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células-tronco

29/04/2010

às 12:29 \ Sem categoria

Esclerose Lateral Amiotrófica: falta mais ousadia

ousadia-ciencia

A excelente entrevista do historiador Tony Judt, acometido por esclerose lateral amiotrófica, a VEJA, levanta uma questão muito importante. Por que não acelerar a aprovação de novas tentativas terapêuticas para doenças como a ELA, que podem provocar rapidamente a morte e para a qual não existe tratamento?

Por onde começar?

Recebo diariamente inúmeros e-mails de pessoas se oferecendo como cobaias. São pessoas que se tornaram paraplégicas ou tetraplégicas devido a acidentes, crianças acometidas por paralisia cerebral e até aquelas que procuram uma solução para sua calvície. São pessoas que sofrem, mas não correm risco de morrer. Podem esperar até que as pesquisas com células-tronco se tornem mais seguras. Mas em casos de doenças rapidamente progressivas, como a ELA, não há tempo. Um ano de espera e pode ser tarde demais.

Quais são os riscos?

Pensando friamente, o maior risco é não dar certo, ou seja, não conseguirmos alterar o curso natural da doença. No caso das células-tronco, temos duas preocupações: o risco de se formarem tumores ou das células não se diferenciarem naquelas que queremos. Mas, se não tentarmos, como saber?

E as pesquisas malfeitas?

Será que não é a nossa cautela em discussões relacionadas à ética – que nunca são simples e rápidas – que aceleram a ida de pacientes a clínicas não credenciadas, que oferecem tratamentos caríssimos, sem comprovação científica? Além do prejuízo para os pacientes, que voltam mais pobres e sem resultados, a prática realizada em centros como a China, só para citar um, não traz nenhum benefício para a ciência. Não há protocolo de pesquisas, não sabemos o que é injetado, não há acompanhamento dos pacientes. Não temos nem o consolo de aprender com os erros, com os tratamentos que não funcionaram.

Se não há alternativa, não vale a pena arriscar?

Em 3 de dezembro de 1967, o cirurgião sul-africano Christiaan Barnard fazia o primeiro transplante de coração humano. Foi uma decisão corajosa e arriscada, mas não havia alternativa. Esse primeiro paciente só sobreviveu 18 dias, mas muitas milhares de pessoas foram salvas desde então. Não está na hora de ousarmos mais? De arriscarmos mais, começando por condições rapidamente progressivas para as quais não há alternativa?

Por Mayana Zatz

16/04/2010

às 17:12 \ Sem categoria

O que são xenotransplantes?

transplantes-humanos-ilustracao

Olá, Mayana. Sou leitora assídua da sua coluna em VEJA.com. Parabéns pelo seu trabalho! Doutora, gostaria que a senhora falasse na sua sua coluna sobre os xenotransplantes, dizendo o que são e como está o desenvolvimento deles. (Ana Elisa)

O que são xenotransplantes?

O termo xenotransplante é empregado para o transplante de células, tecidos ou órgãos de uma espécie para outra. Por exemplo: o transplante do coração de um porco ou macaco para o homem. Como existe uma escassez de órgãos humanos, cerca de 60% dos pacientes que aguardam um transplante acabam morrendo na lista de espera. Por isso, se fosse possível utilizar órgãos de outras espécies, muitas vidas poderiam ser salvas. Mas existem inúmeros problemas – tais como a rejeição, a transmissão de doenças e o ciclo de vida mais curto dos animais – que ainda impedem tornar essa técnica viável. Para quem trabalha com células-tronco humanas, transplantá-las para um modelo animal, que chamamos de xenotransplante, é um passo fundamental antes de partirmos para ensaios clínicos.

O que está sendo feito?

Estudos sobre os mecanismos de rejeição e como evitá-los poderão no futuro permitir xenotransplantes. É possível que órgãos de porcos, que são os que mais se assemelham aos humanos, possam no futuro ser manipulados geneticamente de modo a substituir órgãos humanos defeituosos. Por exemplo: poderia ser possível introduzir genes humanos no porco de modo a “enganar” o sistema imunológico humano e impedir a rejeição.

Camundongos nas pesquisas

Existem camundongos que são imunodeficientes. Os camundongos nude (“pelado” em inglês, devido à ausência de pelagem), por exemplo, têm uma mutação genética que inibe seu sistema imunológico. Aceitam qualquer transplante sem rejeitá-lo. Esses animais são preciosos para os cientistas porque permitem estudos em um organismo vivo.

Os xenotransplantes são fundamentais

O único modo de saber como as células-tronco humanas se comportam em um organismo vivo é através de xenotransplantes. Nossa equipe no centro de estudos do genoma humano tem como objetivo avaliar quais são as melhores fontes de células-tronco humanas para se diferenciar em tecido ósseo e muscular. Para isso temos que injetar essas células em animais como camundongos e ratos. As perguntas que queremos responder são: Qual é a melhor fonte de células-tronco? Para formar músculo? Ou osso? Qual é a melhor via de injeção? Como garantir que cheguem ao órgão-alvo? Como impedir a rejeição? Os xenotransplantes de células humanas em camundongos são o pré-requisito para responder essas perguntas antes de qualquer ensaio clínico.

As boas notícias

Em uma pesquisa realizada por nossa equipe, injetamos células-tronco de tecido adiposo humano em camundongos que tinham uma doença muscular. E os resultados foram animadores. As células foram para o músculo dos animais, produziram a proteína muscular que estava faltando nesses camundongos e promoveram uma melhora clínica. E o mais surpreendente: as células humanas não foram rejeitadas, apesar dos camundongos terem um sistema imunológico normal. Esse fenômeno da não-rejeição de certos tipos de células-tronco humanas (as chamadas células mesenquimais) já foi comprovado em vários estudos de xenotransplantes. Isso é muito animador, porque se isso também ocorrer em seres humanos, será aberto um leque enorme de doadores de células-tronco potencialmente compatíveis.

Por Mayana Zatz

09/04/2010

às 22:00 \ Sem categoria

Esclerose lateral amiotrófica (ELA): ensaios clínicos em células-tronco estão começando

celula-pesquisa

Prometi a vários leitores que usaria esse espaço para contar as novidades em pesquisas e ensaios clínicos relacionados a ELA. Ainda não é tratamento, mas a boa notícia é que as primeiras experiências terapêuticas em seres humanos estão começando. E o melhor é que diferentes pesquisas clínicas estão sendo testadas e sua eficiência poderá ser comparada. Vou falar aqui de uma tentativa terapêutica com células-tronco fetais.

Ainda é fase 1

A empresa americana Neuralstem Inc. conseguiu aprovação da FDA para iniciar a fase 1 de um ensaio clínico para tratar ELA com células-tronco fetais derivadas ade espinha dorsal. Essas primeiras experiências, denominadas fase 1 têm como objetivo testar a segurança do procedimento.  Além disso, serão testados diferentes métodos para aplicar múltiplas injeções.

A pesquisa já foi iniciada

Essa primeira fase incluirá 12 pacientes que receberão entre 5 e 10 injeções de células-tronco de tecido fetal na região lombar da espinha dorsal. A pesquisa terapêutica já foi iniciada com um primeiro paciente de 60 anos em fase adiantada da doença. Mais dois farão parte desse primeiro grupo e os outros serão incluídos um a um. Eles serão examinados em intervalos regulares após as injeções e os resultados finais serão divulgados após 24 meses.

Alguns dos critérios de seleção para os três primeiros casos são:
pacientes muito comprometidos que têm traqueostomia ou estão em ventilação assistida por mais de três meses, incapazes de andar, que moram perto do Hospital Universitário Emory, (Atlanta, Georgia nos Estados Unidos) que conseguem se comunicar e têm um ‘cuidador’ comprometido com essa pesquisa.

A medida em que os primeiros resultados forem observados, os critérios de seleção poderão ser modificados. Outras informações.

Uma boa notícia

O instituto Paulo Gontijo (IPG)  que tem como missão apoiar pesquisas e tratamentos direcionados a ELA está inaugurando um novo portal que estará no ar em breve. Ele conterá todas as novidades nacionais e internacionais atualizadas.

Por Mayana Zatz

01/04/2010

às 18:55 \ Sem categoria

Células-tronco em tratamentos estéticos: não compre gato por lebre

laboratorio-mayana1

Nos últimos meses foram publicados vários trabalhos relacionados com células-tronco (CT) e regeneração de pele. Primeiro foi um grupo francês que conseguiu, no final do ano passado, formar pele humana a partir de células-tronco embrionárias. Escrevi a respeito nessa coluna. Agora pesquisadores holandeses e suecos  identificaram, em camundongos, a célula progenitora ou célula-mãe que dá origem a epiderme, glândulas sebáceas e bulbo capilar (Science, 12 de março de 2010).

Outro grupo americano descobriu, novamente em murinos, que ao inibir um determinado gene, o gene p21, eles conseguiam refazer a pele sem deixar cicatrizes . Todos esses achados são muito promissores, mas será que já estamos prontos para usar CT em estética? Para responder essa questão entrevistei o doutor Luis Bernardo Froes, que além de cirurgião plástico é professor de bioética da FMUSP.

Doutor Bernardo, vários profissionais anunciam que já estão usando CT em estética. Qual é a sua opinião a respeito? O senhor acha que realmente estão usando CT ou simplesmente injetando tecido adiposo retirado de lipoaspiração – uma prática que vem sendo realizada há muito tempo?

Realmente há profissionais de diversas especialidades, não apenas da área cirúrgica, oferecendo tratamentos com células-tronco como a solução para diversos problemas, inclusive estéticos. A maioria, neste último caso, está abrigada sob “sociedades” ou “associações” de especialidades sem reconhecimento do Conselho Federal de Medicina, como Medicina Estética, Medicina Anti-envelhecimento, etc. Muitas vezes pertencem a “franquias” de entidades estrangeiras ou pseudo-associações criadas aqui, para dar ao público leigo alguma impressão de credibilidade. Igualmente há interesse em “vender” treinamento em técnicas pseudo-científicas para médicos incautos ou excessivamente crédulos. O enxerto de células-tronco presentes na gordura lipoaspirada tem sido apresentado em alguns eventos de Cirurgia Plástica, mas não há consenso sobre sua validade prática. Alguns acreditam que trata-se apenas de variação do já conhecido enxerto de gordura, praticado há mais de 20 anos, sem resultados consistentes, e outros gostariam de poder obter mais dados que evidenciem o papel de células-tronco neste procedimento.  

Sabemos que CT adultas podem se diferenciar em células musculares, cartilagem, tecido adiposo e tecido ósseo. Quais seriam os riscos dessas células se diferenciarem em vários tecidos? Ou em um tecido diferente daquele que queremos, como cartilagem ou osso, por exemplo?

Células-tronco podem se transformar em diversos tipos de tecido. Isto tem sido obtido em laboratório e, em alguns casos, a experiência laboratorial se mostrou válida para aplicação em tratamentos clínicos. Porém as células-tronco podem diferenciar-se em tecidos que não sejam os desejados, podem “crescer” de forma pouco controlável e, salienta-se, não se consegue produzir “órgãos” completos, como muitos imaginam. Igualmente falsa é a impressão que a mídia muitas vezes passa de que as células-tronco podem promover milagres em regeneração. Por isto, é óbvio que a simples injeção de células-tronco, caso entrem em funcionamento, poderiam produzir tipos indesejados de células, em quantidade e formato imprevisíveis. Ou seja, a injeção de células-tronco de gordura, por exemplo, poderia gerar cartilagem, osso, ou outros tipos celulares, sem que se pudesse controlar a quantidade e o formato. Mas quero crer que, especialmente neste exemplo, os resultados – ou a falta deles – são semelhantes ao que se obteve durante mais de duas décadas de enxerto de gordura, o que me deixa cético sobre a real participação de células-tronco em eventuais resultados empíricos positivos. Espero que aqueles que acreditam e divulgam estes métodos possam fornecer a todos os profissionais médicos interessados no assunto dados obtidos com rigor científico para que possamos passar a utilizar a técnica em benefício de quem necessita de tratamento. 

As clínicas que oferecem “tratamentos” inovadores com injeções de CT submetem esses protocolos a comitês de ética?São inúmeros os “tratamentos” clínicos propostos, especialmente em alguns países do mundo com legislação menos rigorosa. Prometem-se curas miraculosas para quase todos os grandes problemas médicos, da ELA (esclerose lateral amiotrófica) aos problemas decorrentes do envelhecimento, inclusive os estéticos. Procurando na literatura médica publicações sobre o assunto, não consigo encontrar praticamente nada sobre a metodologia utilizada, resultados obtidos, as sequelas que inexoravelmente devem ocorrer, dados sobre  insucessos que naturalmente podem ocorrer em quaisquer novas técnicas ou sequer sobre o cumprimento de pré-requisitos éticos exigidos em pesquisas sérias. Duvido que haja cumprimento mínimo das normas básicas éticas ou bioéticas, que dependem da aprovação em comitês de ética. Trata-se, na maioria das vezes, de tratamentos experimentais, aplicados diretamente em humanos. Há também os relatos empíricos, onde submetem-se pessoas a tratamentos experimentais. Nada disto é novidade, infelizmente. Já se viu isto inúmeras vezes, como por exemplo na venda de produtos “anti-radicais livres” ou na oferta de inúmeras panaceias à base de laser, que beiram a ficção literária. Infelizmente, é da natureza humana deixar o lado racional de lado em situações de doença extrema ou até mesmo por vaidade patológica.

 

O senhor é um profissional que tem todas as condições de oferecer esse tratamento – que certamente é muito lucrativo -, mas não o faz. Por quê?

Eu não ofereço nenhum tratamento que seja relacionado a células-tronco por ter como filosofia realizar apenas procedimentos para os quais há respaldo científico sólido e confiável e com reconhecimento amplo da classe médica sobre segurança e efetividade relativos ao seu uso clínico. Na dúvida, prefiro esperar pelos resultados consistentes de estudos que estejam sendo realizados por aqueles pesquisadores que o fazem dentro das normas adequadas científica e eticamente. Mas tenho o temor de que a ganância pelo volume potencial de dinheiro envolvido no assunto leve à banalização do conceito de células-tronco em tratamentos clínicos nas mais diversas áreas. Acredito que os insucessos de terapias sem comprovação possam trazer descrédito ao avanço médico e científico gigantesco e de grande futuro representado pelo potencial das células-tronco e suas aplicações clínicas. 

L. Bernardo Froes
Prof. Dr. da Faculdade de Medicina da USP
Especialização em Cirurgia Plástica pelo Serviço de Cirurgia Plástica do Porf. Ivo Pitanguy (1989-1991)
Doutorado em Cirurgia pela USP (1997)
Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
Especialista em Bioética pela USP (2003)

Por Mayana Zatz

18/03/2010

às 23:45 \ Arquivo

Novo banco público de sangue de cordão umbilical

Getty
O Hospital Sírio-Libanês inaugurou no início de março mais um banco público de sangue de cordão umbilical e placentário. O projeto é filantrópico e foi desenvolvido em parceria com o Ministério da Saúde e o Amparo Maternal. Terá capacidade para armazenar aproximadamente 3.700 unidades de sangue de cordão e fará parte da Brasilcord, juntamente com outras cinco unidades semelhantes no país. A vantagem é que irá coletar uma população com grande diversidade genética, pois o Amparo Maternal atende mulheres de diferentes etnias de vários estados. Já escrevi mais de uma vez  sobre  bancos de sangue  de cordão mas como continuo recebendo muitas mensagens vou retomar o assunto.

Já é um consenso que as células-tronco de sangue de cordão são uma esperança de cura para várias doenças hematológicas, como leucemia, linfomas, talassemia e anemias hereditárias, além de deficiências do sistema imunológico. Aliás, é a única situação onde podemos falar em tratamento com células-tronco. Por isso a importância de ter bancos públicos de sangue de cordão umbilical, que na prática podem funcionar do mesmo modo que os bancos de sangue.  Tentativas terapêuticas para tratar outras doenças com células-tronco, como diabetes, por exemplo, ainda são consideradas experimentais.

Bancos públicos ou privados?
Já me manifestei várias vezes contra os bancos privados e a favor dos bancos públicos de sangue de cordão. Entretanto casais “grávidos” continuam me perguntando  se vale a pena coletar e armazenar o sangue do cordão umbilical do bebê prestes a nascer em bancos privados, para um eventual uso próprio, no futuro. E pagar caro por isso. A minha opinião vocês já sabem. Mas o que pensa a convidada de honra do simpósio preparado para celebrar a inauguração do banco, dra. Eliane Gluckman?

Ela é uma pesquisadora francesa mundialmente conhecida e respeitada, que se notabilizou por ser a primeira pessoa a fazer transplante de células-tronco de sangue de cordão umbilical, em 1988, para tratar a anemia de Fanconi, doença hematológica hereditária. O que ela diz a respeito:

“ Não há nenhuma prova que o sangue do cordão possa ser usado para terapia celular regenerativa

- A maioria das doenças degenerativas ocorre em uma idade mais avançada: qual será a viabilidade e o potencial das células após um armazenamento de 25 a 75 anos?

- Será que daqui 50 anos a metodologia será compatível com os métodos atuais de coleta e armazenamento?

- E se novos conhecimentos surgirem em 50 anos que tornem a terapia celular obsoleta?”

E o mais importante:

“Que tipo de propriedade as células-tronco do sangue de cordão oferecem que não se encontram em células-tronco adultas de medula óssea ou outros tecidos?”

Em resumo, a não ser em familias onde existem doenças hematológicas tratáveis com CT de cordão umbilical, a descoberta e a melhoria nas técnicas de obtenção e diferenciação das CT de diferentes tecidos adultos tornarão cada vez mais desnecessário armazenar o sangue de cordão para uso próprio.

Por Mayana Zatz

18/02/2010

às 21:44 \ Sem categoria

Células-tronco e regeneração óssea

Recebo sempre e-mails de pessoas querendo saber se é possível regenerar osso com células-tronco. Existem muitos bebês que nascem com alterações craniofaciais que requerem uma regeneração óssea eficiente. Mas o número de pessoas que poderão se beneficiar no futuro com essa tecnologia é gigantesco. Se há um tecido que merece ser pesquisado é o osso. De fato, existem inúmeros grupos de pesquisadores trabalhando com esse propósito. Se você procurar no pubmed, o site que lista todas as publicações internacionais sobre esse assunto, verá que há 3.430 trabalhos. Vou falar então das pesquisas que estamos realizando no Centro do Genoma Humano. Para isso, vou entrevistar a Dra. Maria Rita Passos-Bueno e a Dra. Daniela Bueno, que lideram essas pesquisas.

Dra. Rita, vocês estão comparando o potencial de diferentes CT para regenerar osso. Quais são as fontes que vocês já pesquisaram?
R: Estamos trabalhando com células-tronco humanas provenientes de vários tecidos como: polpa de dente de leite, tecido adiposo (descartado em cirurgia principalmente de lipoaspiração), tecido muscular de lábio descartado em cirurgias corretivas de lábio em pacientes fissurados (lábio leporino), entre outros.

Estas fontes celulares são comumente utilizadas?
R: As células-tronco de polpa de dente e de tecido adiposo têm sido objeto de muitas pesquisas e já foram caracterizadas por vários grupos, incluindo o nosso grupo do Centro de Estudos do Genoma Humano-IB USP. Contudo, a Dra. Daniela Bueno, em sua tese de doutorado, descreveu pela primeira vez as células-tronco provenientes de músculo de lábio (músculo orbicularis oris) de pacientes fissurados.

Como é feito o experimento?
R: Estabelecemos as culturas de células-tronco e iniciamos o estudo para confirmar se elas possuem potencial de regenerar osso. Primeiro são realizados testes no laboratório em frascos de cultura (in vitro) para ver se estas células conseguem formar tecido ósseo. Além disso, fazemos experimentos em ratos, para confirmar se estas células podem realmente formar osso “in vivo”. Nestes experimentos, além das células-tronco, utilizamos biomateriais, isto é, moldes que podem ter diversas composições químicas e que auxiliam no processo de ossificação. Eles servem como suporte para que as células-tronco se fixem antes de serem aplicadas nos modelos animais.

Quais são os próximos passos?
R: Um dos nossos próximos passos será avaliar o uso destas células para reconstrução do defeito alveolar de pacientes fissurados, que será um projeto liderado pela Dra. Daniela Bueno. A cirurgia crânio-facial também poderá se beneficiar muito desta nova tecnologia para reabilitar as deformidades crânio-faciais, incluindo a cirurgia de cabeça e pescoço. Além disso, estamos testando outras fontes de células-tronco para avaliar qual delas têm um potencial melhor para formar osso.

Vocês acreditam que os resultados obtidos na regeneração da calota craniana poderão ser extrapolados para ossos longos como o fêmur?
R: Certamente, e já estamos iniciando uma colaboração com o Instituto de Ortopedia da USP para aplicar essa metodologia na reconstrução de outros tipos de ossos.

Quais as principais áreas da saúde que poderão ser beneficiadas pelo uso desta nova tecnologia?
R: Além das já citadas, a odontologia. Esta nova tecnologia poderá beneficiar os pacientes que necessitam de osso para realização de implantes ósseo-integrados.

Por Mayana Zatz

11/02/2010

às 19:37 \ Sem categoria

Células-tronco e terapia gênica

A senhora poderia escrever um pouco sobre esse novo trabalho de cientistas japoneses com o cromossomo humano artificial (HAC)? Quais os prós e os contras? Qual o tempo estimado para os testes com humanos?
(Rosana)

Li recentemente uma notícia sobre um trabalho de pesquisadores japoneses utilizando células-tronco multipotentes induzidas e os HAC para, segundo a pesquisa, alcançar a marca de 90% de expressão de distrofina em camundongos mdx. Seria possível nos falar mais sobre a experiência, e dar uma ideia das dificuldades que a técnica enfrentará?
(Marcelo D. Padilha de Oliveira)

Na semana passada contamos a história de Julio Rocha, hoje artista da TV Globo, que teve um irmão, José, com distrofia de Duchenne (DMD). Só recordando: a DMD é uma doença genética que só afeta o sexo masculino. Os meninos nascem com uma mutação em um gene que causa ausência de uma proteína muscular chamada distrofina, fundamental para o músculo. Sem a distrofina, o músculo degenera e há uma fraqueza progressiva.

Existem milhares de cientistas ao redor do mundo trabalhando em pesquisas com o objetivo de achar uma cura para a DMD. Sabe-se que, quanto maior a quantidade de distrofina no músculo, mais leve é o quadro clínico. Portanto o objetivo é aumentar a quantidade dessa proteína no músculo dos pacientes afetados.

Pesquisadores japoneses acabam de publicar um trabalho inovador mostrando que é possível corrigir o defeito genético associando células-tronco e terapia gênica. A pesquisa foi feita com a distrofia de Duchenne, mas a boa notícia é que essa tecnologia poderia ser aplicada a muitas doenças genéticas.

Como usar células-tronco de pessoas com doenças genéticas?

Um dos objetivos das células-tronco é a regeneração ou substituição de tecidos, o futuro da medicina regenerativa. Do mesmo modo que se “troca” um coração que não está funcionando bem por um saudável, estamos trabalhando para substituir células defeituosas por outras normais. O problema é que, no caso de doenças genéticas, não é possível usar as células da própria pessoa, porque todas possuem o gene com a mutação (ou erro genético) que causou aquela doença. Como contornar isso?

Células-tronco de pacientes podem ser usadas associadas à terapia gênica

As células-tronco de pessoas afetadas por doenças genéticas são um verdadeiro laboratório de pesquisas, abrindo novos caminhos para futuros tratamentos. E o que é melhor: elas permitem testar inúmeras estratégias para tentar corrigir o defeito genético e acompanhar o efeito diretamente na célula . Foi o que fizeram os pesquisadores japoneses com a distrofia muscular de Duchenne (DMD). A pesquisa foi feita primeiro com camundongos que têm uma distrofia semelhante à humana (mdx) e com um paciente afetado. Para não complicar, vou falar só do que foi feito com o paciente.

O primeiro passo foi obter linhagens com mutações que causam distrofia tipo Duchenne (DMD)

O paciente, um menino com DMD, tinha uma deleção (perda de um pedaço) grande no gene da distrofina. Foram retiradas células da sua pele (fibroblastos) que foram reprogramadas para se diferenciarem em diversas linhagens celulares, inclusive células musculares – as chamadas células IPS, do inglês induced pluripotent stem-cells. O próximo passo foi introduzir um gene normal da distrofina nessas células, contido em um chamado cromossomo artificial humano (HAC- human artificial chromosome).

As células reprogramadas formaram vários tecidos

O passo seguinte foi verificar se as células conseguiam formar diferentes tecidos e se estes expressavam a proteína de tamanho normal. O experimento mostrou-se um sucesso: células musculares derivadas tinham a distrofina saudável. Embora todo o experimento tenha sido feito no laboratório, e precise ser comprovado em vivo, trata-se de mais uma estratégia visando o tratamento das distrofias e de outras doenças genéticas.

O centro de estudos do genoma humano está obtendo linhagens de pacientes com doenças genéticas

Um dos nossos objetivos no centro de estudos do Genoma Humano é o de derivar linhagens celulares de pacientes com doenças genéticas e testar diferentes terapias nessas células. Acompanhar o sucesso de experimentos como esse é animador. Ainda não podemos saber quanto tempo teremos de esperar para poder usar essa estratégia na clínica. Mas é mais um tijolinho que se acrescenta na direção da cura.

Por Mayana Zatz

28/01/2010

às 21:53 \ Sem categoria

Hormônio de crescimento: os ensinamentos de um menino muito especial

Julio, aos 9 anos: mais coragem que muitos adultos

Julio, aos 9 anos: mais coragem que muitos adultos

Tudo começou há cerca de 20 anos. Naquela época descobrimos que pacientes raros com distrofia de Duchenne – doença genética causadora de uma degeneração progressiva dos músculos – com deficiência de hormônio de crescimento (GH) tinham um quadro muito mais leve da doença. Desconfiamos então que esse mesmo hormônio, tão importante na fase de crescimento, poderia estar prejudicando meninos com distrofia. Se isso fosse verdade, inibir o hormônio de crescimento em pacientes com distrofia poderia, talvez, ser benéfico. Precisávamos pesquisar mais sobre o GH. E foi então que surgiu Julio, esse menino tão especial. Graças a ele conseguimos realizar essa pesquisa que hoje poderá ser muito importante, quando estamos estudando o efeito do GH em células-tronco.

O primeiro passo era entender como era liberado o GH

Para poder inibir o GH precisávamos entender como e quando ele era liberado em meninos normais. Já sabíamos que existe uma maior liberação à noite, durante o sono. Aliás, é o que todos os pais dizem para convencer seus filhos que relutam em ir para cama à noite… “Se você não dormir não vai crescer.”

A dificuldade era: como estudar crianças normais?

Descobrimos naquela época que havia muito poucos estudos em crianças com crescimento normal. É fácil de entender. Só vai procurar ajuda médica quem está com problema de crescimento. Seria verdade que o GH é liberado à noite, durante o sono?

Para pesquisar isso, o ideal seria fazer esse estudo quando a criança estivesse dormindo normalmente, sem stress, na sua própria cama, diziam os especialistas. É só colocar um cateter e coletar umas gotinhas de sangue de 20 em 20 minutos, a noite toda. Fácil de falar… Mas e na prática, como poderíamos fazer isto?

Será que as famílias que tinham meninos com distrofia poderiam colaborar?

Julio queria a qualquer custo ajudar o irmão, José

Julio queria a qualquer custo ajudar o irmão, José

Expus o problema a famílias que tinham filhos com distrofia. Os pais estão sempre prontos. Mas nesse caso, precisávamos de crianças e não de adultos. E foi então que conheci Julio, um menino lindo de 9 anos, cheio de energia, sapeca como é esperado na sua idade. Sua única tristeza era que José, seu irmão mais velho, tinha distrofia de Duchenne. Estava em uma cadeira de rodas e não podia brincar como ele. Ao ouvir falar dessa pesquisa, ofereceu-se imediatamente. Queria a qualquer custo ajudar seu irmão. Aos nove anos, Julio tinha mais coragem que muitos adultos.

A pesquisa foi realizada

Julio conseguiu convencer um amigo a participar

Julio conseguiu convencer um amigo a participar

Além de se oferecer para a pesquisa, Julio conseguiu convencer um amiguinho a participar junto e a se manter firme quando este estava prestes a desistir, no meio da noite. Graças a eles e aos meus próprios filhos (que também eram crianças naquela época) aprendemos muito sobre a liberação de GH em crianças normais. Os resultados foram publicados em 1989 na revista americana American Journal of Medical Genetics. O tempo foi passando, novas pesquisas e novas ideias foram surgindo. Só agora, estamos retomando as pesquisas com GH. Queremos saber como atua o hormônio de crescimento nas células-tronco e tentar entender o seu papel na formação de músculos e nas distrofias musculares . Os dados que obtivemos naquela ocasião vão ser muito importantes para avaliar os resultados das pesquisas atuais.
E o Julio? O que aconteceu com ele?

Perdi o contato com sua família, mas nunca esqueci o gesto desse menino. A sua generosidade e o imenso amor que ele demonstrou por seu irmão me marcaram para sempre. Depois de muitos anos, acabo de reencontrá-lo, já adulto. Descobri que é uma pessoa conhecida. E continua muito especial. Na semana que vem , vou contar o porque do nosso reencontro. Será que alguém descobre quem é Julio?

Por Mayana Zatz

21/01/2010

às 0:21 \ Sem categoria

Laser, células-tronco, odontologia e câncer

laser

VEJA publicou na primeira semana de janeiro uma longa reportagem sobre os benefícios dos lasers em várias áreas da medicina. Além dessas aplicações, essa nova tecnologia tem importante uso na odontologia e também na prevenção e tratamento das mucosites orais de pacientes submetidos a altas doses de quimio e radioterapia, com significante melhora da sua qualidade de vida. Recentemente, fizemos uma pesquisa sobre o tema em colaboração com o professor Carlos de Paula Eduardo, titular da Faculdade de Odontologia da USP. Analisamos os efeitos do laser de baixa potência na proliferação de células-tronco. Os resultados, que foram publicados na revista Lasers in Surgery and Medicine, foram muito interessantes – e explicam porque os raios laser atuam na regeneração celular.

Os lasers ajudam na recuperação de mucosas

A equipe de cirurgiões dentistas da Faculdade de Odontologia da USP, sob a coordenação do professor Carlos, é apaixonada pelos lasers há muito tempo. Perceberam há alguns anos que, quando utilizavam os lasers de baixa potência nos tecidos moles bucais, em lesões benignas onde as mucosas estavam comprometidas, elas se recuperavam mais rapidamente. Se você já teve herpes com manifestações bucais ou aftas alguma vez na vida deve saber o quanto isso incomoda. Imagine então lesões maiores na boca.

Como agem os lasers?

Como pesquisadores que somos, possuídos pela curiosidade, não nos contentamos em apenas observar esse efeito. Isso era pouco. Queríamos saber mais… Qual era o mecanismo pelo qual os lasers interagiam com as mucosas? Será que eles atuariam também sobre as células-tronco? E para responder essa questão fizemos um experimento muito simples.

O efeito dos lasers nas células-tronco

Estabelecemos uma cultura de células-tronco a partir da polpa dentária que foi separada em dois grupos e que foram cultivados segundo os protocolos habituais. A diferença é que no primeiro grupo aplicamos também o laser – e no segundo, não. É importante ressaltar que trata-se de um laser de baixa potência.  Após um período de 24 horas, as células foram analisadas em teste cego, ou seja, quem observava os resultados não sabia se as células tinham sido irradiadas ou não. E adivinhem o que aconteceu? As células, em déficit nutricional, submetidas à irradiação com laser de baixa potência, haviam proliferado mais. Acabávamos de comprovar que eles atuavam na divisão celular das células-tronco da polpa dentária. Tínhamos a explicação para a melhor recuperação das mucosas alteradas.

O valor do laser para pacientes com câncer

A quimioterapia e a radioterapia de cabeça e pescoço podem causar lesões importantes nas mucosas bucais. Cirurgiões dentistas que estão trabalhando em hospitais e universidades têm dado atenção especial aos pacientes que são submetidos a altas doses de quimioterapia e radioterapia nessas partes do corpo. Eles podem apresentar manifestações severas nos tecidos moles da boca, uma inflamação da mucosa chamada mucosite oral, que provoca muita dor e extrema dificuldade na hora de comer. Além disso, essas feridas tornam-se porta de entrada para microorganismos, aumentando significativamente o risco de infecções.

Todos os centros de quimio e radio deveriam ter lasers

É  fundamental  que os protocolos utilizados nas quimioterapias sejam discutidos, entendidos e aplicados por equipes multiprofissionais (médicos, dentistas, enfermeiras, etc), pois é necessário um profundo conhecimento científico da tecnologia laser para alcançar os benefícios desejados . Mas vale a pena. As mucosas se recuperam rapidamente sem efeito colateral e o paciente ganha muito em qualidade de vida!

O doutor Carlos conta a história de uma garotinha de 3 anos que havia sido internada para transplante de medula óssea e tinha muitas lesões bucais. Amedrontada, chorou quando o protocolo de laserterapia foi iniciado. Mas à medida que foram aparecendo os efeitos do tratamento e o alivio da dor, ela mesmo pedia o laser antes de tomar o café da manhã. Era preciso que a equipe de odontologia fosse cedinho ao hospital, mas o seu sorrisinho de satisfação compensava qualquer esforço.  É por isso que defendemos que todos os centros de quimioterapia e radioterapia tenham a tecnologia laser integrada ao serviço prestado. O custo do equipamento laser de baixa potência, de origem nacional, é baixo – e o retorno para a saúde do paciente é gigantesco.

Por Mayana Zatz

26/11/2009

às 21:34 \ Sem categoria

Células-tronco embrionárias reconstituem pele

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Um dos grandes desafios da medicina tem sido a reconstituição de pele em pessoas que sofrem queimaduras extensas. Apesar de já se ter conseguido produzir pele a partir de enxertos obtidos da própria pessoa, uma das grandes limitações é o tempo que essas células levam para crescer e recobrir toda a área afetada, o que causa infecções e desidratação. Essa semana, um grupo de pesquisadores franceses, liderados pelos cientistas Christine Baldeschi e Marc Peschanski conseguiram uma nova revolução: produzir epiderme a partir de células-tronco embrionárias humanas (CTEH).

O primeiro passo

O  primeiro objetivo desses pesquisadores era verificar se seria possível produzir “in vitro”, isto é, no laboratório, células-tronco de pele – chamadas queranócitos -  semelhantes às presentes na epiderme humana. Os queranócitos são responsáveis pela renovação constante da pele. É importante lembrar que a pele é formada de várias camadas e reconstituir todas elas não é tão fácil.

Esse foi o primeiro sucesso. Os cientistas franceses conseguiram transformar CTEH em células de pele combinando técnicas de biologia celular e meios de cultura com substâncias específicas capazes de induzir a diferenciação dessas células em queranócitos.

O experimento foi mantido por 40 dias que é o tempo que o embrião normalmente leva para formar a epiderme. Aparentemente foi esse o segredo. Imitar o que ocorre naturalmente no desenvolvimento embrionário. Os pesquisadores isolaram então uma população de queranócitos que tinham todas as propriedades necessárias: capacidade de se renovar, de se diferenciar e formar as várias camadas da pele.

O passo seguinte

Era verificar se era possível formar pele “in vivo”, isto é, em modelos animais. Para isso os pesquisadores franceses, em colaboração com um grupo espanhol, transplantaram essas células em camundongos imunodeficientes, isto é, camundongos que não rejeitam células humanas. Doze semanas após o transplante os camundongos tinham desenvolvido uma pele com as mesmas características da pele adulta humana. Um novo sucesso. Eles conseguiram provar que era possível transformar CTEH em epiderme in vitro e in vivo. Para aqueles que lutaram para a aprovação das pesquisas com células embrionárias humanas isso representa uma grande conquista.

Quais serão as aplicações futuras?

Temos muitos motivos para festejar. Além das queimaduras graves que podem causar a morte ou lesões deformantes, existem inúmeras pessoas com doenças de pele que poderão se beneficiar. Por exemplo, ulcerações de pele são comuns em diabéticos. Além disso, existem também doenças genéticas que podem ser muito graves como a neurofibromatose ou a epidermosis bullosa que aguardam ansiosamente tratamentos efetivos. Ainda serão necessários novos experimentos antes da aplicação em humanos devido ao risco de formação de tumores. Mas, de acordo com a pesquisadora Christine Baldeschi, a vantagem da pele é que o experimento poderia ser monitorado de perto e se houvesse o aparecimento de um tumor ele poderia rapidamente ser retirado.

E as células reprogramadas IPS?

Vocês devem se lembrar que em 2007 dois pesquisadores mostraram que células adultas – da pele por exemplo – poderiam ser reprogramadas e comportar-se como as embrionárias. Se um dia for possível transformar essas células em pele teremos o melhor dos mundos. Não haverá mais o problema da rejeição e nem a polêmica de utilizar células embrionárias. Mas foi necessário observar o comportamento das células-tronco embrionárias humanas para o sucesso desse experimento. São elas que dão as diretrizes.
Muitos de vocês já devem estar se perguntando: e nas cirurgias plásticas? Ao invés de ter uma pele esticada, quem não gostaria de ter uma pele nova? Tomara que as pesquisas com células IPS tenham sucesso. Senão logo teremos um novo debate. Será ético usar células-tronco embrionárias humanas para fins estéticos?

Por Mayana Zatz

 

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