Papo de mãe e filho: Rosane e Yuri Gofman em comédia no teatro
Rosane Gofman e Yuri Gofman estão em cartaz com a comédia Doutor- Como enlouquecer um médico em um dia até domingo, no Teatro Clara Nunes, no Rio. Antes de continuar a turnê pelo Brasil, mãe e filho– colegas de elenco e diretor e atriz no espetáculo– contam à coluna, com humor e discordâncias sinceras, como a parceria funcionou até aqui.
Yuri: “Quando atuei em minha primeira peça, aos 14 anos [hoje Yuri tem 29], minha mãe sentenciou sem maiores rodeios: ‘Filho, escolhe outra coisa, porque você não leva jeito para ser ator.’ Ela queria me preservar desse mercado agressivo. Demorei uns 12 anos até conquistar a admiração e a confiança dela e convencê-la de que ser ator era o meu caminho. Hoje, somos grandes parceiros. É a sétima peça em que a dirijo e o quinto trabalho em que dividimos o palco.”
Rosane: “Gente, eu nem me lembro de ter falado assim. Deixa eu explicar. Yuri era muito fechado e tímido, mas cantava muito bem. Então, eu disse que ele seria melhor cantor do que ator. Quando começou a me dirigir, a gente brigava muito. Era difícil. Mas tudo mudou depois dessa peça. Confio de olhos fechados no que ele diz para fazer no palco. Yuri não é o tipo de ator que nasceu pronto, mas se tornou super profissional. Agora, os nossos conflitos no trabalho só acontecem nos ensaios”, conta, rindo.
Yuri: “Trabalhar com ela é fácil. Ensaiar é um inferno. Difícil é dizer para a pessoa que te ensinou tanto que ela deve fazer diferente. Temos o temperamento forte e sempre nos confrontamos muito, mas achamos um lugar onde a gente se entende perfeitamente, que é o palco. O público percebe essa relação e se diverte.”
Rosane: “É verdade. Eu detesto ensaiar, é muito chato. Gosto de fazer. E ele diz: ‘Tem que ensaiar, mãe. Ainda não está bom.’ É muito divertido contracenar com ele e é prazeroso assisti-lo. Eu sento na minha cadeira no palco e fico admirando. Às vezes, até me perco em cena. Somos mãe e filho. O conflito existe, mas o amor é muito maior”.
Por Paula Neiva
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