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Felipe Moura Brasil

Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

Defesas de Dilma e Lula são demolidas pelos fatos

Eles foram avisados de tudo, mas tramam versões para evitar impeachment ou cadeia

Por: Felipe Moura Brasil

Dilma Lula montagem

Passando a limpo o que comentei de madrugada no Twitter:

1) Dilma Rousseff sabia de tudo.

VEJA revela que ela foi avisada não só por Delcídio do Amaral, mas também por Emílio Odebrecht, por meio de Fernando Pimentel, que a Lava Jato poderia descobrir pagamentos feitos pela empreiteira ao marqueteiro João Santana no exterior.

A anotação de Marcelo Odebrecht “Dizer do risco cta suíça chegar na caminha dela” confirma o que seu pai, Emílio, relatara a Pimentel.

Emílio exigiu de Dilma blindagem contra a prisão do filho Marcelo, ou revelaria o financiamento sujo à campanha presidencial da petista.

Marcelo está preso desde junho de 2015 e nesta semana se encerra o prazo para suas alegações finais antes de Sérgio Moro prolatar uma sentença condenatória.

Como informa o Radar de VEJA: “Já não é monolítica no grupo que discute a defesa da Odebrecht a convicção de que Marcelo e os demais executivos presos não devem fazer delação premiada. O assunto foi discutido em reuniões ao longo da semana.”

É hora de revelar tudinho.

2) Lula e Odebrecht, no entanto, continuam tramando versões conjuntas ao menos para o caso do sítio de Atibaia.

Segundo a Folha, “representantes de Lula se reuniram recentemente com diretores da área jurídica da Odebrecht” e “queriam saber as explicações que a empreiteira daria na Justiça sobre a reforma no sítio frequentado pelo ex-presidente”.

“Na reunião estava presente também representante do engenheiro Frederico Barbosa, da Odebrecht. Ele avisou que o profissional não pouparia mais a empresa, como já fizera anteriormente em entrevista à Folha.”

Ou seja: estragou a versão mentirosa de Lula e Odebrecht.

Num primeiro momento, relembro, quando uma fornecedora de materiais de construção confirmou que a empreiteira fizera a obra do sítio, a Odebrecht alegou, com a sonsice de sempre, que “não identificou relação da empresa com a obra”.

Depois, Frederico Barbosa admitiu à Folha ter feito a obra a mando da Odebrecht, que foi então obrigada a confirmar.

Este blog identifica relação de Lula com a cadeia.

3) Ainda a Folha: “Uma das maiores preocupações da Odebrecht é poupar Alexandrino Alencar, ex-executivo da empreiteira que hoje cumpre prisão domiciliar. Ele era o elo mais estreito entre Lula e a empresa.”

Se a eventual delação de Marcelo já dá muita dor de cabeça a Lula, a de seu companheiro de viagens Alexandrino seria mesmo fatal.

4) Lula — que faaase! — foi ironizado até pelo advogado de José Carlos Bumlai depois que a defesa do ex-presidente no STF atribuiu ao “seu amigo pessoal” a oferta da reforma do sítio de Atibaia: “Só se Odebrecht for propriedade de Bumlai, o que não me consta”.

Consta, no entanto, que, se mentira tivesse propriedade, Lula mandaria uma empreiteira pagar os royalties.

5) Defesa de Lula informou ao STF, segundo a Folha, que Lula só soube da compra do sítio em 13 de janeiro de 2011, depois de deixar a Presidência.

É mais um truque do homem que não sabia de nada.

Radar de VEJA lembra que:

— uma semana antes, em 6 de janeiro, o Estadão já dizia que a mudança de Lula de Brasília seria levada para seu sítio em Atibaia;

— a mudança — inclusive 37 caixas de bebida — seguiu, de fato, para o sítio, como mostrou reportagem de VEJA deste ano;

— a mudança — paga pela Presidência — foi entregue no dia 8 de janeiro.

Como pode Lula só ter sabido da compra do sítio 3 dias depois de sua mudança pré-anunciada pela imprensa ter ido para lá?

A defesa lulista insulta cada vez mais a inteligência do povo brasileiro.

6) Como a palavra do ex-presidente não vale nada, o MPF agora exige provas de que Lula deu palestras.

Segundo O Globo, “empresas, bancos e entidades de classe que fizeram pagamentos à L.I.L.S. Palestras, Eventos e Publicações estão sendo oficiadas a apresentar comprovantes dos pagamentos e da realização” de cada uma.

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou pagamentos de R$ 27 milhões à empresa de Lula entre abril de 2011 e maio de 2015, como revelou VEJA em agosto passado, sendo que R$ 10 milhões teriam sido pagos por empresas investigadas na Operação Lava-Jato.

O MPF, como mostrei aqui, já havia apontado que Lula usou o contrato de palestras entre sua empresa L.I.L.S (iniciais de Luiz Inácio Lula da Silva) e a Odebrecht para “dar aparência de legalidade” à própria remuneração por tráfico de influência.

Só como “pagamento pelo êxito” em destravar a Venezuela para a Odebrecht, por exemplo, Lula recebeu R$ 330 mil da empreiteira sob a forma de contrato de prestação de serviço.

Luis Claudio Lula da Silva, filho do ex-presidente, entregou relatórios de prestação de serviço copiados da Wikipédia para justificar o recebimento de R$ 2,4 milhões de um lobista no inquérito sobre a venda de medidas provisórias no governo do pai e da sucessora Dilma.

Melhor Lula correr para copiar umas palestras da Wikipédia também.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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