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29/02/2012

às 8:48 \ Sem categoria

Células-tronco de tecido ovariano podem produzir óvulos viáveis?

Vários jornais veicularam  no fim de semana uma notícia que poderá ajudar a entender a embriogênese humana e  permitir no futuro grandes avanços na tecnologia de reprodução assistida.  Trata-se de uma pesquisa  liderada pelo cientista  Jonathan Tilly (Harvard Medical School, Boston) publicada na revista Nature Medicine (26 de fevereiro). Os pesquisadores mostraram que existem nas paredes do ovário células-tronco raras que teriam o potencial de formar ovócitos (células  que originam os óvulos) de maneira análoga às células-tronco espermatogoniais que dão origem aos espermatozóides nos testículos adultos. Essa observação que já havia sido publicada em camundongos foi agora testada e depois de 3 anos de pesquisas aparentemente comprovada também  com células humanas.

A quebra de um paradigma

Desde a década de 50, aceita-se que o sexo feminino já nasce com um “pool” de ovócitos que não poderia ser expandido. Isto é, uma vez terminado o estoque não seria possível produzir novas células reprodutoras femininas. Entretanto em 2004 uma pesquisa liderada também por Jonathan Tilly demonstrou que existe no tecido ovariano de  fêmeas de camundongos uma população rara de células-tronco que podem gerar ovócitos. Essa células foram denominadas OSCs (do inglês oogonial stem-cells). Essa publicação gerou muitas críticas na época, mas pesquisas posteriores mostraram que era de fato possível isolar células OSCs de ovários de fêmeas de camundongos recém-nascidas e adultas. Essas células quando transplantadas em ovários de outras fêmeas que haviam sido submetidas a quimioterapia formaram óvulos maduros que foram fertilizados e produziram descendentes viáveis. Estava comprovado que as OSCs tinham o potencial de gerar óvulos normais e que, portanto, o envelhecimento do ovário era um processo reversível. Pelo menos em  fêmeas de camundongos.

Qual foi o próximo passo?

Agora a grande questão era saber se isso também acontece com os seres humanos. Isto é, se há também nos ovários das mulheres células-tronco com o potencial de formar óvulos. Para responder essa questão os cientistas liderados pelo mesmo Dr. Jonathan Tilly obtiveram tecido ovariano que havia sido retirado de mulheres jovens (entre 20 e início dos 30) e conseguiram identificar células-tronco muito semelhantes  às OSCs de fêmeas de camundongos. Quando colocadas em cultura essas células humanas – que foram marcadas previamente de modo a terem um brilho verde para facilitar sua identificação – tinham as mesmas características que ovócitos encontrados em ovários humanos.

 E “in vivo” como essas células se comportariam?

Para responder essa próxima questão, os cientistas inseriram esses ovócitos em fragmentos de tecido ovariano humano que foram depois  transplantados sob a  pele de camundongos imunologicamente deficientes ( isto é, manipulados geneticamente para não rejeitar tecidos humanos). Duas semanas depois os pesquisadores observaram que o tecido ovariano implantado continha inúmeros folículos com ovócitos humanos no seu interior que brilhavam com a cor verde, comprovando que eram de fato humanas e não de camundongos.

E agora? Quais são as grandes dúvidas?

É importante salientar que essas células são raras o que explica em parte o longo tempo dos experimentos  para obtê-las. Por outro lado, os cientistas mostraram que elas podem ser expandidas o que permitirá inúmeras novas pesquisas sobre embriogênese humana e envelhecimento ovariano. Entretanto, há muitas questões ainda a serem respondidas. A primeira que me surgiu ao ler o trabalho foi que as células OSCs  haviam sido obtidas de tecido ovariano de mulheres jovens. Será que estão presentes também nos ovários de mulheres mais idosas e principalmente após a menopausa? Essa questão será mais fácil de ser respondida com novas pesquisas. A mais complicada, no entanto, é descobrir se os óvulos derivados dessas células seriam capazes de gerar bebês normais. Isso poderia revolucionar a medicina reprodutiva. Mas, por motivos óbvios não será possível repetir o experimento dos camundongos. Esperemos que os avanços  tecnológicos possam resolver esse impasse.

 

Por Mayana Zatz

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3 Comentários

  1. SUZANA MELO

    -

    08/03/2012 às 9:20

    DRA MAYANA ZATZ..ENVIEI A DRA PARA O EMAIL MAYANAZATZ.CIENCIA@GMAIL RELATÓRIO MEDICO E ESTUDO GENÉTICO DA MINHA BEBÊ. ..POR FAVOR, NOS AJUDE A SALVAR NOSSA FILHA..PRECISAMOS DESCOBRIR O Q ELA TEM ALÉM DO DÉFICIR DE PIRYVATO KINASE Q ESTÁ MATANDO OS GLÓBULOS VERMELHHOS..MEU PAI VIU UMA ENTREVISTA SUA ACERCA DO CASO DA MARIA VITÓRIA E FICOU MARAVILHADO COM AS SUAS DESCOBERTAS!

  2. SUZANA MELO

    -

    08/03/2012 às 8:57

    POR FAVOR,DRA MAIANA..ESTAMOS DESEPERADOS..TENHO UMA BEBÊ DE 2 ANOS Q RECEBE SANGUE A CADA 6 SEMANAS AGORA..MAS JÁ FEZ 24 TRASFUSOES AO TODO..PQ FOI DIAGNOSTICADO DEFICT DE PIRUVATO QUINASE..SOU BRASILEIRA E PAI PORTUGUES,MAS COIMBRA Q DESCOBRIU DISSE QUE:TEM MAIS 3 DOENTES COM GENÓTIPO PK-LR Q NAO NECESSITAM DE SANGUE,E Q TEMOS Q COTINUAR INESTIGACAO,PRA DESCOBRIR OUTRO FATOR GENÉTICO QUE AFECTE METABOLISMO OU A SÍNTESE DA ENZIMA PK.
    PAI: ESTUDO MOLECULAR GENE PKLR: HETEROZIGOTIA PARA MUTACAO 1456C>T
    MAE: ESTUDO MOLECULAR GENE PKLR: HETEROZIGOTIA PARA MUTACAO IVS8(+2)T>G
    POR FOR, SE PUDESSE NOS AJUDAR..GOSTARIA DE ENVIAR O ESTUDO GENÉTICO E RELATÓRIO DE COIMBRA…
    CORDIALMENTE,
    SUZANA MELO, MÃE.

  3. gabriel

    -

    02/03/2012 às 17:34

    acho essa descoberta muito interessante, pois, se pudermos selecionar óvulos mesmo após a menopausa, realizaria os sonhos de uma mulher de ter filhos mas não pode devido à idade. espero que consigamos!!!

 

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