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Profissão, prazer e retorno financeiro

quinta-feira, 1 de outubro de 2009 | 22:36

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Mayana, sou uma aluna do 1º ano do Ensino Médio e leitora da sua coluna em VEJA.com. Comecei a estudar Biologia e , mesmo sabendo tão pouco, amo esse assunto. Estou um pouco confusa sobre qual carreira seguir. Fico receosa de não poder conciliar prazer e retorno financeiro nessa área. Gostaria de saber como é trabalhar com genética.
(Júlia Dias de Oliveira Campos)

Recebo inúmeros emails de jovens que dizem querer seguir a área de genética e imagino que todos têm a mesma preocupação: é possível conciliar prazer e retorno financeiro? Se você tivesse feito essa pergunta há 30 anos, eu diria que não, a genética era uma ciência pouco conhecida e aparentemente de pouca aplicação prática. Os alunos da medicina daquela época não entendiam porque tinham de estudar genética. Hoje, a situação mudou radicalmente: a genética é a ciência do século XXI. Mas será que ser geneticista é uma profissão rentável?

É uma área muito ampla

É importante lembrar que a genética não se limita à parte humana e à parte médica, que tem sido o meu foco de pesquisas. Existe a genética animal, a genética vegetal, a genética de micro organismos e a biotecnologia que podem ter aplicações práticas mais rentáveis que a genética humana.

Que profissão pode garantir retorno financeiro?

Essa garantia não existe Júlia, para nenhuma profissão. Até pouco tempo atrás, acreditava-se que entrar no mercado financeiro era garantia de alto salário. Mas essa situação parece estar mudando. Veja o que aconteceu nos últimos meses. Entre as profissões de futuro a biotecnologia e a genética parecem despontar como as grandes estrelas. Vale a pena apostar nelas? Na minha opinião existe um pré-requisito fundamental para o sucesso em qualquer atividade profissional…

Escolha sua profissão por paixão

Mais do que prazer, faça a sua escolha por paixão, Júlia. Um trabalho, não importa qual, onde você não sinta as horas passar. Se você conseguir uma profissão que a motive a ponto de envolvê-la de corpo e alma, o retorno virá. Talvez você não tenha um salário milionário, mas certamente se sentirá muito mais realizada que muitas pessoas frustradas, donas de jatinhos particulares. É assim que me sinto e é isso que desejo a você e a todos os jovens que estão começando ou questionando uma carreira.

Por Mayana Zatz

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Quanto você precisa dormir?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009 | 20:28

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Estamos cansados de ouvir que dormir o suficiente é muito importante para ter um bom desempenho e manter a saúde. O número de horas apregoadas pela maioria dos especialistas é de 8 horas. Entretanto, algumas pessoas dizem que não se sentem descansadas com menos de 9 ou 10 horas de sono, enquanto outras se sentem muito bem dispostas dormindo menos de 6 horas por noite. A necessidade individual de sono depende de hábitos ou dos nossos genes?

Se você sente culpa por gostar de dormir saiba que existe sim uma influência genética no número de horas  que cada pessoa necessita para se sentir descansado. É o que mostra uma pesquisa publicada na revista Sciences, de 14 de agosto.

Os genes do sono

Os genes que influenciam o sono ainda são pouco conhecidos, mas sabemos que a variabilidade entre pessoas de uma população obedece a uma herança dita multifatorial, como a altura ou o peso. Os fatores ambientais (prática de esportes, stress, alimentação adequada etc..) são responsáveis por 50% e a contribuição genética (chamada de herdabilidade) responde pelos outros 50%. Ela depende de vários genes cada um com um efeito pequeno. Em um extremo da curva estão aqueles que precisam de pouco sono e no outro os conhecidos “dorminhocos”. Entretanto, mutações em alguns genes podem ter um efeito significante no nosso sono. É sobre isso o artigo publicado pelo Dr. Ying He e seus colaboradores.

Mutação em indivíduos de pouco sono

Esses pesquisadores descobriram que uma mutação (P385R) em um gene denominado DEC2 - envolvido entre outras coisas no ritmo circadiano - está aparentemente associado a pouca necessidade de sono. Essa mutação foi encontrada em uma família - denominada de família de pouco sono - (short sleep family). Os portadores da mutação (mãe e filho) dormiam cerca de 6 horas, enquanto os outros familiares, que não tinham a mutação, dormiam em média 8 horas (variando de 7.4 a 9.4).

Trata-se de uma mutação rara. Como saber se ela exerce mesmo esse efeito?

Essa mutação identificada em uma família não foi encontrada em 250 indivíduos da população. Como então ter certeza que ela influencia o sono? Para ter essa resposta os cientistas geraram um camundongo transgênico com a mesma mutação. Observaram que os animais portadores da mutação permaneciam  ativos entre 1.2 a 2.5 horas a mais que os controles sem a mutação. Confirmaram assim seus achados em humanos.

Afinal, quanto sono precisamos?

Trata-se de uma pergunta não só de interesse social, mas também científica, que tem sido objeto de muitas pesquisas: qual é o papel ou a importância do sono no nosso desempenho e bem-estar? Estudos genéticos serão muito importantes para desvendar esse mistério. Por outro lado, confesso que fiquei aliviada ao saber que se trata de uma mutação rara. Imaginem se tivéssemos que nos submeter a um teste de DNA para sabermos se temos uma propensão genética a dormir muito ou pouco antes de sermos aceitos em um novo emprego?

E você, caro leitor? Sabia que os genes influenciam a sua necessidade de sono?

Por Mayana Zatz

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