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12/11/2009

às 21:54 \ Sem categoria

Tratamento na China: depoimento de um paciente

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Já escrevi mais de uma vez contra o suposto tratamento com células-tronco oferecido na China a um alto custo – de 20.000 a 50.000 dólares. Não sabemos o que é injetado nos pacientes, não há seguimento a longo prazo e nem relato de melhoras após o tratamento. Mas nada mais convincente do que o depoimento de um paciente que viveu a experiência.

Meu nome é Laerte Colling e sou portador de esclerose lateral amiotrófica ou ELA (diagnosticada em outubro de 2007). Não sei se a senhora está lembrada, mas já conversamos algumas vezes sobre pesquisas e tratamentos para ELA. Agora, envio este e-mail porque faz um ano que me submeti ao tratamento com células-tronco na China. E, apesar de saber que a senhora – assim como a maioria dos profissionais da área, inclusive meu  neurologista – é contra, eu gostaria de relatar minha experiência.

Eu entendo perfeitamente a sua posição em relação ao tratamento, porém, considerando a situação em que me encontro, qualquer possibilidade, por mais remota que seja, é sempre uma esperança de cura ou uma oportunidade para retardar a evolução da doença, enquanto aguardamos os avanços das pesquisas.

Após vários contatos com o hospital chinês e, depois de uma extenuante viagem, me submeti ao tratamento disponível no Xishan Hospital em Pequim, coordenado pelo Dr. Huang. O tratamento consiste na aplicação de células-tronco da mucosa olfatória aplicadas diretamente na região frontal do cérebro. Fiquei na China durante um mês, tempo necessário para as atividades de preparação, realização da cirurgia e recuperação.
Lá no hospital, conheci vários outros pacientes (esperançosos como eu) que estavam se submetendo ao tratamento. Nenhum portador de ELA. O hospital e as acomodações são simples mas, o atendimento e dedicação dos profissionais é muito bom.

Senti uma pequena melhora na força muscular, porém, somente por um pequeno período após o tratamento. Acredito que esta “melhora” ocorreu em função das várias atividades desenvolvidas (fisioterapia diária, acupuntura, exercícios, etc…), que continuo fazendo até hoje.

A evolução da doença não estagnou. No meu caso, a evolução sempre foi lenta e não senti melhora significativa com o tratamento até o momento. Nenhum movimento perdido foi recuperado. Porém, não sei como estaria hoje se não tivesse feito… é tudo muito relativo. Portanto, até o momento, o que a senhora e vários outros profissionais da área aqui no Brasil comentam está correto: a princípio, o tratamento não  funciona.

De qualquer forma, gostaria de aproveitar a oportunidade para solicitar informações sobre as pesquisas em relação a ELA. Há alguma perspectiva a curto prazo? Como andam as pesquisas? Há algum grupo de voluntários sendo formado para testes?
Quero reforçar meu interesse em participar, se possível.
(Laerte Colling)

Prezado Laerte

Existem inúmeras pesquisas sendo realizadas ao redor do mundo com células-tronco e com novas drogas na tentativa de tratar a esclerose lateral amiotrófica. Estamos em contato direto com os  grupos idôneos que realizam essas pesquisas. Chegaremos lá, tenho certeza.

Assim que soubermos de algum resultado promissor seremos os primeiros a divulgá-los.

Um grande abraço
Mayana

Por Mayana Zatz
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15 Comentários

  1. Edson Fernandes

    -

    17/05/2011 às 11:36

    Se as clínicas não conseguem provar cientificamente a eficácia de suas terapias, os cientistas que as criticam, por outro lado, não têm como provar que elas não funcionam. Na dúvida, muitos pacientes preferem apostar no resultado positivo.

  2. Lucimara Alves

    -

    14/06/2010 às 9:21

    Dra.
    Minha sobrinha fez uma cirurgia de apêndice e faltou oxigenio e teve 3 paradas cardíacas. Hoje ela vive em uma cama, não anda, não fala e se alimenta por sonda pois a traqueo ainda está aberta,mais já sorri e tenta falar. Tem algum tratamento? Ela mora em Itaipava, Espírito Santo.Me mande a resposta por email lulucimaraalves@hotmail.com

  3. max

    -

    20/04/2010 às 11:08

    eu tenho dormencia em uma area ddo pe e dificuldade em ergue o pe pra cima ,isso pode ser ela
    direm essa duvida pra mim

  4. Vanessa siquiera Vieira

    -

    05/04/2010 às 12:56

    ola sou cirurgiã dentista no ano passado estava fazendo trabalho com céluas tronco, por irônia do destino sofri um problema de parto no mês seguinte após concluir minha especializãção, meu filho obteve encefalopatia hipóxica isquêmica conhecida como paralisia cerebral, acredito muito nas células tronco mas sei que ainda não há nada concluído em pesquisas com esse tipo de criança, pois não vi nenhuma pesquisa a longo praso quanto aos caso da china, gostaria de saber se aqui no Brasil já existem pesquisa cientifica com essa crianças…… me disponho ajudar devido o caso do meu filho, me diponibilizo buscar artigos e fazer um estudo através da bireme, medline. Agradeço

    vanessa email: vsvpitty@yahoo.com.br

  5. Aline

    -

    11/02/2010 às 10:01

    Gostaria de comentar sobre o caso da filha do Roger da Bahia, Segundo a mae da garotinha ela ja esta enxergando vultos, assim como tambem a Manuela que foi com ela, o q era impossivel antes do tratamento de com celulas tronco. Confirmado pelos exames dela feitos aqui no Brasil, isso é maravilhoso. O tratamento foi feito com celulas tronco de cordao umbilical. Quero ver o que a senhora tem a dizer sobre isso.
    So nao aceito dizer que foi a fisioterapia kkkk …

    Abraços
    Aline

  6. ANDRE VALADARES

    -

    07/01/2010 às 21:25

    DRA. TIVE UMA FILHA COM HIPOXIA NEONATAL QUE AGORA APOS UM ANO FOI DIAGNOSTICADA COMO PARALISIA CEREBRAL NAO INDENTIFICADA EXISTE TAMBEM VARIAS CRIANCAS INDO PARA CHINA INCLUSIVE UMA CRIANCA CHAMADA CLARINHA DE RECIFE QUE TEVEALGUMAS MELHORAS (QUE TAMBEM QUESTIONO).DRA VOCE CONHECE ESTE CASO?O SITE DESTE CASO E (UMREALPORUMSONHO).GOSTARIA DE SABER SUA OPINIAOE SE PUDER DAR UMA OLHADA NESTE CASO E EXISTE ALGUMA NOVA EXPERIENCIA PARA O CASO DA MINHA FILHA? MUITO OBRIGADO ANTECIPADAMENTE

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  7. valentim

    -

    23/12/2009 às 16:45

    minha esposa apresentou os primeiros sintomas em 2004 com 24 anos após muitos médicos foi feito o diagnóstico hoje ela perdeu muito das mãos nosso médico receitou carbolítio que esta em fase de teste
    queria saber se há alguma novidade sobre isso ele tem paciente que fez tratamento na china e não funcionou precisamos que Deus ilumine os pesquisadores obrigado

  8. Glória Maria

    -

    21/11/2009 às 18:18

    Cientista Mayana Zatz, parabenizo-a pelo aprimoramento incessante do conhecimento científico na área atuante, por meio de sérias pesquisas, em favor da cura de doenças graves que afligem os seres humanos. E, parodiando as palavras da leitora acima, que as pessoas fujam dos chamados “negócios da China”.
    Que Deus a ilumine.
    Atenciosamente.
    Glória/

  9. Mayana Zatz

    -

    17/11/2009 às 20:19

    Muitissimo obrigada por seu comentário João Pino
    Quanto ao tratamento na China ou em outras clínicas que estão oferecendo tratamentos ainda sem comprovação clínica repito o que já disse inúmeras vezes: TRATAMENTO EXPERIMENTAL NÃO PODE SER COBRADO!!!! Se cobrarem, desconfiem!

    Um grande abraço

    Mayana

  10. João Pinho - ex-Conselheiro da O.A.B./Ba.

    -

    15/11/2009 às 23:12

    Dra. Mayana:

    Apraz-me parabenizá-la pelo trabalho pedagógico desenvolvido na USP, no que concerne a iniciação à ciência para alunos da educação básica da rede pública. Essa é a grande idéia!…Tenho certeza de não tê-la provocado, em comentário anterior, chamando-a de cientista engajada;
    Cinge-se de sua análise, a corretíssima opinião, quanto ao tratamento oferecido na China,
    Não faz muito tempo, a TV BAHIA, afiliada da Rede Globo contemplou seus telespectadores, com a reportagem sobre a deficiência visual congênita da bela e inteligente Julinha, ainda bebê, filha do atacante do Vitória Esporte Clube, o atleta ROGER, repercutindo na edição nacional (Jornal dos Esportes), que estaria indo para a China, receber um implante de células-tronco no mesmo Hospital.
    Com efeito, pelas informações científicas que possuo, manifestei na Rádio Subaé 1080 AM, sugerindo uma reflexão da família, antes da viagem, no sentido de obter um aconselhamento genético na área de oftalmologia da UFRJ e/ou UNICAMP-RIBEIRÃO PRETO, onde as pesquisas estão bastante avançadas, protocoladas no CONEP, e acompanhadas pela ABIN, pela sua importância estratégica para o Brasil.
    No meu sentir, a sorte da Julinha já estava lançada. A última informação, embora superficial, que obtive foi de que ela já se encontrava na China, acompanhada de outra criança, cujos pais sem recursos, fora “adotada” pelo pai da Julinha, que desenvolveu uma grande campanha com os torcedores, inclusive do time rival, o BAHIA, para arrecadar recursos a fim de que nesse País asiático, fosse igualmente submetida a idêntica intervenção cirúrgica.
    Estimo que continue com o seu belo trabalho em benefício da ciência.
    Cordialmente,

    João Pinho

  11. GILBERTO FERRAZ

    -

    15/11/2009 às 21:58

    Para quem é portador de doença incurável, não podemos nunca tirar-lhe a ESPERANÇA, mas ao mesmo tempo alertá-los sobre as enganações e falsidades, que infelizmente são mais numerosas que as verdadeiras pesquisas.

  12. Mayana Zatz

    -

    14/11/2009 às 14:11

    Maria
    Teoricamente, repito teoricamente as células-tronco retiradas da mucosa olfativa teriam o potencial de formar neuronios. Mas que eu saiba ninguém conseguiu provar isso em modelos animais, em testes pré-clínicos.
    Em resumo, o grupo chinês está transformando sere humanos em cobaias e enriquecendo com isto. Como já disse inúmeras vezes: É um negócio da China!!!!
    Um grande abraço
    Mayana

  13. Áurea Albuquerque

    -

    14/11/2009 às 8:49

    Com relação à ELA, soube, há 2-3 anos atrás, da pesquisa de um grupo comandado por um Prof. da UFBA. Foi noticiado na TV o caso de uma bibliotecária que já não conseguia andar e, após cirurgia com a equipe do referido professor, voltou a andar, embora com dificuldades.

    Seria interessante ter mais notícias a respeito do andamento dessa pesquisa na UFBA.

  14. maria guimarães

    -

    13/11/2009 às 12:47

    Mayana,
    Em teoria, como as células-tronco de mucosa olfativa (nunca tinha ouvido falar nessas) aplicadas diretamente no cérebro poderiam combater a ELA? Não consigo imaginar.

    Obrigada, Maria


 

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