25/08/2010
às 20:18 \ pesquisasCélulas-tronco se transformando em músculo: gordura é melhor que cordão
Células-tronco especiais
Existe um grupo de células-tronco adultas que são muito especiais. São as chamadas células-tronco mesenquimais (CTM). Embora elas não tenham a versatilidade das células-tronco embrionárias elas conseguem se diferenciar em quatro linhagens celulares muito importantes: muscular, adiposo, cartilagem e osso. Quem dentre nós pode garantir que não vai precisar algum dia regenerar um desses quatro tecidos? Mas para quem trabalha com doenças neuromusculares, e busca a regeneração do tecido muscular, essas células têm um significado todo especial. Uma grande questão é: as CTM são todas iguais ou será que elas têm vocações diferentes para formar um ou outro tecido preferencialmente?
Onde estão as células-tronco mesenquimais?
Em primeiro lugar, onde encontrá-las? São células-tronco retiradas de tecido adiposo, cordão umbilical, polpa dentária, trompa de Falópio descartada em operação de laqueadura e até sangue menstrual. Aproveitamos todos os descartes biológicos. Por isso se você não guardou o sangue do cordão umbilical de seu filho, não se preocupe. Existem outras fontes muito mais ricas que o sangue do cordão em CTM.
As CTM de diferentes tecidos são todas iguais?
Nossa equipe no centro do genoma humano tem se dedicado a descobrir qual é a vocação de cada uma delas. Será que são todas equivalentes ou elas guardam a memória de onde vieram? Para responder a essa questão comparamos células-tronco obtidas de tecido adiposo (descartado em cirurgias de lipoaspiração) e de cordão umbilical ( o tecido, não o sangue). Essas células foram injetadas em camundongos que têm uma forma de distrofia semelhante à doença humana. Apresentam uma degeneração muscular e uma fraqueza progressiva. E o que observamos? Quando cultivamos essas células no laboratório, elas pareciam iguais: tanto as de tecido adiposo como as do cordão se diferenciavam em células musculares. Mas na hora de injetá-las na veia caudal dos camundongos, o comportamento foi outro. As duas se dirigiram aos músculos dos animais afetados, mas só as de tecido adiposo conseguiram formar células musculares. Será que guardavam na sua memória que enquanto viviam no tecido adiposo estavam em contato mais direto com o tecido muscular do que as originadas do cordão umbilical?
E qual foi o efeito clínico?
Os animais que receberam células de tecido adiposo melhoraram seu desempenho. Mas a surpresa é que os que receberam células de cordão, embora não apresentassem melhora, também não pioraram. No fim do experimento estavam significantemente melhores que os controles não injetados. A outra boa notícia é que elas não foram rejeitadas, mesmo sem o uso de imunossupressão. Se células humanas não são rejeitadas por camundongos isso sugere que talvez também não o sejam quando transplantadas de uma pessoa para a outra, o que seria o melhor dos mundos. Esses resultados, que foram assuntos de tese de doutorado de Natassia Vieira e Eder Zucconi, vão ser publicados em breve na revista Stem cells@reports and reviews
Injeções locais não foram eficientes
Comparamos também qual era a melhor via de acesso: injeções locais ou sistêmicas, diretamente na circulação? Essa foi outra conclusão importante: não encontramos nenhuma célula após injeções diretas no músculo. Para chegar ao músculo e se diferenciar as células precisam ser injetadas diretamente na circulação, o que na prática é muito mais fácil. Já imaginaram ter que dar centenas de injeções para cobrir toda a musculatura?
Ainda são estudos pré-clínicos
Toda vez que divulgo novos resultados, recebo centenas de emails de pessoas querendo ser cobaias. Ainda são estudos experimentais. Mas estamos aprendendo e estou otimista. Estamos dando mais um passo na direção de futuras terapias.
Tags: células-tronco



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20 Comentários
Max
-24/03/2012 às 20:23
Boa noite Dra. Mayana. Li seu artigo e fiquei bem animado. Gostaria de saber se esse tratamento tem chance também de ser aplicado em casos de atrofia muscular localizada, ou se já existe algum tratamento para esses casos.
Grato
Rodrigo
-07/11/2011 às 18:24
Que Deus ilumine a senhora e consiga trazer alegria de viver para tantas pessoas com doenças degenerativas. Espero ver isso acontecer.
evaristo m paixao
-19/07/2011 às 11:12
tenho 41 anos sou portador do mal de parkison desdes os 40 anos quero ser cobaia nas pesquizas.
desde ja meus cinseros agradecimentos
marcus veras
-09/06/2011 às 21:24
Dra. mayana zats, sou portador dmp, moro em goiania e trato com dr. delson jose, gostaria de me escrever no programa de pesquisas da usp, minhas condiçoes sao poucas, preciso de sua orientaçao, ajude-me
Rosangela Amaral
-16/09/2010 às 12:04
OLA DRA MAYANA GOSTARIA DE SABER TAMBEM SE A SOCIEDADE DE UMA FORMA GERAL TEM COMO “PRESSIONAR” NOSSOS GOVERNANTES(SEJA COM MANIFESTACOES ABAIXO ASSINADOS OU COISAS DO GENERO) PARA QUE ESSA QUESTAO DAS CELULAS TRONCO SEJA PELO MENOS DISCUTIDA NO CONGRESSO ??
Elam murer amorim
-01/09/2010 às 1:40
ola esta noticia é realmente muito boa eu sou portador da distrofia muscula tipo bek nao tomo nem um remedio e nem faso idro terapia porque na minha cidade nao tem e gostaria de saber se isso mim projudica no futoro e des de ja agradeço a senhora pelo rezutado porque na ciencia como na vida temos que progredi com passos forte para nao cai e comesa do zero de novo
Lilian Moraes
-26/08/2010 às 22:19
Ótimas notícias! Mas há pressa , muita pressa da parte de quem a longevidade depende dos resultados. É preciso segurança, mas , quem se oferece voluntário conhece os riscos de ser voluntário de um trabalho experimental em progresso.
Que a evolução da ciência corra mais rápido que a evolução da doença…
Andrea Sanvidotti
-26/08/2010 às 21:00
Ola Dra. Mayana!
Minha mae é portadora de ELA, e a noticia parece bem animadora.
Ela se coloca a disposicao em ser cobaia para esse teste.
Ja pensou se isso pudesse ser a soluçao para Esclerose Lateral Amiotrofica!? Seria uma bençao!
Um abraço doutora…que Deus te ilumine!
Mayana Zatz
-26/08/2010 às 19:28
Rosana e Neusa
Talvez não estejamos tão longe de iniciar ensaios clínicos- ainda experimentais- em pacientes.
Grande abraço
Pedro Farias
-26/08/2010 às 16:50
Concordo com a Rosa, acredito que precisamos ser mais ousados, para com os ensaios com seres humanos, pois estamos perdendo muitos e o tempo nao espera. Vamos arriscar um pouco mais.
Rosana Martinez
-26/08/2010 às 13:37
Para mim, que sou leiga, os resultados parecem extremamente animadores. Então pergunto: o que falta para iniciar os ensaios em humanos espoecificamente com as células de gordura? Não seria o momento de arriscarmos um pouco mais? Na história da ciência e da medicina, um pouco de fé muitas vezes resultou em legados que hoje nos permite – a todos, pacientes ou não – uma qualidade e expectativa de vida bem maior.
sHAYERA
-26/08/2010 às 11:30
Excelente Notícia!!!
NEUSA VIEIRA
-26/08/2010 às 11:06
Ótima notícia, estamos com esperança de que em breve possa ser testado em seres humanos, porque pacientes de esclerose lateral amiotrófica não podem esperar, temos urgência precisamos de menos burocracia, mas Deus há de iluminar os nossos queridos cientistas em especial Dra. Mayana para que seje encontrado em tempo récorde um novo tratamento.
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francisco
-26/08/2010 às 6:50
a sra.tem novidades para mal de parkison.
victor a p ferreira
-25/08/2010 às 21:42
Mayana, o tecido afetado por um tumor pode ser refeito por celulas tronco?