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Arquivo de janeiro de 2012

26/01/2012

às 15:56 \ pesquisas

O genoma de supercentenários: o que eles têm de especial?

(Foto: Thinkstock)

Sabemos que o envelhecimento saudável é regulado por fatores genéticos e ambientais. Estes últimos – alimentação saudável, prática de exercícios, sono regular – já são bem conhecidos. O que nos falta é descobrir quais são os fatores genéticos que explicam porque algumas pessoas conseguem chegar aos 100 anos com saúde enquanto outros já mostram sinais evidentes de envelhecimento aos 60.

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Por Mayana Zatz

19/01/2012

às 14:15 \ pesquisas

Células-tronco jovens e camundongos geneticamente idosos

(Foto: iStockphoto)

As células-tronco adultas presentes em vários tecidos e órgãos do nosso corpo (tais como a medula óssea, o tecido adiposo, o fígado, o pulmão e o tecido muscular entre outros ) têm um papel importante na regeneração dos tecidos. Com o envelhecimento, porém, ocorre uma diminuição nessa capacidade de regenerar e, consequentemente, maior morbidade (doenças) e mortalidade. Uma possível hipótese para isso seria a perda da função regenerativa das células-tronco adultas com o envelhecimento. De fato, já foi demonstrado que, em camundongos mais velhos (mais de dois anos), há diminuição do número e da capacidade proliferativa de alguns tipos de células-tronco, como as neurais, entre outras.

Não se sabe, entretanto, se células-tronco “idosas”contribuem para o processo de envelhecimento, ou se sua presença são uma característica de um tecido envelhecido. Uma nova pesquisa publicada por pesquisadores americanos (Nature Communication, 3 de janeiro) com células-tronco (CT)  de músculo de animais jovens e camundongos idosos comprova que, no tecido muscular, as CT têm um papel importante na perda do potencial regenerativo que ocorre com a idade.

Como foi feita a pesquisa?

Os cientistas, liderados por Johnny Huard, valeram-se de um tipo especial de células-tronco derivadas do músculo (CTDM) ou (MDSPC- muscle derived stem/progenitor cells em inglês)  que atuam supostamente na regeneração desse tecido. Como o músculo esquelético é claramente comprometido durante o envelhecimento, esse é um bom parâmetro a ser pesquisado.

Para testar a hipótese segundo a qual as CTDM perdem a sua função, os pesquisadores fizeram vários experimentos envolvendo camundongos jovens (3 semanas de vida), camundongos idosos (2 anos) e camundongos transgênicos “geneticamente  velhos”, isto é, afetados por progeria, uma síndrome que causa envelhecimento acelerado. Esses animais, além de apresentarem várias características de camundongos velhos, têm uma sobrevida muito encurtada (um mês).

A capacidade de proliferação das CTDM diminui com o envelhecimento

Quando cultivadas em laboratório, os cientistas observaram que as CTDM obtidas de animais velhos ou com progeria tinham uma capacidade de proliferação diminuída em comparação com as CTDM jovens. Os pesquisadores então cultivaram as CTDM “velhas” juntamente com as obtidas de camundongos jovens e tiveram um primeiro resultado positivo: elas recuperaram a capacidade de proliferação e começaram a se comportar como jovens. Segundo os autores, a hipótese para explicar isso seria a liberação de fatores pelas CTDM jovens no meio de cultura que estimulariam a regeneração das CT mais velhas.

Transplante de CTDM jovem recupera animais idosos

Para avaliar qual seria o papel dessas células jovens “in vivo”, os pesquisadores as injetaram no peritônio (cavidade abdominal ) dos camundongos com progeria. Observaram que os animais aumentaram de peso, tiveram menos atrofia muscular e houve uma neo vascularização (aumento de vasos sanguíneos) nos músculos e cérebro dos animais injetados. Quando injetaram CTDM “jovens” diretamente no músculo de animais com progeria também houve um efeito benéfico: maior regeneração e aumento de vasos sanguíneos.  Os cientistas também chamam a atenção para um fato muito importante. Apesar dos benefícios inegáveis, não foram encontradas CTDM “jovens” nos músculos dos animais transplantados . Isso sugere que não foi a reconstituição dos tecidos diretamente responsável pela melhora clínica e maior sobrevida dos animais injetados, mas sim importantes  fatores secretados pelas CTDM jovens que estimulariam a regeneração  e que seriam  gradativamente perdidos durante o envelhecimento. Descobrir agora quais são esses fatores vai ser fundamental.

Uma injeção de ânimo

Embora animados com os resultados dessa pesquisa, o Dr. Huard e equipe sugerem que ela deve ser repetida com outros tipos de células-tronco. Como a nossa equipe no Centro do Genoma Humano vem trabalhando exatamente nesse sentido, os dados que acabam de ser publicados por esse grupo me deixam muito entusiasmada.  Isso porque já pesquisamos outras fontes de células-tronco (células tronco humanas derivadas de tecido adiposo e cordão umbilical) que foram injetadas em outros modelos animais (camundongos afetados por distrofia muscular progressiva) e nossos resultados são muito comparáveis.

Também observamos uma melhora clínica em camundongos com duas formas de distrofia muscular progressiva (uma doença genética onde há degeneração progressiva da musculatura e às vezes morte precoce) injetados com células-tronco humanas de tecido adiposo e cordão umbilical, embora não tenhamos encontrado essas últimas nos músculos dos animais transplantados.]

É mais uma evidência de que realmente seriam fatores liberados pelas células-tronco injetadas e não as próprias células que atuariam na melhora clínica dos animais com distrofia.  É uma grande injeção de ânimo.

Por Mayana Zatz

12/01/2012

às 15:00 \ pesquisas

Medicina eletrônica: a medicina do futuro?

(Foto: iStockphoto)

Na semana passada escrevi sobre os remédios personalizados e como a farmacogenômica irá revolucionar a medicina. A minha dúvida agora é qual será o papel dos médicos na medicina do futuro. Aquele profissional que o examinava, conversava, conhecia você desde criança e sabia se tinha realmente algum problema ou só necessidade de ser tranquilizado quando estava preocupado com a sua saúde  está em extinção. Infelizmente. Você marca uma consulta, entra no consultório, muitas vezes após uma longa espera, descreve os sintomas e o médico imediatamente elabora uma lista de exames aos quais você tem que se submeter antes de se pensar em diagnóstico ou qualquer sugestão de tratamento – se é que você realmente precisa de um. Sempre me questionei porque temos que ir a um médico para que ele nos diga o que há de errado no nosso corpo. Com o desenvolvimento da tecnologia na área de genômica, farmacogenômica, imagem e robótica, pergunto-me quanto será necessário irmos ao médico no futuro.   Será a medicina P4? Participativa, personalisada, preditiva e preventiva?

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Por Mayana Zatz

05/01/2012

às 15:00 \ pesquisas

Remédios personalizados: o futuro já começou?

(Foto: Creatas/Thinkstock)

A famosa Clinica Mayo, em Rochester nos Estados Unidos, acaba de anunciar que está iniciando um projeto muito ambicioso.  Vai armazenar os dados do genoma dos pacientes junto com suas fichas médicas. Essas informações genômicas serão futuramente utilizadas pelos médicos antes de receitar remédios. Estima-se que temos cerca de 23.000 genes que determinam nossas características hereditárias. Mutações ou alterações nesses genes são responsáveis por doenças genéticas. Mas, além disso, variações nos nossos genes que podem passar desapercebidas a vida inteira podem ter um papel fundamental na nossa resposta a drogas. É a farmacogenômica, que irá revolucionar a prática atual de prescrições de drogas.

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Por Mayana Zatz


 

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