17/09/2009
às 20:12 \ Sem categoriaTestes para doença de Alzheimer

Na coluna passada falamos da descoberta de três novos genes que estão associados a um aumento do risco de se desenvolver o Mal de Alzheimer (DA), doença que leva à perda progressiva da memória e da capacidade cognitiva. A questão é: vale a pena sabermos de antemão se temos um risco aumentado ou não de desenvolver a DA? Para discutir esse assunto entrevistei o Dr. David Schlesinger, neurologista que trabalha em pesquisas sobre a DA.
O senhor defende que uma pessoa se submeta a testes preditivos. Quais são os argumentos para isso?
A medicina ainda não chegou no ponto de conseguir determinar o risco exato de desenvolvimento da Doença de Alzheimer (nem da maioria das doenças genéticas causadas por múltiplos genes). O que temos disponível é o gene APOE. Quem possui a variante e4, tem três vezes mais risco de desenvolver DA. Mas pessoas que possuem essa variante podem nunca ter a doença, enquanto outras que não a possuem podem desenvolvê-la.
Na verdade, não há um diagnóstico de certeza mesmo para pacientes que já estão com demência, pois há inúmeras causas que podem causar perda de memória e da capacidade cognitiva. A DA é somente uma delas. Para complicar, o declínio cognitivo pode ser a combinação de DA com outras causas como pequenos derrames.
O senhor acredita que quando os testes disponíveis forem confiáveis e precisos, eles trarão benefícios?Sim. Isso vai contra o que muitos geneticistas pensam no momento sobre doenças incuráveis, mas explico: todos nós temos um risco grande de desenvolver DA, desde que não tenhamos uma morte prematura. Quem chegar aos 85 anos de idade tem um risco de aproximadamente 30%. Também sabemos que muitos dos pacientes com demência têm uma combinação de pequenos derrames e DA. O risco para derrame é modificável com medicações e comportamentos saudáveis (dieta do mediterrâneo, ingestão de vinho, exercício físico regular, exercício mental regular, etc). Assim, as pessoas que souberem que têm um risco aumentado, terão um estímulo maior para prevenir o declínio cognitivo.
Além disso, aquelas pessoas com risco aumentado, poderão se planejar adequadamente do ponto de vista financeiro e de saúde, obtendo planos/seguros que cubram cuidadores especializados, etc.
O senhor pode explicar o que é a dieta do mediterrâneo?É uma interpretação moderna de dietas típicas de alguns países do mediterrâneo. Consiste do consumo de frutas e verduras em abundância, azeite de oliva como fonte de gordura, laticínios, peixes e aves, além de ingestão diária leve (uma taça) de vinho. Estudos mostram que esta dieta está associada com menor risco de doenças cardiovasculares e maior sobrevida.
Eu já afirmei inúmeras vezes que não gostaria de saber se tenho risco aumentado de vir a desenvolver a DA. E o senhor, gostaria de saber?Sim, gostaria muito. Se meu resultado sugerisse risco diminuído, ficaria mais tranquilo e investiria meus cuidados em outras doenças para as quais eu possa ter maior predisposição. Se por outro lado, viesse com risco aumentado, direcionaria meu comportamento na prevenção de demências associadas, obteria um seguro saúde mais focado e prepararia minha família para minhas eventuais limitações. Além disso, procuraria participar de estudos experimentais de prevenção da DA, contribuindo assim com tratamento de futuras gerações.
Mesmo sem ser testado para a DA, existe alguma contra-indicação para que todos ajam no sentido da prevenção? Dieta do mediterrâneo, exercícios físicos, exercícios mentais não são recomendáveis para todos nós?Vinho não é indicado para todos. Quem tem história ou risco de abuso de álcool deve se abster. Não existe contra-indicação para prática de exercícios (muito pelo contrário) ou algumas dessas medidas (como baixo consumo de carnes). No entanto, para alguns não é fácil aderir a esse tipo de comportamento. Quem não gosta de um bom rodízio, por exemplo?
Além disso, dedicar algumas horas por semana para exercícios físicos não é algo natural para todos, especialmente no mundo atual. Resultados genéticos poderiam servir de estímulo para algumas pessoas saírem do sedentarismo. Tudo isso é uma questão de prioridades – no futuro os testes genéticos poderão nos ajudar a definir melhor as prioridades de cada indivíduo.
Tags: alzheimer, neurologista, teste





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19 Comentários
Izabela
-27/06/2011 às 14:34
olá , minha avó tem o mal de Alzheimer , e meu pai (filho dela) esquece muito as coisas e fica muito nervoso as vezes atoa , cisma com as pessoas do nada , e ta ficando muito lerdo , não sabe onde coloco nada . isso é genético ? eu corro risco de ter futuramente também ?
grata .
Gleide
-24/04/2011 às 11:18
Excelente esclarecimento. Moro com uma prima q está c/Alzheimer iniciado. Tratou-se 2 anos como sendo uma falta de memória devido à idade e sedentarismo(62 anos).Só agora, outros médicos chegaram à conclusão, pois duas tias morreram c/esse mal.
Tatiana
-24/02/2011 às 22:42
Existe alguma pesquisa para cura e/ ou prevenção da DA com células tronco?
Tatiana
-24/02/2011 às 22:37
Dr., minha avó teve e minha mãe tem Alzheimer e eu sofro todos os dias com o medo de ter também. Todos me dizem que quanto mais eu pensar nisso, maior a chance de realmente ter, mas eu não consigo não pensar, principalmente estando com minha mãe. Tenho mais chances por minha mãe ter? Não existe nada de concreto que se possa tomar para preservar o cérebro? Os estudos estão avançando bem? O sr. acha que é possível ter uma descoberta importante ainda este ano? Onde ocorrem as principais pesquisas? Muito obrigada.
nubia raney villaça
-01/11/2010 às 2:21
gostria de me submeter ao teste de DA onde posso fazer aki em belo horizonte mg …
nubia raney villaça
-01/11/2010 às 2:19
eu gostria sim de saber se como tenho caso na familia de alzeimmer minha mae eh portadora da doennça de saber se tambem terei …
natalia
-24/09/2010 às 22:53
acho muito importante vcs fazerem uma reportagem sobre a saude ,ja que
é´pouco visto pelas outras revistas .adorei
Helena Noleto
-17/02/2010 às 20:30
Dr. através de ressonância magnética pode ser diagnosticado a doença de alzheimer?
e qual o período do início e a completa demência?
Lanna
-16/11/2009 às 16:25
Eu acho que se os testes existem, cada pessoa deveria ter o direito de optar por querer saber ou não, ao invés de ficarmos à mercê da opinião do governo, ou das autoridades envolvidas nisso. Se o teste existe, eu tenho direito de fazê-lo, se eu quiser e puder pagar por ele. Do mesmo modo que um paciente pode se recusar a fazer algum exame, também tem direito de fazer um que pode fazer com que ele direcione suas forças no sentido daquele problema. Se minha mãe soubesse que tinha chance de ter Alzheimer, não teria se aposentado cedo, e teria mantido seus contatos sociais (que foi abandonando por medo de assalto, violência, etc.). Também tenho certeza que teria feito exercícios físicos mais precocemente (porque ela gosta muito, mas começou tarde, por falta de estímulo). Assim, acho que o estímulo que precisamos, muitas vezes é saber que podemos influenciar a nossa vida; prolongar nossa saúde. Sem saber dos nossos riscos, não há impacto psicológico algum. É como dizer para um jovem não tomar cerveja e não fumar. Ele diz que sabe que não é bom, mas vai fumando, porque se sente bem, e não tem real dimensão do problema. É a mesma coisa.
Maria Helena
-24/10/2009 às 8:21
Gostaria de me submeter ao teste para saber se vou desenvolver DA já que minha mãe apresentou a doença aos 82 para 83 anos.Como fazer o teste e onde?Procuro manter minha vida ativa,lendo fazendo exercícios,cuidando de minha mãe,…Tenho 63 anos e já vivo esquecendo muitas coisas.Desde já agradeço se me indicar uma solução.
sonia albertina
-22/10/2009 às 20:11
Dr. Schelesinger
Meu esposo está com 63 anos desde de 2001 está em uso de resperidona. Na cintilografia cerebral foi dado sugestão de alzheimer. Ele tem perda de memória mas em pequena quantidade, muita apatia, fraqueza, isolamento social, mutismo. Na época (2001) teve mudanças comportamentais sérias, agressividade, atualmente está mais calmo e como falei acima.
Se possível gostaria de sua opinião sobre como eu proceder. Ele está em tratamento desde 2001, já passou por dois neurologistas e não consigo que o médico peça novamente o exame para saber como está atualmente a região cerebral. Há dois dias fomos novamente em consulta com o neurologista que falou que ele tem grande chance de desenvolver parkinson mas que não tem alzheimer, isto também falou a neuropsicóloga. Sou enfermeira aposentada e gostaria de estar fazendo o melhor por meu esposo e até agora não temos um diagnóstico. Será que o Dr. poderia me orientar?
Desde já sou grata pela atenção.
sonia albertina
Marcela Santos
-27/09/2009 às 9:42
Racionalmente pensando, o Dr. Schlesinger está certo, acredito eu. Porém, emocionalmente nem todos estão preparados, nem todos lidariam positivamente. No meu caso, não consigo definir o que pesa mais na balança. Mas, acho que ficaria com a opinião da Dra. Mayana.
Heloiza Helena
-27/09/2009 às 8:29
meu sogro morreu a 6 anos com alzheimer com 69 anos ficou 5 anos na cama completamente indebilitado cheio de aparelhos meu esposo tem 49 anos anda muito esquecido tenho medo de ser a doença do pai medicos que consultamos diz nao poder adiantar nada .Sera que tem alguma outra forma de diagnosticar a doença agora com 49 anos??????
FERNANDA PACHECO
-25/09/2009 às 13:42
ESTOU COM 61 ANOS E A MEMORIA CADA VEZ PIOR, FAÇO LEMBRETES EM TODO LUGAR E TOMO COMPLEMENTO DE VITAMINAS INDICADO P/MINHA IDADE, MAS NADA ADIANTA. PRECISO IR A UM GERIATRA ? MINHA MAE ESTÁ DESENVOLVENDO ALZHEIMER DESDE A MORTE DO PAPAI,HA 5 ANOS. GOSTARIA QUE ME INDICASSE UM BOM GERIATRA, TENHO OTIMA SAUDE E QUERO VIVER MUITO E BEM, SAUDAVEL, ATIVA, LUCIDA. AGRADEÇO SE ME INDICAR UM MÉDICO. ABRAÇOS, FERNANDA.
Anouk
-21/09/2009 às 16:21
Olá Dr. Schlesinger,
Obrigada por responder a minha pergunta.
O tema é tao interessante, que a resposta nem chegou a ser medonha.
Abs.
David Schlesinger
-20/09/2009 às 12:11
Olá Anouk,
Sim, é relativamente comum ter alterções cerebrais que causam doença de Alzheimer, sem apresentar sintomas. Não se sabe porque algumas pessoas não apresentam sintomas clínicos apesar dessas alterações. Algumas explicações incluem uma “reserva cognitiva” maior (pessoas que usaram e desenvolveram mais o cérebro ao longo da vida), acometimento diferenciado de diferentes partes do cérebro ou mecanismos de perda de memória ainda não totalmente elucidados.
Ainda há muita pesquisa a ser feita nesse assunto…
Osmarina
-20/09/2009 às 0:37
Dra. Mayana,
Gostaria muito de submeter-me a qualquer tipo de testes que pudessem contribuir p/ o estudo e/ou descobertas de caminhos que conduzissem para descoberta de cura da doença de Alzheimer.
Estou com perda de memória, dificuldade de raciocínio e tenho 65 anos.
Sou praticante de yoga; tenho hábito de caminhar; gosto de leitura, mas está difícil lembrar.
Tenho feito pesquisas s/ o assunto e já me vejo como portadora do DA.
Anouk
-18/09/2009 às 13:55
Olá Dra. Mayana,
Quanto ao rodízio, nem se for muito bom eu gosto. A minha alimentacao é basicamente mediterrânea. Peixe, eu adoro!
É comum ser portador de Alzheimer, sem que o mal seja manifestado nos padroes conhecidos?
Soube de um caso em que a única queixa do portador da doenca, foi estranhar que no jogo de xadrez conseguia antever apenas 5 lances no lugar de de 8 lances, como de costume. Sua morte foi repentina, e só através de autopsia, foi constatado Alzheimer em último estágio.