA | Veja São Paulo | Veja Rio | Expediente | Fale conosco | Anuncie | Newsletter |