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24/02/2012

às 14:54 \ Sem categoria

Irmãos salvadores

Thoncksotck

Como você se sentiria se fosse concebido para ser um irmão salvador?  

Na semana passada os jornais noticiaram o caso da recém-nascida Maria Clara que havia sido selecionada para salvar sua irmã Maria Vitória afetada por talassemia. Trata-se de uma doença genética do sangue que causa uma anemia profunda. Os afetados têm que se  submeter a transfusões de sangue constantes o que não é fácil principalmente para uma criança. Por outro lado, as talassemias, leucemias e anemias fazem parte das doenças hematológicas que podem ser tratadas com células-tronco hematopoéticas,  obtidas de sangue de cordão umbilical ou de medula óssea. Aliás, nesse grupo de doenças podemos falar sim de tratamento com células-tronco e não tentativa clínica que é o que está sendo testado com outras doenças

O que é a talassemia?

A talassemia  é uma doença hereditária causada por insuficiência  na  síntese de uma das cadeias da globina, que formam a hemoglobina, a molécula responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. A  consequência é uma anemia severa. A herança é autossômica recessiva. Isto é, para ser afetada a criança precisa receber duas mutações: uma do pai e outra da mãe. As pessoas que têm uma só mutação (heterozigotos) em geral não são clinicamente afetadas.

 A importância dos bancos públicos

O caso de Maria Vitória e de outros casais que estão submetendo-se a esse procedimento para conseguir um doador compatível  reforça o que tenho repetido constantemente: a importância de se ter bancos públicos de cordão umbilical. Se tivéssemos bancos públicos com muitos milhares de amostras de sangue de cordão umbilical estocados, como por exemplo, a Eurocord (na Europa)  a chance de achar um doador compatível para Maria Vitória  e de tantos outros que sofrem de leucemias ou outras doenças hematológicas seria enorme. E os pais não teriam que submeter-se a todo o stress de ter que selecionar um embrião compatível.

É ético selecionar um embrião para ser doador de um irmão ou irmã?

Toda vez que anunciam casos como esses surgem as questões éticas. Já escrevi a respeito anteriormente e volto a discutir esse assunto no meu livro gen ÉTICA. Todos os casais que passaram por isso afirmam que ao invés de perder um filho ganharam dois. É impossível não apoiar essa decisão. Será que vão gostar da criança  resultante do embrião selecionado? Não tenho dúvidas a respeito. No momento que você vê o bebê, a paixão é imediata. Quem tem filhos sabe do que estou falando.

Mas e a pessoa  que foi concebida e selecionada  para salvar um irmão?

Como ela se sente a respeito? Coincidentemente essa questão surgiu em um debate recente com jornalistas e público.  ”A dignidade humana é um fim em si mesmo e não um instrumento para terceiros. Você gostaria  de ter nascido para ser usada só porque os pais precisavam de um doador? Essa é uma boa perspectiva para vir ao mundo”, me perguntou um jornalista. Quem assistiu ao debate sabe minha resposta mas achei interessante ouvir a opinião de vocês, caros leitores. E então repito:  ”Você gostaria  de ter sido selecionado e nascido para ser usado porque  seus pais precisavam de um doador?

Por Mayana Zatz

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32 Comentários

  1. Gilberto Ramos ribeiro

    -

    21/04/2012 às 21:39

    não vejo problemas neste tema. Muitos de nós só nascemos devido ao apetite sexual de nossos pais. Muitos não estavam nem sequer programados. Nascer para fins nobres, como nesse caso, compensa conduzir bem a nossa vida dentro dentro perspectiva.

  2. Debora Pereira

    -

    24/03/2012 às 16:31

    Este caso é um caso muito polemico, e não deve ser analisado de uma forma geral, e sim com um cuidado especial para cada caso. Salvar uma vida é excepcional, quem não gostaria de ser o responsável por salvar a vida de um irmão. Porém eticamente falando é muito delicado uma criança entender isso ( no caso o doador), imagina você ser submetidos a diversos procedimentos, muitas vezes dolorosos e com com reações que comprometem a saúde da criança doadora (o), e ainda mais falando de uma criança, por isso é extremamente indispensável o acompanhamento psíquico, pois quando você atinge uma idade a qual ja tem uma maturidade de intende que você está salvando um irmão (a) ok! Mais e quando se treta de uma criança muito pequena que não tem este raciocínio ainda? Outro caso também que nos leva a analisar é que quando se fala em salvar uma vida tem que levar-se em conta que á sim possibilidades de se salva, porém é muito importante se atentar aos limites até aonde a genética pode influenciar, pois infelizmente a lei da Vida nos leva a morte, e isso é inevitável. A partir de um momento a doença atinge um ponto totalmente degenerativo , onde este auxilio irá causar somente um desgaste emocional tanto ao paciente quando ao doador (a), por isso é importante atentar-se até que ponto ir. A um filme muito legal, chamado ”uma prova de amor” e relata bem esta situação, é um filme muito conhecido neste meio de profissionais da saúde, mais se alguém não o assistiu vale a pena assistir pois mostra bem as duas partes desta situação.

  3. Luis

    -

    22/03/2012 às 11:26

    Da mesma forma que sou doador de sangue, não me oporia a “nascer” para salvar um irmão. Agora pergunto: 100% das vezes este irmão será compatível? Se não, fico imaginando a frustração dos pais….e que pode vir a sobrar para o filho “salvador”…

  4. Valdemir Caldas Souza

    -

    08/03/2012 às 20:51

    Sim, 1 milhão de vezes sim !Salvar uma vida não tem limitações. Nascituro iluminado ! Graças a Deus a aos homens e mulheres cientistas de boa vontade. Grande abraço e Deus a abençoe.

  5. Paulo dos Santos Andrade

    -

    04/03/2012 às 20:31

    A palavra “usado” assusta,agora saber que você tem saúde e ajudou a devolver a saúde de outra pessoa essa é a perspectiva certa, ser útil.

  6. Rosana Martinez

    -

    02/03/2012 às 12:13

    Mayana..desculpe, mas tive que voltar a comentar esse assunto…Olha só esse artigo com argumentação jurídica sobre esse tema. É fantástico! migalhas.com.br/dePeso/16,MI150685,21048-Voce+geraria+um+filho+para+salvar+outro

  7. João Luís Costa

    -

    29/02/2012 às 17:33

    Olá, doutora, como vai?

    Achei a questão fascinante e a resposta é: Sim! Minha vida não se limitaria ao fato de ser um doador. Ela se expandiria a partir daí para infinitas possibilidades, como a de qualquer ser humano. Aliás,se mudarmos um pouco a pergunta, veja só que coisa. Quando morremos e nos tornamos doadores de órgãos, no que nos tornamos?
    Acho que é uma situação bem parecida. Se imaginarmos uma vida vivida sem alcançar absolutamente nada e, mesmo assim, a pessoa for uma doadora de órgãos, isso significa que ela apenas demorou algumas dezenas de anos para fazer o que esse bebê fará nos primeiros meses ou anos de vida. Acho que a vantagem está com o bebê.

  8. Thaisa

    -

    29/02/2012 às 8:16

    Olá, belo publicação. Respondendo a pergunta, eu iria me sentir a pessoa mais feliz do mundo, se soubesse que nasci para salvar uma pessoa, ainda mais se tratando da vida de um irmão(a). E se tiver um filho(a)em que eu tenha que salvar desta mesma maneira não pensaria 2 vezes, por que você vai salvar a vida de um filho, e ganhar outro parar compartilhar esta linda historia de amor….

  9. celia mazzota

    -

    28/02/2012 às 17:20

    De início, parabenizo-a, dra. Mayana, por seu trabalho, força e persistência. A meu ver, a questão que se apresenta não fere a ética médica. A sociedade precisa acompanhar o avanço científico e utilizar-se dos métodos a seu favor. Acho que o nascimento, por si só, já é uma oportunidade e nascer com um bom propósito, seria ainda melhor. Mas, só por amor ao debate, pergunto: “qual seria a outra opção da criança programada para salvar a irmã? NÃO NASCER?” Não me parece vantajosa.
    Também estive no debate e achei que os jornalistas estavam mais preocupados em discutir ética médica, direcionados à crítica, do que avanço da ciência. Um abraço.
    Célia

  10. Anita Hitelman

    -

    28/02/2012 às 13:09

    Quanto a ser ético selecionar um embrião, eu acho super ético só que tem que acabar com a hipocrisia de não considerar esta seleção como um aborto, aliás múltiplo! porque quando se aborta se elimina um embrião e quando se seleciona,fazemos exatamente o que de diferente com os que não foram selecionados?

  11. Anita Hitelman

    -

    28/02/2012 às 13:07

    De minha parte a resposta é SIM SIM SIM- melhor do que nascer porque a camisinha ou a pilula ou a tabelinha falharam- causa de muitos nascimentos! rs.E claro que a criança assim concebida com um propósito não vai ser mais ou menos querida por isto! talvez até mais, será que não?

  12. Aidée Guerra Bretas Viana

    -

    28/02/2012 às 8:35

    Eu ficaria muito feliz se viesse ao mundo já com a missão de salvar uma vida, ainda mais de um irmão. Nesta vida, estamos aqui para “servir”, para nos tornarmos melhores. Qdo doamos sangue, médula óssea,orgãos, etc, estamos também ajudando a salvar uma vida. É uma missão muito dígna, e a pessoa que já nasce podendo ajudar outras, é uma pessoa abençoada.

  13. Nayander

    -

    27/02/2012 às 14:44

    Essa situação se passa no filme ”Uma prova de amor”; acho que a criança doadora teria alguns problemas com a aceitação de ter nascido para ajudar a irmã, mas que passou a ser amada. Respondendo sua pergunta, não me sentiria bem, mesmo que para ajudar o próximo.

  14. Daniel Capdeville

    -

    27/02/2012 às 10:58

    Eu morreria para salvar meu irmão. Com muito mais razão daria a vida.

  15. Jane

    -

    26/02/2012 às 18:37

    sim

  16. Ana Amorim

    -

    26/02/2012 às 14:27

    sim

  17. Alba

    -

    26/02/2012 às 14:24

    Claro!!! O amor ja existente entre os familiares nesta situacao, onde a harmonia predomina para se encontrar uma solucao e me pondo no lugar de ser criado para salvar a vida de um(a) irmao(a), vejo que o amor seria triplicado e certamente o carinho dos irmaos seria incontestável, além do amor dos Pais.
    E sim, também selecionaria (geneticamente) uma vida para salvar outra, visto que tenho filhos. Amaria imensamente este filho por ter dado oportunidade de salvar um(a) irmao(a).

  18. Dora Dias Rodrigues

    -

    26/02/2012 às 11:36

    Minha opinião é que vir ao mundo com essa missão é motivo de orgulho para
    quem for escolhido.Há 71 anos atrás um médico naturalista aconselhou minha mãe a ter outro filho para melhorar problemas de saúde e eu fui con
    cebida com essa finalidade, sem traumas, sem problemas éticos.
    Se a ciência encontra formas de salvar vidas que sejam todas Benvindas!

  19. ILLA

    -

    26/02/2012 às 7:18

    Se fosse pra salvar um irmão,ficaria muito feliz sim.

  20. Rosana Martinez

    -

    25/02/2012 às 18:10

    Não sei se minha experiência pessoal conta para minha opinião, mas penso que a maneira como essa “criança salvadora” será criada, os valores que serão passados a ela e, principalemnte, como ela saberá porque e como foi concebida é o que contará para o juízo de valor que ela fará sobre os fatos. Em princípio, todo ser humano tem, em si, a capacidade de empatia. Daí nossa tendência à solidariedade, por exemplo, em episódios de catástrofes, ou na doação de sangue, de brinquedos no Natal, etc. Por que, então, não sentir-se agraciado pela oportunidade de ter vindo ao mundo para salvar alguém e, ainda de quebra, fazer parte da vida, da família e do amor dessa pessoa? Acho que pode ser uma questão de perspectiva. Simples, assim.

  21. Marcia

    -

    25/02/2012 às 16:10

    A foto da vontade de chorar de tão linda.

  22. karen

    -

    25/02/2012 às 14:27

    Eu gostaria,pois saber q nasci pr salvar um vida é muito gratificante.Pq jesus veio ao mundo e morreu por nós,pq ñ nascer por alguém.

  23. marcia

    -

    25/02/2012 às 3:04

    Se eu fosse amada pelos meus pais, o que deve acontecer em quase 100% dos casos, eu teria muito orgulho de ter salvo a vida do(a) meu(minha) irmão(ã).

  24. Andre Lima

    -

    24/02/2012 às 22:44

    Mayana, de acordo com o folclore da minha família, eu vi ao mundo devido ao conselho que um psicólogo deu a meus pais quando consultado a respeito do comportamento mimado de meu irmão mais velho. Para falar a verdade, nunca tinha me ocorrido relacionar minha dignidade humana com esta decisão. Não foi relevante pra mim, eu acho.

  25. Andreia

    -

    24/02/2012 às 21:50

    Dra. Mayara, gostaria de parabenizá-la pelas publicações acerca de temas tão polêmicos, mas de suma importância, sem sombra de dúvida concordo com com a vinda de um novo ser para salvar o outro, em especial quando se pode ter dois filhos ao invés de perder um, sem ter tentado qualquer outra alternativa, que é salvar a vida de um ente querido.Parabéns.

  26. Manoel Arthur Mendonça

    -

    24/02/2012 às 20:03

    Tenho um filho com mieloma múltiplo, aguardando a oportunidade do auto transplante. Caso existisse a possibilidade como na talassemia e eu tivesse minha vida planejada para salva-lo, me consideraria um herói, embora fosse meu único feito. Dra. Mayana meu filho aguarda que pesquisadoras como a Sra. encontrem o caminho.

  27. raquel cristina

    -

    24/02/2012 às 16:53

    Boa tarde Mayana, eu gostaria de dar a minha opinião acerca desse assunto.Bom, eu particularmente gostaria e me sentiria muito importante em saber que eu nasci pra salvar um pessoa, alias somos seres humanos e precisamos um do outro. É ilusório pensar que nunca precisaremos de alguém,então porque não ajudar o próximo.
    Deveríamos nos colocar no lugar dessas pessoas e pensar se fosse nós?
    Cabe aos pais dessas crianças que são geradas para salvar um irmão ensinar, conscietizá-las da importância que elas tem imaginm que missão maravilhosa de virmos ao mundo para salvar alguém.

  28. Évelim

    -

    24/02/2012 às 16:26

    Eu não me importaria de ter sido consebido dessa forma. Apartir do momento que a criança fosse crescendo so almentaria os laços entre os dois, teria orgulho de saber que ja vim ao mundo com um prosito.
    E nao existe nada mais importante do que ajudar o proximo, principalmente se tratando de um irmao.
    Se o Deus criador o seu inico filho Jesus para morrem em prol de salvar humanidade, Não existe prova de amor maior que essa.

  29. Flávia

    -

    24/02/2012 às 16:13

    Eu não assisti ao debate e portanto não sei a sua resposta. Você poderia dizê-la ou ainda, dizer onde eu posso assistir ou ouvir a uma gravação desse debate? E, a minha resposta é “não”. Não gostaria de ter sido selecionada para ser usada. Mas, enfim, são tantos os motivos estranhos pelos quais as pessoas tem filhos que eu nem sei mais o que é ruim ou não. Acho que depende muito de como eu seria vista. Eu teria algum valor em mim mesma? E, se não desse certo e a irmã mais velha morresse, meus pais ficariam muito desapontados? Acho que essas seleções genéticas idealmente deveriam ser feitas logo no primeiro filho, aliás, deveriam ser feitas nos dois adultos antes de qualquer coisa, para ver qual o risco dos dois produzirem um filho com uma anomalia. Já que é pra mexer na genética, que comecem com os pais.

  30. Milla

    -

    24/02/2012 às 16:05

    Eu li seu livro e, como em muitos casos apresentados nele, essa é uma mais uma questão complicada. Se fosse comigo,acho que ficaria feliz em saber que fui eu que pude ajudar um irmão,que provavelmente seria grato a mim e ao avanço que a medicina teve até chegar a esse ponto, isso,claro, se eu tivesse todo um carinho e amor da família. Por outro lado,se eu não recebesse esse amor, que os pais devem ter pelos filhos,ai sim, me sentiria como um objeto que tem/teve utilidade.
    Adoro seu blog!

  31. Lea

    -

    24/02/2012 às 15:45

    Muito interessante, não vi essa proposta de debate até agora: como se sentirá no futuro o irmão ao saber que só veio ao mundo para fornecer “peça” ao outro irmão. Porque não adiantará os pais dizer-lhe que a paixão é imediata ao primeiro momento que viram o bebê, porque antes disso, ao programar a concepção, o objetivo foi calculista e visando ao outro. E se depois de tudo, por um erro de cálculo ou análise, não fosse compatível ? este ser humano se sentiria além de usado, inútil ? uma decepção para os pais ?
    Eu não gostaria de ter sido selecionada e nascida para este fim.

  32. Maria de Fátima Morettin Begoti

    -

    24/02/2012 às 15:36

    Eu me sentiria muitíssimo especial, afinal, quando ainda bebê eu ja teria salvado uma vida, isso com certeza me deixaria imensamente feliz.


 

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