O jornal Extra matou o jornalismo a facadas

O jornal Extra matou o jornalismo a facadas com a capa que transformou o suspeito de assassinar o médico Jaime Gold em vítima de duas tragédias anteriores, como se as supostas faltas de família e escola fossem as verdadeiras responsáveis pelo crime e equivalessem a um assassinato. Detalhes: – O bandido morava num apartamento do Minha Casa […]

O jornal Extra matou o jornalismo a facadas com a capa que transformou o suspeito de assassinar o médico Jaime Gold em vítima de duas tragédias anteriores, como se as supostas faltas de família e escola fossem as verdadeiras responsáveis pelo crime e equivalessem a um assassinato.

EXTRA canalha

Para o Extra, a escola era a “outra barreira de proteção do menor” suspeito de assassinato, que, no entanto, “também desistiu dele”. O jornal, na prática, legitima moralmente o crime

Detalhes:

– O bandido morava num apartamento do Minha Casa Minha Vida, supostamente responsável por melhorias sociais.
– A família que o Extra diz tê-lo abandonado era a dona do apartamento e recebia Bolsa-Família.
– Ele frequentava um Ciep, onde tinha atividades e estudava de graça.
– Lutava judô gratuitamente também.

Tudo com o dinheiro dos nossos impostos.

Mesmo assim, apresento ao jornal Extra os casos de:

Suzane Von Richthofen, que estudou no Colégio Humboldt, cursou Direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e tinha pais comprovadamente esmerados em sua educação, até decidir matá-los a golpes de barra de ferro, em parceria com o namorado rejeitado por eles e o irmão do dito-cujo.

– Guilherme de Pádua, então ator da maior emissora de TV do país quando decidiu apunhalar até a morte a atriz Daniella Perez, seu par romântico na novela. Os pais do ex-ator que ganhou bolsa na PUC Minas após cumprir pouco menos de 7 anos de prisão “sofreram demais” com o crime, segundo ele próprio.

Em ambos os casos, como em milhares de outros, tratavam-se de assassinos…

– COM FAMÍLIA,

– COM ESCOLA,

…que, assim como o suspeito de matar Jaime Gold, fizeram uma escolha (i)moral pela qual têm de ser responsabilizados.

Apresento ainda:

– o caso da menina de 12 anos estuprada neste mesmo mês NA ESCOLA Estadual Leonor Quadros, no Jardim Miriam, Zona Sul de São Paulo, por TRÊS ALUNOS DA MESMA ESCOLA.

O Extra também vai lamentar que ela “desista” deles?

Sem falar nos inúmeros casos de pobres que venceram na vida, apesar de todas as dificuldades, como o campeão da matemática Ricardo Oliveira, filho de lavradores do interior do Ceará e portador de uma doença rara; ou Thompson Vitor Marinho, filho de pasteleiro e catadora, que passou em 1º lugar em escola federal estudando com livros que a mãe trazia do lixão.

Lá mesmo, onde deveria estar – mas felizmente não estava – essa edição do Extra.

* Relembre aqui no blog:
A cultura do crime

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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  1. Comentado por:

    Heitor

    Sem família, sem escola e principalmente sem o Estado que devia ter feito uma melhor avaliação do seu estado mental. O Estado se omitiu, e a mãe estava mais preocupada com os filhos dos outros.

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  2. Comentado por:

    Leonardo Heisler

    Felipe Moura Brasil difunde o senso comum.

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  3. Comentado por:

    Emili

    Usar essas situações q ocorrem na vida como desculpa pra virar bandido é pura falta de coragem de assumir a própria incompetência….
    Conheço pessoas com histórias mto piores doq esse gatoro tem e todas são pessoas de bem…
    Meu marido é um exemplo….Foi gerado num lar mto conturbado, qdo sua mão estava gravida dele, tentou cometer suicídio, fazendo com q ele nascesse prematuro de 7 meses…o pai nunca acreditou q ele fosse seu filho…
    Com 3 anos, essa mãe dele o abandonou, deixando ele com pessoas desconhecidas, parentes distantes do pai dele (q nunca o procurou, ele nem conhece).
    Teve uma mãe de criação mto boa, mas era mto maltratado pelo pai de criação(sempre foi ameaçado desde criança por ele)
    Qso ele estava com 13 anos, sua mãe de criação descobriu q estava com câncer…ele cuidou da mãe dele por 7 anos…ela, no final, quase não andava e era mto fraca….
    Repetiu de ano 2 vezes pois ele tinha q acompanhar a mão no hospital…
    E tem muitas histórias além dessa….sempre passou mta dificuldade..
    Hj em dia, é um homem de bem, pobre, assim como eu, pois nunca pôde fazer cursos por ser a única pessoa q cuidava da mãe…
    Trabalhador digno, sempre lutando…com filho sem planejamento ainda…
    E aí senhor defensor de bandido? Se meu marido não é bandido, pq seu “coitadinho” é?
    Pura covardia!

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