‘GPS Pergunta’ com Gary Carter, da Fremantle: a receita do sucesso em reality shows
O sul-africano nascido no Zimbabué Gary Carter é diretor de operações da FremantleMedia, umas das gigantes do mundo na criação e exportações de reality shows (entre outros programas, é da Frementle o original do Ídolos exibido pela Record no Brasil). Ele conversou comigo em sua rápida passagem pelo Rio de Janeiro, quando fez palestra no RioContent Market, sobre produção de conteúdo para TV e outras mídias. Confira:
Os ‘reality shows’ encontraram campo fértil no Brasil. O que faz do país um bom mercado para esses programas? No Brasil, assim como em outros países da América Latina, o povo tem uma grande intensidade emocional, é um torcedor apaixonado. Essa é uma característica do público, dos candidatos que disputam o programa e também dos profissionais que trabalham nos bastidores da produção. Esse tripé cria uma audiência engajada e proporciona o aparecimento de um bom elenco para o reality show. Boas histórias, recheadas de drama e polêmica cativam a audiência. Além disso, o público no Brasil é gigantesco.
Esse sucesso no mercado brasileiro o surpreendeu? Não acho tão surpreendente. Afinal, este é um país onde as novelas, com toda a sua carga dramática, são sucesso absoluto. Quando o Big Brother Brasil foi lançado, eu trabalhava na Endemol (que criou o BBB). Lembro que um dos meus colegas de trabalho dizia que o mesmo clima do interior da casa, entre os participantes, se reproduzia nos bastidores do programa. Isso não é muito comum em outros países.
O candidato mais forte é aquele que tem maior potencial para mudar, não apenas o mais talentoso? É aquele que se mostra aberto às experiências que vivencia no confinamento, que evolui com elas. É também aquele que traz uma bagagem interessante, que atrai a atenção do público para acompanhar a sua jornada. O bom reality show é o que seleciona pessoas com características próprias, únicas. O mau reality é o que traz pessoas muito parecidas.
Para se tornar um vencedor em reality shows como Ídolos ou The X-Factor (que buscam novos cantores), o talento é menos importante que sua jornada durante a atração? Um bom reality show é como uma série dramática. Fala da jornada de pessoas que querem realizar seu sonho. Não é apenas o talento que conta para vencer. É o quanto o participante consegue aproveitar para crescer com aquela experiência. Quando se escolhe um participante, além do talento, um fator que deve ser analisado é o potencial que ele tem para evoluir durante o programa.
Na última edição do The X-Factor americano, Rachel Crow, candidata de 13 anos de idade, não reagiu bem ao saber que foi eliminada. Isso levantou a questão sobre a idade mínima para participar desses programas. O que o senhor acha? Eu tenho um filho de 12 anos e não gostaria que ele participasse de um programa assim. No caso de Rachel, ela queria e os pais concordaram. Não acho que deveríamos ter negado sua participação nessas condições. Ainda assim, vendo o que aconteceu, acho que ela era jovem demais para o programa. A idade mínima, para mim, poderia ser 16 anos. Mas é muito difícil entender o impacto da fama e do sucesso sobre cada indivíduo. Mesmo nós, que estamos dentro do negócio ou o observamos de perto, não somos capazes de entender o impacto de ganhar fãs e ser conhecido por milhões de pessoas de uma hora para outra. Nós da indústria, temos a responsabilidade de garantir que essas pessoas continuem sendo bem acompanhadas emocionalmente depois do programa.
Haverá uma versão brasileira do The X-Factor?
Desculpe, mas não posso falar nada sobre isso.
Por Paula Neiva
Twitter: @gpsveja
Para ler a coluna completa, acesse: www.veja.com/gps
Nota publicada originalmente em 7 de março de 2012, às 11:07
Tags: gps, paula neiva, rio content market




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