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03/09/2009

às 21:17 \ Sem categoria

Experiência em macacos traz esperança para portadoras de doenças mitocondriais

Nesta semana, a revista Nature publicou mais um avanço espetacular. Um grupo de pesquisadores americanos conseguiu gerar macacos saudáveis usando óvulos de duas doadoras: uma forneceu o DNA nuclear e a outra, as mitocôndrias (as organelas que fornecem energia para as células). A grande notícia é que, se for possível repetir isso em humanos, as mulheres afetadas por doenças mitocondriais poderão gerar descendentes livres da doença. Existem mais de 40 patologias causadas por defeitos nas mitocôndrias, incluindo cegueira, surdez, doenças degenerativas, câncer e diabetes. E o que o macaco tem a ver com isso, vocês devem estar se perguntando…

Recordando: o que são mitocôndrias?

As mitocôndrias são organelas que ficam ao redor do núcleo da célula (no citoplasma) e têm um papel importantíssimo: produzir energia para a célula. Uma outra característica dessas organelas é que elas possuem DNA, o chamado DNA mitocondrial. Ele pouco interfere nas nossas características genéticas, mas mutações nesse DNA são responsáveis por várias doenças que podem ser muito graves. Quanto maior o número de mitocôndrias afetadas, maior o comprometimento clínico.

Doenças mitocondriais são transmitidas de mãe para filho

Este é o grande problema. Se uma mulher for afetada por uma doença mitocondrial, existe um risco muito grande de ela transmitir essa doença para sua prole – que será mais ou menos afetada, dependendo do número de mitocôndrias defeituosas presentes no óvulo herdado da mãe. Já os descendentes de homens afetados não correm esse risco, porque praticamente não existem mitocôndrias nos espermatozoides.

O que o experimento com as macacas tem a ver com isso?

Os pesquisadores americanos mostraram que é possível em macacas substituir as mitocôndrias de um óvulo sem  destruí-lo. Essa técnica é denominada transferência de núcleos (seria como pegar dois pêssegos e colocar o caroço do primeiro no segundo, mantendo suas estruturas intactas). Um óvulo com o núcleo de outro foi fertilizado por um espermatozoide e inserido no útero. Três macacas engravidaram e geraram quatro animais normais. Uma delas teve uma gravidez gemelar: Mito e Tracker. A técnica utilizada requer muita habilidade, mas esses cientistas acabam de demonstrar que isso é  factível. Se for possível repetir o experimento em humanos, mulheres afetadas por doenças mitocondriais poderão gerar filhos livres da doença. É um sonho almejado por todas elas.

Mas lá vêm os eternos opositores…

Já estão dizendo que a criança terá duas mães e um pai. Uma mãe biológica e uma mãe mitocondrial, imagino. Que bobagem. Seria como dizer que quem sofreu um transplante também tem duas mães ou dois pais (de acordo com o sexo do doador). Como serão as crises de identidade futuras? Já estou prevendo aquele rapaz em plena crise de adolescência dizendo à mãe: “Você não manda em mim, quem manda é a minha mãe mitocondrial!”

Na minha opinião, trata-se de mais um avanço espetacular. E você, caro leitor, condenaria o uso dessa técnica em humanos?

Por Mayana Zatz


 

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