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17/10/2012

às 12:42 \ Sem categoria

Café faz bem ou mal?

Thinkstock

Já foram publicados inúmeros trabalhos sobre os efeitos do café no nosso organismo. Alguns dizem que faz bem e outros que faz mal. Afinal onde está a verdade? Para tentar tirar isso a limpo um grupo de pesquisadores dos Estados Unidos analisou a taxa de mortalidade e causa mortis  em  um grupo de  cerca de 400.000 pessoas com  idade entre 50 e 71 anos. Essas pessoas foram acompanhadas por 13 anos: entre 1995 e 2008. O estudo coordenado por Rashmi Sinha foi publicado  na revista New England Journal of Medicine. Qual foi a conclusão do estudo?

Recordando

O café é uma das bebidas mais consumidas no mundo tanto nos Estados Unidos como no resto do planeta. Como o café contém cafeína, que é um estimulante, muitas pessoas o consideram como não saudável. Por outro lado o café é uma fonte rica de antioxidantes e outros compostos bioativos que poderiam ser importantes para combater doenças inflamatórias ou resistência a insulina. Alguns estudos sugerem que o café pode aumentar o risco de doenças cardíacas, mas os resultados são inconsistentes. Outros sugerem que o café poderia proteger o organismo contra diabetes, doenças inflamatórias, derrames e injúrias devido a acidentes, mas que não teria efeito em relação sobre o câncer. Em resumo,  há muita controvérsia a respeito. O objetivo do estudo conduzido pelo Dr. Rashmi foi analisar se havia uma associação entre o consumo de café e causa de morte.

Como era constituída a amostra ?

Foram incluídos na amostra 229.119 homens e 173.141 mulheres. De acordo com o consumo de café,  as pessoas foram divididas em categorias, desde zero (não consome café)  até 6 ou mais xícaras por dia. Além disso foram avaliadas várias outras variáveis como tabagismo, alimentação, prática de exercícios etc….  Um total de  52.515 pessoas morreram durante o estudo. Desses 33.371 eram homens e 18.784 mulheres.

A primeira análise mostrou que a taxa de mortalidade foi maior entre aqueles que consumiam café

Se você toma muito café (como eu) já deve ter se assustado. Mas calma aí. O que os pesquisadores observaram é que entre as pessoas que consomem muito café há uma grande porcentagem de fumantes (não é o meu caso). De fato, frequentemente vemos pessoas que quando querem largar o cigarro param também de tomar café porque dizem que os dois hábitos estão intimamente associados – tomar café estimula neles  a vontade de acender um cigarro. Mas o importante desse estudo é que, quando os fumantes  foram retirados da amostra, os resultados  foram o inverso. A taxa de mortalidade, nos dois sexos, incluindo doenças cardíacas, doenças respiratórias, derrame, diabetes, doenças inflamatórias , infecções e – surpreendentemente – acidentes também foi menor entre os consumidores de café. Ufa….  que alívio. Em resumo, entre aqueles que tomavam 6 ou mais xícaras , houve 10% menos  mortes entre os homens e 15% menos entre as mulheres.

Efeito da cafeina?

Um dado muito interessante é que os pesquisadores observaram que o efeito “benéfico” do café em reduzir a mortalidade foi o mesmo entre aqueles que tomavam café com cafeína ou descafeinado. Isso sugere que não seria a  cafeína a responsável por aumentar a longevidade,  mas como existem mais de 1000 substâncias no café é difícil saber quais seriam os efeitos de cada uma delas. Uma das hipóteses é que os antioxidantes, incluindo polifenóis, poderiam ser importantes. Além disso, há uma diferença entre o café americano, que é tomado em xícaras grandes, e o nosso que não pode ser esquecida. Será que a grande ingestão de líquidos junto com o café americano não poderia também ter um efeito benéfico?

Por outro lado, os autores não sabem explicar como o café poderia diminuir as mortes acidentais. A única coisa que me ocorre seria que o café deixa as pessoas mais alertas (ou mais “ligadas” na linguagem popular), mas esse efeito sempre foi atribuído à cafeína.

Você tem alguma outra sugestão, caro leitor?

 

 

Por Mayana Zatz

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6 Comentários

  1. Jayme Portugal

    -

    29/10/2012 às 18:01

    Apoiado, José Armando!

  2. Maria

    -

    25/10/2012 às 21:36

    Minha cara Doutora
    Resumindo este assunto,chega-se a conclusão que NINGUÉM SABE NADA!

  3. Luiz fernando

    -

    23/10/2012 às 9:41

    Dra. ZATZ;

    Vc poderia fazer uma pesquisa sobre o café,tentar encontrar algum fator genético ligado as pessoas que o consomem “muito”.
    Eu, por exemplo,comecei a tomar café depois de adquirir um certo comportamento estressante.
    Será que existe alguma substância “anti-depressiva” no café?
    ps:meu pai tem depressão há 35 anos,ele sempre fala q o café lhe deixa com uma sensação de ânimo após o consumo.(quem sabe uma cura para tal doença no futuro rsrs)

  4. Mayana Zatz

    -

    23/10/2012 às 0:01

    Muitissimo Obrigada José Armando por teu email. Você tem razão.Não somente ha muitas variedades de café como a resposta a cafeina depende muito dos nossos genes. Para algumas pessoas ela pode ser um cardioprotetor e para outras um fator de risco. Como é uma bebida muito consumida entender melhor seus efeitos é certamente de grande interesse. Grande Abraço

  5. José Armando Bueno

    -

    20/10/2012 às 10:40

    Dra. Mayana, interessante este novo estudo. Talvez fosse importante, primeiro, estudar a tipologia dos cafés, pois a diversidade de grãos e modos de preparo podem oferecer diferenças sensíveis em sua composição e manipulação para o consumo, incluindo aí a também hoje diversificada mistura com componentes adoçantes e açúcares. Me parece que os estudos focam especificamente nas condições físicas das amostras humanas, e não levariam em consideração a diversidade das fórmulas de preparação e consumo dos cafés. Enfim, a pesquisa tem um campo vasto a desbravar e certamente a biotecnologia e as biociências oferecem os instrumentos e metodologias para isso. Parabéns pelo teu trabalho e enorme contribuição à ciência brasileira e mundial. Você é uma pessoa iluminada.

  6. Milla

    -

    18/10/2012 às 17:05

    Ufaaa,também não fumo mas para estudar acabo consumindo muito café.

 

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