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11/08/2011

às 16:48 \ doenças

Alzheimer: o que revela um novo estudo com gêmeos

Recentemente falei sobre a importância de se tratar Alzheimer preventivamente, antes que os sintomas apareçam. Um novo estudo sobre a doença na população da Suécia, baseado na investigação de 14.000 pares de gêmeos que foram acompanhados por 25 anos, acaba de ser divulgado. Sua idealizadora, a psicóloga Margaret Gatz, deu uma entrevista publicada na revista Nature (5 de agosto).

Os resultados dos seus estudos apontam para uma contribuição genética mais importante do que a ambiental para o desenvolvimento da doença. A Dra. Gatz falou disso em uma conferencia em Washington, que reproduzo em aqui em parte. Mas antes disso vamos recordar a importância do estudo de gêmeos em pesquisas como essas.

O que os estudos de gêmeos nos ensinam?
A comparação entre gêmeos monozigóticos (ou idênticos) e dizigóticos (ou fraternos) nos dá pistas muito importantes para sabermos qual é a importância da genética e do ambiente na determinação de uma característica. Se a característica for determinada somente por nossos genes – por exemplo, grupo sanguíneo – os gêmeos idênticos deverão sempre ter o mesmo grupo sanguíneo, enquanto os gêmeos fraternos serão como irmãos não gêmeos, ou seja, podem ou não ter o mesmo tipo de sangue. Se uma característica for só ambiental – por exemplo, a língua que falamos – não haverá diferenças entre gêmeos idênticos e fraternos, desde que criados juntos. Todos devem falar a mesma língua. E se a característica for multifatorial, isto é, depender da interação entre nossos genes e o ambiente, haverá maior semelhança (concordância) entre gêmeos idênticos e fraternos. Quanto maior a diferença relativa entre os idênticos e os fraternos, maior o peso do componente genético na determinação da característica. E foi isso que a Dra. Gatz  pesquisou nesse grupo de 14.000 pares de gêmeos.

O que mostrou a pesquisa ?
Segundo a psicóloga, o resultado do estudo revelou que o risco de se desenvolver a Doença de Alzheimer (DA) depende aproximadamente 70% de nossos genes. Ou seja, em cada um de nós há uma combinação diferente de genes, mas de um modo geral eles tem uma importância maior que o ambiente para deteminar o nosso risco de desenvolver DA.

Qual é o recado da Dra. Gatz?
Segundo ela, as pessoas precisam tomar cuidado para não exagerar na crença em algumas medidas que podem, aparentemente, prevenir o aparecimento da doença– tais como, atividades que dependem de raciocínio, atividades sociais e exercício físico. Na realidade o exercício físico e a redução de fatores de risco cardiovasculares são as evidências mais fortes diz ela. No nosso estudo observamos que a diabete de adulto e a obesidade são fatores de risco para DA. Mas por outro lado, as medidas protetoras como o exercicio físico e atividades cognitivas teriam o efeito maior dependendo dos nossos genes.

Em resumo
Estamos todos em risco, sabemos disso, principalmente com o aumento da expectativa de vida. Fazer exercícios físicos e evitar a obesidade é uma receita que é útil para todo mundo. Não há contraindicação. Por outro lado, esse estudo reforça a estratégia sobre a qual falei na minha coluna de 28 de julho. Temos que descobrir meios de tratar a DA preventivamente, muito antes que os sintomas apareçam, principalmente levando em conta que os jovens de hoje tem uma probabilidade enorme de serem centenários.

Por Mayana Zatz

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5 Comentários

  1. Marcela Santos

    -

    04/09/2011 às 22:10

    Dra Mayana,

    Eu tenho uma pergunta sobre o Alzheimer. Sendo uma doença multifatorial e precisando, portanto, da influência ambiental, qual seriam os fatores do ambiente que mais o propiciam? É sabido? Ou não?

    Abraço. Gosto muito de sua página!

    Marcela Santos

  2. Mayana Zatz

    -

    15/08/2011 às 20:33

    Andrey
    De acordo com a Dra. Gatz prevenir o diabetes ajudaria também na prevenção da DA mas são tantas varáveis que é difícil fazer um estudo controlado para comprovar essa hipótese. Por outro lado, controlar a diabetes é importante independentemente da DA. ~
    As pesquisas com medicamentos específicos vão começar com as formas hereditárias de DA onde é possível prever se a pessoa vai ter DA muitos anos antes do aparecimento dos sintomas. Falei disso em uma coluna anterior.
    Grande abraço

  3. Kaos

    -

    15/08/2011 às 13:27

    Sugiro a todos que fizeram pelo menos um bom ensino médio, a leitura do excelente livro “GENOMA” do Matt Ridley. E tem gente que perde tempo falando em bíblias.,etc.

  4. luciane

    -

    15/08/2011 às 2:21

    Já está comprovado que quando a doença já tem diagnóstico os medicamentos específicos para DA só funcionam p/ retardar o avanço da doença em 28% a 38% pacientes em uso dos mesmos, o restante não responde aos medicamentos e a doença segue seu curso.
    Agora como saber tratar preventivamente esta doença se não temos informações e estudos que nos indiquem quando ela pode começar?
    Na verdade se sabe pouquíssimo sobre DA, são estudos e mais estudos que não nos ajudam a entender, nem como prevenir e nem como tratar.

  5. Andrey

    -

    11/08/2011 às 22:22

    Não dá pra entender por este artigo se os exercícios físicos, já que previnem o diabetes, ajudam ou não a também prevenir a DA. Os antidiabéticos também ajudariam? É possível, sim ou não, previní-la? E as pesquisas com os medicamentos específicos para a DA? A quantas andam?


 

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