Blog Felipe Moura Brasil

Felipe Moura Brasil

Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

sobre

Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

Lava Jato encosta em Lula e Dilma via Odebrecht

Governo se desespera com delação de "personagens médios". Quem deve teme!

Por: Felipe Moura Brasil

secretaria

Fala tudo, Maria

– Maria Lúcia Tavares entregou Marcelo Odebrecht.

A “contabilidade paralela” foi um pedido dele, disse a secretária delatora, responsável pela lista de propina da empreiteira e pelas informações que levaram à nova fase da Lava Jato denominada “Xepa”. Marcelo já foi condenado a mais de 19 anos de prisão em um dos inquéritos. Vai esperar a prisão perpétua para entregar Lula e Dilma?

Contabilidade paralela

 

(* Atualização da noite: Marcelo me leu da cadeia – risos – e fechou delação premiada. Veja aqui.)

VEJA: Marcelo “era o responsável direto pelo pagamento de propina ao marqueteiro do PT João Santana, ou ‘Feira’, na gíria dos criminosos. O empreiteiro aparece sob a sigla MBO em planilhas do chamado Setor de Operações Estruturadas – em bom português, o departamento de propina da empreiteira”. Ou a feira da propina.

alx_tela-odb_original

– “O objetivo dos pagamentos, de acordo com os investigadores, era saldar compromissos assumidos pela empreiteira durante as eleições de 2014 ‘como provável contrapartida por contratos obtidos no âmbito da Petrobras’. A PF cita ainda e-mails em que Odebrecht autoriza diretamente o pagamento a Feira e à mulher dele, Mônica Moura”.

Onde se lê “eleições de 2014″, leia-se: campanha de Dilma Rousseff.

– Rodrigo Rangel, de VEJA: “Esta 26ª fase da Lava Jato se liga diretamente à suspeita de que dinheiro do petrolão abasteceu a campanha de Dilma Rousseff. Os pagamentos da Odebrecht a João Santana serviram como fio da meada. Foram descobertos vários outros beneficiários ligados ao poder público.” Tic-tac, querida, tic-tac…

– Segundo Maria Lúcia, Monica Moura dispensava intermediários ao receber a propina, comparecendo ela própria à sede da empreiteira em Salvador para pegar a grana, sempre em espécie. Em resumo: o marketing petista era pago de modo condizente às mentiras que produzia.

monica-moura-pf-curitiba-2016-60-original

Sorria, Dilma, vou entregar geral

– VEJA: Maria Lúcia “revelou, inclusive, que todos os pagamentos paralelos deviam constar no sistema MyWebDay, uma espécie de ‘intranet da propina’ da Odebrecht. O sistema era de tal maneira organizado que altos executivos da empresa eram os responsáveis por liberar os pagamentos ilícitos”. Nunca antes na história deste país houve tanto profissionalismo.

– Se a Lava Jato cavar mais fundo na Odebrecht, ainda encontra o Tinder da propina. “It’s a match! You and Fulana liked each other” account...

– A Odebrecht chegou a distribuir R$ 9 milhões em propinas em apenas 24 horas, segundo a Lava Jato. É um número equivalente ao de notas diárias em que a empreiteira negava qualquer ilegalidade.

– A Odebrecht ainda teve a ousadia de continuar a operar pagamentos de propina mesmo após a prisão de Marcelo. Corruptos poderão alegar que o MyWebDay não enviou a notificação, nem avisou pelo chat.

– Lula estava hospedado no hotel Golden Tulip, onde a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão da “Xepa”, e saiu assustado num Omega preto com escolta meia hora depois que os agentes deixaram o local. Que alívio, hein, Brahma! Mais um dia solto.

Dilma é Inter
– Citado na lista de propina da Odebrecht, Douglas Franzoni (centro) é sócio do ex-auxiliar pessoal de Dilma Anderson Dornelles no Red Bar, um estabelecimento no estádio Beira-Rio, do Inter, em Porto Alegre. O codinome de Douglas era “Las Vegas”. A senha da propina na empreiteira: “roleta”.

Façam suas apostas sobre quem ele pode entregar em delação.

Red Bar

– A principal preocupação no governo e na cúpula da Odebrecht com a “Xepa” são os “personagens médios” que foram alvos, segundo Andréia Sadi, da Globonews. Isto porque avaliam que, diferentemente dos executivos que resistiram até aqui a fazer a delação, os “médios” não hesitarão – e eles também têm informações, como foi o caso de Maria Lúcia.

Quem deve teme.

Lula é Curíntia
– A Lava-Jato também chegou ao estádio do Corinthians, o time de Lula.

O corrupto de codinome ‘Timão’ e senha ‘alface’ recebeu da Odebrecht 500 mil reais em propinas pela obra do Itaquerão, segundo o Radar. No relatório da Polícia Federal, ‘Timão’ é identificado como André Luiz de Oliveira (foto): ‘É dirigente do Corinthians, o que justificaria, portanto, a utilização do codinome ‘Timão’, diz a PF.”

Só falta acusarem a Lava Jato de racismo.

vice corinthians levado a depor

“Timão”, no entanto, foi preso em flagrante por porte ilegal de armas, não propina (ainda)

– Em 2011, o ex-presidente do Corinthians Andrés Sanchez falou à Época da relação entre Lula e Odebrecht no Itaquerão:

Sanchez: O estádio do Corinthians custa 780 milhões. É mais de 1 bi, e vamos pagar 780. Ponto. A parte financeira ninguém mexeu. Só eu, o Lula e o Emílio Odebrecht (presidente do Conselho de Administração da Odebrecht e pai de Marcelo).
Época: O dia em que essa história vier a público, vai ficar feio para quem?
Sanchez: Não vai ficar feio pra ninguém. Vai ficar, talvez, não imoral, mas difícil para o Lula.
Porque vão falar: “Pô, como é que uma empreiteira se submete a fazer isso? Por que o presidente pediu?”. É o que insinuam até hoje.

É o que a Lava Jato pode investigar.

Lula Marisa Emilio Andres Itaquerao

Marisa Letícia, Lula, Emílio Odebrecht e Andrés Sanchez: o Itaquerão deu muita alegria

– Resumindo: Lava Jato chegou ainda mais perto de Lula via Corinthians e ainda mais perto de Dilma via Inter. Dois gols de placa.

– Tesoureiro de Rui Falcão também foi alvo da “Xepa”. William Ali Chaim atuou na campanha do presidente do PT para deputado federal e foi assessor de José Dirceu na Presidência do suposto partido. Ele também trabalhou com José de Filippi Júnior, tesoureiro das campanhas de Lula (2006) e Dilma (2010).

Na planilha obtida pela PF, constam dois repasses de R$ 1 milhão cada um, em 12 e 13 de novembro de 2014, logo após o segundo turno da eleição vencida por Dilma.

Ah, que doce “coincidência”…

Rui Dilma Lula

Não, Rui: ela é Inter, eu sou Curíntia, você é Chaim

– Robson Bonin, de VEJA: “Depois desta fase da Lava-Jato, corrupto nenhum vai querer receber propina em quarto de hotel. A PF confirmou tudo pelo registro de check-in”. Sem hotel, sem telefone, assim não dá: está cada vez mais difícil ser bandido neste país.

– Bonin: “Os apelidos dos corruptos e as senhas na planilha da propina da Odebrecht são impagáveis. Codinome: padeiro. Senha: gafanhoto. R$ 1 milhão!” Parece até Mercado Público: tem linguado, alface, trigo, kafta, pequi, esfiha, feijoada, alcatra, lasanha, macarronada, beterraba, camarão… Só falta Brahma para acompanhar.

Salada Odebrecht– Sérgio Moro manda recado: “Embora se lamentem os dissabores causados pela condução coercitiva a alguns, a medida não é gratuita”. Alô, Lula. Não te esqueci não, ok?

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

Siga no Twitter, no Facebook e na Fan Page.

Voltar para a home

Comentários

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

*