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Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

Lewandowski maquia dado sobre população carcerária para legitimar soltura de bandidos em todo o país

População fica refém da impunidade, mas ministros do STF têm seguranças de sobra

Por: Felipe Moura Brasil

Tuitei em 13 de janeiro:

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Claro que não vão.

A população brasileira fica refém de bandidos impunes em decorrência da cumplicidade e da irresponsabilidade fiscal dos governos federal e estaduais, mas o Supremo Tribunal Federal, presidido por Ricardo Lewandowski, pretende gastar mais R$ 3,6 milhões por ano para ter outros 29 guarda-costas disponíveis exclusivamente para seus ministros, já que os 90 seguranças previstos no contrato anual de R$ 10 milhões ficam à disposição do STF e não somente dos membros da Corte.

Detalhe pitoresco: é exigência contratual que cada segurança esteja “barbeado, [com] cabelos aparados e limpos, sapatos engraxados e devidamente uniformizado”, quem sabe à moda Luís Roberto “Minha Posição” Barroso.

Pois bem.

Nesta segunda-feira (22), Lewandowski deu início no Espírito Santo ao “Cidadania nos Presídios”, eufemismo para o projeto que agiliza a liberação de detentos, três dos quais tiveram o alvará de soltura assinados pelo próprio presidente do STF no Complexo Penitenciário de Viana.

Lewandowski detento

Só no estado, 30% (quase 6 mil) dos presidiários serão colocados em liberdade em até nove meses, no processo que será espalhado por todo o país graças a mais um golpe do Supremo contra o Poder Legislativo (e contra a autoridade dos delegados), cometido em agosto de 2015, após campanha de Lewandowski em favor das “audiências de custódia”.

Na ocasião, a maioria da Corte julgou improcedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5240) em que a Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol/Brasil) questionava a realização do procedimento por meio do qual um detido em flagrante deve ser apresentado ao juiz em até 24 horas.

Sobre a medida, este blog recomenda o artigo “Os mitos da audiência de custódia“, do doutor desembargador Guilherme de Souza Nucci, que desmascara ponto a ponto a propaganda adversária.

Aproveito, no entanto, para desmascarar mais uma vez o discurso militante de Lewandowski.

“Do ponto de vista político, temos que concordar que essa é uma medida impopular. Não é algo sempre compreendido pela população de maneira geral, mas é algo que se faz absolutamente necessário porque hoje somos o 4º país no mundo que mais encarcera”, disse o presidente do STF.

O povo que não tem dinheiro para pagar seguranças, porque já paga os do STF, compreende perfeitamente que corre mais perigo com a libertação de presidiários, mas Lewandowski prefere, na prática, chamar o povo de idiota para fingir que há um motivo nobre e técnico por trás disso.

O ministro, ademais, maquia o dado sobre a população carcerária no país para legitimar a soltura dos detentos, usando o velho truque esquerdista já desmascarado neste blog aquiaqui e aqui.

Lewandowski omite que o Brasil tem a 4ª maior população carcerária do mundo apenas em número absoluto de presos, o que é absolutamente natural, dado que o país tem a 5ª maior população do mundo – atrás apenas de China, Índia, EUA e Indonésia.

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Em números relativos, que são os que realmente importam, o Brasil, atualmente, está na 31ª(!!!) posição no ranking mundial de população carcerária, empatado com o Bahrein, com 301 presos por 100 mil habitantes.

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(Qualquer um pode checar os diferentes rankings do ICPS neste link. É a maior referência mundial no assunto, inclusive para o Ministério da Justiça brasileiro, que o cita no relatório do Infopen, obviamente maquiando os dados, como mostrei aqui.)

Relembro abaixo o meu vídeo debochado sobre o velho truque esquerdista, lembrando que os dados do ICPS são atualizados com frequência, o que resulta em pequenas mudanças de posição dos países ao longo do tempo, mas jamais uma subida de 27 posições do Brasil, como os militantes gostariam.

A suprema mentira tem de acabar.

PS: O que se deve destruir no Brasil não é a “cultura do encarceramento”, da qual fala Lewandowski – que naturalmente, aliás, foi voto vencido na recente decisão do Supremo de autorizar prisão após julgamento em 2ª instância -, mas sim a “cultura do crime”, da qual falei detalhadamente aqui.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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