Blogs e Colunistas

16/05/2012

às 18:56 \ Sem categoria

Vinho tinto faz bem à saúde. Lenda ou verdade?

Você já deve ter ouvido falar que tomar vinho tinto faz bem à saúde e pode aumentar a expectativa de vida. Se você for um apreciador dessa bebida isso deve soar como um bálsamo aos seus ouvidos. O que há de verdade nisso?  Pesquisas  parecem comprovar que uma molécula  denominada resveratrol,  presente no vinho tinto, seria a responsável por essa propriedade, mas os mecanismos pelos quais ela atua são ainda assuntos de muito debate.  Em um artigo publicado na revista Nature Medicine (5 de abril de 2012), três cientistas — Leonard Guarente, Joseph Baur e Antonello Mai — discutem como pesquisas recentes estão contribuindo para revelar o modo de atuação do resveratrol e a implicação dessas descobertas para o desenvolvimento de novas drogas.

Os efeitos benéficos da restrição calórica no aumento da expectativa de vida

Já foi demonstrado, que a restrição calórica aumenta a longevidade e os efeitos negativos de doenças metabólicas relacionadas ao envelhecimento. Isso já foi observado em organismos inferiores como fungos e vermes (o famoso C. Elegans) e até em roedores e primatas.  Há várias hipóteses para explicar  porque a ingestão diminuída de alimentos tem o efeito benéfico no organismo. Um dos mecanismos propostos seria pela ativação de moléculas denominadas sirtuins (do inglês silence information regulators). As sirtuins são ativadas quando o nível de energia da célula está baixo. Ela entra então em uma “situação de economia”, os genes reduzem a produção de várias proteínas e enzimas inclusive aquelas envolvidos com a apoptose, ou morte celular.

O que o resveratrol tem a ver com isso?

Segundo as novas pesquisas, o resveratrol atuaria ativando essas sirtuins (SIRT1) , ou seja teria um papel semelhante à restrição alimentar. De acordo com Leonard Guarente (cientista do laboratório de ciência e envelhecimento em Cambridge, Massachusetts nos Estados Unidos) não sabemos se a atuação do resveratrol na SIRT1 ocorre de forma direta ou através de outros compostos. “É fascinante pensar como estamos desvendando, na era da ciência e tecnologia, os benefícios de um hábito milenar de tomar vinho. Descobrir os mecanismos que ativam a SIRT1 poderá permitir o desenvolvimento de drogas importantes para doenças relacionadas ao envelhecimento afirma esse cientista”. Para  Joseph A. Baur (professor da Universidade da Pensilvãnia , EUA) o quebra-cabeças para explicar os efeitos benéficos do vinho tinto está longe de estar completo. Segundo Antonello Mai (professor da universidade Sapeienza em Roma, Itália) após a descoberta de que o resveratrol de fato aumenta a longevidade em diferentes organismos, vários estudos estão sendo realizados para verificar seus possíveis efeitos em câncer, doenças inflamatórias, neurodegeneração, metabolismo e doenças do envelhecimento. Esses estudos poderão permitir a descoberta de novos medicamentos.

Em resumo, há um consenso de que o resveratrol, presente no vinho tinto tem realmente um efeito benéfico na saúde. É claro que ele não substitui ter hábitos alimentares saudáveis e atividade física regular. Mas vamos convir que se a ideia é aumentar a expectativa e a qualidade de vida, melhor que seja tomando vinho tinto do que passando fome, concordam?

Por Mayana Zatz

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

4 Comentários

  1. João Ramalho

    -

    24/05/2012 às 8:08

    O resveratrol é um componente da uva, das suas sementes e da película das uvas pretas. Portanto, para ter os benefícios da fruta e evitar os riscos reais do álcool, basta tomar suco de uva, e não vinho. Mas isso os médicos e pesquisadores nunca lembram de informar.

  2. carlos guimarães

    -

    23/05/2012 às 11:03

    A molécula do resvaratrol não é exclusiva do vinho tinto. frutas vermelhas a contem em quantidade. Por outro lado, será muito difíci confirmar os benefícios nutricionais de quaisquer alimentos que possam levar à dependência. É antiético em qualquer lugar do mundo fazer estudos prospectivos com bebidas alcoólicas. Estudos apenas retrospectivos tem vícios de origem e parecem ser são feitos sob encomenda para quem industrializa diversos produtos. Assim, uma taça de vinho por dia (ou duas… ou três…) são efetivamente as responsáveis pelo aumento da longevidade dos consumidores ou estão associadas ao estilo de vida destas pessoas? Pessoas que consomem vinho tem em tese poder aquisitivo maior e estilo de vida mais regrado do que abstêmios absolutos ou bebedores compulsivos.

  3. Ricardo

    -

    19/05/2012 às 9:53

    Olá Dra. Mayana! Li uma vez que a quantidade de resveratrol necessária para ter efeito no corpo humano é muito maior do que o intestino humano absorve, e que por isso o vinho (mesmo que muito vinho) não teria efeito sobre o envelhecimento. É verdade?

  4. Rosana Martinez

    -

    17/05/2012 às 17:58

    Com certeza, concordo totalmente! Como moramos próximos a fronteira com o Paraguay e, por isso, termos facilidade em adquirir vinho a preços menores, incorporamos o hábito de consumir essa bebida – mesmo no verão! Além de fazer bem a saúde no geral, beber vinho é elegante, prazeroso e inspira um clima familiar e romantico. Se for, mesmo, benéfico para outros males mais complexos, como as doenças neurodegenerativas, será fantástico!

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados