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Arquivo de 13 de abril de 2012

13/04/2012

às 8:08 \ GPS Pergunta, GPS/ Rio, Televisão

‘GPS Pergunta’ com Gary Carter, da Fremantle: a receita do sucesso em reality shows

O sul-africano nascido no Zimbabué Gary Carter é diretor de operações da FremantleMedia, umas das gigantes do mundo na criação e exportações de reality shows (entre outros programas, é da Frementle o original do Ídolos exibido pela Record no Brasil). Ele conversou comigo em sua rápida passagem pelo Rio de Janeiro, quando fez palestra no RioContent Market, sobre produção de conteúdo para TV e outras mídias. Confira:

Os ‘reality shows’ encontraram campo fértil no Brasil. O que faz do país um bom mercado para esses programas? No Brasil, assim como em outros países da América Latina, o povo tem uma grande intensidade emocional, é um torcedor apaixonado. Essa é uma característica do público, dos candidatos que disputam o programa e também dos profissionais que trabalham nos bastidores da produção. Esse tripé cria uma audiência engajada e proporciona o aparecimento de um bom elenco para o reality show. Boas histórias, recheadas de drama e polêmica cativam a audiência. Além disso, o público no Brasil é gigantesco.

Esse sucesso no mercado brasileiro o surpreendeu? Não acho tão surpreendente. Afinal, este é um país onde as novelas, com toda a sua carga dramática, são sucesso absoluto. Quando o Big Brother Brasil foi lançado, eu trabalhava na Endemol (que criou o BBB). Lembro que um dos meus colegas de trabalho dizia que o mesmo clima do interior da casa, entre os participantes, se reproduzia nos bastidores do programa. Isso não é muito comum em outros países.

O candidato mais forte é aquele que tem maior potencial para mudar, não apenas o mais talentoso? É aquele que se mostra aberto às experiências que vivencia no confinamento, que evolui com elas. É também aquele que traz uma bagagem interessante, que atrai a atenção do público para acompanhar a sua jornada. O bom reality show é o que seleciona pessoas com características próprias, únicas. O mau reality é o que traz pessoas muito parecidas.

Para se tornar um vencedor em reality shows como Ídolos ou The X-Factor (que buscam novos cantores), o talento é menos importante que sua jornada durante a atração? Um bom reality show é como uma série dramática. Fala da jornada de pessoas que querem realizar seu sonho. Não é apenas o talento que conta para vencer. É o quanto o participante consegue aproveitar para crescer com aquela experiência. Quando se escolhe um participante, além do talento, um fator que deve ser analisado é o potencial que ele tem para evoluir durante o programa.

Na última edição do The X-Factor americano, Rachel Crow, candidata de 13 anos de idade, não reagiu bem ao saber que foi eliminada. Isso levantou a questão sobre a idade mínima para participar desses programas. O que o senhor acha? Eu tenho um filho de 12 anos e não gostaria que ele participasse de um programa assim. No caso de Rachel, ela queria e os pais concordaram. Não acho que deveríamos ter negado sua participação nessas condições. Ainda assim, vendo o que aconteceu, acho que ela era jovem demais para o programa. A idade mínima, para mim, poderia ser 16 anos. Mas é muito difícil entender o impacto da fama e do sucesso sobre cada indivíduo. Mesmo nós, que estamos dentro do negócio ou o observamos de perto, não somos capazes de entender o impacto de ganhar fãs e ser conhecido por milhões de pessoas de uma hora para outra. Nós da indústria, temos a responsabilidade de garantir que essas pessoas continuem sendo bem acompanhadas emocionalmente depois do programa.

Haverá uma versão brasileira do The X-Factor?

Desculpe, mas não posso falar nada sobre isso.

Por Paula Neiva

Twitter: @gpsveja

Para ler a coluna completa, acesse: www.veja.com/gps

Nota publicada originalmente em 7 de março de 2012, às 11:07

 

Leona Forman, da Brazil Foundation: gala estrelado para caridade

Acontece na noite de hoje, em Nova York, a nona edição do jantar de gala da BrazilFoundation, uma das mais bem-sucedidas instituições para arrecadar fundos para projetos sociais brasileiros. A festa (que inclui leilão beneficente) reunirá, na Biblioteca Pública de Nova York, nomes tão poderosos e diversos quanto o estilista Valentino, a modelo Isabeli Fontana e o ator Jesse Eisenberg. Os 506 convites, vendidos por até 50 000 reais cada, esgotaram há cinco semanas.

O nome por trás dessa história de sucesso é Leona Forman, uma chinesa de origem judaica e expressivos olhos verdes, que refugiou-se com os pais no Rio de Janeiro, no início da década de 50. Chegou ao país aos 13 anos, sem falar uma palavra sequer de Português. Duas décadas mais tarde, formada em Jornalismo, trabalhou em publicações de peso como o Jornal do Brasil, O Globo e a revista Realidade. Estudou na França e nos Estados Unidos, onde fincou raízes sem desfazer os laços estreitos com o Brasil.

Aos 40 anos, ingressou no Departamento de Informação Pública das Nações Unidas, coordenando quase uma centena de escritórios espalhados pelo mundo. Vinte anos mais tarde, com a idade em que a ONU aposenta compulsoriamente seus funcionários, criou a BrazilFoundation, com a ideia de arrecadar dinheiro e selecionar ONGS brasileiras para receber essas doações, além de sugerir e conferir o uso dos recursos por elas. “Escolhi o Brasil para retribuir o que recebi. Mas havia grande desconfiança em relação ao terceiro setor no país, porque, em muitos casos, não havia satisfação nenhuma para quem doava”, diz.

A estratégia foi convidar possíveis colaboradores para reuniões com formadores de opinião e montar um grupo de voluntários, que reunia-se na sala de seu apartamento, em Manhattan. Já no primeiro ano, em que foram arrecadados apenas 33 000 dólares, as instituições escolhidas eram de pequeno e médio porte, para facilitar o controle do emprego dos recursos (modelo é adotado até hoje).

Em 2003, o primeiro jantar de gala foi desenhado, nos mesmos moldes de outros eventos tradicionais nos Estados Unidos. “Era um tipo de evento comum nos Estados Unidos, mas o calor dos brasileiros fez toda a diferença.” No ano passado, o mesmo jantar arrecadou a quantia recorde de 2 milhões de dólares. Neste ano, em que o apresentador Luciano Huck e o diretor Carlos Saldanha, entre outros, serão homenageados, a expectativa é de firmar novo recorde. Pela primeira vez, 3 em cada 4 convidados serão brasileiros– residentes ou não nos Estados Unidos. “Eu costumo chamar esse conceito de ‘a diáspora da filantropia’. Os brasileiros doam para o país mesmo estando longe. É um conceito novo, mas que pode revolucionar a maneira como se faz caridade para o Brasil”.

Por Paula Neiva

Twitter: @gpsveja

Leia a coluna completa em veja.com/GPS

Nota publicada originalmente em 19 de setembro de 2011, às 18:02

 

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