Entrevista com Letícia Colin, a nova ‘Bonitinha mas Ordinária’
Letícia Colin, 23 anos, é uma das atrizes mais carismáticas da nova geração. Com o sorriso aberto que é sua marca registrada, ela está nos palcos com o musical Como Vencer na Vida sem Fazer Força, que, com Luiz Fernando Guimarães e Gregório Duvivier no elenco, faz temporada de casa lotada no Rio. Além da peça, outro sucesso certeiro a aguarda em breve. Letícia é a protagonista de Bonitinha mas Ordinária filme inspirado na obra de Nelson Rodrigues, rodado em 2010, mas que só será lançado agora, em 24 de maio. O papel inclui a cena forte do estupro de sua personagem por vários homens que, em versão anterior (encenada por Lucélia Santos), tornou-se um clássico do cinema nacional. Na entrevista à coluna, a atriz falou sobre a tal cena, filmada quando tinha apenas 18 anos, sobre o teatro e outros temas. Confira.
Paula Neiva
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Bonitinha, mas Ordinária foi filmado cinco anos atrás, quando você tinha 18 anos de idade. Qual a sensação de assistir ao longa tanto tempo depois? O tempo ajudou a criar um distanciamento que faz com que assistir à cena seja confortável para mim. Não tenho aquela cobrança sobre o meu desempenho. Nesse tempo aconteceu muita coisa e fiz vários outros trabalhos que ajudaram a tirar um pouco o meu foco do filme. Quando assisti, eu o fiz sem julgar a minha atuação, mas com curiosidade sobre como eu pensava, naquele tempo, que seria esse personagem, a Maria Cecília.
Há cenas fortes no filme, como aquela em que sua personagem sofre uma curra. Qual foi a maior dificuldade ao fazer a cena? Era a primeira vez que fazia cinema. A câmera fica bem perto dos atores e as duas pessoas que a manipulam, o fotógrafo e o foquista, ficam bem dentro das cenas. Isso era diferente para mim. Mas havia muito respeito dentro do set, eu me senti segura. Todos eram profissionais e levaram aquilo com seriedade. Mas era um cena que demandava preparo e muito energia. É uma sequência que pede força física e vocal.
Outra personagem sua foi vítima de pedofilia. Temas muito fortes apareceram no seu currículo cedo. De qual maneira essas atuações marcaram o seu amadurecimento? Fazer personagens que vivem situações reais, traumas ou eventos tristes me ensinou que o trabalho do ator é realmente especial, diferente de tudo e muito poderoso. Esses papéis vão além de entretenimento ou de apenas fazer cenas curiosas ou polêmicas. É uma forma de entender a alma humana e de mostrar que é preciso respeitar a vida e as pessoas.
Imagens de suas cenas de nudez vazaram antes mesmo de o filme chegar aos cinemas. Como lidou com isso? Esse episódio me mostrou que a integração das pessoas com as novas mídias exige uma reestruturação de tudo. É preciso mais responsabilidade, comprometimento e senso de coletividade. A verdade é que muitas pessoas ainda não estão bem ajustadas a essa nova realidade. Ainda falta inteligência e amor ao próximo.
Em Como Vencer na Vida sem Fazer Força, sua personagem é uma mocinha romântica e ingênua. Ainda há espaço para o romantismo nos tempos atuais? Muito. Afirmo veementemente que sim. Ao menos as pessoas que convivem comigo, que eu encontro, têm muita fé, muito amor, muita delicadeza. Ainda bem.
Esse é o terceiro musical de sua carreira. E, no palco, fica evidente que você está à vontade e tem ótima voz para esse tipo de espetáculo. Pensa em investir na carreira de cantora? Tenho vontade de fazer algo como cantora, sim. Quem sabe, um grupo com amigos talentosos e especiais que conheci nos musicais. Eu imagino a gente tocando, no palco sem ser através de um personagem. Falta tempo, mas um dia vai rolar.
NA LATA… Jogo rápido com Letícia Colin
-A melhor leitura da minha vida: “Os Anos de Aprendizado de Willem Master”, de Goethe
-O filme a que não me canso de assistir: “Coração de cavaleiro”
-Para onde vou quando o tédio bate à porta: Cinema!
-Para onde gostaria de ir para me entediar à vontade: Destinos que tenham cachoeira. E onde o celular não pegue!
-A melhor mentira que já contei por amor: Mentiras pra fazer surpresa! Já disse que não ia a um lugar e apareci sem avisar
-A herança mais preciosa: Meu pai e minha mãe me ensinaram a sorrir pra vida, ser gentil, confiar
-Eu me sinto poderosa quando: Não tento dizer ou fazer coisas pra agradar os outros
-O app em que me viciei: What’s up
-O que mais toca no meu ipod: Arnaldo Antunes
-Comprei e me arrependi: Um colar de metal em forma de asa. É lindo, mas fashion demais para mim
-Usei e me arrependi: Sapato que dói o pé
-A melhor cena que ainda não fiz: Queria fazer um musical dramático, com cenas densas, doídas, desenroladas em formas de canção
-Ícone de estilo: Gosto dos figurinos de seriados Gossip Girl e Mad Man
-Cafona é: Falar palavrão demais, se exibir. E ser preconceituoso ou omisso.
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