18/02/2011
às 6:01 \ Sem categoriaExames genéticos e incesto

A prestigiosa revista britânica Lancet publicou nesse mês um artigo mostrando que exames genéticos em crianças com malformações ou doenças genéticas revelam, em alguns casos, que elas foram geradas por relação incestuosa. Como o risco de nascer um bebê com uma doença genética aumenta significantemente quanto maior o grau de consanguinidade dos pais, o incesto explicaria a ocorrência da patologia nesses casos. Os autores do artigo sugerem que quando a relação incestuosa envolver uma mãe menor de idade isso deve ser denunciado ao serviço de proteção de menores ou até à policia.
Como lidar com esses casos para causar o mínimo possível de dano psicológico aos envolvidos? É um dilema ético complicado. O artigo da Lancet me fez lembrar a história dramática de Lúcia (o nome é fictício) que ilustra bem como pode ser complexa essa situação.
Lucia, uma adolescente de 15 anos, veio junto com seus pais nos procurar no Centro do Genoma da USP, grávida de dois meses.
Moravam numa cidade do interior e vieram acompanhados por uma assistente social. Lucia tinha três irmãos afetados por uma doença genética grave e queria saber se corria o risco de ter um filho com o mesmo problema. Seu namorado também adolescente, Paulo, o suposto pai da criança não compareceu à consulta. Coletamos sangue de todos para confirmar o diagnóstico e saber se ela corria o risco de ter uma criança com a afecção dos irmãos. Entretanto, antes de ir embora a assistente social pediu para conversar comigo em particular. Contou-me que havia um rumor na cidade segundo o qual o pai do bebê que Lucia estava gerando não era o Paulo, seu namorado, mas o seu próprio pai biológico. Se fosse verdade esse seria ao mesmo tempo o pai e o avô do futuro bebê de Lucia. Isso, se a gravidez fosse a termo. Perguntou-nos se poderíamos confirmar isto por meio do exame de DNA.
Do ponto de vista genético era uma informação muito importante
Se fosse confirmado que o feto era fruto de uma relação incestuosa, além do alto risco de ter a doença dos irmãos havia também uma probabilidade adicional, estimada em 50% , de Lucia vir a ter uma criança com um problema genético decorrente da consanguinidade (relação pai-filha). Entretanto é impossível nesses casos fazer um exame que permita diagnosticar todas as doenças.
Seria verdade a suspeita da assistente-social?
Ou simplesmente uma “fofoca” sem fundamentos? Chamei a adolescente para uma conversa particular e ela acabou confessando que realmente o pai vinha “visitá-la” na cama e ela não sabia quem era o pai biológico da criança que estava gerando. Só não queria, de maneira nenhuma, que a mãe soubesse. Infelizmente, a suspeita da assistente social era procedente.
Tínhamos coletado amostras de Lucia e de seus pais
Poderíamos fazer o exame genético, mas antes de decidir se iríamos realizá-lo tínhamos várias questões: será que isso seria de nossa responsabilidade já que a família havia nos procurado por outro motivo? Qual seria o benefício para os envolvidos em fazê-lo? O que poderia ser feito a respeito?
O que você faria caro leitor?


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35 Comentários
Romane Blaunde
-28/04/2012 às 6:16
o relacionamento incestuoso trás consigo muitas consequências: morais, genéticas queria que fornecessem a listas de algumas doenças geneticamente observadas pela ciência.
Jose Carlos Henrique Maria
-02/04/2011 às 22:16
O pai que praticou o incesto teria que ser denunciado sim. Se a filha consentiu, também teria que ser punida pela lei brasileira.
Célia
-23/02/2011 às 12:01
D Mayana, qual é a pegadinha deste caso ,em que os leitores é que devem dar um veredito final? A senhora, com crimes como esse ,tenta avaliar qual o grau de aceitação por parte dos brasileiros e assim por amostragem , definir se a moral brasileira ,permitiria voos mais altos na ciencia??
Sady
-22/02/2011 às 7:46
Cartas na mesa.Eu abriria o jogo e falaria abertamente sobre todos os riscos possíveis.
Luiz De Andrade
-21/02/2011 às 16:14
Certamente eu faria o teste com autorização das autoridades às quais seria feita comunicação oficial, já que a revelação da menor deveria se compartilhada com a promotoria da infância e da juventude, em razão ser um caso de polícia.
nkoliveira
-20/02/2011 às 19:08
Eu faria o teste e exigiria ó acompanhamento do Ministério Público nesses casos. Para todos os efeitos, como a Lucia é menor, os responsáveis diretos por essa condição são os pais. Tanto a mãe quanto o pai deveriam ser responsabilizados, talvez criminalmente até, pela condição que impuseram à filha. Eu não acredito nessa história pra boi dormir de que a mãe da menina seria um vítima ou não saberia de nada. Se soube, é cumplice, se não soube, é negligente e incapaz de zelar pela segunrança dos filhos que tem; logo essa mulher nunca deveria ter filhos. O pai da menina já é um sociopata pelo próprio comportamento, e deveria ser isolado do convívio social pelo dano potecial que poderia causar a outra meninas. Se fosse eu o(a) geneticista, faria o exame e denunciaria o caso ao MP, por compormisso moral com a sociedade e com a menina, vítima da negligencia da mãe e do crime hediondo do pai. Tomar conhecimento desses fatos, da existencia de um molestador e de sua vítima, e omitir-se é ser cúmplice de um crime; é manter solto um predador sexual, que pode muito bem ameaçar outras crianças inocentes.
Ana
-20/02/2011 às 15:15
A ciência avança e com ela surgem novas questões éticas e morais. Vamos deixar de lado por um minuto o abuso. Se o exame indicar que o feto é portador de uma doença genética grave, o que a mãe pode fazer no Brasil, onde o aborto é ilegal? Essa moça que a procurou pode ser vítima duas vezes, do pai e do Estado que lhe nega o direito de interromper uma gravidez, não só indesejada como arriscada. Voltando ao abuso, o médico, o cientista, o profissional que cuida não pode se omitir, como se omitiu a assistente social “que passou a bola”. A questão é sem dúvida delicada, mas a omissão é criminosa.
Flavia
-20/02/2011 às 2:02
O correto sem dúvida nenhuma seria informar às autoridades o caso de incesto e revelar a real paternidade da criança, porque como se construir um futuro sobre mentiras? Porém devemos ressaltar a falta de uma infra-estrutura que apóie a vítima em tais circunstâncias. Após denunciado o caso, comprovado o delito e o culpado na cadeia, quem garantiria o sustento da família se, provavelmente, o autor do crime era também o responsável por isso? É justamente por esse motivo que fica a dúvida do benefício em se fazer valer a verdade.
PATRICIA
-19/02/2011 às 19:35
OLA
ME CHAMO PATRICIA, HA 5 MESES PERDI UMA FILHA COM 10 MESES DE VIDA, VITIMA DE UMA SINDROME RARA. SINDROME DE LEIGH!
NUNCA CONSEGUI ENTENDER COMO E PORQUE TAO RAPIDO ACONTECEU ISSO.
MIRELLA, MINHA FILHA, QNDO NASCEU FOI DIAGNOSTICADO UM SOPRO EM SEU CORACAO QUE DESDE O PRIMEIRO MOMENTO FOI ACOMPANHADA PELA CARDIOLOGISTA, QUE DIZIA SER O MAIS SIMPLES DOS PROBLEMAS CARDIACOS.AOS 6 MESES DE IDADE A CARDIO ACHOU QUE ESTAVA NA HORA DE FAZER UM CATETERISMO EM MIRELLA PQ A VALVULA CARDIACA ESTAVA FECHANDO AOS POUCOS.MUITO AFLITA E SEM EXPERIENCIA, PERGUNTEI SE SERIA MESMO NECESSARIO FAZER ESSE CATETERISMO EM MINHA FILHA.ELA DISSE QUE IRIA PEDIR UM NOVO ECOCARDIOGRAMA MEDINDO O ANEL. NO PROXIMO ENCONTRO COM A CARDIO MIRELLA ESTAVA MUITO MOLINHA, NAO QUERIA COMER, NAO DORMIA BEM…E PERGUNTEI A CARDIO SE SERIA POR CAUSA DESSE PROBLEMINHA EM SEU CORACAO?MAS ELA DISSE QUE NAO.E ME ACONSELHOU LEVAR MIRELLA A UM NEURO, POIS EU E MEU ESPOSO SOMOS PRIMOS DE PRIMEIRO GRAU.LEVAMOS-A A NEURO,ENTAO ELA PEDIU VARIOS EXAMES, DENTRE ELES UMA RESSONACIA DO CRANIO.MARQUEI O EXAME PARA FAZER 4 DIAS DEPOIS,MAS COM 2 DIAS MUITO PREOCUPADA COM MIRELLA POR ESTAR MUITO MOLINHA LEVAMOS ELA PARA O HOSPITAL LUIS DE FRANCA AQUI EM FORTALEZA, E ASSIM QUE A PEDIATRA A VIU PEDIU LOGO O INTERNAMENTO.NO MESMO DIA DO INTERNAMENTO AS 10 HS DA NOITE LEVARAM MINHA FILHA PARA A UTI POR INSUFICIENCIA RESPIRATORIA.COM DOIS DIAS DEPOIS DE ESTAR NA UTI, NA UTI MOVEL LEVAMOS MIRELLA PARA FAZER O EXAME DE RESSONANCIA, QUE FOI DIAGNOSTICADO ESSA SINDROME.ARRASADA NAO ACREDITEI, POIS O MEDICO ME EXPLICOU COMO ERA A DOENCA E QUE ERA DEGENERATIVA. FOI PRECISO FAZER UMA TRAQUEOSTOMIA E A GASTROSTOMIA QUE COM 9 DIAS DEPOIS MINHA MIRELLA FALECEU, COM UM ALTO NIVEL DE INFECCAO.
GOSTARIA DE SABER MAIS SOBRE ESSA SINDROME, SE TEM ALGUM EXAME QUE POSSA ME DIZER SE TEM POSSIBILIDADE DE SER POR CONTA DE SERMOS PRIMOS?A POSSIBILIDADE DE UM PROXIMO FILHO NASCER COM ALGUM PROBLEMA…
OBRIGADA
Germano
-19/02/2011 às 12:41
Como eles vieram acompanhados por uma assistente social e como ela mesmo levantou a suspeita, o caso tem que ser investigado e tomadas as medidas necessárias para elucida-lo e encaminhar ao conselho tutelar.
Não podemos pactuar com atos dessa natureza
Denis
-19/02/2011 às 11:39
Uma matéria que traz à tona um assunto tão sério e se refuta em assumir uma posição, deixando tudo a cargo do leitor, no meu ver demonstra no mínimo falta de informação.
giggio
-19/02/2011 às 11:29
Colocaria o canalha na cadeia.Nao da para ser conivente.O medo nos faz calar e o mundo continua a sofrer abusos.
jorji
-19/02/2011 às 10:55
Aplica-se a lei, pai na cadeia, e aborto se ainda tiver essa possibilidade.
Alcione
-19/02/2011 às 8:40
Concordo com Vitor…o exame deveria ser feito e também, relevada a paternidade. Que tipo de adulto essa adolescente será, sendo utilizada sexualmente pelo proprio PAI?
Marcelus G. Zalotti
-19/02/2011 às 8:32
Acho que nestes casos é melhor fazer a verdade vir à tona.
Vivina Amorim Sousa
-19/02/2011 às 8:15
Caríssima Doutora,
Aqui não existe uma questão ética, simplesmente é um estupro hediondo de uma menor de idade, e é também um incesto!!! ou seja, este homem deve ser preso e pagar pelos seus crimes e ponto final. Ou quando alguém é estuprado estamos a pensar na questão ética?!?!
[WORDPRESS HASHCASH] The poster sent us ’0 which is not a hashcash value.
luiz antonio - rj
-19/02/2011 às 1:31
C A D E I A ! E provavelmente a castração do animal.
Sandra
-19/02/2011 às 1:14
incomparavel !! qual desconforto emocional , causado por uma denuncia devidamente comprovada como essa, seria maior a uma familia inteira, do que a violencia sofrida individualmente por uma filha sozinha sendo violada por um pai ? inadimisivel nao se fazer a comprovacao e demais apuracoes e consequentes responsabilizacoes ! do pai-animal, da mae negligente e ou conivente,tios ,avós, professores,etc.
Esse “cancer” tem que ser estirpado e essa filha receber dos seres humanos que a rodeam o tratamento necessario para sua restauracao.A saúde da vida que esta para nascer , infelizmente ja esta determinada,nao ha nada a se fazer , só esperar .
abraão bastos
-18/02/2011 às 23:48
É CLARO QUE DEVERIA FAZER O EXAME E COMUNICAR A POLICIA. DO CONTRÁRIO ESTARIA ACOBERTANDO UM CRIME
adrianoaure
-18/02/2011 às 22:00
São dilemas que a medicina enfrenta todo santo dia!E a Mayana poderia entender que médico é médico e tem de estar preparado para coisas como esta.Trazer isto para leitores de uma revista como a Veja? quer mostrar que é uma pessoa importante?
Oliveira
-18/02/2011 às 21:43
Não vejo nenhum dilema. Trata-se de um crime. A vítima precisa se sentir protegida e cabe a quem tem as provas, denunciar o crime, senão torna-se conivente com o mesmo.Se vai ser um terremoto ou não, isso é detalhe…o terremoto já está em andamento e a única prejudicada está completamente perdida. Ou será que deve se manter o silêncio e colocar sobre os ombros de uma adolescente de 15 anos , o peso de suportar tudo isso?
Teresa
-18/02/2011 às 19:21
É óbvio, nem precisa pensar duas vezes. Um crime hediondo de um pai que além que de estuprar a
filha e causar danos psicológicos a ela ainda vai procurá-los.
Estaríamos permitindo que este pai
fique impune. Além disso, acredito que deveria ser feito um aborto, caso
se comprove a paternidade do avó, pois além de ser uma criança fruto de um
estupro, terá várias sequelas psicológicas provenientes de sua ascendência
devido a consanguinidade além de possíveis doenças hereditárias, o que
esperar de seu futuro quando este tomar ciência, provavelmente será um
ser humano profundamente problemático, que sentido terá para ele
família, amor, carinho… o peso que carregará (fruto de estupro,
nascimento indesejado e em que situação de vida)
Infelizmente enquanto a lei não for duríssima contra estupradores e pedófilos
muita gente inocente literalmente vai pagar… crianças abusadas e aquelas
que estão por nascer vítimas destes estupros… uma bola de neve
de horrores e crueldades contra o ser humano inocente, indefeso e desprovido
de defesa… já que a quem deveria defendê-los e educa-los lhes tiram
toda a forma de dignidade e sonhos que poderiam vir a ter na vida.
Perola
-18/02/2011 às 18:57
A verdade deve prevalecer.No caso,há um crime:incesto.E seria,sim,responsabilidade de quem sabe do fato comunicar às autoridades competentes.E o benefício é evitar que a menina continue a ser abusada e evitar que esse pai abusador faça outra vítima:um abusador será sempre um abusador,se não houver uma filha à mão,abusará da filha de outro.Para casos como esse há processo e cadeia!Sem pensar em outra opção!
Cláudio
-18/02/2011 às 13:52
Vejo que neste caso a vítima é menor e, nestes casos, a violência é presumida. O caso deve ser relatado à autoridade policial para que tome as devidas providências e seja judicialmente determinada a realização de exame comprovando a paternidade, o que comprovaria a violência sexual. Que mundo cão!
Herik
-18/02/2011 às 13:35
Tenho uma resposta que é a solução para dois problemas:
Em primeiro lugar deve-se soltar os “coitados” dos ratinhos dos laboratórios.E depois, pegue esse “cidadão” e use para o bem da ciência(se é que vcs me entendem)testem vacinas, remédios ,novos tratamentos(faça o mesmo que se faz com um rato , pois é isso que ele é).Pelo menos a vida dele terá alguma serventia para a humanidade.
OBS:Ainda bem que não tenho poder !!!
Alexandre
-18/02/2011 às 12:50
Já que o fato de se fazer o teste de paternidade trará uma informação crucial para estimar os riscos da gravidez, acredito que poderia ser feito sim. Pior seria subestimar tais riscos. No entanto, acredito que o resultado de paternidade não precisaria ser divulgado, e sim apenas os riscos reais.
Victor
-18/02/2011 às 12:24
O caso deveria ser reportado ás autoridades, sem dúvida. Não caberia à menina de 15 anos a decisão de manter sigilo sobre um crime dessa natureza. Quem garante que o pai não vai cometer o mesmo crime com o bebê que vier a nascer? É claro que uma revelação dessa vai ter o efeito de um mega-terremoto na família, e eles certamente vão precisar de ajuda terapêutica, mas é melhor do que manter tudo debaixo do tapete por medo de revirar essa podridão toda e deixar um criminoso sórdido impune.
Fernando
-18/02/2011 às 11:43
Mayana, antes do problema ético, temos um problema criminal. O pai estava abusando da filha, o que simplesmente elimina qualquer procedente ético para não apresentar o resultado.
Se o filho for do Pai, além de informarem de quem é a paternidade, a assistente social deve ser informada de que, você é confidente de um abuso por parte do pai e assim o caso será encaminhado pelos orgãos competentes.
Se esse problema não for resolvido, você conseguiria dormir sabendo que a pobre menina além de poder ter um filho com problemas ainda tem um pai que abusa dela?
Juliana Mendes
-18/02/2011 às 10:36
Questão delicada, que poderia mudar toda a estrutura familiar, mas este tipo de assédio é muitas vezes baseado na crença do pai de que o molestado teme a reação da mãe e portanto faz segredo sobre o abuso.
Ficar em silêncio diante desses assuntos faz-nos menos humanos.
Li que havia sido aprovado uma lei que obriga todo funcionário públicos que socorrem pessoas vítimas de maus tratos denúnciar isto a justiça. Eu acho que este caso poderia ser encaixado dentro desta lei.
Tatiana
-18/02/2011 às 10:22
Incesto não é crime? Ainda que não fosse, culturalmente (na nossa cultura, ao menos) é hediondo. Não falar nada e deixar esse pai destruindo a vida da filha? Se fosse minha filha eu gostaria de saber. Se eu fosse a menina, gostaria que alguém fizesse alguma coisa.
Germana
-18/02/2011 às 10:09
com correcoes
Grande questão, mas acho que é muito semelhante a uma noticia que li ontem sobre casos de psiquiatras cujos pacientes declararam ter cometido assassinato ou assedio, ou do clássico caso de padres que recebem a confissão de um criminoso, a exemplo do filme de Hitchcock, I confess (1953). Acho que é preciso proteger vitimas como o caso de Lucia sim. Mas talvez fosse o caso de ter um conselho para profissionais como vocês, na universidade ou no Estado que pudessem indicar que caminho tomar. Com as provas em mãos a denuncia é certa, mas a questão é realmente delicada. Outro ponto delicado é sempre ter os testes genéticos como ferramenta e não como prova final de um caso como esse. Abs
Camilli Chamone
-18/02/2011 às 10:06
Uma situação de arrepiar. A nossa formação cultural não permite que lidemos isso de maneira tranquila, entretanto, incoerentemente, é o que temos que fazer quando um paciente desses chega a nós…
“Quais exames fazer” e “o que fazer com os resultados dos exames” são questões que devem ser decididas pela família, não por nós.
Não vejo motivos para a realização de um exame diagnóstico (a não ser “matar a curiosidade”) se nada se pode fazer para intervir sobre o problema.
Abraços e parabéns por induzir à reflexão!
Germana
-18/02/2011 às 10:04
Grande questao, mas acho que e’muito semelhante a uma noticia que li ontem sobre casos de psiquiatras cujos pacientes declararam ter cometido assassinato ou assedio, ou do classico caso de padres que recebem a conficao de um criminoso, a exemplo do filme de Hitchcock, I confess (1953). Acho que eh preciso proteger vitimas como o caso de Lucia sim. Mas talvez fosse o caso de ter um conselho para profissionais como voces, na universidade ou no Estado que pudessem indicar que caminho tomar. Com as provas em maos a denuncia eh certa, mas a questao eh realmente delicada. Outro ponto delicado eh sempre ter os testes geneticos como ferramenta e nao como prova final de um caso como esse. Abs