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Felipe Moura Brasil

Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

‘Bombas’ de Delcídio contra Lula e Dilma confirmam os furos de VEJA e deste blog

Veja o resumão

Por: Felipe Moura Brasil

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Revelado pela IstoÉ, o acordo bombástico para a delação de Delcídio do Amaral (PT-MS), que compromete diretamente e complica de vez a situação de Lula e Dilma Rousseff, confirma vários furos de VEJA e, também, deste blog.

Esta revista vem sendo atacada por todos os lados, por pessoas boas e más intencionadas, mas que geralmente têm em comum, sendo da esquerda ou da direita, a indiferença às nuances e ao fato de que elas próprias reproduzem diariamente informações reveladas por repórteres da equipe plural de VEJA.

Ninguém – nem mesmo os próprios funcionários e prestadores de serviço – é obrigado a concordar com todas as matérias, de todos os jornalistas, de todas as editorias, de qualquer veículo de comunicação, para reconhecer a competência daqueles cujo trabalho corajoso, amparado pela estrutura do veículo, é confirmado pelos fatos, não raro muito tempo depois da revelação inicial.

Este blog respeita a liberdade de expressão, de opinião e de escolha, mas lamenta que campanhas virtuais por cancelamentos de assinatura sejam alimentadas inclusive por colunistas de influência, como se toda a revista fosse uma só pessoa chamada VEJA, contra a qual se disparam as maiores barbaridades a cada vez que se discorda de – ou se tem críticas a – uma matéria qualquer, ainda que de capa, numa edição que, com frequência, não foi inteira e às vezes nem parcialmente lida.

Uns atacam VEJA por vigiar demais o governo do PT, outros pelo descompromisso com uma agenda cultural conservadora, mas a militância de ambos os grupos, em sua compreensível necessidade de enterrar o que jamais lhe agrada por completo, ou que lhe é concorrente, desconsidera o valor e a importância histórica dos fatos comprovados descobertos pela revista e desdobrados em reviravoltas que mudam os rumos do país.

(Aqueles que precisam adaptar o que veem ao que aprenderam a dizer contra algo ou alguém – no caso, a revista – recaem ainda, invariavelmente, em teorias conspiratórias as mais exorbitantes.)

Este blog ficará no ar enquanto eu, Felipe, e VEJA quisermos assim, e nenhuma mudança, em qualquer setor da revista, ou mesmo nela inteira, me tira ou tirará o orgulho de dividir ou ter dividido espaço com os profissionais que revelaram informações fundamentais para o Brasil, como as que seguem abaixo.

1) A interferência de Dilma na Lava Jato

Segundo o senador petista recentemente solto, Dilma tentou interferir na Operação Lava Jato por três ocasiões, com uma ajudinha muito especial:

“É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, afirmou Delcídio na delação.

a) Uma das tentativas foi a famigerada reunião secreta de Dilma com o presidente do STF, Ricardo Lewandoski, em Portugal – que este blog foi o primeiro a chamar de golpe, usando uma frase emblemática da petista contra ela própria:

“Quem é golpista mostra na prática as suas tentativas”. Pois é.

Como de costume, Cardozo negou que a Lava Jato tivesse sido tema da conversa (assim como já está negando tudo que Delcídio disse).

Como de costume, escrevi aqui: aham.

b) A mesma Dilma que diz dar liberdade à Lava Jato também solicitou que Delcídio, na condição de líder do governo, “conversasse com o desembargador Marcelo Navarro, a fim de que ele confirmasse o compromisso de soltura de Marcelo Odebrecht e Otávio Marques de Azevedo” no Superior Tribunal de Justiça.

Delcídio se encontrou com Navarro “no próprio Palácio do Planalto, no andar térreo, em uma pequena sala de espera”, o que, segundo o senador, pode ser atestado pelas câmeras de segurança; e Navarro “ratificou seu compromisso, alegando inclusive que o dr. Falcão (presidente do STJ, Francisco Falcão) já o havia alertado sobre o assunto”.

O acerto, como este blog insistentemente denunciou, foi cumprido à risca.

Em recente julgamento dos habeas corpus impetrados no STJ, lembra a IstoÉ, Navarro, na condição de relator, votou pela soltura dos dois executivos. O problema, para o governo, é que o relator foi voto vencido. No placar: 4×1 pela manutenção da prisão.

O FURO DE VEJA: Em 27 de julho de 2015, a revista VEJA revelou que Falcão, citado em mensagens de Marcelo Odebrecht como alguém que poderia ajudá-lo, articulava com o governo Dilma a indicação de seu camarada Navarro para o STJ, em troca da libertação do empreiteiro.

O nome disso seria golpe, comentei na ocasião.

CONSEQUÊNCIA: Dilma pode perder o mandato.

Segundo juristas ouvidos por ISTOÉ, a lei 1.079 que define os crimes de responsabilidade diz no artigo nono, itens 6 e 7, que atenta contra a probidade administrativa – e é passível de perda de mandato – usar de suborno ou qualquer outra forma de corrupção para levar um funcionário público a proceder ilegalmente ou agir de forma incompatível com a dignidade, a honra e o decoro.

Acrescento: obstruir a Justiça é motivo de cadeia.

O FURO DO BLOG: Este blog decifrou o trecho da gravação de Bernardo Cerveró em que Delcídio disse que “conversou com Zé Eduardo” [Cardozo] e “muito possivelmente o Marcelo [Odebrecht] na [Quinta] Turma [do STJ] vai sair”.

Também mostrou toda a confusão que a imprensa fez sobre o trecho e o cinismo de Cardozo em reação.

Mais: ligou os pontos deste caso com outro furo de VEJA, agora confirmado por Delcídio, como segue abaixo.

2) Lula mandou comprar silêncio de Cerveró

Delcídio disse que o mandante dos pagamentos à família Cerveró foi o ex-presidente Lula, que agiu direta e pessoalmente para barrar as investigações e ordenar a compra do silêncio de testemunhas.

Segundo o senador, Lula pediu “expressamente” para que ele ajudasse o amigo e pecuarista José Carlos Bumlai, porque ele estaria implicado nas delações de Fernando Baiano e Nestor Cerveró.

Bumlai, segundo Delcídio, gozava de “total intimidade” e exercia o papel de “consigliere” da família Lula – expressão usada pela máfia italiana e consagrada no filme “O Poderoso Chefão”, como lembra IstoÉ, para designar o conselheiro que representava o chefe em reuniões importantes.

O FURO DE VEJA: Em 27 de novembro de 2015, a revista VEJA revelou o seguinte:

“Nos últimos meses, Delcídio dedicou-se a procurar familiares de candidatos a delator do petrolão. Bateu à porta de Ricardo Pessoa (…), de Renato Duque (…), de Cerveró (…)”.

“Todas essas conversas com investigados foram reportadas posteriormente a Lula e Dilma. Os encontros com o ex-presidente eram semanais. Neles, Delcídio recebia as missões”.

Impedir o depoimento de Mauro Marcondes (que poderia comprometer o filho caçula de Lula) e cuidar do caso de José Carlos Bumlai, ambos amigos de Lula, estavam entre as missões apontadas por VEJA.

Como comentei na ocasião: Delcídio agia sob o comando velado do “chefe” – confirmando meu tuíte de dois antes:

tuiteA propósito: a amizade com ex-presidente, que rendia a Bumlai um passe livre para seu gabinete, também foi um furo de VEJA.

3) Lula sabia de tudo do petrolão

Delcídio afirmou que Lula tinha pleno conhecimento do propinoduto instalado na Petrobras.

Pela proximidade com o ex-presidente, o depoimento do senador tem mais peso que o de Alberto Youssef a respeito.

Mas a informação, com base na delação do doleiro mais tarde tornada pública, foi revelada por VEJA em outubro de 2014, às vésperas da eleição, o que gerou ataques por parte do PT.

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Outros furos de VEJA também indicaram que Lula e Dilma sabiam de tudo.

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4) Lula comprou o silêncio de Marcos Valério

Diz a IstoÉ:

“O ex-presidente cedeu às chantagens do publicitário Marcos Valério que exigiu R$ 220 milhões para se calar na CPI dos Correios sobre os meandros do Mensalão. Em seu depoimento, Delcídio afirma que ele e Paulo Okamotto (presidente do Instituto Lula) tentaram negociar o pagamento, mas que foi o ex-ministro Antônio Palocci quem assumiu essa tarefa.”

FURO DE VEJA: Em 22 de maio de 2015, VEJA revelou o seguinte:

“O PT negociou o silêncio do empresário Marcos Valério quando ele – às vésperas da conclusão da CPI dos Correios – avisou que acusaria Lula de comandar o mensalão se não recebesse uma ajuda financeira milionária. Um empresário amigo foi convocado para pagar a fatura e Valério se recolheu.”

“Lula se livrou da CPI, reelegeu-se em 2006 e foi o efetivo cabo eleitoral de Dilma em 2010. Em 2012, Valério contou parte de seus segredos ao Ministério Público, tentando um acordo de delação premiada. Já era tarde. Lula não podia mais ser incluído no processo. O empresário cumpre uma pena de 37 anos de prisão. Definitivamente, não fez um bom negócio.”

(Comentei a matéria na ocasião aqui, citando os valores por volta dos R$ 200 milhões.)

5) Dilma sabia de tudo de Pasadena

“Dilma tinha pleno conhecimento de todo o processo de aquisição da refinaria”, disse Delcídio. “A aquisição foi feita com conhecimento de todos. Sem exceção”, reforçou o senador.

A compra da refinaria de Pasadena, no Texas, um dos negócios mais desastrosos da Petrobras, foi firmada em 2006 com um superfaturamento de US$ 792 milhões, quando Dilma presidia o Conselho de Administração da estatal.

A versão de Dilma era de que ela e os conselheiros do colegiado não tinham conhecimento de cláusulas desfavoráveis à estatal, mas Delcídio a desmente e ainda garante, desmentindo-a mais uma vez, que ela teve participação efetiva na nomeação de Nestor Cerveró para a diretoria da BR Distribuidora.

Delcídio disse que “tem conhecimento desta ingerência (de Dilma), tendo em vista que, no dia da aprovação pelo Conselho, estava na Bahia e recebeu ligações de Dilma”. Segundo o senador, a atuação de Dilma foi “decisiva” – e a presidente ligou para ele duas vezes.

Em 19 de novembro de 2015, VEJA revelou que, ao negociar seu acordo de delação, Cerveró apresentou detalhes de transações em que houve “prejuízo intencional” e afirmou à força-tarefa que Dilma “o incentivou a acelerar as tratativas de Pasadena”.

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Dilma e Lula estão em pânico com as ‘bombas’ de Delcídio – e a oposição já cobra a renúncia da suposta presidente.

O cinismo em Brasília só tende a aumentar. O 13 de março, se a República dos Pixulecos durar até lá, também.

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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