‘GPS Pergunta’ com Mateus Solano: o beijo gay em “A Novela das 8”

O título A Novela das 8, filme brasileiro de Odilon Rocha, pode enganar os desavisados. Não se trata da saga de uma heroína nem de um documentário sobre uma das maiores paixões nacionais. É um melodrama que se passa nos tempos da ditadura e das discotecas (mais precisamente em 1978, enquanto a novela Dancin’ days fazia sucesso na TV e lançava moda) e expõe dramas pessoais atemporais.
Um deles fala da descoberta da homossexualidade (incluindo um beijo gay entre os dois personagens) e tem Mateus Solano, um jovem diplomata, e o estreante Paulo Lontra, um adolescente filho de pais guerrilheiros, como personagens principais. Mateus Solano (que além de lançar o filme está no elenco de Gabriela, como Mundinho Falcão) conversou com a coluna nesta sexta-feira, no Rio de Janeiro. Confira:
Uma das cenas mais comentadas do filme é a do beijo gay que você protagoniza com Paulo Lontra (que interpreta Caio). Está na hora de exibirem um beijo gay também nas novelas das 8?
A televisão dá ao espectador o que ele está pedindo e o público ainda não quis ver dois homens se beijando. Beijo gay é algo que já existia na sociedade muito antes de qualquer novela ir ao ar. Acredito que esse beijo gay masculino ainda não foi exibido porque o público ainda não quis ver.
Você se preparou para essa cena?
Sinceramente, não. Faz parte do meu trabalho como ator e está na categoria de coisas que não faço na minha vida pessoal, mas que o papel pede. E não é uma novidade na minha carreira. Já havia feito duas outras cenas de beijo gay. Uma foi para a novela “Um Só Coração”, que acabou cortada. A outra foi no teatro, com o Álamo Facó [atualmente em A mulher invisível, como Wilson].
Seu pai é diplomata [é o atual embaixador do Brasil na República Dominicana], o que proporcionou a você um contato próximo com essa carreira: a mesma de João Paulo, seu personagem no filme. O que existe de autobiográfico em seu personagem?
Não diria que esse é um personagem autobiográfico. Levei para ele sentimentos que observei serem comuns nessa profissão. Muitos deles são sorridentes, falantes, mas, no fundo, sentem tristeza e uma grande solidão. São pessoas que não podem criar raízes em um lugar e que sabem que, quando fazem amigos, vão ter de deixá-los, vão ter de se mudar para algum outro lugar do mundo três anos depois de chegar.
Aos 30 anos de idade, você não viveu os tempos de ditadura. Chegou a assistir a algum capítulo da novela Dancin’ days, que inspirou a ambientação do filme?
Não cheguei a assistir nada, mas já ganhei os DVDs. O que mais chamou minha atenção no roteiro foi a história dos personagens. Cada um deles daria um filme inteiro— do policial a favor da ditadura que faz uma reflexão sobre por que caça guerrilheiros ao que diz para não atirarem nele porque é testemunha de Jeová.
E qual é a sua novela das 8 preferida?
Não tenho uma. Até pouco tempo atrás, achava que era “Que Rei Sou Eu?!”, mas descobri que essa novela foi das 19h00.
Por Paula Neiva
Twitter: @gpsveja
Para ler a coluna completa, acesse: www.veja.com/gps
Nota publicada originalmente em 17 de março de 2012, às 7:00
Tags: gabriela, gps, paula neiva










Hollande confirma saída das tropas do Afeganistão até fim do ano
Setor privado terá espaço de debate durante a Rio+20
Figurante morre após gravação para o programa de Fátima Bernardes





