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12/11/2010

às 16:32 \ doenças, pesquisas

Uma tarde no GENOCÃO

Pacientes e pesquisadores: um dia de integração

Pacientes e pesquisadores: um dia de integração

No dia 11 de novembro, meninos que têm distrofia muscular e que são tratados na ABDIM (Associação Brasileira de distrofia muscular) fizeram uma visita muito especial ao GENOCÃO, situado na Cidade Universitária. Ali estão os nossos pacientes caninos que também tem distrofia muscular, uma forma muito semelhante a que acomete os seres humanos. São cães da raça golden retriever que já nascem com distrofia (são chamados de GRMD, do inglês golden retriever muscular dystrophy). Pesquisar o impacto de diferentes abordagens terapêuticas que possam tratar esses nossos amigos de quatro patas são fundamentais antes de iniciarmos tratamentos em humanos. A ABDIM, que está ligada ao Centro de Estudos do Genoma Humano, é uma entidade que fundei em 1981 para lutar pela qualidade de vida desses pacientes (quando decidi que ser só cientista era muito pouco).

Qual foi o objetivo desse dia de integração?

A idéia surgiu porque os pacientes e suas famílias sempre têm muita curiosidade, o que é certamente compreensível, em saber como estão as pesquisas, o que estamos fazendo, quais são os progressos. E nada melhor do que apresentá-los aos nossos amigos de quatro patas que tanto têm ajudado.  As palavras mágicas não precisam nem ser repetidas: eles querem saber mais sobre as células-tronco. Estamos perseguindo outros caminhos para futuros tratamentos que podem ser até mais promissores, mas vou falar disso em uma próxima coluna.  Hoje vamos falar sobre essas famosas células, tão em moda.

Quais são as dúvidas? O que já aprendemos?

Recordando: antes de injetar células-tronco (CT) em pacientes com doenças neuromusculares precisamos saber: Qual é a melhor fonte de CT para regenerar músculo? Qual é o melhor método de transferir as células: por via sistêmica, isto é, pela circulação ou através de injeções locais? Como saber se as células se dirigiram ao órgão ou tecido que precisa ser reparado? O que determina esse direcionamento das células? Como controlar a rejeição?

Qual é a melhor fonte de CT para regenerar músculo?

As nossas pesquisas com camundongos, realizadas pelos alunos de doutorado Natássia Vieira e Eder Zucconi, mostraram que células-tronco de tecido adiposo (um subgrupo de células-tronco especiais chamadas de mesenquimais – CTM) são melhores que as de cordão umbilical e de polpa dentária para formar músculo. Já falei disso em coluna anterior.  Isso já é um resultado muito importante para quem quer tratar doenças de músculo. Mas temos outras novidades.

Equipe de pesquisadores e seu 'paciente canino'

Equipe de pesquisadores e seu 'paciente canino'

Qual é o melhor método de transferir as células: por via sistêmica, isto é, pela circulação ou através de injeções locais?

Esses são resultados novos. Para avaliar isso, a Natassia injetou CTM humanas, também retiradas de tecido adiposo, diretamente no músculo em alguns animais e por via sistêmica, na circulação, em outros. Surpreendentemente, não achamos nenhuma célula humana após injeções locais. Nem nos camundongos e nem nos cães GRMD. Por outro lado, aquelas transferidas por via sistêmica foram encontradas nos músculos dos cães injetados até seis meses depois da última injeção. Esse é outro aprendizado muito importante. Sugere que se fôssemos fazer um tratamento com injeções de células-tronco esse teria que ser repetido a cada seis meses. Por outro lado é muito melhor que seja pela circulação. Já imaginaram ter que fazer centenas de injeções locais para poder atingir todos os músculos?

Como saber se as células se dirigiram ao órgão ou tecido que precisa ser reparado?  O que determina esse direcionamento das células?

Acredita-se que o papel das células-tronco é o de se dirigir ao local onde há algum “dano” a ser reparado. Como nas distrofias musculares há uma degeneração das células musculares apostamos que isso poderia sinalizar e atrair as células-tronco para o músculo. Esses músculos estão pedindo “socorro”. E de fato, foi o que observamos. Nos músculos de camundongos com distrofia, encontramos as CTM humanas que haviam sido injetadas, em grande quantidade. Ao se degenerar eles liberam fatores que atraem as CTM. Mariane Secco, também aluna de doutorado está estudando esses fatores. Logo teremos novidades.

E a rejeição, como controlá-la?

Essa é a melhor notícia. Injetamos as células humanas nos camundongos e nos cães sem imunossupressão e elas não foram rejeitadas. Parece surpreendente mas está se comprovando cada vez mais que essas células-tronco mesenquimais – sobre as quais já falamos – têm uma propriedade  muito importante: inibir a rejeição. Ao contrário, elas até impedem que órgãos transplantados sejam rejeitados pelo organismo.

Quais são os próximos passos?

Precisamos repetir os experimentos que deram certo nos camundongos nos cães que têm distrofia. E acompanhá-los. Eles poderão nos dizer quando estaremos prontos para iniciar ensaios clínicos em pacientes humanos. Por isso esses nossos amiguinhos são tão importantes.
Por Mayana Zatz

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18 Comentários

  1. elisabeth indiukov dos santos

    -

    17/04/2012 às 19:06

    Mayana ,tenho uma amiga que seu filho tem 16 anos e tem a distrofia muscular espinhal ,essa mãe esta muito preocupada ,porque não ha melhoras com seu filho, ele ja esta na cadeira de rodas , com pouca movimentação e gostaria de ajudar essa familia de alguma forma se possivel mandem novidades ao meu email. E de como essa mãe pode inscreve-lo na ABDIM. desde ja agradeço e que Deus possa abençõa-la cada vez mais.

  2. lucileia Aparecida gomes

    -

    21/03/2012 às 14:26

    mayana que jesus cristo continue a iluminar suas vidas e usando suas pesquisas para e sua dedicacao para que finalmente venha se tornar realidade o que tantos anos tanto eu quanto milhares de maes vem sonhando a tanto tempo , a cura da distrofia e finalmente a verdadeira felicidade dos nossos filhos ! tenho um filho com distrofia ; e estou muito satisfeita com esses resultados . gloria a deus por isso !

  3. jose carlos dos santos

    -

    16/01/2012 às 15:35

    Mayana,estamos torcendo para que possa ser aplicado em humanos o mais rapido possível,pois e aguniante para quem espera,meu filho tem 11 anos e tem DMD,alegre e faz planos para o futuro, mas como se faz plano assim?choro quase todos os dias quando ele diz que fara algo quando tiver grande.me ajude por favor,estou desesperada,fui ate a china leva-lo para fazer aplicações de celulas tronco na china, que teve uma pouca melhora,gostaria de lhe pedir encarecidamente para coloca-lo nas pesquisas tanto com exon skipping quanto celulas tronco. estou sempre pesquisando e ele faz tratamento em B.H.com a Dr@ juliana giannete gurgel.Obrigada.aguardo resposta.

  4. Maria Muniz

    -

    24/07/2011 às 22:25

    Tenho o diagnóstico de “ELA”. O que fazer?

  5. rosalio

    -

    24/03/2011 às 21:56

    a muito anos foi operado da planca hoje sou diabetico a posibilade da recontuçao do planca atravez da celula tronco se tive se e posso se candidato a uma e´xperiencia

  6. jose nilton dos santos

    -

    18/02/2011 às 13:41

    moro em ouro preto do oeste, rondonia meu unico filho o klynio josé roberto dalapicola dos santos que tem agora 8 anos é poratdor de distrofia muscular. ele ainda esta andando mas ja apresenta dificuldades para subir obstaculos como escada. etc. ele tem chance de ser tratado com celulas tronco? quero que ele seja incluido nesse tratamento.

  7. marcelo lima bastos

    -

    21/12/2010 às 11:05

    eu gostaria muito de fazer parte desa pesquisa junto com vc de novo cuidando de todos cachorro da libra dolar tenpestade se vc tiver presisando de meu trabalho vou ta a disposisão de vc muito obrigado

  8. elisiane

    -

    19/12/2010 às 12:35

    moro no rio de janeiro,estou disposta a qualquer tipo de experiêcia.
    gostaria de saber onde faço os exames pra saber se meu filho pode vir ou não a ter a distrofia . Pois aqui no rio tudo é bem mais dificil,espero anciosa pois estou gravida e estou com muito medo.

  9. elisiane

    -

    19/12/2010 às 12:31

    gostaria de saber quais as ,chances de meu filho não
    nascer com dstrofia ,eu sendo portadora;Pis minha distofia é brm diferente de todas que conheço não perdi movimentos,não tenho escoliose,nem problemas respiratorios.

  10. Etiene

    -

    28/11/2010 às 17:26

    olá, a Dra heloísa caetano participa dessa pesquisa

  11. SIDNEY

    -

    16/11/2010 às 12:49

    DOUTORA, FIQUEI, SINCERAMENTE, EMOCIONADO COM ESTE ARTIGO, TALVEZ MAIS PELA IMAGEM DESTES JOVENS PESQUISADORES DO QUE PELAS BOAS NOTÍCIAS, NÃO DESMERECENDO A INTENSA ALEGRIA DE PERCEBER QUE RESULTADOS POSITIVOS ESTÃO SURGINDO DÍARIAMETE.
    DEIXO MEU PARABÉM, EM ESPECIAL, A TODOS ESSES JOVENS QUE DECIDIRAM, POR AMOR AO ACONHECIMENTO, ÀS LUZES, ENFIM, À HUMANIDADE DEDICAR TEMPO E FÔLEGO DE VIDA!

    SUCESSO, SAÚDE E PAZ!
    POR GENTILEZA, NAO DESISTAM, DEIXARÃO UM LEGADO PARA A HUMANIDADE DE HOJE E SEMPRE!

  12. mayana zatz

    -

    15/11/2010 às 11:49

    Muito obrigada queridos pelo constante incentivo. Vocês é que nos dão ânimo e energia para continuar na luta.
    Quanto ao evento estávamos um pouco apreensivos porque não sabíamos como iria ser a interação. Os nossos pacientes de quatro patas nunca tinham visto tantas pessoas juntas. Mas a integração entre os meninos e os cães foi fantástica. Difícil dizer quem curtiu mais. Já receberam vários convites para passar o dia na casa deles (rsrsrs)

  13. socorro

    -

    14/11/2010 às 16:30

    Olá Dra Mayana…
    Parabéns pela forma como escreve e trata os temas aqui abordados,sempre com linguagem simples e compreensível por seus leitores.
    Sou leitora assídua de sua coluna já algum tempo e vejo que não é apenas uma cientista comprometida com seu trabalho e suas pesquisas, mas um ser humano que se preocupa com a qualidade de vida das pessoas que são acometidas por doenças até então sem curas.Essa Associação reflete a preocupação com o bem estar e o conforto desses pacientes que esperam e confiam no trabalho árduo e brilhante dessa equipe de profissionais apaixonados pelo trabalho.
    Parabéns

  14. Rosana Martinez

    -

    13/11/2010 às 18:57

    Parabéns é pouco para toda a equipe do Genoma! Saibam que, independente de quanto tempo levará até a cura, seremos eternamente gratos a todos vocês! Frequento o Genoma há 18 anos e ainda lembro daquele início, quando pouco tínhamos a que nos apegar. Valeu a pena acreditar e ver, ao longo dos anos, a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes aumentado. Hoje, há uma luz no fim do túnel. Estamos com vocês, acreditando que, agora, falta pouco.

  15. Natassia Vieira

    -

    12/11/2010 às 20:51

    Foi uma experiencia inesquecivel! Todos aproveitaram, os pesquisadores, os pacientes, os cães… Foi realmente muito especial. O que não falta é motivação!!! Parabéns a todos!

  16. Rodrigo

    -

    12/11/2010 às 18:42

    Dra. Mayana,
    Que grande satisfação ler uma coluna como a sua!
    Tenho distrofia muscular e algumas vezes sinto-me cansado e desanimado, aquela tristeza que bate pela sensação de impotência diante da situação.
    Quando acontece isso, leio seus textos e sinto uma grande alegria, é como uma faísca que se acende, dando-me redobrado esforço para seguir adiante. Digo que é extremamente importante para nós, pacientes, termos esse contato frequente com o trabalho de vocês, cientistas. Isso nos fortalece e nos alenta.
    Obrigado pelo seu trabalho e de todos os colaboradores do centro de genoma. Vocês já são meus heróis, independente de qualquer resultado futuro.
    Rodrigo


 

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