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mutação

23/07/2010

às 18:05 \ dna

Progeria


Gostaria de saber como ocorre a alteração no dna genético de pessoas portadoras de Progeria.

(Monaline Oliveira)

Há três semanas, o grande assunto na mídia era a suposta descoberta dos genes da longevidade, publicado em um artigo na prestigiosa revista científica Science, a partir do estudo de centenários. Segundo os autores seria possível, com base na análise de 150 variantes genéticas, prever com 77% de certeza se uma pessoa iria viver mais de 95 anos. Logo em seguida, especialistas no assunto mostraram que o trabalho tinha graves erros metodológicos. Prever se vamos ou não ser longevos parece ser bem mais complexo. Por outro lado, o gene que determina um envelhecimento extremamente acelerado, responsável por uma doença chamada progeria, é já bastante conhecido.

O que é a progeria?

A forma infantil de progeria (do grego geras, “velhice”) é uma doença letal, caracterizada por um dramático envelhecimento prematuro. A forma mais severa desta doença (chamada síndrome de Hutchinson-Gilford, em homenagem aos cientistas que a descreveram) tem início nos dois primeiros anos de vida com diminuição do crescimento, perda de cabelo e da gordura subcutânea, enrijecimento das articulações e aterosclerose. A inteligência é normal. Aos 10 anos essas crianças têm o aspecto de centenários. Acabam falecendo, em geral, antes dos 14 anos, de causas comuns de morte em idosos como ataques cardíacos e derrame. Felizmente, a doença é muito rara. Estima-se que ela afete um de cada 4 a 8 milhões de recém nascidos.

A progeria é causada por mutações no gene da Lamina-A/C.

Em 2003 descobriu-se que a forma infantil de progeria era causada por mutações em um gene que codifica uma proteina nuclear denominada lamina A. O mecanismo molecular ainda não é bem conhecido, mas sabe-se que a mutação causa um defeito no reparo do DNA. Embora seja uma doença genética, não é herdada porque os afetados não chegam a idade de reprodução. Por outro lado, para os pais o único consolo é que o risco de repetição é extremamente baixo porque todos os casos são resultantes de mutações novas.

Longevidade e progeria.

É interessante notar que, enquanto inúmeros genes interagindo com o ambiente são necessários para permitir que vivamos mais, um só gene , quando defeituoso, é capaz de produzir um envelhecimento acelerado e interromper uma vida prematuramente. É quase como reduzir 100 anos para 10. Embora seja uma condição tão rara, a progeria tem sido objeto de muitas pesquisas. Entender o defeito genético responsável por um ciclo de vida tão encurtado certamente nos ajudará a elucidar os mecanismos do envelhecimento e atuar de modo a estender a nossa expectativa de vida com qualidade.

Por Mayana Zatz

06/05/2010

às 11:16 \ Sem categoria

Os 20 anos do diagnóstico pré-implantação, o DPI

O especialista em reprodução assistida Alan Handyside assina um artigo recente na revista Nature fazendo um balanço dos 20 anos desde o primeiro diagnóstico pré-implantação (DPI). Ele conta como começou, o que é possível hoje e as perspectivas futuras. No artigo, intitulado Let parents decide (“Deixem que os pais decidam”), Handyside defende que os genitores – quando bem informados – são geralmente bons juízes para decidir se devem ou não recorrer ao uso dessa tecnologia. No caso de doenças genéticas, concordo que quem convive com elas sabe melhor do que ninguém se quer ou não que elas sejam transmitidas. Mas e quando um casal quer selecionar um embrião não para evitar uma doença mas sim para garantir filhos semelhantes a eles? O que fazer em casos como o da surdez ou do nanismo?

Como é realizado o DPI?
Para quem não conhece a técnica, vale explicar que o DPI é um procedimento difícil, que nunca poderá ser utilizado em larga escala. Ela requer primeiro uma fertilização in vitro. Quando o embrião tem de 8 a 16 células é possível, antes de implantá-lo no útero, retirar uma ou duas células e verificar se existe alguma alteração no número ou estrutura dos cromossomos (ou se é do sexo masculino ou feminino). Porém, só é possível descobrir se há alguma mutação específica responsável por uma doença genética se a mutação já for conhecida. Caso contrário, seria como procurar uma agulha num palheiro. Portanto, o DPI só é indicado para famílias de alto risco, ou seja, que já tiveram um filho ou parente próximo afetado e não querem ter um filho com o mesmo problema. Essa técnica permite que o casal selecione somente os embriões sem a mutação para serem implantados, permitindo-lhes assim gerar um descendente livre daquela doença.

Como começou e o que é possível hoje?
Quando a técnica surgiu, vinte anos atrás, o objetivo era prevenir o nascimento de meninos afetados por doenças que só atingem o sexo masculino, como a distrofia de Duchenne ou a hemofilia. Os casais em risco se submetiam a fertilização assistida e só eram implantados embriões do sexo feminino. Com o avanço da tecnologia, tornou-se possível selecionar embriões para outras características, o que tem gerado grandes discussões éticas. Uma delas, que é permitida nos Estados Unidos e que foi aprovada na Grã-Bretanha com limitações, é o caso dos chamados embriões “salvadores”. Esses embriões são selecionados para que sejam compatíveis no caso de doação do sangue do cordão umbilical (ou da medula óssea) para um irmão ou irmã afetado por uma doença tratável com células-tronco de cordão ou medula. É ético ou não ético conceber uma criança para ajudar a salvar um filho que está morrendo? Isso já foi tema de novela e de um filme recente, Uma Prova de Amor.

Evitar doenças ou satisfazer a vontade dos pais?
E se no futuro os casais quiserem escolher embriões de acordo com a cor dos olhos, estatura, habilidade para esportes ou outras características que gostariam de ter ou julgam vantajosas? E o que dizer daqueles que recorrem ao DPI porque querem selecionar embriões que sejam semelhantes a eles, como no caso da surdez, só para citar um exemplo? De acordo com um livro recente de Dena Davies (Genetic Dilemmas), embora a maioria seja contra, algumas clínicas oferecem essa opção nos Estados Unidos. O argumento dos pais é que a surdez não é um defeito mas uma cultura linguística a ser preservada. Ou defendem que seus filhos têm o direito ao silêncio. Por um lado, é muito reconfortante saber que pessoas sem audição estão tão bem adaptadas que não achem que passar essa característica a seus filhos possa prejudicá-los. Outra coisa é usar o DPI para ter certeza que não irão gerar descendentes com audição normal. O direito ao silêncio? Concordo que todos nós gostaríamos de ser surdos às vezes. Na época das campanhas políticas, então, nem se fala. Mas isso tem que acontecer por opção nossa, e não por uma imposição irreversível. Não há dúvidas de que, por mais bem adaptada que seja, uma pessoa que não ouve tem mais dificuldades em várias situações, como falar ao telefone, precaver-se de alguns perigos, aprender uma outra língua ou viver em outro pais. Além disso, é justo privar uma pessoa deliberadamente do prazer e da emoção que sentimos ao ouvir música?

Será que esquecemos que eles não são nossos?
Como diria Khalil Gibran, o célebre pensador libanês: “Seus filhos não são seus filhos. São os filhos e filhas da Vida desejando a si mesma. Eles vêm através de vocês, mas não de vocês. E embora estejam com vocês, não lhes pertencem. Vocês podem lhes dar amor, mas não seus pensamentos, pois eles têm seus próprios pensamentos. Vocês podem abrigar seus corpos mas não suas almas, pois suas almas vivem na casa do amanhã, que vocês não podem visitar, nem mesmo em seus sonhos. Vocês podem lutar para ser como eles, mas não procurem torná-los iguais a vocês. Vocês são o arco de onde seus filhos são lançados como flechas vivas.”
E você, caro leitor, o que acha? Na sua opinião, quais são os limites para o uso do diagnóstico pré-implantação?
Por Mayana Zatz


 

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