29/04/2010
às 12:29 \ Sem categoriaEsclerose Lateral Amiotrófica: falta mais ousadia
A excelente entrevista do historiador Tony Judt, acometido por esclerose lateral amiotrófica, a VEJA, levanta uma questão muito importante. Por que não acelerar a aprovação de novas tentativas terapêuticas para doenças como a ELA, que podem provocar rapidamente a morte e para a qual não existe tratamento?
Por onde começar?
Recebo diariamente inúmeros e-mails de pessoas se oferecendo como cobaias. São pessoas que se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas devido a acidentes, crianças acometidas por paralisia cerebral e até aquelas que procuram uma solução para sua calvície. São pessoas que sofrem, mas não correm risco de morrer. Podem esperar até que as pesquisas com células-tronco se tornem mais seguras. Mas em casos de doenças rapidamente progressivas, como a ELA, não há tempo. Um ano de espera e pode ser tarde demais.
Quais são os riscos?
Pensando friamente, o maior risco é não dar certo, ou seja, não conseguirmos alterar o curso natural da doença. No caso das células-tronco, temos duas preocupações: o risco de se formarem tumores ou das células não se diferenciarem naquelas que queremos. Mas, se não tentarmos, como saber?
E as pesquisas malfeitas?
Será que não é a nossa cautela em discussões relacionadas à ética – que nunca são simples e rápidas – que aceleram a ida de pacientes a clínicas não credenciadas, que oferecem tratamentos caríssimos, sem comprovação científica? Além do prejuízo para os pacientes, que voltam mais pobres e sem resultados, a prática realizada em centros como a China, só para citar um, não traz nenhum benefício para a ciência. Não há protocolo de pesquisas, não sabemos o que é injetado, não há acompanhamento dos pacientes. Não temos nem o consolo de aprender com os erros, com os tratamentos que não funcionaram.
Se não há alternativa, não vale a pena arriscar?
Em 3 de dezembro de 1967, o cirurgião sul-africano Christiaan Barnard fazia o primeiro transplante de coração humano. Foi uma decisão corajosa e arriscada, mas não havia alternativa. Esse primeiro paciente só sobreviveu 18 dias, mas muitas milhares de pessoas foram salvas desde então. Não está na hora de ousarmos mais? De arriscarmos mais, começando por condições rapidamente progressivas para as quais não há alternativa?
Tags: células-tronco, ela, pesquisas














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