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osso

18/02/2010

às 21:44 \ Sem categoria

Células-tronco e regeneração óssea

Recebo sempre e-mails de pessoas querendo saber se é possível regenerar osso com células-tronco. Existem muitos bebês que nascem com alterações craniofaciais que requerem uma regeneração óssea eficiente. Mas o número de pessoas que poderão se beneficiar no futuro com essa tecnologia é gigantesco. Se há um tecido que merece ser pesquisado é o osso. De fato, existem inúmeros grupos de pesquisadores trabalhando com esse propósito. Se você procurar no pubmed, o site que lista todas as publicações internacionais sobre esse assunto, verá que há 3.430 trabalhos. Vou falar então das pesquisas que estamos realizando no Centro do Genoma Humano. Para isso, vou entrevistar a Dra. Maria Rita Passos-Bueno e a Dra. Daniela Bueno, que lideram essas pesquisas.

Dra. Rita, vocês estão comparando o potencial de diferentes CT para regenerar osso. Quais são as fontes que vocês já pesquisaram?
R: Estamos trabalhando com células-tronco humanas provenientes de vários tecidos como: polpa de dente de leite, tecido adiposo (descartado em cirurgia principalmente de lipoaspiração), tecido muscular de lábio descartado em cirurgias corretivas de lábio em pacientes fissurados (lábio leporino), entre outros.

Estas fontes celulares são comumente utilizadas?
R: As células-tronco de polpa de dente e de tecido adiposo têm sido objeto de muitas pesquisas e já foram caracterizadas por vários grupos, incluindo o nosso grupo do Centro de Estudos do Genoma Humano-IB USP. Contudo, a Dra. Daniela Bueno, em sua tese de doutorado, descreveu pela primeira vez as células-tronco provenientes de músculo de lábio (músculo orbicularis oris) de pacientes fissurados.

Como é feito o experimento?
R: Estabelecemos as culturas de células-tronco e iniciamos o estudo para confirmar se elas possuem potencial de regenerar osso. Primeiro são realizados testes no laboratório em frascos de cultura (in vitro) para ver se estas células conseguem formar tecido ósseo. Além disso, fazemos experimentos em ratos, para confirmar se estas células podem realmente formar osso “in vivo”. Nestes experimentos, além das células-tronco, utilizamos biomateriais, isto é, moldes que podem ter diversas composições químicas e que auxiliam no processo de ossificação. Eles servem como suporte para que as células-tronco se fixem antes de serem aplicadas nos modelos animais.

Quais são os próximos passos?
R: Um dos nossos próximos passos será avaliar o uso destas células para reconstrução do defeito alveolar de pacientes fissurados, que será um projeto liderado pela Dra. Daniela Bueno. A cirurgia crânio-facial também poderá se beneficiar muito desta nova tecnologia para reabilitar as deformidades crânio-faciais, incluindo a cirurgia de cabeça e pescoço. Além disso, estamos testando outras fontes de células-tronco para avaliar qual delas têm um potencial melhor para formar osso.

Vocês acreditam que os resultados obtidos na regeneração da calota craniana poderão ser extrapolados para ossos longos como o fêmur?
R: Certamente, e já estamos iniciando uma colaboração com o Instituto de Ortopedia da USP para aplicar essa metodologia na reconstrução de outros tipos de ossos.

Quais as principais áreas da saúde que poderão ser beneficiadas pelo uso desta nova tecnologia?
R: Além das já citadas, a odontologia. Esta nova tecnologia poderá beneficiar os pacientes que necessitam de osso para realização de implantes ósseo-integrados.

Por Mayana Zatz

 

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