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	<title>Genética - Mayana Zatz - VEJA.com</title>
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	<description>Uma das maiores geneticistas do país e diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano (USP), responde dúvidas de leitores</description>
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		<title>Células-tronco em Chagas: as importantes lições de um estudo bem conduzido</title>
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		<pubDate>Thu, 24 May 2012 17:06:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#160; Desde que começamos a pesquisar células-tronco a pressão que recebemos dos pacientes para iniciar ensaios clínicos em humanos tem sido gigantesca. E com isso, infelizmente, começam a proliferar clínicas oferecendo tratamentos “comerciais” não aprovados e não controlados, cobrando altos preços dos pacientes. Já repeti várias vezes. Isso é anti-ético. Enquanto for pesquisa não pode [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p>Desde que começamos a pesquisar células-tronco a pressão que recebemos dos pacientes para iniciar ensaios clínicos em humanos tem sido gigantesca. E com isso, infelizmente, começam a proliferar clínicas oferecendo tratamentos “comerciais” não aprovados e não controlados, cobrando altos preços dos pacientes. Já repeti várias vezes. Isso é anti-ético. Enquanto for pesquisa não pode ser cobrado. A revista<em> Lancet</em> acaba de publicar um artigo denunciando esse procedimento em clínicas do Texas, nos Estados Unidos: &#8220;tratamentos comerciais com células-tronco”. O grande problema é que sem controles adequados, não é possivel concluir se o transplante de células-tronco traz algum benefício ao paciente. Isso pode ser muito bem ilustrado por uma pesquisa brasileira realizada com um grupo grande de pacientes chagásicos que acaba de ser publicada na prestigiosa revista <em>Circulation</em>. O estudo foi coordenado por Ricardo Ribeiro dos Santos (do Hospital San Rafael em Salvador) e Antonio Carlos Campos de Carvalho (do Instituto Nacional de Cardiologia, no Rio de Janeiro) e envolveu uma equipe de pesquisadores. Os resultados  mostram que, infelizmente, nem sempre o que é observado em camundongos é reproduzido em seres humanos. Além disso, reforçam a importância das pesquisas clínicas com pacientes e controles em teste duplo-cego antes de se falar em tratamento. Para falar sobre isso entrevistei o Dr. Antonio Carlos Campos de Carvalho.</p>
<p><strong>O senhor poderia explicar em uma linguagem simples o que é a doença de Chagas e qual é a sua incidência no Brasil?</strong></p>
<p>A doença de Chagas é causada por um parasita, chamado <em>Tripanosoma cruzi</em>. Ela foi descrita por Carlos Chagas em 1909 e é uma doença bastante intrigante, pois quando se pode detectar o parasita circulando no sangue, durante a chamada fase aguda da doença, os sintomas em geral são o de uma gripe, sem maiores consequências. No entanto, 10-30 anos após o primeiro contato com o parasita, os pacientes podem apresentar sintomas digestivos e/ou cardíacos. Esses problemas acometem aproximadamente 30% dos pacientes infectados, e 70% permanecem sem sintomas. No Brasil calcula-se que haja 6 milhões de pessoas infectadas das quais cerca de 2 milhões podem desenvolver a forma cardíaca, a mais grave, da doença. A doença cardíaca é grave e não há cura. O tratamento é feito com fármacos (similar ao usado em insuficiência cardíaca de outras causas) e com a evolução da doença e agravamento da falência do coração em bombear o sangue, o transplante cardíaco termina sendo a única opção de tratamento.</p>
<p><strong>Por que vocês acreditavam que pacientes chagásicos poderiam ser beneficiados  com tratamento com células-tronco da medula óssea?</strong></p>
<p>Em primeiro lugar é preciso esclarecer que nós não usamos células-tronco apenas. Em realidade nós usamos uma mistura de células extraídas da medula óssea do próprio paciente, que contem um porcentual reduzido de células-tronco (em torno de 2%). Antes de iniciar os ensaios clínicos em pacientes, nós testamos essas células em um modelo animal da doença de Chagas, em camundongos. Os resultados foram impressionantes; a terapia celular diminuiu a inflamação e a fibrose no coração dos animais cronicamente infectados com o parasita. Além disso, vimos um resultado surpreendente em termos da expressão dos genes cardíacos. Após a terapia celular conseguíamos restaurar a expressão de mais de 90% desses genes ao valor normal. Diante desses dados, embora não tivéssemos na época como avaliar a função cardíaca dos camundongos (através de ecocardiograma ou ressonância nuclear magnética) achamos que, em função da necessidade de buscar terapias alternativas para a doença em sua fase terminal, deveríamos testar a segurança da terapia em um grupo pequeno de pacientes chagásicos com grave comprometimento do coração. Esse trabalho inicial, que chamamos de ensaio clínico de segurança, foi todo realizado por um grupo de médicos baianos sob coordenação do Ricardo Ribeiro dos Santos. Eles foram pioneiros no desenvolvimento do método que depois usamos no ensaio para testar a eficácia da terapia a que você se refere acima (publicado na <em>Circulation</em>). O ensaio de segurança mostrou que se podia retirar as células da medula óssea dos pacientes, processá-las rapidamente no laboratório, e reinjetá-las no próprio paciente, sem trazer problemas. Além disso, esse estudo inicial com 20 pacientes mostrou que houve uma melhora na qualidade de vida e na função da bomba cardíaca neste pacientes, embora não houvesse um grupo controle para comparar.<em> </em></p>
<p><strong>Como foi conduzido o estudo que acaba de ser publicado na revista <em>Circulation</em>?</strong></p>
<p>O estudo seguinte, o de avaliação de eficácia da terapia, tem um desenho bastante distinto do inicial. Tanto os pacientes quanto os médicos que os examinavam não sabiam se tinham recebido células ou apenas a solução em que as células eram diluídas. Denominados esses experimentos de  estudo duplo-cego e placebo controlado. Os pacientes que iriam receber células ou placebo eram escolhidos por sorteio (um programa de computador fazia essa escolha), o que chamamos de randomização. Por fim o estudo envolveu vários centros distribuídos pelo Brasil. Ele teve assim todas as características necessárias para um estudo ideal de avaliação da eficácia de uma nova terapia; foi multicêntrico, randomizado, duplo-cego e placebo controlado.</p>
<p><strong>Qual é a importância de se realizar estudos com controles em teste duplo-cego?</strong></p>
<p>Esse é o cenário ideal, mas por vezes impossível de ser feito, por questões éticas. No caso do estudo de Chagas, para que o paciente pudesse ser incluído no estudo, ele não podia ter uma doença isquêmica do coração, e assim nós tínhamos de realizar um cateterismo em todos os pacientes para incluí-los no estudo. Como a injeção das células seria feita por cateterismo também, não seria ético submeter o paciente a um segundo cateterismo apenas para injetar placebo. Então durante esse primeiro cateterismo nós descartávamos a presença de doença coronariana e ao mesmo tempo injetávamos ou as células ou placebo dependendo do grupo para o qual o paciente era sorteado. Por ser duplo-cego, todos os pacientes foram submetidos a punção de medula óssea. Nós guardamos as células de todos para que pudessem ser injetadas caso tivesse sido comprovado  melhora com a terapia celular ao final do estudo.</p>
<p><strong>Achei muito interessante que os pacientes que tomaram placebo também melhoraram. Como se explica isso?</strong></p>
<p>Esse é um achado comum em ensaios clínicos. O paciente que participa de um estudo clínico recebe uma atenção diferenciada da equipe que o trata. No caso do nosso estudo além da atenção diferenciada eles receberam também a medicação gratuitamente. Como os pacientes chagásicos são normalmente de camadas sócio-econômicas menos privilegiadas, isso também pode ter influenciado. Além disso, o número de remédios que um paciente desses toma por dia é bastante grande, e a adesão ao tratamento é as vezes sofrível. Com os pacientes de estudos clínicos esta adesão é, em geral, bem maior, já que o paciente se dispôs a participar de uma terapia experimental.</p>
<p><strong>Se não houvesse o grupo controle-placebo a conclusão do estudo seria que o tratamento foi benéfico, concorda? </strong></p>
<p>Se não houvesse um grupo controle, seria impossível falar sobre benefício do tratamento. Não há como avaliar a eficácia de uma terapia se não houver um grupo controle. Repare que o aumento na capacidade de bombeamento do coração no estudo inicial de segurança conduzido na Bahia e o encontrado nos pacientes tanto do grupo que recebeu células quanto do grupo que recebeu placebo no ensaio de eficácia, foi praticamente igual. Se no primeiro estudo, que não teve grupo controle, tivéssemos concluído que as células de medula óssea traziam benefício aos pacientes, teria sido um erro grosseiro. Por outro lado, se nenhum benefício tivesse sido constatado no estudo inicial de segurança, provavelmente não teríamos conduzido o estudo posterior de eficácia. Há muitas etapas a serem vencidas até que possamos concluir sobre a eficácia de uma terapia – começa-se com os modelos animais, passa-se então ao estudo de segurança em pacientes, depois vamos para o estudo de eficácia e por fim ao que chamamos de efetividade, quando a terapia é testada em pacientes não selecionados para o estudo clínico. Resultados negativos ou neutros em cada uma dessas fases, em geral, leva ao término do estudo.</p>
<p><strong>Sabemos hoje que existem diferentes células-tronco  com diferentes propriedades. A partir desses resultados o senhor acredita que vale a pena repetir um estudo semelhante com outro tipo de células-tronco?</strong></p>
<p>Sem dúvida que vale. No momento estamos fazendo um estudo com células-tronco mesenquimais. Já mostramos benefícios dessas células em camundongos, mas como as de medula óssea também mostraram benefício nesses animais, mas não funcionaram nos pacientes, estamos testando as células mesenquimais em cães que tem a doença de Chagas (em colaboração com um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Ouro Preto), antes de propor um novo estudo clínico nos pacientes. Os cães desenvolvem uma doença cardíaca bastante semelhante aos humanos quando infectados pelo Tripanosoma cruzi. Assim, se as células trouxerem um claro benefício aos cães chagásicos, nós certamente proporemos aos órgãos de controle éticos um novo ensaio clínico nos pacientes com cardiopatia chagásica. Se as células mesenquimais não mostrarem benefícios nos cães chagásicos, testaremos a seguir células-tronco cardíacas e células cardíacas derivadas de células pluripotentes. Há ainda muitas alternativas em termos de tipos de células, em termos de vias de injeção (nas coronárias, direto no coração, etc) e mesmo de quando durante a evolução da doença devemos injetar as células. O caminho a percorrer pode ser ainda muito longo, mas todos nós esperamos que no menor tempo possível possamos encontrar a célula ideal, a melhor via e a melhor fase da doença para realizar uma terapia celular que traga claros benefícios aos pacientes chagásicos. Isto requer pesquisadores dedicados, recursos financeiros e muita colaboração entre os grupos de pesquisa básica, pré-clínica e clínica envolvidos na busca de uma solução para essa terrível doença. A Rede Nacional de Terapia Celular (<a href="http://www.rntc.org.br/">www.rntc.org.br</a>) tem trabalhado intensamente para que tenhamos essas condições no Brasil.</p>
<p><em> </em></p>
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		<title>Vinho tinto faz bem à saúde. Lenda ou verdade?</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 21:56:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[resveratrol]]></category>
		<category><![CDATA[vinho]]></category>

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		<description><![CDATA[Você já deve ter ouvido falar que tomar vinho tinto faz bem à saúde e pode aumentar a expectativa de vida. Se você for um apreciador dessa bebida isso deve soar como um bálsamo aos seus ouvidos. O que há de verdade nisso?  Pesquisas  parecem comprovar que uma molécula  denominada resveratrol,  presente no vinho tinto, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/05/123459307.jpg"><img class="aligncenter size-large wp-image-186531" title="123459307" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/05/123459307-620x413.jpg" alt="" width="620" height="413" /></a></strong></p>
<p>Você já deve ter ouvido falar que tomar vinho tinto faz bem à saúde e pode aumentar a expectativa de vida. Se você for um apreciador dessa bebida isso deve soar como um bálsamo aos seus ouvidos. O que há de verdade nisso?  Pesquisas  parecem comprovar que uma molécula  denominada resveratrol,  presente no vinho tinto, seria a responsável por essa propriedade, mas os mecanismos pelos quais ela atua são ainda assuntos de muito debate.  Em um artigo publicado na revista <em>Nature Medicine</em> (5 de abril de 2012), três cientistas &#8212; Leonard Guarente, Joseph Baur e Antonello Mai &#8212; discutem como pesquisas recentes estão contribuindo para revelar o modo de atuação do resveratrol e a implicação dessas descobertas para o desenvolvimento de novas drogas.</p>
<p><strong>Os efeitos benéficos da restrição calórica no aumento da expectativa de vida</strong></p>
<p>Já foi demonstrado, que a restrição calórica aumenta a longevidade e os efeitos negativos de doenças metabólicas relacionadas ao envelhecimento. Isso já foi observado em organismos inferiores como fungos e vermes (o famoso C. Elegans) e até em roedores e primatas.  Há várias hipóteses para explicar  porque a ingestão diminuída de alimentos tem o efeito benéfico no organismo. Um dos mecanismos propostos seria pela ativação de moléculas denominadas <em>sirtuins</em> (do inglês <em>silence information regulators</em>). As <em>sirtuins</em> são ativadas quando o nível de energia da célula está baixo. Ela entra então em uma “situação de economia”, os genes reduzem a produção de várias proteínas e enzimas inclusive aquelas envolvidos com a apoptose, ou morte celular.</p>
<p><strong>O que o resveratrol tem a ver com isso?</strong></p>
<p>Segundo as novas pesquisas, o resveratrol atuaria ativando essas <em>sirtuins (SIRT1)</em> , ou seja teria um papel semelhante à restrição alimentar. De acordo com Leonard Guarente (cientista do laboratório de ciência e envelhecimento em Cambridge, Massachusetts nos Estados Unidos) não sabemos se a atuação do resveratrol na SIRT1 ocorre de forma direta ou através de outros compostos. “É fascinante pensar como estamos desvendando, na era da ciência e tecnologia, os benefícios de um hábito milenar de tomar vinho. Descobrir os mecanismos que ativam a SIRT1 poderá permitir o desenvolvimento de drogas importantes para doenças relacionadas ao envelhecimento afirma esse cientista”. Para  Joseph A. Baur (professor da Universidade da Pensilvãnia , EUA) o quebra-cabeças para explicar os efeitos benéficos do vinho tinto está longe de estar completo. Segundo Antonello Mai (professor da universidade Sapeienza em Roma, Itália) após a descoberta de que o resveratrol de fato aumenta a longevidade em diferentes organismos, vários estudos estão sendo realizados para verificar seus possíveis efeitos em câncer, doenças inflamatórias, neurodegeneração, metabolismo e doenças do envelhecimento. Esses estudos poderão permitir a descoberta de novos medicamentos.</p>
<p>Em resumo, há um consenso de que o resveratrol, presente no vinho tinto tem realmente um efeito benéfico na saúde. É claro que ele não substitui ter hábitos alimentares saudáveis e atividade física regular. Mas vamos convir que se a ideia é aumentar a expectativa e a qualidade de vida, melhor que seja tomando vinho tinto do que passando fome, concordam?</p>
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		<title>Congresso aprova bancos de DNA para crimes violentos</title>
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		<pubDate>Wed, 09 May 2012 19:51:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>

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		<description><![CDATA[Já não era sem tempo. Inúmeros crimes foram solucionados com base no perfil genético do suspeito, tanto no caso de comprovação quanto isenção de culpa. Não consigo entender a lógica daqueles que se opõem. De acordo com Dr. Fernando José da Costa, presidente da comissão de direito penal da OAB-SP, é completamente inconstitucional porque ninguém [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_186481" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/05/95275299.jpg"><img class="size-large wp-image-186481" title="95275299" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/05/95275299-620x387.jpg" alt="" width="620" height="387" /></a><p class="wp-caption-text">Thinkstock</p></div>
<p>Já não era sem tempo. Inúmeros crimes foram solucionados com base no perfil genético do suspeito, tanto no caso de comprovação quanto isenção de culpa. Não consigo entender a lógica daqueles que se opõem. De acordo com Dr. Fernando José da Costa, presidente da comissão de direito penal da OAB-SP, é completamente inconstitucional porque ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Mas e o DNA em casos de suspeita de paternidade? A lei não diz que se o suposto pai negar-se a fornecer DNA, ele é considerado o pai biológico da criança? Não deveria valer o mesmo raciocínio para suspeitos de crimes? E a famosa premissa de &#8220;quem não deve, não teme&#8221;?</p>
<p><strong>Quão confiável é o exame de DNA?</strong></p>
<p>Se bem feito, a confiabilidade é praticamente 100%, mas é claro que isso vai depender do rigor da análise. A vantagem é que, em caso de dúvidas,ele pode ser sempre aperfeiçoado, isto é, aumenta-se o número de variantes genéticas a serem analisadas e comparadas. Se levarmos em conta que temos cerca de 3 milhões de variantes que distinguem uma pessoa da outra, não há possibilidade de termos duas pessoas com o mesmo perfil genético, com exceção de gêmeos idênticos.</p>
<p><strong>Onde encontrar o DNA?</strong></p>
<p>Temos DNA em todas as nossas células e, portanto, não é necessário um exame invasivo como coleta de sangue para extrair DNA. Podemos extraí-lo da mucosa bucal, da saliva, do bulbo capilar. Quando comemos ou bebemos deixamos também DNA no copo ou nos talheres. Lembro-me de um caso, que aconteceu na Holanda que ilustra bem a importância do DNA para identificar pessoas. Tratava-se de um funcionário de uma empresa que enviava semanalmente cartas anônimas ameaçando os diretores. Como selava o envelope com sua saliva não foi difícil extrair o DNA . O próximo passo era descobrir de quem se tratava. E para isso, usaram a seguinte estratégia: cada dia um grupo de funcionários era convidado para uma reunião onde era servido chá. Em seguida, seu DNA era retirado cuidadosamente de cada xícara. E foi assim que mataram a charada.</p>
<p><strong>As informações do nosso DNA. Quais são os limites?</strong></p>
<p>Acredito que a maioria de vocês é, como eu, favorável ao uso de DNA para esclarecer crimes. Mas a questão é: quais são os limites? Recentemente li um artigo de um jornalista americano propondo que os candidatos à presidência ou outros cargos públicos importantes tivessem seu genoma sequenciado e que as informações fossem tornadas públicas, assim, além de seu patrimônio financeiro também o genético deveria ser divulgado. A premissa por trás disso é que o povo, antes de votar, deveria saber se seu candidato tem mutações genéticas associadas a um risco aumentado de vir a apresentar alguma doença grave potencialmente letal ou que o impedisse de exercer seu mandato. Se isso fosse verdade, o eleitor deveria olhar com muito mais cuidado o candidato a vice, defende o jornalista em seu artigo. E mais ainda. Ele questiona a validade de se colher o DNA sem autorização caso o candidato se recusasse a fornecê-lo para análise. Não seria difícil.  Bastaria segui-lo de perto.  Hoje isso é proibido na maioria dos estados americanos, mas não há uma lei federal nos Estados Unidos que proíba essa prática, argumenta ele.</p>
<p><strong>Quais são as perspectivas futuras? </strong></p>
<p>Hoje sabemos que a nossa capacidade de previsão a partir do DNA ainda é muito limitada. Nunca teremos uma bola de cristal , mas com o avanço das pesquisas o nosso conhecimento vem aumentando.</p>
<p>Mas imaginemos que seja possível prever no futuro um grande número de doenças de início mais tardio, você seria a favor de obrigar os candidatos a presidência a terem seu patrimônio genético revelado? Até onde poderemos chegar? Primeiro, suspeitos de terem cometido crimes, depois candidatos a cargos públicos importantes. Qual será o próximo passo? Candidatos a empregos? A casamentos? Uma vez aberta a caixa de pandora, qual é o limite? O que você acha caro leitor?</p>
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		<title>Doença de Gaucher</title>
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		<pubDate>Wed, 02 May 2012 13:50:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[doença de Gaucher]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8220;Prezada Senhora, Meu irmão é portador da doença de Gaucher, em estado avançado, que foi diagnosticada no ano passado, quando ele estava com 64 anos de idade. Permito-me sugerir uma reportagem sobre esta doença, assunto de utilidade pública, que para meu espanto é desconhecida até da grande maioria dos senhores médicos. Tenho tentado em vão que veículos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;<strong>Prezada Senhora,</strong></p>
<p><strong>Meu irmão é portador da doença de Gaucher, em estado avançado, que foi diagnosticada no ano passado, quando ele estava com 64 anos de idade. Permito-me sugerir uma reportagem sobre esta doença, assunto de utilidade pública, que para meu espanto é desconhecida até da grande maioria dos senhores médicos. Tenho tentado em vão que veículos de comunicação a divulguem, onde resido. Ressalto que minha intenção na divulgação desta enfermidade começou no último dia 05, quando retornei da casa do meu irmão, depois de não vê-lo por mais de seis meses e constatar seu estado de saúde bem debilitado.&#8221;</strong></p>
<p>A doença de Gaucher é uma doença genética pouco conhecida,  embora muito estudada. Para falar a respeito entrevistei um grande especialista no assunto, o Dr. Fernando Kok.</p>
<p><strong>O senhor poderia explicar em palavras simples o que é a doença de Gaucher e qual é a sua incidência?</strong></p>
<p>A doença de Gaucher é uma doença geneticamente determinada que é causada pela produção deficiente de uma enzima, uma proteína que aumenta a velocidade com que determinada reação química se dá no organismo. Na falta desta enzima ocorre acúmulo no organismo de substâncias que não conseguem ser degradadas pelas células e isto termina por comprometer o funcionamento de diversos órgãos e tecidos. É uma doença rara e sua incidência no Brasil não é conhecida. Sabe-se que atualmente mais de 500 indivíduos com doença de Gaucher se beneficiam do tratamento do Ministério da Saúde.</p>
<p><strong>Como é a herança dessa doença?</strong></p>
<p>A herança é autossomica recessiva, ou seja, é necessário que ambos os genitores tenham uma das suas duas cópias do gene responsável pela doença de Gaucher com mutação ou erro genético e que tanto o pai como a mãe transmitam esta cópia com defeito para seu filho. Desta forma, para que ocorra a doença de Gaucher, é necessário que a pessoa possua ambas as cópias do gene com a mutação.</p>
<p><strong>Sabe-se que existe uma grande variabilidade clínica entre os afetados? Há uma explicação para essa observação?</strong></p>
<p>Há realmente uma grande variabilidade na idade de início da doença de Gaucher, que pode ser manifestar desde antes do nascimento, afetando o desenvolvimento do feto, até após os 60 anos. Isto decorre de vários fatores, mas o principal parece ser o quanto restou de atividade residual da enzima.  De modo geral, quanto mais baixa a sua atividade, mais precocemente se manifestarão os sintomas. Além disto, outros fatores podem contribuir para esta variabilidade, entre os quais a existência de genes que modifiquem a intensidade da doença.</p>
<p><strong> Qual é o resultado clínico da reposição enzimática nos pacientes acometidos? Ela é eficiente para todos os casos?</strong></p>
<p>Para indivíduos que apresentem a forma puramente visceral da doença (aumento do fígado, baço e alterações ósseas), a reposição enzimática é muito eficiente. No entanto, nas formas mais raras em que os pacientes também têm sintomas neurológicos, a resposta à reposição enzimática não é boa.</p>
<p><strong> O transplante de células-tronco poderia ser um tratamento futuro para esses pacientes?</strong></p>
<p>Antes do aparecimento da reposição enzimática, era possível obter-se bons resultados no tratamento da forma visceral da doença de Gaucher com o transplante de medula óssea (que é um procedimento em que se substitui as células da medula óssea do indivíduo por células de um doador que não tenha a doença). Com  isto, o indivíduo passa a ter um conjunto de células que produz a enzima deficiente e desta forma corrige-se, ao menos parcialmente, o defeito genético. No entanto, esse procedimento envolve um elevado risco para o receptor do transplante, e sua realização não mais se justifica, tendo em vista o bom resultado da reposição enzimática.</p>
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		<title>Transplante de medula óssea melhora sintomas em camundongos com síndrome de Rett</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/transplante-de-medula-ossea-melhora-sintomas-em-camundongos-com-sindrome-de-rett/</link>
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		<pubDate>Wed, 25 Apr 2012 15:15:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[síndrome de Rett]]></category>

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		<description><![CDATA[A síndrome de Rett, que afeta cerca de 1 em cada 10.000 a 20.000 meninas ao redor do mundo é caracterizada por uma perda cognitiva e motora que em geral inicia-se no primeiro ano de vida. Crianças afetadas em geral não aprendem a falar, têm dificuldades para andar e muitas desenvolvem problemas respiratórios. Um comportamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/100122868.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-186391" title="100122868" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/100122868.jpg" alt="" width="505" height="339" /></a></p>
<p>A síndrome de Rett, que afeta cerca de 1 em cada 10.000 a 20.000 meninas ao redor do mundo é caracterizada por uma perda cognitiva e motora que em geral inicia-se no primeiro ano de vida. Crianças afetadas em geral não aprendem a falar, têm dificuldades para andar e muitas desenvolvem problemas respiratórios. Um comportamento característico nesses pacientes é  um movimento constante de esfregar as mãos como se as estivessem lavando.  Uma pesquisa realizada por cientistas americanos, liderada por Jonathan Kipnis, publicada na revista <em>Nature</em> (março de 2012) acaba de mostrar que transplante de células-tronco da medula óssea conseguem reverter os sintomas em modelo  de camundongo com síndrome de Rett.</p>
<p><strong>Por que  meninas são preferencialmente afetadas?</strong></p>
<p>Durante muito tempo não se entendia porque aparentemente só meninas eram afetadas até que em 1999 descobriu-se o gene responsável por essa síndrome, o MECP2, no cromossomo X.  Esse gene expressa-se em vários tecidos, mas é no cérebro que ele é mais ativo e por isso o comprometimento neurodegenerativo.Como as meninas têm duas cópias do cromossomo X, se elas tiveram uma mutação no gene MECP2 em um dos cromossomos X, a segunda cópia ainda consegue manter parcialmente as funções. Entretanto, no caso dos meninos como eles só têm um cromossomo X, não possuem uma cópia normal e por isso a mutação neles resulta em um quadro muito mais grave, frequentemente letal. Surpreendentemente, alguns anos atrás, antes da descoberta do gene,  identificamos no Centro do Genoma um menino com síndrome de Rett. Depois descobrimos que esse menino tinha por acaso uma constituição cromossômica XXY e, portanto, um dos cromossomos X tinha uma cópia normal do gene.</p>
<p><strong>Qual foi a hipótese testada por esses pesquisadores?</strong></p>
<p>Um trabalho anterior sugere que células do tecido cerebral, denominado glia, contribuem para a patologia da doença de Rett. Aliás, acredita-se hoje que outras síndromes onde há neurodegeneração poderiam ser causadas por problemas na glia. De acordo com os cientistas responsáveis por essa nova pesquisa publicada agora pelo Dr. Kipnis, a síndrome de Rett seria causada por células específicas da glia, classificadas como microglia, um tipo de células do sistema imunológico do cérebro, que tem como função a remoção de detritos deixados após a morte celular. No caso da síndrome de Rett, as células da microglia, quando alteradas pela mutação, contribuíriam para a destruição dos neurônios.</p>
<p><strong>Como foi feito o experimento?</strong></p>
<p>Para testar essa hipótese os pesquisadores destruíram &#8211; por meio de radiação &#8211;  a medula óssea  e a microglia de camundongos dos dois sexos  com síndrome de Rett (modificados geneticamente) e a substituíram por uma medula óssea com a cópia normal desse gene, retirada de camundongos normais. Camundongos machos sem a cópia do gene MECP2 geralmente morrem com dois meses. As fêmeas  têm um quadro mais leve e os distúrbios de comportamento tornam-se evidentes  entre 4 e 6 meses de idade.</p>
<p><strong>O que foi observado?</strong></p>
<p>Houve um efeito benéfico nos animais dos dois sexos. Os machos tiveram uma sobrevida de até um ano. Os animais tratados respiravam melhor e ganharam mais peso em comparação com os controles não tratados.  Por outro lado, nas fêmeas que só têm uma cópia funcional do gene MECP2 desenvolvem os sintomas mais tarde que os machos. Nelas o transplante de medula óssea melhorou o andar, a respiração e o ganho de peso.</p>
<p><strong>Sistema  imune ou microglia?</strong></p>
<p>Para descobrir se a melhora era devido ao sistema imunológico como um todo ou a substituição especificamente da microglia os pesquisadores fizeram outro experimento onde os camundongos não eram submetidos à irradiação da microglia, mas somente da medula óssea. Nesses animais não se observou nenhum efeito positivo do transplante, comprovando assim a hipótese inicial dos pesquisadores.</p>
<p><strong>São resultados ainda preliminares</strong></p>
<p>A equipe ficou entusiasmada com os resultados imaginando uma possível aplicação em seres humanos &#8211; uma droga que pudesse melhorar a função da microglia. Mas eles festejam com cautela. Camundongos são muito diferentes de seres humanos e ainda serão necessárias muitas pesquisas antes de uma aplicação em seres humanos.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A análise do seu genoma: guarde o DNA de seus pais e avós</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/a-analise-do-seu-genoma-guarde-o-dna-de-seus-pais-e-avos/</link>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 18:47:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[dna]]></category>
		<category><![CDATA[genoma]]></category>

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		<description><![CDATA[Como interpretar o seu genoma? Guarde o DNA de seus pais e avós Segundo uma pesquisa recente realizada por pesquisadores americanos  (Science Translational Medicine, 2 de Abril) a análise do genoma humano teria  pouco valor para estimar o risco de se desenvolver algumas doenças comuns como câncer e diabetes, entre outras.  Para chegar a essa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Como interpretar o seu genoma? Guarde o DNA de seus pais e avós</strong></p>
<p>Segundo uma pesquisa recente realizada por pesquisadores americanos  (<em>Science Translational Medicine</em>, 2 de Abril) a análise do genoma humano teria  pouco valor para estimar o risco de se desenvolver algumas doenças comuns como câncer e diabetes, entre outras.  Para chegar a essa conclusão, os cientistas, liderados por Bert Vogelstein e Victor Velculescu, coletaram dados médicos de 53.666 pares de gêmeos ao redor do mundo. A ideia dessa pesquisa era avaliar que fração da população iria beneficiar-se do sequenciamento do genoma humano. Como na minha opinião a <strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/genomas-corrompidos/">demanda será grande</a></strong>, estimar o valor preditivo de tais exames é uma questão importante. A matéria chamou a atenção da mídia e de  muitos geneticistas, é claro. Vamos por partes.</p>
<p><strong>Como os cientistas americanos chegaram a essa conclusão?</strong></p>
<p>Em primeiro lugar é preciso deixar claro que embora os gêmeos tenham sido comparados, não houve uma análise real dos seus genomas.  O que os cientistas fizeram foi desenvolver uma fórmula matemática para estimar o risco mínimo e máximo para 24 doenças incluindo vários tipos de câncer, cardiopatias, doença de Alzheimer e diabetes entre outras. Como gêmeos idênticos ou monozigóticos possuem o mesmo genoma, a estratégia foi verificar quão frequentemente eles desenvolvem a mesma doença. De acordo com os pesquisadores um resultado é considerado positivo se a pessoa tiver uma chance de 10% ou mais de vir a desenvolver aquela doença. E os resultados dessa pesquisa mostraram que  a maioria das pessoas testadas teriam testes negativos para essas doenças. Isto é, seu risco seria o mesmo que o da população em geral e, portanto, o estudo do seu genoma não teria muita utilidade.</p>
<p><strong>Quais são as dificuldades?</strong></p>
<p>Temos no nosso genoma cerca de 3 milhões de variantes que determinam que uma pessoa seja diferente da outra. Muitas delas são responsáveis  por nossas características físicas, tais como altura, cor de pele, olhos e de cabelo, formato de nariz e assim por diante.  E outras contribuem a que tenhamos um risco maior ou menor de virmos a desenvolver certas doenças. Com 3 milhões de variantes, separar o joio do trigo não é fácil. Saber quais são as variantes que determinam simplesmente características físicas ou a variabilidade entre as pessoas daquelas associadas a risco maior de doenças. Como contornar isso?</p>
<p><strong>A comparação com o genoma de parentes mais velhos</strong></p>
<p>Recentemente atendemos uma familia onde, por acaso, o exame de DNA revelou que um homem de 44 anos, pai normal de uma paciente, tinha uma mutação em um gene que estaria associada a uma forma de distrofia muscular progressiva. Acontece que esse senhor, era absolutamente saudável, sem nenhum sinal de fraqueza muscular. A nossa dúvida então era se ele era uma exceção ou se realmente aquela mutação não era algo para se preocupar. Como tirar isso a limpo? Ao levantar a sua genealogia, descobrimos que ele tinha vários parentes mais velhos, todos saudáveis. Será que algum deles também era portador daquela mutação ou ela havia surgido nele pela primeira vez? Só havia um meio de descobrir. Analisar o DNA de seus parentes. Foi o que fizemos.  E o que descobrimos? Vários deles possuíam a mesma mutação e todos eram saudáveis. Concluímos para alívio de todos que tratava-se de mais uma variante  “inofensiva” e não uma mutação patogênica. A análise do DNA dos parentes mais velhos  foi fundamental</p>
<p><strong>Guarde o DNA de seus pais e avós</strong></p>
<p>Já falei em <strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/pesquisas/o-genoma-de-supercentenarios-o-que-eles-tem-de-especial/">colunas anteriores</a></strong> que estamos coletando para análise o DNA  de pessoas saudáveis de mais de 80 anos, os &#8220;80 mais&#8221;, como os chamo .  Eles também poderão nos fornecer dados fundamentais em relação ao valor preditivo de variantes encontradas em pessoas mais jovens. Mas são dados populacionais.</p>
<p>A Mayo Clinic, nos Estados Unidos, recentemente publicou uma matéria segundo a qual eles pretendiam ter os dados do sequenciamento genômico de cada paciente nas suas fichas médicas. Enquando debatem como será feita a análise, todos concordam que  a história familiar de doenças cardíacas, diabetes ou algumas formas de cancer ainda é fundamental. A minha sugestão? Se você pretende sequenciar seu DNA  guarde  juntamente com a história médica o DNA de seus parentes mais velhos. Ele poderá fornecer informações preciosas.</p>
<p>E se você ainda quiser participar da pesquisa dos &#8220;80 mais&#8221; entre em contato conosco: <a href="mailto:80mais@gmail.com">80mais@gmail.com</a></p>
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		<title>Distrofias musculares</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/genetica/doencas/distrofias-musculares/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 19:25:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
				<category><![CDATA[doenças]]></category>
		<category><![CDATA[distrofia de Duchenne]]></category>
		<category><![CDATA[distrofia muscular]]></category>

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		<description><![CDATA[Hsp72 preserva a função muscular e diminui a progressão em distrofias musculares graves É esse o título do trabalho que acaba de ser publicado na revista Nature por um grupo de pesquisadores da Austrália, Reino Unido e Canadá.  Nessa pesquisa os cientistas mostram que o aumento de expressão da proteína Hsp72 preserva a força muscular [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_186301" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/dv327002-11.jpg"><img class="size-large wp-image-186301" title="dv327002 (1)" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/dv327002-11-620x418.jpg" alt="" width="620" height="418" /></a><p class="wp-caption-text">Thinkstock</p></div>
<p><strong>Hsp72 preserva a função muscular e diminui a progressão em distrofias musculares graves</strong></p>
<p>É esse o título do trabalho que acaba de ser publicado na revista <em>Nature</em> por um grupo de pesquisadores da Austrália, Reino Unido e Canadá.  Nessa pesquisa os cientistas mostram que o aumento de expressão da proteína Hsp72 preserva a força muscular e melhora a patologia distrófica em dois modelos de camundongos afetados por distrofia muscular. Interessante é que os cientistas sugerem que  a produção dessa proteína poderia  ser induzida por uma droga, BGP-15,  atualmente  em teste para o tratamento de diabetes.</p>
<p><strong>Recordando</strong></p>
<p>As distrofias musculares progressivas (DMP)  incluem um grupo de dezenas de doenças genéticas caracterizadas por uma degeneração progressiva da musculatura.  Existem formas que se iniciam na idade adulta com uma progressão lenta, mas nas formas infantis, como na distrofia de Duchenne (DMD), que só atinge meninos, os sintomas iniciam-se nos primeiros anos de vida e a evolução é rápida. Geralmente a mãe nota que a criança está caindo muito e as dificuldades vão aumentando de modo que ao redor dos 10 ou 12 anos os meninos perdem a capacidade para andar. Nas fases mais adiantadas há comprometimento cardíaco e respiratório. Embora a sobrevida tem aumentado muito, achar novos tratamentos tem sido uma busca incessante dos pesquisadores.</p>
<p><strong>Influxo de cálcio</strong></p>
<p>Existem muitas hipóteses para explicar a degeneração muscular que ocorre na DMD. Sabemos que a mutação leva a ausência de uma proteína fundamental para a manutenção da membrana celular (capa que recobre as células musculares) e que foi denominada distrofina. Uma das consequências é um aumento da permeabilidade da membrana e com isso  há um aumento de entrada do cálcio para dentro da célula causando inflamação, ciclos de degeneração e regeneração (que aos poucos deixa de ser efetiva)  e infiltração de material não contrátil nas células.  Aos poucos as células musculares vão sendo substituídas por gordura e tecido conjuntivo e por isso a perda da força muscular.</p>
<p><strong>Qual foi a hipótese testada</strong></p>
<p>Para testar sua hipótese, os cientistas utilizaram dois modelos de camundongos distróficos: <em>mdx e dko</em>. Embora os dois modelos  não tenham distrofina no músculo, somente os camundongos <em>dko </em>são muito afetados. Os mdx só apresentam fraqueza na musculatura do diafragma. Os pesquisadores verificaram que uma proteína responsável pela remoção de cálcio intracelular denominada SERCA (do inglês <em>sarcoplasmic/endoplasmic reticulum Ca <sup>2+</sup> -ATPase</em>) não é funcional no músculo dos dois modelos de camundongos com distrofia.  Descobriram também que Hsp72 interage com SERCA na tentativa de  preservar sua função em condições de stress. O que quiseram então testar era se o aumento da Hsp72 também aumentaria a atividade da SERCA  beneficiando o músculo distrófico.</p>
<p><strong>Como foram feitos os experimentos?</strong></p>
<p>Primeiro os cientistas cruzaram camundongos <em>mdx </em>com camundongos transgênicos que têm uma expressão aumentada de Hsp72.  Observaram então que o diafragma dos animais com aumento de Hsp72 era significantemente melhor do que dos controles normais, um resultado animador. A partir dessa observação os cientistas resolveram testar se a administração de uma droga, denominada BGP-15, que aumenta a atividade da Hsp72 também seria benéfica. Trataram camundongos mdx por algumas semanas e novamente observaram uma melhora no diafragma e na força dos animais tratados.</p>
<p><strong>Qual foi o próximo passo?</strong></p>
<p>Queriam também saber se essa droga teria efeito clínico no outro modelo grave de distrofia muscular, o camundongo <em>dko</em>. Neles também houve efeito benéfico da droga. Além do aumento de sobrevida houve uma diminuição considerável na curvatura lombar.</p>
<p><strong>São resultados ainda preliminares</strong></p>
<p>Os cientistas concluem que o aumento de expressão da Hsp72 , através do uso de BGP-15  poderia ter um efeito terapêutico benéfico nas distrofias, usado isoladamente ou em conjunto com outras terapias, inclusive terapia gênica e celular. Não seria uma cura mas a esperança é poder retardar a progressão  da doença. Recebo emails de pessoas dizendo: chega de experimentos em ratinhos. Vamos iniciar tratamentos em humanos. Concordo que temos pressa. Chegaremos lá, mas com cautela.</p>
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		<title>Cinco cientistas brilhantes: quais foram suas descobertas?</title>
		<link>http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/cinco-cientistas-brilhantes-quais-foram-suas-descobertas/</link>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 00:38:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio L’Oréal/Unesco]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabo de chegar de Paris onde participei da 14a edição do prêmio L’Oréal/Unesco para mulheres na ciência. Ele foi instituído em 1998. Cinco cientistas, representando a África, Ásia, Europa, América Latina e América do Norte são agraciadas todos os anos.  Trata-se de  um reconhecimento internacional de excelência científica. De fato duas cientistas receberam o prêmio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Acabo de chegar de Paris onde participei da 14<sup>a</sup> edição do prêmio L’Oréal/Unesco para mulheres na ciência. Ele foi instituído em 1998. Cinco cientistas, representando a África, Ásia, Europa, América Latina e América do Norte são agraciadas todos os anos.  Trata-se de  um reconhecimento internacional de excelência científica. De fato duas cientistas receberam o prêmio Nobel em seguida: a doutora Elizabeth Blackburn dos Estados Unidos  por suas pesquisas em telômeros e telomerase ( já falei disso em <strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/um-pesquisador-brasileiro-explica-o-nobel-de-medicina/">colunas</a></strong> <strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/sem-categoria/telomeros-podem-realmente-prever-sua-longevidade/">anteriores </a>) </strong>e doutora Ada Yonath de Israel por suas pesquisas em química.</p>
<p><strong>Como é o processo seletivo?</strong></p>
<p>Desde que fui agraciada com esse prêmio em 2001, tenho feito parte do júri que seleciona as próximas vencedoras. Confesso que  a escolha  nem sempre é fácil, mas para mim fazer parte desse júri tem sido uma experiência fantástica. O presidente fundador do júri é o professor Christian de Duve, prêmio Nobel de medicina, em 1974.  É agora o presidente honorário. Aos 95 anos, ele mantém uma memória e lucidez impressionantes. Confesso que gostaria de ter genes como os dele. O presidente atual do júri, é o doutor Gunter Blobel, também prêmio Nobel  de medicina, em 1999.</p>
<p>Além de cientistas excepcionais são também seres humanos fantásticos. Conversar com eles é um aprendizado constante. Os outros membros do júri, 17 ao todo, são cientistas representando os cinco continentes: mulheres, que foram premiadas em anos anteriores, mas também cientistas do sexo masculino. Afinal das contas, apesar do prêmio ter sido instituído para promover mulheres na ciência, não podemos discriminar os homens. Para concorrer, as cientistas precisam ter sido indicadas, por outros pesquisadores reconhecidos, sociedades científicas  ou instituições acadêmicas. O critério para decidir  leva em conta não só a excelência científica, mas também o impacto social das suas descobertas principalmente em caso de empate. No fim de setembro de 2011, escolhemos as cinco vencedoras de 2012. Não conhecia pessoalmente nenhuma delas. Só agora, na festa da premiação, um evento sempre marcante que reúne cerca de 2000 pessoas na sede da Unesco, em Paris,  tive a chance de conhecê-las pessoalmente. Quem são essas finalistas?</p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/jill.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-186131" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/jill-224x300.jpg" alt="" width="224" height="300" /></a></strong></p>
<p><strong>Jill Margaret Farrant, foi a ganhadora da África e países árabes</strong></p>
<p>Ela pesquisa plantas muito especiais, chamadas plantas da ressurreição (do inglês <em>resurrection plants</em>). Foram chamadas assim porque essas plantas possuem uma característica incrível. Conseguem resistir muito tempo em ambientes sem água. Suas folhas secam e você  jura que estão  mortas. Mas se tiverem contato com água, após 24 a 72 horas  renascem e voltam a ficar verdes como se nada tivesse ocorrido. Para ilustrar suas experiências a doutora Farrant deu a cada um de nós um galhinho seco. “Coloquem na água e vejam o que  vai acontecer”,  disse. Foi o que fizemos. Após 24 horas em um copinho de água lá estavam elas vivas e  verdejantes. Pudemos comprovar de fato o renascimento  fantástico dessas plantinhas. Fascinante. A  pesquisa de Jill tem contribuído para entender quais são os genes e mecanismos responsáveis por esse renascimento que parece milagroso. O próximo passo será  tentar, por técnica de engenharia genética, transferir essa característica para  outras plantas. Não é difícil imaginar o impacto disso para combater a fome mundial. Já imaginaram que fantástico ter cereais  como o milho, trigo e arroz ou frutas sobrevivendo em regiões secas e áridas? Estou convencida que nem aqueles que são contra as plantas transgênicas poderão se opor .</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/Ingrid-Sheffer-Australia.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-186141" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/Ingrid-Sheffer-Australia-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></strong></p>
<p><strong>Ingrid Scheffer foi escolhida a melhor cientista da Ásia e Região Pacífica</strong></p>
<p>A doutora Scheffer, uma neurologista pediátrica, foi selecionada por suas  importantes descobertas na epilepsia, um mal que atinge mais de 50 milhões de pessoas no mundo. Elas podem ter origem genética, ambiental (resultantes de um trauma) ou mais frequentemente serem  causadas por um mecanismo multifatorial, isto é, a interação entre genes e ambiente. Em colaboração com outros pesquisadores, a doutora Ingrid identificou vários genes  novos que causam epilepsia. Descobriu que  algumas formas são causadas por  alteração no transporte de sódio. Suas descobertas estão  abrindo caminhos importantes para novas estratégias terapêuticas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/Frances-Ashcroft.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-186151" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/Frances-Ashcroft-300x213.jpg" alt="" width="300" height="213" /></a></strong></p>
<p><strong>Frances Mary ASHCROFT</strong>, <strong>do Reino Unido, foi a ganhadora da Europa</strong></p>
<p>Essa cientista foi escolhida por suas contribuições fundamentais nas pesquisas em diabetes, principalmente uma forma grave de diabetes neonatal. A doutora Ashcroft  descobriu como a glucose estimula a secreção de insulina e porque esse mecanismo não funciona na forma neonatal de diabetes. O fantástico é que a partir dessa descoberta  ela conseguiu um novo tratamento para as crianças afetadas. Ao invés de múltiplas injeções de insulina por dia, elas passaram a tratar-se com uma a duas pílulas diariamente. Para quem, como eu,  tem como objetivo transformar a pesquisa básica em tratamento não pode haver nada de mais gratificante. Trata-se do maior prêmio almejado por nós, cientistas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/FWIS-Mexico-Portrait-lo-def.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-186171" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/FWIS-Mexico-Portrait-lo-def-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></strong></p>
<p><strong>Susana López Charretón, da Cidade do México, foi escolhida como a melhor cientista da América Latina</strong></p>
<p>A doutora Susana estuda mecanismos de infecção por vírus, principalmente um específico, o rotavirus, responsável pela diarreia, que mata milhões de crianças principalmente nos países subdesenvolvidos. Estima-se que ele é a causa de morte de 600.000 crianças por ano e de patologias graves em outras 2 milhões. A pesquisa dessa cientista tem contribuído  para desvendar os mecanismos que esses vírus usam para infectar as células e multiplicar-se rapidamente. Entender essas interações é o primeiro passo para interromper o processo e prevenir assim a ocorrência dessas infecções. A  importância dessa pesquisa, principalmente nos países pobres é indiscutível.</p>
<p><strong><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/Bonnie-Bassler-EUA.jpg"><img class="aligncenter size-medium wp-image-186161" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/04/Bonnie-Bassler-EUA-300x224.jpg" alt="" width="300" height="224" /></a></strong></p>
<p><strong>Bonnie Bassler , foi eleita a melhor cientista da América do Norte</strong></p>
<p>Essa pesquisadora, que descobriu como as bactérias se comunicam, possui  ela própria o dom da comunicação.  E com muito humor. Convenceu-nos a todos que as bactérias podem ser criaturas fantásticas. Quando falamos desses minúsculos seres  lembramos sempre daquelas patogênicas, que causam doenças. Esquecemos que muitas delas são benéficas, como as do nosso intestino. Para começo de conversa, temos 10 vezes mais bactérias que convivem dentro ou ao redor do nosso corpo do que células. Dito assim, podemos concluir que somos só 10% humanos, salienta a doutora Bassler.  O que essa cientista descobriu é que as bactérias não conseguem atuar sozinhas. Elas precisam agir em grupo. Elas sabem disso (às vezes  até melhor do que nós) e para conseguir seus objetivos comunicam-se entre elas- através de uma linguagem química. E é essa foi justamente a grande descoberta de Bassler.  Descobrir e entender como as bactérias se comunicam permitirá atuar nas duas frentes: aprimorar a comunicação das bactérias úteis ao homem e interromper “a conversa” das patogênicas. Uma pesquisa que promete.</p>
<p><strong>Parabéns a essas cinco mulheres</strong></p>
<p>Conhecê-las de perto, ouvi-las, compartilhar seu entusiasmo e paixão pela pesquisa e pela ciência  é uma emoção que se renova a cada premiação. Um dos grandes objetivos desse prêmio é motivar jovens a serem cientistas. Posso garantir que é uma aventura fascinante.</p>
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		<title>Privadas do sexo, moscas de frutas entregam-se ao alcoolismo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Mar 2012 16:41:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_186071" class="wp-caption aligncenter" style="width: 630px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/03/115944069.jpg"><img class="size-large wp-image-186071" title="115944069" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/03/115944069-620x465.jpg" alt="" width="620" height="465" /></a><p class="wp-caption-text">Thinkstock</p></div>
<p>Vários  jornais noticiaram que machos de drosófila &#8211; a mosca da fruta &#8211; aumentam ingestão de álcool quando rejeitados sexualmente por suas parceiras. Você deve estar imaginando que os cientistas não têm mais o que fazer. O que tem a ver o comportamento da drosófila (ou do “drosófilo” no caso ) conosco? Mas a pesquisa  realizada por cientistas da Califórnia saiu na prestigiosa revista <em>Science</em>, que não publica brincadeiras: <em>Sexual deprivation increases ethanol intake in drosophila (Science, 16 de março). </em>Uma das características das drosófilas é que elas podem se viciar em etanol, por isso elas são um bom modelo para pesquisar situações que levam a essa preferência por álcool. O que os cientistas queriam pesquisar era se o motivo da preferência poderia estar relacionado com uma forma de compensar uma frustração o que, diga-se de passagem, não é fácil de analisar em drosófilas. Escolheram então observar o comportamento sexual e verificar se existia uma relação entre privação sexual e alcoolismo. E de fato, eles descobriram que esse comportamento é controlado por um neuropeptídeo cerebral.</p>
<p><strong>Como foi feito o experimento?</strong></p>
<p>Os pesquisadores submeteram as drosófilas a vários experimentos.  No primeiro, os machos eram colocados junto a fêmeas que já haviam sido fertilizadas e que, portanto, rejeitavam qualquer aproximação. Após algumas tentativas frustradas  os machos “rejeitados”  não têm mais interesse sexual, mesmo quando colocados junto a fêmeas virgens. Outros grupos eram constituídos por machos que não haviam se acasalado por diferentes motivos, mas que não haviam sido rejeitados pelas fêmeas. Esses grupos foram então comparados com machos que haviam se acasalado e que tinham  um comportamento sexual normal. Para avaliar se havia uma busca preferencial por álcool nos diferentes grupos experimentais, o alimento foi preparado e dividido em dois grupos: no primeiro não foi adicionado nada e no segundo, ele foi suplementado com 15% de etanol.</p>
<p><strong>O que foi observado?</strong></p>
<p>Os cientistas observaram então que os machos “privados” de sexo consumiam preferencialmente o alimento com suplemento de etanol, independentemente de terem sido rejeitados ou impedidos de se acasalar. Isto é, a preferência por álcool não era por causa da rejeição, mas sim pela abstinência sexual, como se fosse um mecanismo de “compensação cerebral”.  A próxima questão era então tentar entender como isso ocorre.</p>
<p><strong>O neuropeptídeo F</strong></p>
<p>Os pesquisadores resolveram analisar o que ocorria com o neuropeptídeo F (NPF), uma molécula que regula o consumo de etanol nas drosófilas. Observaram então que os machos rejeitados sexualmente tinham níveis muito menores de NPF do que aqueles que haviam sido acasalados. Entretanto, para determinar se não se tratava de um achado casual, era necessário verificar se havia uma correlação entre níveis diminuídos de NPF e aumento de consumo de etanol. Para isso os pesquisadores fizeram novos experimentos manipulando geneticamente a via de liberação do NPF. Os resultados confirmaram  que há uma relação causal entre abstinência sexual e níveis diminuídos de NPF que por sua vez leva ao consumo preferencial de etanol. Por outro lado, de acordo com os autores dessa pesquisa,  a ativação desse neuropeptídeo funcionaria como um mecanismo de “satisfação” substituindo a necessidade de ingestão de álcool para “compensar” a privação sexual.</p>
<p><strong>Qual é a importancia desse achado? </strong></p>
<p>Há uma molécula análoga ao NPF nos mamíferos, o neuropeptídeo Y (NPY). Sabe-se que em mamíferos e seres humanos o nível desse neuropetídeo é regulado por experiências traumáticas, mas aparentemente não há nenhum estudo publicado correlacionando experiências sociais (ou sexuais), o NPY e o consumo de etanol. Quem sabe esse estudo em drosófilas poderá trazer novos caminhos para entender e combater os mecanismos cerebrais que causam alcoolismo ou dependência a drogas. Por outro lado, fiquei curiosa em saber se esse mesmo comportamento ocorre em fêmeas de drosófilas impedidas de se acasalarem. Será que elas também vão ingerir mais etanol? Ou quem sabe ingerir mais alimentos como modo de compensar e tornar-se obesas? Para quem tiver interesse, é um outro assunto a ser pesquisado.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Células progenitoras intestinais de camundongos reprogramadas para produzir insulina</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Mar 2012 14:40:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>kperin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[diabetes]]></category>
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		<description><![CDATA[Um dos grandes desafios para tratar a diabetes tipo I é conseguir células capazes de produzir insulina e  substituir as células que pararam de produzi-la. Para isso é preciso entender qual é o processo que determina que células-tronco tornem-se células endócrinas &#8211; produtoras de hormônios. E em seguida que produzam insulina. Pesquisas anteriores já mostraram [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_186021" class="wp-caption aligncenter" style="width: 515px"><a href="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/03/100122868.jpg"><img class="size-full wp-image-186021" title="100122868" src="http://veja.abril.com.br/blog/genetica/files/2012/03/100122868.jpg" alt="" width="505" height="339" /></a><p class="wp-caption-text">Thinkstock</p></div>
<p><strong><br />
</strong></p>
<p>Um dos grandes desafios para tratar a diabetes tipo I é conseguir células capazes de produzir insulina e  substituir as células que pararam de produzi-la. Para isso é preciso entender qual é o processo que determina que células-tronco tornem-se células endócrinas &#8211; produtoras de hormônios. E em seguida que produzam insulina. Pesquisas anteriores já mostraram que um fator fundamental  para que essa  primeira diferenciação ocorra  é que as células  expressem um fator  denominado Neurog3+. Entretanto observou-se que  células Neurog3+  não são encontradas só no pâncreas, mas também no estômago e intestino. Por que então só produzem insulina no pâncreas? Seria possível ampliar seu raio de ação?  Uma pesquisa recente publicada na revista <em>Nature Genetics</em> (março de 2012) desenvolvida pelos doutores Chutima Talchai e Domenico Accili da Columbia University, nos EUA,  mostra que é possível induzir células do intestino a produzir insulina. Pelo menos em camundongos.</p>
<p><strong>Recordando&#8230;</strong></p>
<p>A diabetes tipo I é uma doença autoimune onde há destruição das células do pâncreas que produzem insulina. Doenças autoimunes são aquelas onde o sistema imunológico de uma pessoa não reconhece certas células ou tecidos de seu próprio corpo e os destroi como se fossem agentes infecciosos. Por que isso ocorre ainda é uma incógnita para a ciência, mas existem inúmeras doenças, além da diabetes tipo I, que são causadas por esse mecanismo. Entre elas podemos citar a esclerose múltipla, algumas formas de reumatismo, alergias etc&#8230;</p>
<p><strong>Células produtoras de insulina</strong></p>
<p>As células progenitoras que irão produzir a insulina originam-se da endoderma (parte interna do embrião). São caracterizadas por expressar o marcador Neurog3+.  Elas diferenciam-se em dois tipos de células: as do intestino que vão secretar hormônios necessários às funções intestinais tais como os peptídeos gástricos  e as células pancreáticas, que vão produzir  insulina. O que determina que as células progenitoras Neurog3+  sigam um caminho ou o outro ainda é uma incógnita. Por outro lado sabe-se que existe um determinado gene, FOXO1, que regula produtos (fatores de transcrição) relacionados com a produção de  insulina.</p>
<p><strong>O que os Drs. Talchai e Accili descobriram?</strong></p>
<p>Que algumas das células progenitoras Neurog3+  do intestino têm o potencial de se diferenciar em células produtoras de insulina. Ao analisarem essa células verificaram que nelas o gene FOXO1 estava suprimido ou inativo. Para comprovar que era realmente esse gene ou a  sua ausência que determinava se as células iriam ou não produzir insulina fizeram vários experimentos no laboratório e em camundongos. A prova final foi a demonstração que a  ablação do gene FOXO1 em camundongos  diabéticos permitiu que as células Neurog3+  do intestino passassem a produzir insulina e reverteram os sinais de hiperglicemia.</p>
<p><strong>Quais são as dificuldades e perspectivas? </strong></p>
<p>Embora seja possível diferenciar em laboratório células-tronco embrionárias em células produtoras de insulina, essas células não são apropriadas para transplante porque elas não liberam insulina em resposta a glucose. Portanto se injetadas em um paciente elas poderiam liberar esse hormônio em excesso causando hipoglicemia e até a morte.</p>
<p>Nesse sentido, a recente pesquisa dos cientistas da Universidade de Columbia representa um grande avanço. As células intestinais reprogramadas para produzir insulina teriam a propriedade de produzir insulina em resposta aos níveis sanguíneos de glucose,  que é o esperado. Se for possível aplicar essa estratégia em seres humanos será um passo muito importante no tratamento da diabetes.</p>
<p>A torcida, sem dúvida, é grande.</p>
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