30/10/2009
às 21:47 \ Sem categoriaOs primeiros formandos de pré-iniciação cientÃfica da USP
Em outubro de 2008, há exatamente um ano, iniciamos o primeiro programa de pré-iniciação cientÃfica na Universidade de São Paulo. Abrimos nossos laboratórios para 400 alunos de escolas públicas, para que fossem pesquisadores por um ano. Hoje estamos festejando a formatura da primeira turma. O depoimento dos alunos e seus trabalhos mostra que o programa foi um sucesso.
Transcrevo neste espaço minha fala emocionada no encerramento do evento:
Aos 16 anos, eu tinha dois sonhos: estudar genética e entrar na USP. Genética??? Pouca gente sabia o que era isso. Mas entrar na USP era mais do que minha obrigação. Eu estudava em uma escola pública, o Colégio Estadual de São Paulo. Estudar em uma escola pública naquela época era um trampolim seguro para entrar em uma boa universidade. Cursinho??? Nem pensar… Aluno daqui não precisa fazer cursinho, diziam enfaticamente os nossos professores.
Aos poucos, infelizmente, a situação se inverteu. Esses mesmos alunos de escolas públicas são aqueles que têm a maior dificuldade para entrar nas melhores universidades.
Como reverter esse processo? Como plantar pelo menos uma sementinha?
Foi pensando nisso que tive um novo sonho. O de abrir as portas da nossa universidade para os melhores alunos das escolas públicas. Dar-lhes a oportunidade de serem pesquisadores por um ano. Desmistificar a Universidade como uma meta inatingÃvel. Esse sonho só foi possÃvel porque inúmeras pessoas acreditaram nele e sonharam junto. A nossa equipe na pró-reitoria de pesquisas foi incansável. O Pedro Bombonato, Myriam Krasilchik, Paulo Saldiva. Sem eles o programa não teria decolado. Os professores da USP que acolheram a ideia e os alunos de braços abertos. A Secretaria de Educação. O grupo Santander, que deu bolsas aos alunos, e o grupo Monsanto, aos professores das escolas públicas. Ao Flavio Fava , à FMUSP e à FUSP. À revista FAPESP. A vocês, nosso muito obrigado.
E foi assim que nasceu a ideia de se fazer um programa de pré-iniciação cientÃfica na USP. Tivemos que ultrapassar inúmeros obstáculos. A nossa maior força era a vontade de que desse certo. Em outubro de 2008, conseguimos finalmente iniciar o programa. Para minha surpresa, uma maioria esmagadora de meninas. A expectativa dos alunos era enorme. A nossa também. ConseguirÃamos com esse programa despertar a sua curiosidade? Motivá-los a estudar mais? Melhorar a sua autoestima? Dar-lhes coragem para enfrentar o vestibular? Será que ia dar certo???
Os depoimentos dos alunos, os primeiros formandos em pré-IC pela USP, são emocionantes. Eles nos convenceram definitivamente que esse programa precisa ser continuado. O ano que vem já está garantido. Descobri que no CNPq existem bolsas para esse programa. as bolsas de IC-júnior. E como eu sou uma pedinte profissional, lá fui eu pedir ao prof. Marco Antonio Zago 400 bolsas para o ano que vem. MuitÃssimo obrigada, Zago, por atender imediatamente a esse pedido.
Vou terminar lendo o depoimento de uma menina, Magda, que foi aluna da FEA. Ele fala por si.
MAGDA: “Oportunidade”. Esta é a palavra-chave que explica tudo o que estamos vivenciando. O Programa de Pré-Iniciação CientÃfica foi uma porta que abriu caminho e nos deu base para traçar um novo horizonte.
Quando a nós foi apresentado, as perspectivas de inserção nesse universo eram poucas, mas estávamos dispostos a continuar. Metas incomensuráveis, tudo parecia distante, mergulhado em um impasse de limitações. Não criamos tantas esperanças, mas nos munimos do necessário para não desanimar. Entre tantas instituições escolares, entre tantos alunos, não poderÃamos imaginar que a nós ia ser concedida a chance de saborear novos conhecimentos, aguçar o prazer de aprender.
Depois dos obstáculos vencidos, a recompensa! Meus conceitos foram completamente transformados. Minha visão monetária, com toda a certeza, jamais será a mesma, meu parecer sobre riqueza, bem-estar social e pobreza tomaram outros valores.
Os laços de aprendizado entre professores e alunos foram reforçados, num englobar de conhecimento, amizade, espaço e tempo. E essa experiência me fez acreditar em algo mais, mensurou metas que pareciam inalcançáveis, extinguiu e anulou limitações, aproximou um pouco mais sonho de realidade.
Agradeço a todos os responsáveis que de alguma forma nos fizeram seguir em frente. Espero que estas palavras tenham traduzido o grande impacto que o Programa de Pré-Iniciação CientÃfica causou em seu decorrer.
Magda, o teu depoimento tem uma força incrÃvel. É a prova viva de que o nosso sonho aconteceu. Vocês precisam levar essa mensagem a todos os jovens. Acreditem! Ousem! Não se intimidem com um ” é difÃcil”. Não deixem de tentar com medo de ouvir um não! Se vocês não tentarem, nada acontecerá. Mas se tentarem, o pior que pode acontecer é nada. E vocês se surpreenderão ao ver quantas metas aparentemente “impossÃveis” vocês atingirão.
O evento que estamos celebrando hoje é a prova disso. O fato de termos o nosso governador José Serra, o secretário de Educação, Paulo Renato, o secretário de Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, o presidente do CNPq, Marco Antonio Zago, e tantas autoridades e professores pioneiros da educação aqui presentes mostra que a contaminação deu certo. Vocês jovens, com o vÃrus da curiosidade, com a vontade de ultrapassar obstáculos. E nós com a certeza de que valeu a pena, de que a sementinha germinou e de que ela precisa se espalhar.
Foi só uma sementinha, repito! Foram só 400 alunos. Mas temos 620 universidades no estado de São Paulo. Se todas as universidades de São Paulo oferecerem 400 vagas, serão 248.000 alunos só em São Paulo. E se todas as 2.500 universidades brasileiras fizerem o mesmo, serão 1 milhão de alunos . Isso fará uma diferença. Isso fará nosso paÃs colher novos frutos.
Trata-se de um programa de Estado e não de governo.
Universidades, escolas públicas: parceiros de um amanhã!
Esse é o próximo desafio. É nisso que precisamos acreditar. E é por isso que vamos lutar.
Muitissimo obrigada.
Assista ao vÃdeo sobre o projeto:
Tags: escola pública, pré-iniciação cientÃfica, primeiros formandos, universidade, USP




