12/04/2012
às 16:25 \ doençasDistrofias musculares
Hsp72 preserva a função muscular e diminui a progressão em distrofias musculares graves
É esse o título do trabalho que acaba de ser publicado na revista Nature por um grupo de pesquisadores da Austrália, Reino Unido e Canadá. Nessa pesquisa os cientistas mostram que o aumento de expressão da proteína Hsp72 preserva a força muscular e melhora a patologia distrófica em dois modelos de camundongos afetados por distrofia muscular. Interessante é que os cientistas sugerem que a produção dessa proteína poderia ser induzida por uma droga, BGP-15, atualmente em teste para o tratamento de diabetes.
Recordando
As distrofias musculares progressivas (DMP) incluem um grupo de dezenas de doenças genéticas caracterizadas por uma degeneração progressiva da musculatura. Existem formas que se iniciam na idade adulta com uma progressão lenta, mas nas formas infantis, como na distrofia de Duchenne (DMD), que só atinge meninos, os sintomas iniciam-se nos primeiros anos de vida e a evolução é rápida. Geralmente a mãe nota que a criança está caindo muito e as dificuldades vão aumentando de modo que ao redor dos 10 ou 12 anos os meninos perdem a capacidade para andar. Nas fases mais adiantadas há comprometimento cardíaco e respiratório. Embora a sobrevida tem aumentado muito, achar novos tratamentos tem sido uma busca incessante dos pesquisadores.
Influxo de cálcio
Existem muitas hipóteses para explicar a degeneração muscular que ocorre na DMD. Sabemos que a mutação leva a ausência de uma proteína fundamental para a manutenção da membrana celular (capa que recobre as células musculares) e que foi denominada distrofina. Uma das consequências é um aumento da permeabilidade da membrana e com isso há um aumento de entrada do cálcio para dentro da célula causando inflamação, ciclos de degeneração e regeneração (que aos poucos deixa de ser efetiva) e infiltração de material não contrátil nas células. Aos poucos as células musculares vão sendo substituídas por gordura e tecido conjuntivo e por isso a perda da força muscular.
Qual foi a hipótese testada
Para testar sua hipótese, os cientistas utilizaram dois modelos de camundongos distróficos: mdx e dko. Embora os dois modelos não tenham distrofina no músculo, somente os camundongos dko são muito afetados. Os mdx só apresentam fraqueza na musculatura do diafragma. Os pesquisadores verificaram que uma proteína responsável pela remoção de cálcio intracelular denominada SERCA (do inglês sarcoplasmic/endoplasmic reticulum Ca 2+ -ATPase) não é funcional no músculo dos dois modelos de camundongos com distrofia. Descobriram também que Hsp72 interage com SERCA na tentativa de preservar sua função em condições de stress. O que quiseram então testar era se o aumento da Hsp72 também aumentaria a atividade da SERCA beneficiando o músculo distrófico.
Como foram feitos os experimentos?
Primeiro os cientistas cruzaram camundongos mdx com camundongos transgênicos que têm uma expressão aumentada de Hsp72. Observaram então que o diafragma dos animais com aumento de Hsp72 era significantemente melhor do que dos controles normais, um resultado animador. A partir dessa observação os cientistas resolveram testar se a administração de uma droga, denominada BGP-15, que aumenta a atividade da Hsp72 também seria benéfica. Trataram camundongos mdx por algumas semanas e novamente observaram uma melhora no diafragma e na força dos animais tratados.
Qual foi o próximo passo?
Queriam também saber se essa droga teria efeito clínico no outro modelo grave de distrofia muscular, o camundongo dko. Neles também houve efeito benéfico da droga. Além do aumento de sobrevida houve uma diminuição considerável na curvatura lombar.
São resultados ainda preliminares
Os cientistas concluem que o aumento de expressão da Hsp72 , através do uso de BGP-15 poderia ter um efeito terapêutico benéfico nas distrofias, usado isoladamente ou em conjunto com outras terapias, inclusive terapia gênica e celular. Não seria uma cura mas a esperança é poder retardar a progressão da doença. Recebo emails de pessoas dizendo: chega de experimentos em ratinhos. Vamos iniciar tratamentos em humanos. Concordo que temos pressa. Chegaremos lá, mas com cautela.



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23 Comentários
paulo sergio alves dos santos
-22/11/2012 às 11:51
Bom dia meu nome e paulo sergio tenho 37 anos ja fiz 7 cirurgias sendo 4 so em um tornogelo (dir) sofro das seguintes doencas artrite artrose osteoartrite lesao na medula sacroleite bilateral cronica lombar (cid m-45 espondilite anquilosante )tunel do carpo em cotuvelo dir fiz cirurgia mais nao resolvel , e tambem condromalacia em ambos os joelhos , cervicalgia fraquesa muscular dificuldade de locomocao fiz tratamento para tuberculose latente , e tambem asma bronquica devido um acidente de trabalho com derivado do petroleo (polietileno )fiz o pedido pelo sus para o medicamento etanercept embrel , eu estou afastado do trabalho pelo inss desde 2009 gostaria de saber se esta fraqueza muscular e estas variedades de doencas em a ver com a distrofia muscular e qual especialistta devo procurar , a justica do trabalho manteve o plano de saude Unimed sou de londrina Parana .
celso jose de lima
-23/10/2012 às 13:14
Boa tarde;meu filho tem seis anos ele esta com Distrofia eu queria estar apar do andamento do tratamento
mirlandia macedo cremonez
-02/10/2012 às 20:11
cara dra estou desenvolvendo meu tcc sobre a dmp,pois acho que é uma patologia bem rara e as pessoas deveriam conhecer melhor essa dça porem os livros deixam á desejar pois não tem muito assunto na area de enfermagem sobre com lidar com esses paciente.
Shirley Rodrigues Bastos
-05/08/2012 às 16:23
Cara Dra, tenho 52 anos e distrofia muscular congênita.
Com a morte do meu pai, veio a discussão sobre cremação. Eu sou a favor, mas penso em doar meu corpo para estudos. Como e o que devo fazer? Minha mãe não é favorável, mas como a doença está em estudos, penso em contribuir, ser útil.
maria
-06/07/2012 às 1:11
ola, teno uma filha com DMD hoje ela esta com15 anos eu gostaria de saber se tem alguma novidade sobre celulas-troncos.
Angelina Antunes
-02/07/2012 às 13:37
Olá Drª Mayana:
Sou uma mãe Portuguesa,que vive em lISBOA.Tenho um filho com 27 anos de idade, que tem uma “DISFERLINOPATIA”.Neste momento já se desloca só com ajuda de uma canadiana,e só consegue andar +- 20 metros.Ele é filho único.Tão pouco eu, como o marido, conhecemos alguem na família com problemas neurológicos.Eu já tenho de o ajudar a fazer todas as tarefas, por mais simples que sejam,como tratar da higiéne ou vestir-se.Pelo amor de DEUS me ajude.Eternamente grata.Angelina
Mariela Ribeiro
-18/06/2012 às 18:45
Olá! Tenho uma filha com Distrofia Muscular Congênita Merosina Negativa, gostaría de saber se já tem algum tratamento para essa distrofía , ela tem 8 anos, sofremos muito por isso, por favor me dêem uma luz, eu tenho 33 anos ,se precisar eu engravido novamente para poder utilizar as células tronco . Obrigada, espero o retorno de voces.
Antonio Marcos Della Marta
-18/06/2012 às 14:27
Doutora,Mayana, tenho dois filhos com DMD,e estamos ansiosos, para que começem, logo esses testes com seres humanos e estamos á disposição para ajudar no que for preciso para avançarmos p/ uma cura. fique com deus.
jussara lopes
-12/06/2012 às 20:23
eu gostaria muito de ficar por dentro da pesquisa e adimiro o seu trabalho.e m 2010 descobri que meu filho agora com 9 anos e portador da distrofia muscular de duchenne ele faz tratamento no rio de janeiro na universidade fundao com a dr alexandra prufer . se deus quizer vai sair a cura e me anjinho vai ser curado e assim como outros vao ser curado . peço que se poder me enformar sobre a pesquisa pelo meu imeo eu acradeço muito .
MILTON CESAR DE JESUS SANTOS
-14/05/2012 às 19:03
TENHO 43 ANOS E SOU PORTADOR DE DMD. MAS MUITA VONTADE DE VIVER, SOU USUARIO DE MARCA PASSA HÁ UM ANO E PARECE QUE NÃO TENHO PROBLEMAS ALGUM NO CORAÇÃO MAS MESMO ASSIM EU GOSTARIA DE MELHORAR MINHAS CONDIÇÕES FISICAS POIS JÁ TENHO LIMITAÇÕES QUE MIM IMPEDEM DE ANDAR POR OUTROS LUGARES A NÃO SER DENTRO DA MINHA CASA OU DE TAXE SE EU QUIZER IR A OUTROS LUGARES. POR ISSO EU PESSO! POR FAVOR SEJA PORTADORA DE UMA BOA NOTICIA PRA NÓS. POIS A SENHORA NÃO MIM CONHECE MAS SEMPRE QUE HÁ VEJO EM ENTRVISTAS NA TELEVISÃO SINTO MUITA CONFIANÇA E PRINCIPALMENTE ESPERANÇA. HUM ABRAÇO!!!!
DONIZETH
-07/05/2012 às 10:15
meu filho tem DMD e desde os 03 anos de idade que estamos vivendo este sofrimento pois a cada dia a cada hora a gente olha para ele e ve o seu sofrer, faz fisioterapia ,hidroterapia, e acompanhamento nas clinícas,mesmo assim ele vai em frente,estuda ,brinca etc. temos muita fé em DEUS e nossa senhora aparecida pois sem eles e meu filho nada tem valor ,vivemos para o nosso herói . obrigado
Vitor Souza
-28/04/2012 às 21:41
Olá, Dr. Mayana!
Me chamo Vitor e sou graduando de Fisioterapia da Universidade do Estado do Pará e tenho grandes interesses em pesquisas com pacientes portadores de DM. Realizo atualmente um estudo de caso com uma paciente de DM de Cinturas- Sarcoglicanopatia 2D com uma nova mutação genética. Tenho lido um artigo de sua autoria e estou estasiado o com os progressos nas pesquisas genéticas. Será que você teria algum outro material para leitura para indicar-me que esteja disponível?
Mayana Zatz
-24/04/2012 às 15:04
As pesquisas estão caminhando e toda vez que há uma novidade em modelos de camundongos avaliamos quais são os riscos/benefícios de iniciar ensaios clínicos em humanos. É o caso da BGP-15.
Em relação aos comentários da revista FAPESP os pesquisadores estão falando de células-tronco embrionárias. Elas tem sido muito importantes para aprendermos como diferenciar células progenitoras de músculo mas ainda estamos muito longe de usá-las em terapias, pelo menos enquanto não conseguirmos controlar o risco de tumores. Por outro lado, as pesquisas com células-tronco progenitoras de músculo- as células-tro nco mesenquimais- estão avançando rapidamente e não creio que estamos tão longe de iniciar ensaios clínicos ( ainda experimentais)em pacientes.
Grande abraço a todos
elizabete s. silva
-21/04/2012 às 23:49
tenho uma filha com distrofia facio escapula humeral,espero que venha a cura o mais rapido possivel,sofremos muito por isso,ela só tem 19 anos.
Ana Claudia dos Santos
-20/04/2012 às 20:42
doutora como faço pra saber qual a mutaçao do DNA do meu filho com DMD E SABER QUAL FOI a tecnica se foi pelo PCR OU MLPA QUE TIPO DE EXAME DEVO PEDIR QUAL ESPECIALISTA DEVO PROCURAR?
Ana Claudia dos Santos
-20/04/2012 às 20:37
doutora eu tenho um filho com DMD ele tem 10 anos e ainda anda quero saber se as pesquisas sao feitas no hospital das clinicas de ribeirao preto e quando as pesquisas forem feitas em humanos o meu filho tem possibilidade de participar das pesquisas nao será tarde demais?
elenice fucci mori
-20/04/2012 às 17:48
Dra Mayana, como poderia entrar em contato com voCê sobre um caso de distrofia muscular de uma garota de 15 anos que mora no interior de São Paulo e esta interessada no tratamento?
Evilyn
-18/04/2012 às 9:28
Olá, a doutora poderia comentar essa reportagem que nos dá um banho de água fria a respeito da potencialidade das células tronco embrionárias? Desde já, agradeço.
O enigma da pluripotência – Fapesp.
revistapesquisa.fapesp.br/2012/04/10/o-enigma-da-pluripot%C3%AAncia/
Maria Helena Pereira
-16/04/2012 às 15:43
Estamos na expectativa, faço parte de algumas comunidades que estao crescendo dentro das redes sociais, a OAPD, Associação Paulista de Distrofia muscular e outras, estao promovendo encontros com medicos e profissionais da area da saude, portadores de distrofia e familiares para que possamos criar um grupo de ajuda mutua, levando ao conhecimento da populaçao informaçoes dos sintomas e aproximaçao dos familiares.
celia maria alves
-14/04/2012 às 13:31
Boas noticias tenho distrofia muscular cintura membro tipo 2i,nao vejo a hora de fazer esse teste ,o que falta ainda no estado de sao paulo pra começar os testes …
Osy Reiser
-14/04/2012 às 10:31
Gostaria de saber se já estão iniciando testes em humanos?
Tenho um filho com distrofia de Becker, ele está com vinte e nove anos,ainda tem vida normal, é paciente da Dr. Mayana, e creio ser uma ótima oportunidade para ele.
Rosana Martinez
-12/04/2012 às 20:46
Excelente notícia, Mayana! Pelo que entendi, a proteina Hsp72 já existe no organismo e a substância BGP-15 apenas potencializa a sua expressão. Ou seja, não se está introduzindo no organismo nada que ele já não tenha, certo?…Sendo assim, apesar de concordar que é necessário cautela, pergunto: o que poderia dar errado? Não seria hora de, pelo menos nos estágios mais avançados da DMD, ser um pouquinho ousado e iniciar um protocolo clínico?
iury de mello araujo
-12/04/2012 às 17:47
muito legal! grandes progressos os cientistas estão realmente se esforçando,é uma pena que ate esses testes evoluírem para humanos vai passar uns 10 ou 15 anos,e muitos de nos ja estarão mortos.