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08/12/2011

às 21:14 \ Sem categoria

Células-tronco de polpa dentária promovem regeneração da medula espinhal em ratos

Um grupo de pesquisadores da universidade de Nagoya, no Japão, acaba de publicar uma pesquisa muito promissora: a partir de células-tronco (CT) obtidas de polpa dentária humana – que tem o potencial de diferenciar-se em células ósseas, cartilaginosas, adiposas e também neurônios em condições especiais de cultivo –  eles conseguiram regenerar a medula espinhal que havia sido seccionada em ratos adultos e recuperar a função locomotora das suas patas traseiras. O trabalho, liderado por Minori Ueda, foi publicado na prestigiosa revista The Journal of Clinical Investigation.


O que tem mostrado outros estudos pré-clínicos com CT  na regeneração da medula?

A  identificação de CT capazes de recuperar a medula espinhal após injúria tem sido objeto de muita investigação. Na última década células-tronco de diferentes origens (incluindo CT humanas neurais, CT derivadas de embriões e CT da medula óssea) foram transplantadas em ratos ou camundongos que haviam sofrido lesão da medula e seus efeitos foram avaliados. Entretanto as pesquisas mostraram que essas células tinham uma sobrevida e/ou capacidade de regeneração reduzida com pouco benefício terapêutico.

Como foi feita essa nova  pesquisa do grupo japonês?

Os cientistas obtiveram CT da polpa dentária de dentes de leite e de adultos (dente de siso) e o primeiro passo foi verificar se elas conseguiam se diferenciar em cultura em células neurais, isto é, se elas expressavam vários fatores que são característicos de células nervosas. É importante lembrar que existem vários tipos de células nervosas que são necessários para se recuperar a função sensorial e motora após uma lesão de medula.  Uma vez confirmado que as CT da polpa dentária expressavam fatores característicos de diferentes células neurais elas foram transplantadas em ratos imediatamente após esses  terem sido submetidos a uma secção total da medula espinhal. Para verificar se os resultados dependiam  das propriedades das CT da polpa dentária e não da metodologia empregada os cientistas usaram como controles dois grupos de ratos submetidos ao mesmo experimento: no primeiro grupo injetaram  CT da medula óssea e no segundo fibroblastos ( células derivadas da pele).

Quais foram os resultados?

Ratos que haviam sido transplantados com CT de polpa dentária humana – tanto de dente de leite, como adulto – mostraram uma recuperação muito superior à observada nos grupos injetados com CT de medula óssea ou fibroblastos. Essa melhoria foi observada logo após a operação durante a fase aguda da lesão medular. Cinco semanas após o transplante, os ratos com CT de polpa dentária eram capazes de locomover as patas traseiras de modo coordenado, enquanto os dois outros grupos só conseguiam movimentos sutis. De acordo com os pesquisadores, a observação de que os animais conseguiram recuperar os movimentos sugerem que as CT derivadas da polpa dentária  foram capazes de  promover também a regeneração dos axonios, as terminações nervosas que são projetadas a partir dos neurônios da medula espinhal.

Em resumo as perspectivas são otimistas

As CT derivadas de polpa dentária mostraram uma capacidade neuroregenerativa significante  quando injetadas em ratos imediatamente após a secção da medula espinhal . Houve inibição da morte dos neurônios e células da bainha de mielina (a bainha que recobre as terminações nervosas) após a injúria, regeneração dos axonios (terminações nervosas) e substituição de oligodendrócitos lesionados (as células responsáveis pela formação e manutenção das bainhas de mielina) por oligodendrócitos maduros. Entretanto os pesquisadores reconhecem que esses resultados só foram obtidos imediatamente após a secção total  da medula – o que certamente não poderá ser avaliado em seres humanos – e não sabemos quais seriam os resultados em diferentes lesões da medula. De qualquer modo essa pesquisa abre perspectivas muito otimistas.

Por Mayana Zatz

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4 Comentários

  1. Lívia Zina

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    07/01/2012 às 14:44

    Olá Mayana! Sou cirurgiã-dentista, doutora em saúde coletiva. Estou lendo seu livro GenÉtica, e como disse o próprio Dráuzio Varela na contra-capa, tem sido difícil largá-lo. O tema genética e bioética está cada vez mais rotineiro em nossas vidas e nos vemos diante da necessidade de nos posicionarmos frente a certos dilemas. As pesquisas com células-tronco, em especial com células da polpa dentária como em minha área, são encorajadouras e nos reforçam as perspectivas de curas antes inimagináveis. Vamos em frente!

  2. Nilton Pascoal

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    22/12/2011 às 18:44

    Fascinante o que o conhecimento humano bem empregado é capaz de fazer. A revolução e evolução que o estudo genético vem trazendo à medicina é empolgante e extremamente animadora. Que Deus a abençoe em seu trabalho e que muitas outras boas notícias possam vir brevemente.

  3. david jaime ferreira

    -

    16/12/2011 às 22:41

    Olá Mayana, parabéns por seu trabalho de ponta. Minha mãe tem 75 anos e 55% do funcionamento do coração comprometido. Ví uma matéria que implantaram células tronco num cardíaco idoso e ele recuperou -se muito bem. É possível fazer isto aqui no Brasil?

  4. iury de mello araujo

    -

    09/12/2011 às 14:42

    futuro,futuro,futuro…
    o japoneses perdendo pros baianos quem diria.enquanto os japa brincam com os ratos,aqui no brasil ja estao tentando nas pessoas.

 

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