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Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

Substituição de ‘ministro conservador’ escancara cinismo esquerdista no aparelhamento do Poder Judiciário

Repórter pergunta se Obama vai faltar funeral de Antonin Scalia para jogar golfe

Por: Felipe Moura Brasil

(* Na falta de um Bumlai, tive de passar o dia na rua resolvendo pendências, mas estou de volta. Vamos lá.)

O secretário de imprensa da Casa Branca, Josh Earnest, foi incapaz de negar que uma partida de golfe pode ser a razão pela qual o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não comparecerá no sábado (20) ao funeral de Antonin Scalia, “ministro conservador” da Suprema Corte americana encontrado morto no último dia 13, na cama de um resort no Texas, aos 79 anos.

“Você pode descartar que ele vai jogar golfe no sábado em vez do funeral?”, perguntou um repórter durante uma entrevista coletiva na quarta-feira (17), como quem ironiza a fama de Obama de ignorar momentos importantes para o país em benefício de seu lazer esportivo.

“Eu não tenho uma noção de quais são os planos do presidente para sábado”, desconversou Earnest.

O secretário tentou minimizar a ausência de Obama, lembrando que o presidente disse “palavras muito ponderadas” no dia da morte de Scalia (quando também foi criticado por nem se dar ao trabalho de colocar uma gravata para o pronunciamento) e que, junto com a primeira-dama, Michelle, prestará seus últimos respeitos ao ministro na sexta-feira, enquanto o corpo estiver em evento público no grande salão da Suprema Corte.

No sábado, segundo Earnest, “o vice-presidente (Joe) Biden e o doutor Jill Baden irão comparecer”.

gravata

Obama sem gravata em discurso sobre Scalia

Reações
“Recusar-se a presenciar o funeral é mais do que um insulto à memória de um longevo servidor público. É um descumprimento de um dever presidencial básico. Obama se esquivou de sua responsabilidade com todos nós”, criticou Charles Lipson, professor de ciência política na Universidade de Chicago.

O ex-presidente George W. Bush compareceu ao funeral do ministro William Rehnquist durante seu mandato.

Bill Clinton fez o mesmo nos de Warren E. Burger e William Brennan, mas faltou os de Harry Blackmun e Lewis F. Powell Jr. O ex-vice-presidente Al Gore compareceu ao de Thurgood Marshall.

Claro que, diante das críticas crescentes, Obama poderá decidir comparecer ao de Scalia, alegando que, imagine, nunca passou pela sua cabeça a hipótese de não fazê-lo, pois, imagine de novo, temos de ser apartidários quando o assunto é a Suprema Corte e a vida dos nossos servidores e blá-blá-blá.

Transformar em prova de desprendimento político o seu dever presidencial seria a natural estratégia de marketing para ajudá-lo a convencer o Senado, comandado pelos republicanos, a aprovar qualquer radical de esquerda disfarçado ou não de moderado que ele pretende nomear para a vaga do “ministro conservador” – que, em geral, é como a esquerda chama os ministros que respeitam a Constituição, ou seja: os avessos de Luís Roberto “Minha Posição” Barroso, como analisei aqui.

Caso não compareça de fato, e ainda aproveite para acusar a oposição de exploração política da morte de Scalia, Obama poderá irritar ainda mais os republicanos, que atualmente discutem a possibilidade de obstrução da matéria no Senado até a eleição do próximo presidente.

Como o próprio Obama obstruiu a indicação de Samuel Alito feita por Bush para a Suprema Corte em 2006, a Casa Branca agora alega, imagine, que ele “se arrepende” de ter feito aquilo… O senador democrata Chuck Schumer é outro que pregou abertamente a obstrução em 2007 e hoje ataca os adversários por considerá-la, sendo que, naquela ocasião, o tempo remanescente de mandato de Bush ainda era 7 meses maior que o de Obama atualmente.

Assim como no Brasil, o cinismo, a hipocrisia e a propaganda enganosa são ferramentas básicas da esquerda americana para aparelhar o Poder Judiciário.

Assim como o PT, Obama talvez confie tanto na transigência (no “tucanismo”) de adversários como os senadores republicanos Chuck Grassley e Thom Tillis (preocupado com a “armadilha de ser obstrucionista”) que prefere mesmo ir jogar uma partidinha de golfe.

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“Essa decapitação deve chamar a atenção de Obama”, pensa o terrorista do Estado Islâmico com a faca no “pescoço” de um taco de golfe

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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