Blog Felipe Moura Brasil

Felipe Moura Brasil

Análises irreverentes dos fatos essenciais de política e cultura no Brasil e no resto do mundo, com base na regra de Lima Barreto: "Troça e simplesmente troça, para que tudo caia pelo ridículo".

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Felipe Moura Brasil estreou este blog em 2013, após dez anos como cronista na internet. Idealizou e organizou o best seller de Olavo de Carvalho, "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota". Autor da Editora Record, trabalha em dois livros previstos para 2016.

Bem, amigos “pacíficos” da Rede Globo…

Lá se vão 3 anos de Passe Livre para a delinquência

Por: Felipe Moura Brasil

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MPL, 2016

Até para um colunista folião como eu, é duro assistir calado – neste período pré-carnavalesco em que o blog diminui o ritmo de publicações – a um monte de gente repetir o que escrevi quase três anos atrás, como no caso do post anterior.

Então venho aqui, muito preguiçosamente, repetir a mim mesmo… de novo.

O título do meu primeiro artigo, publicado em junho de 2013, sobre os atos de terror do Movimento Passe Livre disfarçados de manifestação popular foi “Passe Livre para a delinquência“, trocadilho até hoje repetido por críticos do MPL com suas variações para “terrorismo”, “vandalismo” etc.

Naquela ocasião, a transformação da violência em poesia (esses jovens “incomodam muito mais porque nos obrigam a olhar para dentro das nossas próprias vidas e, nessa hora, descobrimos que desaprendemos a sonhar”) ainda estava restrita aos blogs petistas, embora a TV e a imprensa tenham logo embarcado na ficção da “manifestação pacífica infiltrada por uma minoria de vândalos” (que petistas como Tarso Genro descreviam como de “extrema-direita”).

Agora a “poesia” chegou ao Fantástico, que acompanhou “durante três semanas as meninas que são a nova cara das manifestações de rua de São Paulo”, mas não informou quem determinou que elas são a nova cara, nem quem era a velha.

Tadeu Schmidt narrou a seguinte introdução:

“Em todos os protestos, para onde você olhasse, era fácil encontrar um pessoal bem jovem, adolescentes antenados, que não são de partidos políticos nem de movimentos organizados, não são black blocs e não depredam nada. Apenas vão para a rua dizer em alto e bom som o que consideram justo. Quem são esses estudantes, a nova cara dos protestos de São Paulo”?

Um dos meus vários textos de três anos atrás, “A tarifa da ignorância“, talvez responda:

“A horda de jovens que aderem real ou virtualmente às ‘manifestações’ organizadas pelos partidos comunistas brasileiros, sob o pretexto de combater o aumento do preço da tarifa de ônibus, imagina-se lutando em favor dos pobres, quando está apenas sendo usada por manipuladores profissionais e propagandistas partidários em busca do mesmo poder político que, onde quer que tenha sido alcançado por seus similares, só fez piorar a vida dos pobres.

O terrorismo — defendido abertamente por Marx — não é o lado lamentável de uma ‘manifestação’ pacífica, como a grande mídia quer fazer crer. Ele é a essência e a razão de ser do ato, legitimado pela presença numerosa de desavisados (os ‘idiotas úteis’, diria Lenin) mais ou menos pacíficos.

Acatar suas reivindicações, ou mesmo dialogar com seus líderes a respeito, como faz o prefeito Fernando Haddad, é ensinar à população que o terror compensa — o que é muito mais grave do que o aumento de 20 centavos na tarifa de um serviço pelo qual a população vai pagar de qualquer jeito, seja como ‘consumidora’, seja como ‘contribuinte’, sendo que, neste caso, sem saber quanto está pagando e muito mais sujeita ao esquema de compadrio empresarial e falta de transparência do Estado no trato das verbas públicas.

Os jovens da horda, no entanto, meninos mimados acostumados à ideia de ter todos os direitos (inclusive o de exigir todos os direitos para si ou para os outros) e nenhuma obrigação, não querem saber disso, é claro, nem da inflação de alimentos que vem afetando o bolso dos pobres muito mais do que qualquer outra coisa. Aprenderam desde cedo a colaborar cegamente com o crime e não vai ser agora que vão se informar antes, para não fazê-lo.

Se nunca estudaram a obra de Marx, Lenin, Marcuse, Gramsci e demais intelectuais comunistas que inventaram o Brasil de hoje — do qual Lula ainda é o maior líder —, que dirá a crítica de seus legados, incluindo como chegamos ao estado de calamidade e abuso geral, contra o qual imaginam se revoltar dessa maneira estupidamente alienada. Naturalmente, pouco lhes importa ainda se, passada a semana inicial de terrorismo, o PT e o PCdoB, para evitar danos à imagem de Haddad, tenham decidido assumir o comando do movimento e mudar sutilmente o sentido dos ‘protestos’, cujos alvos passam a ser a Polícia Militar e o governador Geraldo Alckmin, a verdadeira liderança indesejável que se quer odiosamente destruir.

Os jovens ativistas amam tanto os ‘oprimidos’ quanto odeiam todo tipo de conhecimento necessário para ajudá-los. E preferem ser (cúmplices de) bandidos a reconhecer — antes tarde do que nunca — a própria ignorância.

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MPL, 2013

Relembro abaixo outros trechos e notas dos meus artigos de 2013 que se mantêm atualíssimos:

1) VOCÊS QUEREM TUDO DO ESTADO?

JOVENS BRASILEIROS: Sim, nós queremos!

FIDEL CASTRO: Eu dou!

ADOLF HITLER: Eu também!

JOSEF STALIN: Eu dou melhor!

MAO TSÉ-TUNG: É meu! É meu!

LUÍS XIV: Alguém me chamou?…

2) Diz o repórter da Globo na manifestação em Brasília: “Amanhã todo mundo vai poder dizer com muito orgulho nas redes sociais: ‘Eu fui!'”. Pergunto: não teria sido esta a frase perfeita para milhões de pessoas que foram atrás de líderes comunistas no século passado usarem como epitáfio?

Se a turma do MPL conquistar seus próximos objetivos (“Reforma agrária, reforma urbana, contra o latifúndio agrário, contra o latifúndio urbano”, “vindo a se somar a movimentos revolucionários que contestam a ordem vigente”), e atingir assim os ideais socialistas do Foro de São Paulo, os ativistas juvenis ao menos já sabem o que escrever no túmulo:

“Eu fui! Pode ver lá no meu face!”

3) Assistindo à grande mídia, não tenho mais dúvidas: finalmente, chegaremos ao “comunismo pacífico”. Nunca antes na história desse país… Quer dizer: da história universal.

4) Durante as duas grandes Guerras Mundiais, o mundo – como faria supor a cobertura da Globo e da Globo News – vivia uma época perfeitamente “pacífica”, atrapalhada apenas por uma “minoria” de exércitos que, obviamente, não representavam ninguém.

5) Estou começando a achar que o nazismo não foi tão ruim assim. O problema era aquela “minoria” do Hitler, pô. O comunismo também: tirando aqueles “pequenos grupos de manifestantes mais radicais” de Mao, Stalin, Fidel, Pol-Pot, só tinha gente boa!

E Saddam Hussein? Ah, mandava matar uns 30 iraquianos por dia, mas na maior parte do tempo era um sujeito tranquilo…

Sem falar nos terroristas de Boston: dois irmãos pacíficos, até que…

6) William Bonner, no encerramento do Jornal Nacional: “Que os que se aproveitam desse momento histórico para tumultuar e agredir fiquem isolados.” Pergunto: se foram justamente aqueles que tumultuam e agridem os que CRIARAM este momento histórico (ou os que destes estão a serviço), meu senhor, será que eu já posso isolar os jornalistas da Globo por tumultuarem a cabeça do público e agredirem a verdade dos fatos?

Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil

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