12/02/2009
às 20:12 \ ArquivoDrogas para turbinar o cérebro
A revista Nature tem publicado uma série de correspondências sobre um assunto muito controverso: o uso de drogas para melhorar o desempenho cognitivo. Essas medicações poderiam ser usadas tanto por pessoas normais como para aquelas com problemas mentais. Quais são os pró-s e os contra? Trata-se de uma polêmica que interessa a todos nós. Para falar desse assunto entrevistei o doutor João Ricardo Oliveira que é neurogeneticista, professor e coordenador do ambulatório de saúde mental do hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco e que participou deste debate publicado na revista Nature de janeiro.
VEJA.com - Algumas empresas americanas já testam o uso de drogas visando o aumento do desempenho mental e procurando eliminar as deficiências e efeitos colaterais das medicações que já estão disponíveis como "potencializadores cognitivos" na doença de Alzheimer, déficit de atenção e hiperatividade. Qual é a sua opinião sobre o uso de drogas para melhorar o desempenho intelectual?
João Ricardo Oliveira – Como neurocientista, estou receoso. A nossa rotina atual de competição e demanda mental, já diminuiu drasticamente o tempo disponível para a família, o lazer e o sono. Ela pode representar um importante gatilho para doenças mentais tais como depressão, ansiedade e pânico, levando até ao uso de drogas ilícitas. A questão fundamental é: o mundo está melhor por podermos competir mais, dirigir carros mais rápidos, ter mais acesso à informação, assistir a centenas de canais na TV e navegar a internet cada vez mais? Qual será o impacto dessas drogas? Ter uma rotina ainda mais frenética da que já temos?
E ingestão de café ou outras substâncias ricas em cafeína? Também não são estimulantes cerebrais?
Realmente, quase todos nós tentamos estimular nosso cérebro diariamente ao tomar café e outras substâncias ricas em cafeína, tais como refrigerantes, chocolate, chás ou outros fitoterápicos. Isto é natural e aceito por todos, mas não deixa de se caracterizar como o uso de agentes externos para aumentar nossa atenção, capacidade de memorização e rapidez de resposta. O que o debate atual sobre "doping intelectual" traz de novo é a necessidade de se avaliar do ponto de vista médico, ético e social, o impacto da possível liberação de medicamentos que foram e continuam sendo usados para tratar problemas como doenças de Alzheimer, distúrbios do sono e déficit de atenção, agora por indivíduos que querem tirar melhores notas, passar em concursos, ou simplesmente trabalhar mais ou adquirir mais informação em menos tempo.
Esses medicamentos já não são usados por estudantes em vésperas de provas?
De fato, há anos estes medicamentos estão sendo usados clandestinamente por estudantes, mas também por executivos, médicos plantonistas e outros profissionais que são submetidos a forte demanda intelectual. Estudos controlados já publicados mostram que realmente, algumas destas medicações melhoram o desempenho em testes de memória e velocidade de resposta. Este tema é controverso pois toca em um ponto delicadíssimo que é o principio da igualdade na competição escolar e em outros setores. Por outro lado, se pensarmos que aulas particulares e acesso a escolas diferenciais, com excelentes técnicas pedagógicas e recursos audio-visuais, veremos que nossa realidade já caracteriza uma competição desigual na obtenção do sucesso profissional/escolar.
O que tem mostrado o acompanhamento de crianças que tomaram essas medicações?
Os estudos conhecidos em crianças se limitam ao uso destas medicações em situações com indicação médica, tais como o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), com uma boa resposta em casos bem indicados. O que não sabemos são os resultados em adultos normais que estão fazendo o uso indevido destes medicamentos.
Além do desempenho intelectual, algumas características tem sido observadas em pessoas de sucesso. O senhor poderia falar a respeito?
O estudo de crianças superdotadas mostra que outras habilidades, além da memorização ou mesmo QI são tão ou mais necessárias para o sucesso. A capacidade de trabalhar em grupo, liderar, ter autoconfiança, foco, iniciativa e resistência à frustração, são tão importantes – ou até mais – quanto um momento isolado de grande desempenho na vida escolar, universitária e profissional das pessoas. Duas características muito importantes são também a disposição para se superar, estabelecendo metas desafiadoras, e a firmeza nos objetivos de vida. Aprendendo com as tentativas anteriores para sempre melhorar e se superar, sem esquecer que a vida é bem mais do que só sucesso ou aprovação social.





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23 Comentários
André Brasil
-15/11/2011 às 12:18
Tô postando esse depoimento em alguns site na tentativa de esclarecer e ajudar. Me sinto ridículo e envergonhado! Eu usei Ritalina por 1 ano só para estudar para concursos públicos. Embora eu não apresentasse os sintomas de déficit de atenção, eu conseguia com uma amiga médica a prescrição do remédio. FOI A PIOR COISA QUE FIZ EM MINHA VIDA! Os efeitos foram devastadores… Eu, que sempre fui muito responsável, pesquisei demais antes de usar a droga. Eu lia e relia em estudos americanos e europeus sobre os efeitos negativos da Ritalina em quem não precisava da droga mas preferi ir na onda dos amigos que estudavam para concursos que diziam “estarem ávidos para usar a droga o mais rápido possível”. Após o uso, passei a ter insônia crônica por 4 meses, cansaço, me sentia um zumbi! Tive uma ressaca enorme por conta de 1 copinho de cerveja, me deu vontade de morrer! O estudo não melhorou em nada. Não fiquei mais inteligente. Eu notei apenas que ficava mais calado, mais sério, não fazia brincadeiras habituais, não me levantava da cadeira por besteira e só. Para controlar a insônia, o médico me receitou Rohypnol. Ainda bati o carro pois perdi a noção de espaço e velocidade! Eu era normal e fiquei anormal. Usei a dorga insistentemente por 1 ano. Depois dessa tragédia, assimilei que RITALINA NÃO FAZ EFEITO POSITIVO NENHUM EM QUEM NÃO TEM TDAH, exatamente o que diziam os estudos mais sérios. O psicólogo que me trata hoje (nunca tinha ido, mas é pra tentar arrumar parte do estrago) me disse que o meu caso é mais comum do que eu imaginava. Os relatos são os mesmo, sempre, segundo ele. Ah, e quem não tem TDAH e usa a droga dizendo que faz efeito, ou é só um placebo ou então está mentindo. Ritalina só vai te dar uma insônia desgraçada e vai te manter sentado na cadeira. Quem não tem problemas de concentração, NÃO PRECISA DE DROGA PARA SE CONCENTRAR MAIS, NÃO DÁ PRA FICAR SUPERPODEROSO! É LENDA CONTADA POR GENTE MUITO IRRESPONSÁVEL. RITALINA É UM REMÉDIO MUITO SÉRIO. Espero ter ajudado.
mauricio
-24/05/2011 às 14:17
Quero tomar tambem, mas estou pesquisando muito e tenho interesse em saber qual a quantida o horario para tomar, se tem que ser só um comprimido por dia e tudo sobre ritalina. Meu interesse em tomar é só para estudar para um concurso e durante uns 3 meses o que me aconselha?
Tenho dda e já bombei meu cerebro
-10/11/2009 às 13:21
Saudade, desculpem eu quis dizer capacidade fisica e mental.
Tenho dda e já bombei meu cerebro
-10/11/2009 às 13:18
Tenho TDAH e descobri com 15 anos de idade, hoje tenho 18. Quando iniciei o tratamento com Ritalina de 5 mg(meio comprimido) senti que algo havia mudado, porem as notas continuaram baixas como sempre, foi então que a medica passou para 10 mg (1 comprimido ) e de fato o meu desempenho escolar melhorou muito.Porem em matematica continuou baixo.Foi então que a própria medica pediu que durante as aulas de matematica eu tomasse 15 mg( 1 comprimido e meio).Sucesso total.No ensino medio, eu resolvi tomar 15 mg para estudar todas as materias resultado: me tornei a peimeira aluna da turma e era muito bom mostrar o boletim pro meu pai e saber que não ficaria de castigo.Passei até a ser invejada por primos e irmãos que não conseguiam apresentar um desempenho tão bom.Hoje, me deparei com materias publicadas em revistas nacionais e internacionais sobre essas pilulas e minha conclusão foi:Sim, Ritalina deixa a pessoa mais concentrada sim e uma pessoa concentrada aprende mais em menos tempo.Fiquei pasma ao ver que tinha acertado quase todo o simulado do enem de matematica, algo que a 4 anos anos atraz parecia impossivel para uma aluna reprovada na setima serie.Porem não devemos esquecer que Ritalina é um remedio com efeitos colaterais(perda de fome e sono), pode até provocar transtornos mentais serios e possui efeitos parecidos com o de drogas como cocaina, provoca por exemplo uma irritabilidade irracional pondo em risco a conduta do sujeito.Provoca tambem arretimias cardiacas, suor, tremores, dores de cabeça até insociabilidade.O remedio concentra tanto que a pessoa não consegue se quer conversar com outras sobre efeito do mesmo, apenas estudar.Pode provocar overdose (o corpo deixa de executar funçoes vitais por falta da droga)consequentemente morte.Hoje, eu passei a confiar mais em mim e menos na medicação sei que eu sou capaz e a medicação apenas me ajuda em momentos criticos.A dica que eu daria para as pessoas que pretendem utilizar Ritalina é pesar se mais vale sua saude fisica e mental ou o seu desempenho academico e intelectual? Espero ter ajudado a exclarecer os diversos universos de Ritalina, assim como seus pros e contras.
José Roberto
-03/11/2009 às 11:36
Tenho 49 anos, e pretendo iniciar outra faculdade (direito), e depois prestar concurso público. Sinto que tenho défict de atenção e alguma dificuldade de memorização.Tenho muita facilidade para desenvolver raciocínio voltado a racionalização de processos. Passei por situação difícil de separação a 9 meses, além de grande perda financeira (tive depressão profunda, e o que me ajudou muito foi a busca espiritual em uma igreja evangélica). Quero mudar um pouco o rumo da minha vida, porém vou precisar estudar muito por algum tempo até atingir os novos objetivos. Tenho lido muito sobre a matéria em questão, e creio que o uso de alguma destas substâncias poderá realmente me ajudar a chegar no objetivo. Qual seria seu conselho sobre o meu caso ?
alfredo pinheiro
-31/05/2009 às 15:35
em 2007 fui acometido de uma depressão que me causou serio problena na formatação do raciocinio e no processo de cognição. Tratei com venlaxin durante 1 ano . Agora tenho tido problemas na fixação da memoria e comecei atomar a ritalina, já estou sentindo a melhora mais gostaria de saber qual a quantidade em mg certa e horario de tomar correto. E qual dos dois é melhor a ritalina ou aricept. Muito Obrigado!
Carlos Alberto
-24/05/2009 às 20:05
Tenho 44 anos, e hoje estou tentando iniciar um novo projeto de vida. Isto inclui muito estudo e disciplina, sendo que gostaria de saber se posso utilizar algum tipo de medicamento que possa me ajudar para turbinar o meu cerebro.
CÃntia
-21/05/2009 às 19:50
___Eu estou muito curiosa em saber mais sobre o assunto acima. E gostaria de saber mais sobre o déficit de atenção.
Gabriella
-06/04/2009 às 22:39
Gostaria de saber mais sobre o déficit de atenção. Pois não consigo me concentrar em quase nada, penso em mil coisas diferentes ao mesmo tempo e meu rendimento na faculdade ta caindo consideravelmente. É possivel uma pessoa considerada “normal” adquirir com o tempo essa deficiência? Obrigada!
Rosa Lucia
-18/03/2009 às 0:00
Parabéns!!! Este trabalho deve ser permanentemente divulgado. Dra. Mayana e Dr. Jorge e suas equipes estão fazendo um trabalho impar, singular. Com certeza serão centenas de pessoas sendo beneficiada. Continuam a divulgar este trabalho pois é de interesse mundial.
Jullianne
-18/03/2009 às 0:00
Boa Tarde!!!Muito boa a matéria.Gostaria de saber mais a respeito!!!obrigada
Daniel Sa
-17/03/2009 às 0:00
Este blog é muito importante e interessante, deve ser mantido indefinidamente!
Ana claudia fernandes
-16/03/2009 às 0:00
Acho que para pessoas normais, só o fato dela não ter necessidade deste tipo de medicamento já é um sucesso. Aqueles que têm a necessidade de usá-las o fazem porque estão em déficit em alguma coisa que não as deixa viver satisfatóriamente. Tive uma depressão muito forte num dado momento importante da vida e com a ajuda de remédios consegui dominar um outro idioma e viver satisfatóriamente no ambiente de trabalho. Porém os problemas voltam um dia e agora estou às voltas com eles novamente. E aí? Estou usando outros medicamentos para conseguir levar a vida, pois sou sózinha, trabalho na Universidade da Dra. Zatz onde a sobrevivencia é muito dificil. Tudo isto para dizer que se uma pessoa mexer no seu curso normal de vida,sem haver a real necessidade, talvez ele possa desestabilizar outras partes que ele não teria problema se não usasse medicamentos sem esta necessidade real. E i9sto pode lhe trazer muitos problemas, a meu ver ” à toa” !! E quem quer mais problemas que os inevitáveis?? Acho que ninguém!!.È isto que penso.
sergio luiz souto pantoja
-03/03/2009 às 0:00
Em acompanhamento medico foi pedido exame a meu exame para aferir seu QI. O resultado foi excelente, isto é, quase ultrapassou a faixa da normalidade. Falta-lhe, a meu filho, maior concentraçao e para melhorar esta questão foi prescrito o medimento CONCERTA essa medicação teria o efeito de turbinar o cerebro.
Celina
-21/02/2009 às 0:00
Estão na verdade atrás do SOMA descrito no livro Admirável mundo novo
Antonio Maia
-18/02/2009 às 0:00
Karine, o problema é que nem todos pensam como você. A situação é típica de ‘dilema do prisioneiro’: a melhor resposta à estratégia de quem resolve usar o remédio é usar também. De outra forma, ele fica com o emprego e você com a boa alimentação. O filho dele se reproduz e o seu não. Por isso, que acho necessária uma intervenção ‘além da vontade das partes’ para frear a corrida individualista.
Karine de Oliveira Souza
-18/02/2009 às 0:00
Senhor Antonio Maia, opinei olhando pelo foco da consequência vindoura para os usuários assíduos das substâncias. Assim como o senhor, sou contra o consumo das drogas e entendo sua posição de ‘render-se’ aos benefícios dos ‘remedinhos’, afinal, não vivemos por toda a extenção da vida em ano de vestibular ou de concurso público. Não é totalmente condenável o ‘esforço sobre-humano’ proporcionado pelas drogas já mencionadas. É também de total apoio a intervenção (de quem?) para freiar a corrida individualista. Mas assim como não gostaria de ver um filho em posição social inferior por uma simples decisão de ‘usar ou não usar’, também é certo que não gostaria de culpar-se por uma atitude cujas consequências ainda são desconhecidas e talvez possam ser deletérias.
jorji
-18/02/2009 às 0:00
A maior virtude do ser humano é a inteligência, é o que nos diferencia de outras espécies, é óbvio que a vida é mais que sucesso ou aprovação social, mas para ter exito na difícil empreitada da vida, os recursos mais necessários são a inteligência, personalidade forte, ser sexualmente forte e se possível ser belo, é a lei da seleção, em relação a essa droga, é apenas “droga”, o seu uso, a partir do momento que se descobriu, o seu uso será impossível de contê-lo.
Karine de Oliveira Souza
-17/02/2009 às 0:00
Turbinar o cérebro? Essa corrida individualista em todos os âmbitos – desde uma simples busca à perfeição estética à superação intelectual – deve ser repensada. O mérito de cada um deve ser valorizado e bem-visto desde que, respeitando o extremo de seus limites, esforce-se ao máximo visando a auto-superação e seu bem-estar. Alcançar uma boa posição profissional deve ser 2º plano quando não se sabe os riscos a saúde que os meios utilizados para chegar a tal objetivo podem causar. A realização profissional ou estudantil pode ser efêmera se não houver saúde. Uma alimentação balanceada, atividades físicas regulares e dedicação podem ser uma boa alternativa para se alcançar o equilíbrio e bom funcionamento do corpo e da mente.
victor
-17/02/2009 às 0:00
O Dr. João Ricardo Oliveira deixou a entender de certa forma que na primeira resposta, que ele não é a favor desse medicamentos da cura para esses maus, que a vida o ser humano esta bem o jeito que ta com essa enfermidades….. Mas em comparação ao título da do assunto abordado todas essas resposta dele não esclarece muito, deixa um pouco a desejar.
Marcio Candiani Psiquiatra Infanto Juvenil e de Adultos BH-MG
-15/02/2009 às 0:00
Interessante a questão: já estão chegando clientes ao consultório buscando metilfenidato (ritalina) para estudar para concursos… Pessoas cultas, esclarecidas, querendo aprender mais e se concentrar mais a qualquer preço. Fica muito complicada a questão ética do médico numa situação destas. Cabe-nos colocar ao cliente o custo/benefício de uma “brincadeira” destas, que pode desencadear desde um transtorno de ansiedade até um surto psicótico grave. Márcio Candiani psiquiatra infanto juvenil e de adultos. http://marciocandiani.site.med.br
Antonio Maia
-13/02/2009 às 0:00
2 de 2. A competição que corre o risco de ficar fora de controle, porque parte de decisões individuais. Se meu vizinho dá um remédio para o filho dele ficar mais inteligente, eu tenho que fazer o mesmo, para não condenar meu filho a trabalhos de segunda categoria. Quando todo mundo toma o mesmo remédio, a vantagem competitiva desaparece e novas rodadas são necessárias. O Eugenismo fracassou como política de Estado, mas se ele decorrer de decisões individuais num ambiente de competição…
Antonio Maia
-13/02/2009 às 0:00
1 de 2 No seu excelcente “Nosso Futuro Pós Humano”, livro que recomendo fortemente a todos aqueles preocupados com o avanço da genética e seus efeitos pólíticos sociais, Francis Fukuyama mostra os perigos que a ingestão de remédios para que a gente tenha desempenho ou se sinta ‘melhor que bem’ (viagra, prozac e ritalina principalmente).