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dna

05/01/2012

às 15:00 \ pesquisas

Remédios personalizados: o futuro já começou?

(Foto: Creatas/Thinkstock)

A famosa Clinica Mayo, em Rochester nos Estados Unidos, acaba de anunciar que está iniciando um projeto muito ambicioso.  Vai armazenar os dados do genoma dos pacientes junto com suas fichas médicas. Essas informações genômicas serão futuramente utilizadas pelos médicos antes de receitar remédios. Estima-se que temos cerca de 23.000 genes que determinam nossas características hereditárias. Mutações ou alterações nesses genes são responsáveis por doenças genéticas. Mas, além disso, variações nos nossos genes que podem passar desapercebidas a vida inteira podem ter um papel fundamental na nossa resposta a drogas. É a farmacogenômica, que irá revolucionar a prática atual de prescrições de drogas.

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Por Mayana Zatz

09/09/2010

às 16:55 \ Sem categoria

Um novo dilema: quando a incerteza é mais tolerável que a certeza

Os comitês de ética estão no momento discutindo a regulamentação para o uso do DNA de pacientes, armazenados em universidades ou institutos de pesquisas.Tem toda a razão. Mas na prática do Aconselhamento Genético, vivemos situações para as quais não há regras e as decisões precisam ser tomadas caso a caso, depois de muita discussão e reflexão. É o caso que vou relatar a seguir. O que você faria?

Pedro e sua irmã mais nova Susana vieram ao centro do genoma há 10 anos. O motivo? Queriam saber se tinham herdado o gene que causava uma forma hereditária de ataxia e que havia afetado a sua mãe, seu avô e dois dos seus tios maternos. Trata-se de uma forma de ataxia que se manifesta geralmente após os 30 anos e cuja evolução pode ser muito rápida levando a perda total de movimentos em pouco tempo. Como existem muitos genes que causam esse quadro o primeiro passo foi tentar identificar qual era a forma que havia acometido a mãe de Pedro e de Susana. Coletamos o DNA de todos mas não conseguimos descobrir qual era o gene defeituoso. Isso tornava impossível saber se os irmãos haviam herdado a mutação.

Incerteza, às vezes, é melhor que certeza
As pessoas em risco se testam sempre na esperança de não terem herdado a mutação. Mas por outro lado, confirmar que ela está presente e que ela pode se manifestar a qualquer momento, como uma bomba prestes a ser detonada, pode ser uma carga difícil de suportar. Por isso, confesso que ficamos de certa forma aliviados pelo fato de não poder determinar se os dois irmãos haviam ou não herdado a mutação. Teriam que continuar na incerteza, talvez melhor do que a certeza de uma má noticia.

O que mudou dez anos depois
Os dois irmãos acabam de voltar ao Centro de Estudos do Genoma Humano. Pedro tem 45 anos e, infelizmente, é claramente afetado. Susana, com 35, não tem nenhum sinal clínico. A sua mãe que era afetada já faleceu. Coletamos nova amostra de Pedro e, dessa vez, com o avanço das tecnologias, foi possível descobrir qual é o gene responsável por essa doença. Só que algo importante mudou. Susana não quer mais saber, em hipótese nenhuma, se herdou ou não a mutação. Não suportaria a notícia de ser portadora de uma doença tão devastadora, ainda sem tratamento. Por outro lado, ela decidiu que quer engravidar mas não quer correr o risco de transmitir a mutação para seus descendentes. Como? Optou por fazer uma fertilização assistida utilizando o espermatozóide de seu marido e um óvulo doado de uma mulher normal. Para ela, submeter-se a todo esse procedimento é menos doloroso do que arriscar saber se herdou ou não o gene “doente”.

Qual é o nosso dilema? Como ajudar?
Temos o DNA congelado de todos os membros da família quando foi coletado dez anos atrás. Seria possível testar esse DNA e saber se Susana herdou ou não a mutação, sem o seu conhecimento. Em caso positivo, ela não precisaria saber e continuaria o seu plano de se submeter a uma fertilização assistida com um óvulo doado. Mas e se não tivesse a mutação? Que noticia fantástica! Poderia se livrar de um pesadelo e ser a mãe biológica de seus filhos, naturalmente, sem se preocupar.

O que você faria caro leitor nessa situação?

Por Mayana Zatz

19/11/2009

às 6:22 \ Sem categoria

Xampus, DNA, células-tronco

Muitos produtos falam que contêm DNA, ou que agem no DNA. O que realmente fazem? O que o DNA vegetal faz para deixar os cabelos mais bonitos? O que o creme antirrugas faz no DNA do rosto? Soube de um shampoo de células-tronco, ele funciona?
(Natalia)

Produtos de beleza com DNA

Outro dia, um colega me contava de uma senhora no supermercado encantada ao encontrar shampoo com DNA. Segundo ela, o DNA – aquela dupla hélice colorida e brilhante que ela havia visto na televisão – iria se enrolar em volta dos fios de cabelo e assim ficaria mais bonito e saudável. Certamente ela não sabia que aquela dupla hélice colorida esquematizada na TV é muito diferente do DNA presente nas células do corpo.

Colocar DNA em um xampu ou outro produto de beleza não é difícil

O DNA está em toda parte. Quando você toma um café, deixa seu DNA na borda da xícara. Se colar um envelope com saliva, lá vai um pouco do seu DNA. Se você deixar cair lágrimas, saliva ou espirrar no seu xampu, estará adicionando seu próprio DNA. Você poderá até dizer que é um produto com DNA personalizado. Agora que você já sabe a receita para enriquecer seu xampu com DNA (seu ou de outra pessoa) experimente. Veja se seu cabelo fica realmente mais bonito.

E as células-tronco?

Depois do DNA, a última moda são as células-tronco. Muito mais convincentes. Se a expectativa é de que elas sirvam no futuro para regenerar tecidos, porque não colocá-las nos cremes de beleza? Afinal os mais caros prometem tirar as rugas e regenerar a pele. Será que esse efeito será redobrado se forem adicionadas células-tronco aos cosméticos? Seria uma maravilha. E o risco de formar tumores?

O cultivo de células-tronco depende de condições muito especiais

Se você comprou um creme de beleza “supostamente” com células-tronco saiba primeiro que, como qualquer célula, para se multiplicar e proliferar as células-tronco precisam estar vivas. Para mantê-las vivas elas precisam ser armazenadas a temperaturas muito baixas (170 graus negativos), em tanques de nitrogênio líquido. Uma vez descongeladas, requerem condições muito especiais para crescer: nutrientes específicos, temperatura controlada,etc…

Alguns cosméticos afirmam que contêm produtos para estimular nossas células-tronco

O que seriam esses produtos, ninguém sabe. É um segredo guardado a sete chaves, mas de qualquer modo isso é muito diferente de conter células-tronco vivas. Portanto, a menos que você tenha recebido injeções de células-tronco vivas, ou seu produto de beleza é mantido em tanque de nitrogênio, não se preocupe com o risco de tumores. Mas também não espere formação de novos tecidos. Quanto ao efeito cosmético, faça a seguinte experiência: coloque por alguns dias o produto na metade do seu rosto e um bom creme hidratante na outra metade. E tire suas próprias conclusões.

Por Mayana Zatz

15/10/2009

às 22:55 \ Sem categoria

Quebra de sigilo: do Enem ao nosso genoma

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A quebra do sigilo da prova do Enem tem ocupado todos os espaços da mídia. Concordo totalmente com Jorge Forbes quando ele diz: “Não há segurança possível se, por segurança, for entendido o direito de cada um manter indevassado todos os aspectos de sua vida.” (caderno Aliás do jornal Estado de S.Paulo, 11 de outubro). Infelizmente. Isso nos remete a outro assunto, muito polêmico: a quebra de sigilo do nosso genoma, dos segredos contidos no nosso DNA. A quem pertencem essas informações?

Bancos de DNA

Os bancos de DNA armazenados em institutos de pesquisas são controlados por um esquema muito rígido de sigilo. Para ter acesso a essas amostras é necessário passar por rigorosos comitês de ética e justificar muito bem qual será o seu uso. E é claro, sempre com o consentimento dos doadores das amostras. Mas, ao contrário do caso do Enem, de escutas telefônicas ou da quebra de sigilo na internet não é necessário realizar nenhum crime para obter o DNA de alguém.

Nosso DNA está em toda parte

Nós o deixamos em toda  parte: na xícara onde bebemos nossos cafés, nos talheres que usamos nos restaurantes, no lenço de papel onde espirramos, nas cutículas que retiramos ao fazer as unhas nos salões de beleza, nos modess com nosso sangue menstrual (cuidadosamente embalados em invólucros higiênicos e prontos para serem levados) ou na ponta do cigarro que fumamos. Vocês devem se lembrar do caso da Roberta – irmã do Pedrinho que havia sido sequestrado ao nascer – e que teve seu DNA analisado em uma ponta de cigarro descartada, sem o seu consentimento.

Que informações poderão ser obtidas no nosso DNA?

A análise do nosso DNA nunca permitirá descobrir o que pensamos, o que sabemos ou o que sentimos. Mas informações como falsa paternidade ou o risco aumentado para algumas doenças estarão lá, disponíveis para todos. O sequenciamento do DNA vem permitindo obter um número cada vez maior de informações. E quem sabe, no futuro será possível saber se temos mais propensão para alguns traços de personalidade ou comportamento como agressividade, bom humor, otimismo.

A quem interessa?

Para os paparazzi seria um prato cheio. Além de seguir os famosos para obter fotos reveladoras, eles poderiam coletar também seus DNAs.  Já imagino as manchetes sobre os filhos de Michael Jackson, por exemplo. Mas o mais preocupante são as companhias de seguro saúde que certamente gostariam de saber se temos um risco aumentado de termos algumas doenças de alto custo para elas. Nossos empregadores também poderiam querer usar essas informações antes de nos aceitar.

Ético ou não ético?

Talvez você não tenha sido prejudicado pelo exame do Enem e não esteja interessado nas aventuras extra conjugais ou nas intimidades genômicas dos colunáveis. Mas quebrar o sigilo na internet  ou revelar segredos contidos em DNA é um assunto que diz respeito a todos nós. Para alguns juristas o DNA descartado não nos pertence mais. Portanto não é crime ou algo antiético usar ou revelar as informações obtidas nele. E você o que acha?

Por Mayana Zatz


 

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