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Parkinson

09/02/2012

às 12:07 \ pesquisas

Alzheimer, Parkinson e a proteína Tau

(Foto: Thinkstock)

Amplamente noticiada, na semana passada, uma pesquisa afirmava que a proteína Tau, quando alterada se propagaria no cérebro causando a doença de Alzheimer. O trabalho demonstrando o comportamento anormal da proteína no cérebro de camundongos foi publicado na revista PlosOne.

Eu fiquei mais entusiasmada, porém, com outra pesquisa que também acaba de ser publicada na revista Nature Medicine (29 de janeiro), mostrando que a deficiência da Tau na sua forma solúvel – não a proteína anormal – seria a responsável pelo acúmulo de ferro na doença de Alzheimer e Parkinson com demência, ocasionando a morte dos neurônios. E o que é mais animador: os autores dessa pesquisa propõem uma nova abordagem terapêutica baseada nesses achados. A “tau da proteína parece realmente importante.

Agregados da proteína Tau são encontrados no cérebro de pacientes com Parkinson e doença de Alzheimer

Sabemos que a proteína Tau, quando anormal, forma emaranhados neurofibrilares no cérebro de pacientes com doença de Alzheimer (DA), Parkinson (DP) e outras doenças degenerativas do cérebro. Essas doenças são classificadas genericamente como “taupatias”. Entretanto, pouco se sabe sobre a função normal da Tau e como ela atua nessas patologias.

Deficiência de Tau e acúmulo de ferro

Os autores dessa nova pesquisa descobriram que os níveis solúveis da proteína Tau estavam diminuídos no cérebro de pacientes que haviam falecido com a DP. Por outro lado, outras pesquisas já haviam reportado acúmulo de ferro no cérebro de pacientes com DP (numa região denominada substancia nigra), na córtex de pacientes com DA e em outras regiões cerebrais em outras formas de taupatias. Isso levou os pesquisadores a levantar então a seguinte hipótese: seria a deficiência da Tau responsável pelo acúmulo de ferro?  Para responder essa questão geraram camundongos transgênicos deficientes para essa proteína.

O que foi observado nos camundongos deficientes para Tau?

Como os sintomas tanto da DP como da DA só aparecem em idade avançada, havia a expectativa de que nos camundongos transgênicos isso também poderia acontecer. De fato, até os 6 meses de idade eles se comportavam como animais normais. Aos 12 meses, porém, a diferença era gritante. Os animais transgênicos apresentavam perda cognitiva, tinham alterações severas na locomoção e em todos os testes funcionais quando comparados com os camundongos controles. Além disso, sabe-se que em pacientes com a DP há uma perda e disfunção dos neurônios dopaminérgicos, responsáveis pela produção da dopamina. Isso também foi observado nos camundongos transgênicos. Eles tinham acúmulo de ferro no cérebro e 40% menos neurônios dopaminérgicos em comparação aos controles normais.

Qual foi o próximo passo?

A próxima questão era saber se o quadro clínico nos animais transgênicos poderia ser evitado com uma droga que diminui o acúmulo de ferro no cérebro dos animais. Os camundongos foram então tratados com clioquinol, uma droga que tem esse efeito – a partir dos 6 meses e durante 5 meses. E então a boa notícia: o tratamento evitou o início da degeneração. Entretanto, uma questão ainda a ser resolvida é que nesses animais, diferentemente dos seres humanos, a doença não progride após os 12 meses o que representa uma limitação do modelo.

Qual a importância dessa pesquisa?

Em resumo, ela demonstrou que a deficiência da Tau causa um acúmulo tóxico de ferro no cérebro e que animais geneticamente modificados com deficiência dessa proteína são um bom modelo para pesquisar as alterações patológicas que causam doença de Parkinson e Alzheimer. Os achados demonstraram que, além de formar agregados tóxicos no cérebro na sua forma anormal, a Tau também é necessária para prevenir danos associados ao envelhecimento. Portanto novas abordagens terapêuticas que mantenham a solubilidade da Tau e sua abundancia poderão ser muito promissoras. Repito: aprofundar as pesquisas com a “tau” da proteína será muito importante.

Por Mayana Zatz

17/11/2011

às 20:29 \ Sem categoria

Mais um passo

Células- tronco embrionárias humanas formam neurônios produtores de dopamina em modelos animais de Parkinson

Com o envelhecimento da população a incidência de doenças da “maior idade”- ou melhor idade- vem aumentando substancialmente. A doença de Parkinson (DP) é uma delas. Segundo estimativas, nos Estados Unidos há 1 milhão de pessoas vítimas dessa doença – embora esses dados não sejam conhecidos com precisão para a nossa população. A idade de início geralmente se dá após os 50 anos, mas cerca de 5% das pessoas com DP tem menos de 40 anos. A DP é causada pela morte dos neurônios dopaminérgicos (ND), produtores de dopamina. Uma pesquisa recente coordenada pelo Dr. Lorens Studer, com células-tronco embrionárias (publicada na revista Nature de novembro) revela um avanço muito importante.

Quais são as consequências da perda dos neurônios dopaminérgicos?

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Por Mayana Zatz

05/05/2011

às 21:54 \ Sem categoria

Células-tronco e Parkinson: benefícios e riscos

Uma nova pesquisa realizada por nossa equipe no Centro do Estudo do Genoma Humano (CEGH), que acaba de ser publicada na revista Stem Cell Reviews and Reports,  mostrou pela primeira vez que células-tronco retiradas de cordão umbilical humano foram muito benéficas quando injetadas em ratos com uma forma induzida de doença de Parkinson. Mas essa mesma pesquisa mostrou os riscos que podem advir desse procedimento, se este não for realizado com todo o rigor científico. Uma etapa do estudo usou um preparo de células-tronco contaminado com fibroblastos. As duas estruturas podem ser facilmente confundidas ao microscópio. Ao injetar as células-tronco “contaminadas” com fibroblastos no cérebro de ratos, verificou-se que todos os efeitos benéficos observados com o uso exclusivo das células-tronco foram abolidos.  Diversas clínicas anunciam atualmente terapias com células-tronco sem que haja maior controle do que é feito. Uma clínica na Alemanha, a X-cell, que oferece um pseudo-tratamento desse tipo para pacientes com inúmeras doenças, acaba de ser fechada porque causou a morte de um bebê e uma hemorragia cerebral grave em outra criança. Por isso, mais uma vez,  é fundamental alertar os pacientes que se submetem a esses tratamentos sobre os riscos que estão correndo.

Para falar sobre isso, entrevistei o Dr. Keith Okamoto que coordenou a pesquisa no CEGH.

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Por Mayana Zatz

 

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