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telômeros

03/06/2011

às 16:02 \ Sem categoria

Telômeros podem realmente prever sua longevidade?

O lançamento feito pela companhia Life Length em Madrid de um kit que permitiria prever qual é a sua expectativa de vida a partir do tamanho dos seus telômeros causou um frenesi internacional.  Uma enquete no site de VEJA indica que 68% dos leitores fariam o teste para saber quanto tempo têm ainda para viver. Fiquei surpresa porque certamente eu não me submeteria a esse teste. Prefiro não saber quanto tempo tenho ainda para viver. Mas será que no futuro o tamanho dos telômeros será usado para avaliar a nossa saúde? Qual é realmente o valor preditivo dos telômeros na estimativa da nossa expectativa de vida? Para responder a essas perguntas a revista Nature entrevistou a maior expert no assunto: a doutora Elizabeth Blackburn, que ganhou o prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina, em 2009, justamente por suas pesquisas em telômeros.  Ela também é consultora de uma companhia – Telome Health -  que estuda os telômeros e seus impactos na nossa saúde. A resposta de Maria A. Blasco e outros pesquisadores que estão na Life Length foi imediata. As duas estão em companhias concorrentes.

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Por Mayana Zatz

07/10/2009

às 21:15 \ Sem categoria

Um brasileiro explica o Nobel de Medicina

A genética ganhou de novo. Desta vez, os laureados no prêmio Nobel de Medicina foram os telômeros, as estruturas que ficam nas extremidades dos cromossomos. Os vencedores foram três americanos: Elizabeth Blackburn, Carol Greider e Jack Szostak. Entender o papel dos telômeros e da telomerase, a enzima que os regula, vai nos ajudar a compreender mecanismos relacionados com envelhecimento, formação de tumores e algumas doenças genéticas.

Para falar disso, entrevistei o Dr. Rodrigo Calado, um jovem e brilhante pesquisador brasileiro que não conseguiu se “calar” quando soube da notícia. Foi quase “um ganhador”. Ele, que está atualmente no NIH (National Institute of Health, nos Estados Unidos), possui trabalhos importantíssimos relacionados com telômeros e tem colaborado conosco para desvendar essas estruturas nas células-tronco.

Por favor explique em uma linguagem “leiga” o que são os telômeros e qual a sua importância.

Rodrigo Calado - Os telômeros são as pontas dos nossos cromossomos e servem como verdadeiros protetores dos cromossomos contra danos externos. Eles funcionam mais ou menos como aquele plástico nas pontas de um cadarço de sapato, que não deixam que o cadarço se desfie, estrague e perca a sua função. Entretanto, da mesma forma como aquele plástico acaba se estragando com o passar do tempo e você não consegue mais passar o cadarço pelos buracos do sapato ou do tênis, o telômero também se desgasta e se encurta com as divisões da célula, impedindo que ela continue a se dividir. As células-tronco, para evitar esse desgaste, contêm uma enzima especial chamada telomerase, que repara os telômeros e preserva o seu comprimento, permitindo assim que essas células tão importantes continuem a se multiplicar e manter, por exemplo, as células do sangue constantemente durante toda a nossa vida, como os glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

O senhor conhece e já interagiu com as ganhadoras do prêmio Nobel? Qual foi a sua reação quando soube do prêmio?

R.C. – Sim, o grupo de pesquisadores na área de telômeros não é tão grande assim ao redor do mundo e nos reunimos pelo menos uma vez por ano para apresentar e discutir as descobertas nessa área. Tive a chance de discutir meu trabalho com a Dra. Elizabeth Blackburn, que sempre é muito motivadora e ajuda com ideias interessantes. A Dra. Carol Greider também lidera um grupo de estudos mais voltado para as implicações clínicas, ou seja, para pacientes com problemas nos telômeros, semelhante aos interesses do nosso grupo no NIH, e compartilhamos informações e ideias sobre o assunto.

O seu grupo fez descobertas importantes relacionando os telômeros e doenças genéticas ou hematológicas. O senhor poderia falar um pouco a respeito?

R.C. – Nosso grupo descobriu alterações nos telômeros de alguns pacientes com anemia aplástica, uma doença do sangue em que a medula óssea para de produzir as células do sangue e consequentemente o paciente tem anemia, infecções por conta do baixo número de glóbulos brancos e sangramentos por causa das plaquetas baixas. O que descobrimos foi que esses pacientes têm mutações no gene que produz a enzima telomerase, que então não funciona adequadamente. Como consequência, os telômeros ficam muito curtos e a célula-tronco hematopoética para de se dividir. Com isso, a medula óssea para de funcionar adequadamente e o número das células do sangue torna-se reduzido.  Descobrimos também que essas mutações causam uma instabilidade muito grande dos cromossomos e podem aumentar o risco do desenvolvimento de cânceres, como a leucemia aguda.

Sabemos que os telômeros diminuem de tamanho com o envelhecimento celular  e que a enzima telomerase regula o seu tamanho. Já me perguntaram se não valeria a pena colocar telomerase nas células para diminuir seu envelhecimento. Quais seriam os potenciais benefícios e riscos?

R.C. – Constatamos recentemente aqui no NIH que os hormônios sexuais, tanto o andrógeno (hormônio masculino) quanto o estrógeno (hormônio feminino), são capazes de estimular a produção de telomerase na célula-tronco da medula óssea, e este é um tratamento muitas vezes bastante efetivo. É interessante que mulheres após a menopausa que fazem reposição de hormônio têm telômeros mais longos que mulheres pós-menopausa que não fazem essa reposição. Outra forma de aumentar a telomerase na célula seria a terapia gênica, em que o gene da telomerase seria inserido no núcleo da célula e esta então passaria a produzir mais telomerase e reparar adequadamente os telômeros. Mas os estudos em humanos feitos até hoje se mostraram muito complicados e existe uma alta chance de desenvolvimento de câncer. Isso porque é muito difícil acertar na mosca em relação a onde e como colocar este gene no núcleo da célula. Muitas vezes, este gene acaba se “instalando” perto de algum oncogene, ou seja, um gene “precursor” de tumor. Em resumo, apesar das inúmeras pesquisas e do enorme potencial futuro, a terapia gênica ainda é uma promessa distante da aplicação prática em medicina.

Por Mayana Zatz

 

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