24/09/2010
às 18:19 \ pesquisasPrêmio Jovens Mulheres Cientistas
Nesta quinta-feira tivemos a  quinta festa de premiação L’Oreál/ABC/Unesco para jovens mulheres cientistas. Lembro-me que quando ganhei o Prêmio L’Oréal/Unesco para mulheres na ciência em 2001 – esse outorgado a cinco mulheres por ano, uma cientista por continente – a primeira pergunta que me fizeram foi: como é ser uma mulher cientista no Brasil? Há muita discriminação? Para surpresa dos jornalistas respondi que eu nunca me senti discriminada no Brasil por ser mulher. O que não acontece em muitos paÃses, inclusive nos Estados Unidos, onde os salários para as mulheres cientistas são muito menores do que os dos homens. Pasmem.
A prova está aÃ
O prêmio para jovens cientistas comprova isto. Desde 2006  a L’Oréal, juntamente com a Academia Brasileira de Ciências e a Unesco, instituiu um prêmio para  jovens cientistas brasileiras. As mulheres selecionadas ganham  20.000 dólares para serem utilizados nas suas pesquisas. As candidatas precisam ser doutoras, com tese defendida no máximo há cinco anos, terem publicações em revistas cientÃficas internacionais e um bom projeto de pesquisas. Parece difÃcil, não? Pois bem, esse ano foram 438 inscritas que preenchiam esses pré-requisitos. Um número impressionante.
São várias áreas
O prêmio é dividido em quatro áreas: biológicas, fÃsica, quÃmica e ciências exatas.
Mas o interessante é que a distribuição não é proporcional. O número de candidatas para as ciências biológicas é sempre significativamente maior. Esse ano foram 20 para a fÃsica, 32 para a quÃmica , 18 para ciências matemática e 368 para as biológicas (biológicas, biomédicas e saúde). Se fosse uma eleição, a biologia ganharia de longe  no primeiro turno.
Um super parabéns as vencedoras desse ano. Quem são elas e quais são seus projetos?
Para imprimir a segunda via do forumulário e/ou submeter seus arquivos eletronicamente, clique aqui.
Ciências Matemáticas
Audrey Helen Mariz de Aquino Cysneiros
Teoria Assintótica de Mais Alta Ordem
Ciências FÃsicas
Lucimara Pires Martins
A Maior e Mais Completa Biblioteca Estelar de Alta Resolução para SÃntese de Populações Estelares
Ciências QuÃmicas
Kathia Maria Honorio
Inibição da Sinalização TGF-beta: Planejamento de Substâncias Bioativas com Potenciais Aplicações para o Tratamento de Fibrose, Aterosclerose e Câncer
Ciências Biomédicas, Biológicas e da Saúde
Bruna Romana de Souza
Papel dos hormônios gonadais no reparo tecidual cutâneo de camundongos cronicamente estressados
Cristiane Matté
Avaliação do efeito do exercÃcio fÃsico materno durante a gestação sobre parâmetros de metabolismo energético e estresse oxidativo no encéfalo de rato
PatrÃcia Fernanda Schuck
Mecanismos fisiopatológicos da fenilcetonúria: estudo dos efeitos in vivo da fenilalanina
Simone Appenzeller
Avaliação da saúde sexual e qualidade de vida em mulheres com doenças reumáticas
Porque a preferência pela área de biológicas? Temos sempre uma discussão polêmica
O comitê julgador é formado de cinco pesquisadores e as quatro cientistas que já ganharam o prêmio internacional L’Oréal/Unesco para mulheres na ciência, Belita Koiller e Beatriz Barbuy, na área de ciências exatas, e Lúcia Previato e eu na área de biológicas.  Porque o interesse sempre desproporcionalmente maior das mulheres para a área de biológicas? Essa é a nossa eterna discussão. Ambiental ou genético? Será que isso tem causas sócio-culturais, como educação ou menores chances de emprego para mulheres ou está escrito no nosso DNA? Isto é, nós mulheres terÃamos mais interesse genético por assuntos como saúde ou fenômenos biológicos  que nos influenciam mais diretamente?
O que você acha ?






