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Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

Quantos motivos para PT melar delações!

Envolvidos implicam Lula, Dilma, Wagner, Edinho, Gabrielli, Delcídio, Haddad, Bendine...

Por: Felipe Moura Brasil

Lula Dilma Wagner

Vamos ligar os pontos do noticiário do dia:

1) Nestor Cerveró delatou que o petista Jaques Wagner recebeu propina desviada da Petrobras, que lhe foi encaminhada pelo então presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, para a campanha do atual ministro-chefe da Casa Civil ao governo da Bahia, em 2006.

As declarações constam em documentos apreendidos pela Polícia Federal no gabinete do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), que, portanto, sabia exatamente o que Cerveró estava disposto a contar à PGR em sua delação premiada.

Delcídio foi preso após ser flagrado tentando negociar com o filho de Cerveró, Bernardo (autor da gravação da conversa), a compra do silêncio do ex-diretor da Petrobras e eventuais rotas de fuga do país.

Em reuniões semanais com Lula, Delcídio recebia missões e depois reportava o andamento de suas atividades ao ex-presidente e também a Dilma Rousseff. Cerveró também já havia admitido ter negociado uma propina de R$ 4 milhões que seria paga pela Odebrecht à campanha à reeleição de Lula, em 2006, e que Dilma “sabia de tudo” sobre o escândalo da compra da refinaria de Pasadena.

O silêncio de Cerveró interessava a Wagner, Gabrielli, Lula e Dilma (para ficar só nos petistas supracitados). Em 2012, seis anos após a propina delatada por Cerveró, Wagner empregou Gabrielli como Secretário de Planejamento da Bahia.

É muita gentileza.

2) Jaques Wagner também aparece nas mensagens apreendidas no celular de Léo Pinheiro, da OAS, condenado a 16 anos e quatro meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Neste caso, o atual ministro negociava pagamento da OAS a um candidato a prefeito de Salvador.

Assim como Gabrielli, dois executivos da empreiteira citados nas mensagens assumiram secretarias estaduais no governo da Bahia: Manuel Ribeiro Filho, na gestão do sucessor de Wagner, Rui Costa; e Bruno Dauster, na gestão de ambos.

A Bahia é uma festa da OAS.

3) Cunha x Cardozo & Janot

Folha: “Cunha ficou indócil ao saber que o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) abriu investigação para apurar o vazamento de mensagens contra o colega Jaques Wagner (Casa Civil). ‘Ele não abriu inquérito para apurar o meu caso. Cardozo está prevaricando’, diz o presidente da Câmara.”

Em nota, Cunha acrescentou: “Bastou citarem algum integrante do governo para ele, agindo partidariamente, solicitar apuração imediata”.

Para completar, o PGR Rodrigo Janot ainda “estuda” incluir Wagner na lista de investigados. Deve estar mais chateado com o vazamento também.

(A propósito: o STF autorizou a quebra de sigilos bancário e fiscal de Cunha.)

4) Lula, o Brahma nas mensagens de Léo Pinheiro, é “uma oportunidade única” para a OAS.

Em 2014, segundo a Folha, o empreiteiro escreveu: “Ele vai estar num encontro político com o Brahma. Tem de aproveitar para pedir: solução para Porto Vida, solução para Porto Maravilha; BNDES; rolagem da dívida. É a hora de pedir. A oportunidade é única”.

Naquele ano, a OAS deu R$ 20 milhões de reais para a campanha de Dilma. Quem paga pede.

5) A influência de Léo Pinheiro sobre Lula e Wagner faz dele “O CARA”.

“Não esqueça de me reservar uma vaga de office boy nesse arranjo político. Afinal, com sua influência junto ao Galego [Wagner] e a Lula, você é O CARA”, escreveu-lhe Carlos Borges, diretor da Funcef, ainda em 2014.

Ele é “o cara” que o PT quer manter caladinho.

6) Edinho Silva chama Léo Pinheiro de “grande parceiro” em uma das mensagens apreendidas no celular do ex-presidente da OAS.

Na época, o atual ministro da Secretaria de Comunicação Social era o arrecadador de campanha de Dilma Rousseff, que lhe deu um ministério de presente para que ele tivesse foro privilegiado em caso de aperto, como agora.

A propósito: as mensagens de texto também mostram a proximidade de Pinheiro com o prefeito petista de São Paulo, Fernando Haddad, e o atual presidente da Petrobras, Aldemir Bendine. Elas também implicam o ministro Henrique Eduardo Alves (Turismo), o presidente do Senado, Renan Calheiros, os senadores Edison Lobão, Lindbergh Farias, os deputados Arlindo Chinaglia e Osmar Terra.

Considerando que o ex-presidente da OAS foi ainda o responsável pelas reformas do triples e do sítio de Lula, seu silêncio interessa a Lula, Dilma, Edinho, Wagner, Haddad, Bendine, Renan e tutti quanti.

Na quinta-feira, expliquei aqui que Dilma alterou a Lei Anticorrupção para evitar, entre outras, a delação premiada de Léo Pinheiro. Os motivos estão cada vez mais claros.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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