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22/10/2009

às 22:19 \ Sem categoria

Células-tronco de cordão umbilical: novas descobertas

Um dos nossos principais objetivos no Centro de Estudos do Genoma Humano (USP) é realizar pesquisas científicas visando contribuir para o tratamento de doenças neuromusculares. Para isso, achar fontes abundantes de células-tronco (CT) de fácil acesso e com potencial de formar vários tecidos é fundamental. Ainda temos perguntas muito importantes a responder, tais como: qual é a melhor fonte de CT para o tratamento de cada doença? Qual é o potencial que elas têm de formar diferentes tecidos? CT de várias fontes são equivalentes ou, dependendo de sua origem, elas podem formar um tecido melhor do que outro?

Dentre as várias fontes de CT adultas que estão sendo investigadas, como medula óssea, tecido adiposo e polpa dentária, entre outras, o cordão umbilical tem recebido uma atenção especial. O tecido do cordão, diferentemente do sangue, é rico em um tipo especial de CT com potencial de formar músculo, osso, cartilagem e tecido adiposo. São as chamadas CT mesenquimais (CTM). O que descobrimos agora é que as CTM do sangue do cordão são diferentes daquelas encontradas no tecido do cordão. Essa nova pesquisa, desenvolvida no nosso Centro, será publicada na revista Stem Cells Reviews and Reports. Além do interesse para futuras terapias, ela está relacionada a uma questão polêmica: os bancos de cordão umbilical.

CT mesenquimais (CTM)

Uma das grandes dúvidas em relação às CTM é se elas são todas iguais ou se, de acordo com sua origem, elas podem ter um potencial maior para formar um ou outro tecido. Por exemplo, um tipo de célula poderia ser melhor para formar ossos, enquanto outro seria melhor para originar músculos. Se isso for verdade, descobrir a “vocação” de cada uma delas é extremamente importante para futuras terapias.

Já sabemos que o sangue do cordão é rico em CT hematopoéticas, isto é, precursoras de células sanguíneas. Elas têm sido transplantadas com sucesso  em casos de leucemias, anemias e várias doenças hematológicas. Por outro lado, uma outra população de CT, as CTM, que são preciosas porque têm o potencial de formar vários tecidos, é escassa no sangue do cordão. Onde obtê-las?

O tecido do cordão umbilical é rico em CTM

Nosso grupo (em uma pesquisa realizada pelos alunos de doutorado Mariane Secco e Eder Zucconi) já havia mostrado que o tecido do cordão umbilical é muito mais rico em CTM do que o sangue do cordão. Nessa pesquisa, que foi publicada em 2008 (revista Stem Cells), comparamos o tecido do cordão e o sangue do cordão dos mesmos nascituros. Enquanto todos os cordões eram ricos nessas células, elas só apareciam em 10% das amostras de sangue de cordão. Chamamos a atenção dos bancos de cordão sobre a importância desse achado porque a rotina é que eles guardem o sangue e descartem o cordão. O próximo passo era descobrir se…

…as CTM do cordão e do sangue são iguais? Elas têm o mesmo potencial para formar diferentes tecidos?

Quando vimos que havia muito mais CTM no cordão do que no sangue, a primeira pergunta que surgiu foi: será que as do sangue são as mesmas do cordão, só que presentes em menor quantidade? Responder a essa pergunta não foi fácil, porque tivemos de comparar amostras pareadas, isto é: sangue e cordão umbilical do mesmo bebê.

Para isso, Mariane e o Eder tiveram de coletar e processar 65 cordões. Toda vez que nascia um bebê, eles tinham de estar lá para garantir que as amostras fossem coletadas com todo o rigor científico. Em seguida, elas foram comparadas por um método chamado de microarray, que nos permite analisar a expressão de milhares de genes ao mesmo tempo. Para esta análise, contamos com uma colaboração preciosa do Dr. Sergio Verjovski e de seu aluno Yuri Moreira, ambos do Instituto de Química (USP). O esforço valeu a pena e já temos os resultados, que serão publicados em breve. E o que descobrimos?

As células são diferentes

No linguajar científico, dizemos que elas têm um perfil de expressão diferente. Por exemplo, as CT do sangue parecem estar mais relacionadas a formação de ossos ou ao sistema imunológico, enquanto as do cordão se identificam mais com células nervosas, células secretoras e/ou formadoras de vasos sanguíneos. Diante desses resultados, as nossas próximas questões são: será que isso também vai ocorrer quando essas células forem injetadas em organismos vivos? Por exemplo, será que as CTM do tecido do cordão serão mais eficientes no tratamento de doenças neurológicas, já que elas estão mais relacionadas com a formação de neurônios? Como confirmar isso agora?

Qual é o próximo passo?

O próximo passo agora é separar as células e injetá-las em modelos animais com doenças neuromusculares, modelos de Parkinson ou esclerose lateral amiotrófica (ELA) e confirmar se esse mesmo comportamento ocorre “in vivo”, ou seja, no organismo do animal.  Um grupo de animais receberá CT do tecido do cordão e outro, do sangue do cordão, e eles serão comparados quanto à eficiência das CT no tratamento da doença. São pesquisas demoradas, mas as respostas serão fundamentais para direcionar os futuros tratamentos em seres humanos.

E os bancos de cordão, como é que ficam?

Milhares de pessoas estão pagando para guardar o sangue do cordão de seu filho em bancos particulares. Vale a pena? Minha opinião continua a mesma. O sangue de cordão deveria ser armazenado em bancos públicos e não privados. Ele poderia salvar vidas de inúmeras pessoas que sofrem de leucemias, anemias ou outras condições que poderão ser curadas com transplante de CT de cordão umbilical. Mas para aqueles que ainda querem pagar para manter o sangue do cordão de seu bebê em banco particular, minha sugestão é: guarde também o tecido do cordão umbilical.

Por Mayana Zatz
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13 Comentários

  1. Fernanda Mendonça

    -

    24/04/2010 às 10:31

    Esqueci de dizer, estou grávida, e pretendo gardar o sangue do cordão, e se possível agora que eu li a materia o cordão tbm.

  2. Fernanda Mendonça

    -

    24/04/2010 às 10:29

    Me emocionei com a materia, e confesso me enchi de esperanças tbm. Tenho um bebe de 1 ano, tive toxoplasmose em sua gestação, os médicos acham que eu adquiri no final dela, e não foi diagnosticado. Resultado: O meu filho tem a forma mais rara da doença, foi diagnosticado com Toxoplasmose Congenita Medular Ascendente, no Brasil existem somente 5 casos diagnosticados.
    As sequelas são bem graves, ele tem a medula óssea mal formada, tem tbm mal formação cerebral e ficou cego. Devido ao problema da medula ele não se movimenta e nem respira sozinho, não tem força muscular para fazer isso. Atualmente ele tem uma ano de vida, é 100% dependente da ventilação mecanica, e morador da U.T.I, nunca veio pra casa. Eu nunca achei que ele completaria um ano, sua luta pela vida é diaria, e a minha para deixar viva minha esperança tbm.
    Que Deus ilumine esta pessoa abençoada, e toda a sua equipe, que luta pelo proximo.

    Se alguem que entender sobre o assunto, ou que já ouviu falar da doença do meu bebe, ou até mesmo que se interessar pelo caso, por favor entrem em contato no meu e-mail. men_fernanda@hotmail.com
    Obrigada fiquem com Deus

  3. Beto

    -

    20/02/2010 às 6:15

    Auspiciosa notícia!

    Cordão Umbilical seria uma das fontes de solução “ideal”, se for confirmada essa notícia.
    Maravilha. Parabéns pelo artigo Dra. Mayana!

  4. simone de jesus oliveira

    -

    15/02/2010 às 22:18

    Boa noite Drª mayana, estou feliz por deus ter colocado no mundo pessoas que se preocupam com os problemas dos outros pessoas como a senhora,tenho um filho de 7 anos um menino muito lindo e esperto foi o maior presente que deus me deu ele é portador da atrofia muscular espinhal tipo 2 estuda e muito inteligente mas o maior sonho do meu filho e andar e jogar bola , graças a deus e a senhora temos esperança de ver meu filho andando e jogando bola se deus quiser.que deus continue iluminando seus caminhos para nos ajudar e ajudar a todos que precisam.amém
    estaremos aqui orando a deus

  5. ANDRÉA CARREIRO

    -

    08/11/2009 às 21:10

    Tenho uma enteada de 6 anos portadora de amiotrofia medular espinhal (AME). Estou grávida de 6 meses e várias pessoas já me aconselharam a guardar o cordão umbilical do bebê, no caso de um eventual problema futuro. Mas ao ler a matéria da Veja e os seus comentários sobre esse verdadeiro “comércio” que se tornaram os bancos de cordão umbilical, acho que seria mais útil doar o cordão para a pesquisa. É possível? O cordão umbilical do meu filho pode ajudar nas pesquisas sobre a doença da irmã? Caso positivo, o que devo fazer para realizar a doação a uma instituição idônea?

  6. gleicineia

    -

    06/11/2009 às 16:45

    Estou orando a Deus para que meu filho venha ter essa alegria de um dia poder correr e jogar bola ele, esta com 8 anos e tem atrofia muscular espinhal mas,sou grata ao senhor por nos dar essa esperança que Deus os iluminem nessa caminhada.

  7. gleicineia

    -

    06/11/2009 às 16:40

    Dra.Mayana estou muito feliz pelo desenpenho de voces ,maravilhosas descobertas estou orando a Deus

  8. Márcia

    -

    31/10/2009 às 4:34

    Dra. Mayana, que alegria ler esse estudo, sempre nos dando alguma boa notícia, oxalá essas células do tecido do cordäo umbilical nos leve ä cura das doenças neurológicas! Sei que existe um estudo longo pela frente, mas a esperança nos ajuda a viver melhor. Obrigada por seu empenho.

  9. Luiza D. F. Borges

    -

    27/10/2009 às 17:08

    Notícias como essa me deixam muito feliz, pois é sempre bom ver os avanços da genética e dos estudos sobre saúde. Os assuntos sobre genética me interessam muito e penso em fazer alguma faculdade relacionada com a área, como por exemplo, Engenharia Genética. Alguém saberia me informar quais universidades do país oferecem cursos superiores de genética?
    Desde já, muito obrigado.

  10. Eliane Maria Soares Leite

    -

    24/10/2009 às 22:05

    Sou Pediatra , trabalho em uma maternidade pública e cada cordão umbilical que jogo no lixo hospitalar vejo mais uma esperança ser jogada fora…Nós do sistema de saúde temos o dever de lutar para haver bancos de cordão umbilical para que a população tenha o mesmo direito e não só as pessoas que podem pagar.

  11. Eliane Maria Soares Leite

    -

    24/10/2009 às 21:53

    Sou Pediatra , trabalho em uma maternidade pública e cada cordão umbelical que jogo no lixo hospitalar vejo mais uma esperança ser jogada no lixo…

  12. Breno Landim

    -

    23/10/2009 às 21:05

    Otima preocupaçao dos cientistas em diminuir os riscos da saude humana, ja que agora devemos nos preocupar mais em estar vivos. A saude, agora, é uma preocupaçao a menos!!


 

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