Blogs e Colunistas

28/03/2014

às 20:44 \ Cultura

A culpa do estupro não é da mulher, mas a da confusão é da pesquisa do IPEA! Essa, sim, merece ser “atacada”!

violencia-mulher-materia

[Acréscimo de 4 de abril: FIM DA FARSA DO IPEA! ATENÇÃO! VÁ PRIMEIRO PARA ESTE ARTIGO: País de estupradores, uma ova! IPEA admite que… eu estava certo! Ai, que chato! Maioria discorda de ataques às mulheres! Só falta o instituto, os jornais, a TV e os ativistas admitirem o proselitismo ideológico também]

Se eu quisesse “provar” que o Brasil é um país tão “machista” que os homens realmente acreditam que o estupro é culpa da mulher, eu teria decerto perguntado a 3.810 brasileiros se concordam ou discordam de frases tão picaretas quanto as da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA):

“Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.” - 65% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente.

“Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros.” - 58,5%, idem.

Pronto. Os portais de notícias reproduziriam em letras garrafais o resultado do “Brasil medieval“, as feminazi ficariam escandalizadas, os “especialistas” viriam em seguida comentar que “as mulheres ainda são vistas como propriedade”, o lobby para novas políticas públicas iria aumentando e os políticos apareceriam para atender ao apelo geral com propostas de leis, sem que ninguém soubesse afinal se foram eles mesmos que me encomendaram a pesquisa com este objetivo, muito menos se os métodos usados condizem com a impressão resultante.

Não: não estou acusando ninguém de encomendar nada, embora desconfie de institutos de pesquisa econômica que investigam questões comportamentais. Só estou dizendo que esta seria a ordem artificial das coisas se eu quisesse manipular a opinião pública, sobretudo se contasse com agentes do meu grupo ideológico nas redações dos órgãos de mídia.

Quem lê as manchetes dos portais e, se tanto, as duas frases do IPEA em sequência fica obviamente com a impressão – e é ela que vale em matéria de opinião pública – de que os homens são muito malvados e culpam as mulheres pelo estupro. Acontece que a primeira frase não fala de estupro, mas genericamente de ataque; e a segunda relaciona um mau comportamento também genérico das mulheres à diminuição do índice de estupro. E tem mais um “pequeno” detalhe: 66% dos entrevistados eram mulheres! Não duvido que muito mais impiedosas com as “periguetes” do que os homens… (Ficha técnica da pesquisa no fim do post.)

Em todo caso, vamos lá: é feio dizer que uma mulher “merece ser atacada”? Sem dúvida. Mas que diabos é “ser atacada” para o cidadão comum no Brasil? “Atacar” como? Quase todo o palavreado nacional relativo a abordagens, conquistas e pegações consentidas é baseado em conceitos de guerra, de “caça” ou de futebol, tanto para homens (“os guerreiros”) quanto para mulheres, e nem por isso se está falando em “encoxar”, abusar, espancar ou estuprar.

Quantas vezes homens de bem não dizem aos amigos que “partiram para o ataque” com fulana, querendo dizer que apenas a abordaram de forma mais incisiva, mostrando o quanto querem ter com elas alguma relação? Quantos não estimulam os outros a deixar de lero-lero e “partir para o ataque”? Quantas mulheres não adoram ser “atacadas” neste sentido pelos homens?

“Atacar” mulher no Brasil não é necessariamente cometer crimes contra ela. Até “criticar alguém” é “atacar”. Quase todo homem ataca mulheres neste sentido. Se a pesquisa pretendesse esclarecer alguma coisa, teria definido a que tipo de “ataque” se refere (e não teria usado a palavra “merece”, que, entre tantos significados, tem até mesmo o de “atrair sobre si”; sem contar o vazio que gírias como “ninguém merece!” e “fulano merece!” lhe emprestaram).

Se, para 65% dos entrevistados, “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas“, como saber quantos entre eles julgaram que elas “merecem” ser criticadas, abordadas ou “cantadas” por isso? E, principalmente, quantos não exageraram o seu desapreço pelo suposto exibicionismo feminino – quiçá imaginando as filhas (ou as concorrentes, no caso das esposas) de bunda de fora – sem desejar com isso que elas fossem de fato violentadas? Em sentido literal, toda mulher no Brasil usa roupas que mostram o corpo de alguma forma, mas falar sobre o que mereceriam as “mulheres que usam roupas que mostram o corpo” induz o entrevistado a imaginar as mulheres mais vulgares e oferecidas e a repudiá-las em sua resposta. Agora: se a palavra “atacadas” fosse trocada por “espancadas” ou “estupradas”, é evidente que o resultado teria sido mais ameno.

Nada, porém, como deixar para falar de estupro na frase seguinte, mais vaga ainda, não é mesmo? Assim o efeito das duas causaria uma impressão geral de estupidez machista. Repito a dita-cuja: “Se as mulheres soubessem se comportar” (???), “haveria menos estupros.” No mesmo país em que compreender as causas sociais óbvias de um crime, como fez Rachel Sheherazade no caso dos justiceiros, é “incitação” e “apologia” a ele, como diz a comunista Jandira Feghali, do PCdoB (que nunca disse o mesmo dos comunistas), relacionar um mau comportamento vago de alguém à incidência do crime agora é o mesmo que atribuir-lhe a culpa.

Não faço ideia se o índice de estupros diminuiria se as mulheres vestissem burcas, mas é perfeitamente compreensível o raciocínio de que se elas não usassem roupas tão provocantes atrairiam menos a atenção dos estupradores, assim como, se os homens não passassem de Rolex ou de Ferrari em áreas perigosas, atrairiam menos a atenção de assaltantes. E nada disso seria culpá-los dos crimes que os demais cometeram. A frase do IPEA é vaga e induz os entrevistados a pensar na atração que mulheres desnudas despertam em potenciais estupradores e a especular que um cuidado maior diminuiria a incidência de estupros, o que em nada depõe contra o caráter desses entrevistados, muito menos comprova o seu “machismo”.

[Também pode induzir a pensar que estuprar uma mulher mais vestida, por exemplo de calça jeans, dá mais trabalho e é portanto mais difícil mesmo do que uma que já esteja de saia curta, o que leva a crer que haveria menos estupros se as mulheres "soubessem se comportar" no sentido de andarem mais cobertas.]

O uso indiscriminado da palavra responsabilidade por parte da mídia, misturando seus vários sentidos, também colabora, como de hábito, para a confusão geral. Se uma pessoa é supostamente irresponsável (no sentido de “descuidada”) por chamar a atenção de bandidos de alguma forma, isto tampouco a torna responsável (no sentido de “culpada”) pelo crime.

Manchetes como “Maioria acredita que mulher tem responsabilidade em casos de estupro, diz Ipea” estão aí apenas para confundir. Não foi com isto que a maioria concordou, e os pesquisadores do IPEA ainda têm a cara-de-pau de concluir que “O acesso dos homens aos corpos das mulheres é livre se elas não impuserem barreiras, como se comportar e se vestir ‘adequadamente’”. Nenhum homem disse que vai sair transando com as mulheres se elas não se comportarem ou se vestirem adequadamente, mas o IPEA veio com tudo para causar escândalo.

Se, em suposta compensação, 91% dos entrevistados concordaram, total ou parcialmente, que “homem que bate na esposa tem que ir para a cadeia”, não é tampouco porque os entrevistados toleram menos a “violência doméstica” do que as outras, mas porque esta é justamente a frase menos capciosa e portanto mais reveladora da pesquisa (os homens não devem ser tão malvados assim, não é mesmo?). “Bater na esposa” e “ir para cadeia” são expressões muito mais diretas e objetivas do que aquelas usadas nas frases anteriores.

De resto, a confusão em torno da “responsabilidade” pelo estupro já é muito maior no ambiente cultural do que sobre a “culpa” de um homem que bate na esposa; e o IPEA só fez confundir ainda mais – para não dizer manipular – a opinião pública em relação a primeira.

Proponho aos pesquisadores duas lindas afirmativas, com as quais concordo totalmente:

Pesquisas cujas frases induzem a determinadas respostas merecem ser atacadas.

Se as pesquisas soubessem se comportar haveria menos estupro mental no país.

Felipe Moura Brasil - http://www.veja.com/felipemourabrasil

Siga no Facebook e no Twitter.

[Acréscimo de 4 de abril: FIM DA FARSA DO IPEA! ATENÇÃO! VÁ PRIMEIRO PARA ESTE ARTIGO: País de estupradores, uma ova! IPEA admite que… eu estava certo! Ai, que chato! Maioria discorda de ataques às mulheres! Só falta o instituto, os jornais, a TV e os ativistas admitirem o proselitismo ideológico também]

IPEA motangem oficial divulgação

Ficha técnica:

Características da população entrevistada (3810 pessoas) 

A) Residentes no Sul ou Sudeste (sse): 56,7% 
B) Residentes em áreas metropolitanas (metro): 29,1% 
C) Pessoas jovens, 16 a 29 anos (jovem): 28,5% 
D) Pessoas adultas, 30 a 59 anos: 52,4% 
E) Pessoas idosas, 60 ou mais anos (idoso): 19,1% 
F) Mulheres (fem): 66,5% 
G) Brancos (branco): 38,7% 
H) Católicos (cato): 65,7% 
I) Evangélicos (evan): 24,7% 
J) Demais religiões, ateus e sem religião: 9,6% 
K) Menos que o ensino fundamental: 41,5% 
L) Ensino fundamental (edufunda): 22,3% 
M) Ensino médio (edumedia): 30,8% 
N) Ensino superior (edusuper): 5,4% 
O) Renda domiciliar per capita média: R$ 531,26

Deixe o seu comentário

Aprovamos comentários em que o leitor expressa suas opiniões. Comentários que contenham termos vulgares e palavrões, ofensas, dados pessoais (e-mail, telefone, RG etc.) e links externos, ou que sejam ininteligíveis, serão excluídos. Erros de português não impedirão a publicação de um comentário.

» Conheça as regras para a aprovação de comentários no site de VEJA

Envie um comentário

O seu endereço de email não será publicado

109 Comentários

  • VICTOR

    -

    30/3/2014 às 14:44

    EU QUERO SABER DA CRISE DA PETROBRÁS, IMPEACHMENT DA PRESIDENTE E CPI DA PETROBRÁS, ISSO SIM É DE SUMA IMPORTÂNCIA! NÃO QUERO SABER DE PESQUISAS MANIPULADAS SÓ PARA DESVIAR A REAL SITUAÇÃO DO PAÍS!

  • Vinícius

    -

    30/3/2014 às 15:06

    Interessante também que na ficha técnica fizeram questão de destacar a religião dos entrevistados, totalizando aí por baixo uns 90% de cristãos.

    Acho provável que forcem a barra na cara de pau pra criar uma relação entre o cristianismo, o machismo e a apologia à violência contra a mulher.

  • christina

    -

    30/3/2014 às 22:27

    Não acredito nas pesquisas. Qdo. se referem ao número de entrevistados, deveriam deveriam falar sobre o grau de escolaridade. Eu nunca tive o prazer de ser entrevistada.

  • Paula Ferreira

    -

    30/3/2014 às 22:32

    Não sei de onde eles tiraram esse resultado absurdo. É óbvio que isso não representa a opinião da maioria. Devem ter entrevistado apenas pessoas sem caráter e tarados. Alias, quem aí já respondeu a esse tipo de pesquisa? Tirando o Censo, que realmente já bateu na minha porta, nunca fui ou conheci alguém que tenho sido entrevistado.

  • fátima oliveira

    -

    31/3/2014 às 0:55

    Alguém ainda acredita nesses institutos de pesquisa?

  • Marcio

    -

    31/3/2014 às 1:47

    quando as pesquisas mostram que a mulher que mostra o útero na rua, é mais inteligente, tem mai chance de arrumar emprego, ninguém contesta!ma, agora que a pesquisa mostrou que ninguém, nem homens e nem mulheres, respeitam ou levam a sério uma mulher que anda com o útero à mostra, está todo mundo revoltadinho!

  • Bottanelles

    -

    31/3/2014 às 5:39

    Caro Felipe, ao menos tal pesquisa não é totalmente inútil: REVELA O CARÁTER DO IPEA! (Tudo bem!, pra isso não precisava de pesquisa, né!?)
    .
    PS.: Será que foi ENCOMENDA DAS BARANGAS MARXISTAS?

  • Marco Antonio Colagrossi

    -

    31/3/2014 às 8:31

    AUMENTE A PENA DE ESTUPRO PARA 15 ANOS DE RECLUSÃO, SEM PROGRESSÃO DE PENA, QUERO VER QUEM SE HABILITA A ESTUPRAR. O GRANDE PROBLEMA DOS CRIMES NO BRASIL É A CERTEZA DA IMPUNIDADE. AUMENTE A PENA QUERO VER SE ESSES VALENTES CONTINUAM A PRATICAR CRIMES.

  • Aldemi Coelho Lima

    -

    31/3/2014 às 9:20

    Parabéns pela análise Felipe! Não acredito que um pesquisador sério ou um Instituto de Pesquisa sério realizariam uma pesquisa com critérios tão espúrios. O pior são as conclusões forçadas a partir das respostas às perguntas… É CLARO QUE É TENDENCIOSA!!! Não ajuda em nada nas questões de gênero; atrapalha as relações homem/mulher ou mulher/homem ou mulher/mulher ou …; Uma coisa é certa e não é preciso “pesquisa” para concluir isso: No Brasil, excetuando-se os estupradores, TODO MUNDO (HOMENS E MULHERES) SÃO CONTRA O ESTUPRO, INCLUSIVE OS BANDIDOS QUE ESTÃO PRESOS (OU NÃO). ATÉ ESSES ÚLTIMOS TÊM AÇÕES IMPERDOÁVEIS CONTRA OS ESTUPRADORES, pois também tem esposas, mães, filhas, etc. Entendo que que qualquer pessoa que não quer ser violentada (roubada, assaltada, agredida, estuprada, etc.) tem que tomar precauções para evitar a cobiça dos marginais. E ESTUPRADOR É BANDIDO, SEJA O MARIDO, PAI, PARENTE OU O MONSTRO DA ESCURIDÃO! É importante evitar a ostentação de riquezas para evitar assaltos; é preciso que a mulher não se vista excessivamente provocante ou insinuante na presença de potenciais estupradores. E onde eles estão?? A mulher (ou homem) que atrai a cobiça de eventuais agressores é vítima potencial. É verdade que a agressão de estupro e assalto são muito diferentes e que as mulheres são as principais vítimas de estupro (homens também são), mas do ponto de vista dos cuidados a serem tomados para evitar as agressões podemos fazer a comparação acima. Por fim não se pode comparar a atitude das mulheres, mães, trabalhadoras, etc. com as “periguetes” insinuantes de plantão, apenas para rotular os homens de machistas ou a sociedade de machista, como se o “machismo” andasse por aí pregando o estupro de mulheres. Aliás, nenhuma periguete ou prostituta merece ser estuprada também, viu? Me revolto com a questão do estupro e entristeço-me com as conclusões aligeiradas e tendenciosas dessa “pesquisinha”.

  • Adail Sobral

    -

    31/3/2014 às 10:10

    E como explicar que 66% dos 65% são mulheres? As mulheres também querem “atacar” as outras?

  • LEONARDO MARCEL

    -

    31/3/2014 às 11:11

    Meus parabéns, matéria espetacular !

  • Deyvson

    -

    31/3/2014 às 11:47

    Excelente matéria! Palavras que eu queria expressar e não sabia fazer de uma forma tão boa. Parabéns!

  • Marcio

    -

    31/3/2014 às 12:41

    NÃO ACHO que mulher de roupa curta deve ser atacada, e NÃO ACHO que ninguém merece ser estuprado! mas, mulher que anda de roupa curta não tem como levar á sério!da mesma maneira que ninguém leva a sério um cara que bebe. só porque ele bebe, tem o prazer de tomar sua cerveja não merece respeito?

  • Heidy Luci

    -

    31/3/2014 às 15:24

    Sou mulher e amei sua análise sobre a pesquisa, com certeza foi totalmente tendenciosa, e como sempre no Brasil causou bastante alvoroço, nunca levei a sério estes institutos de pesquisa.

  • VonGratz

    -

    31/3/2014 às 16:57

    Uma coisa a ser pensada é: Sessenta por cento dos entrevistados/as não tinham NEM o nivel fundamental completo.
    Ou seja, basicamente poderiam não ter a condição de encadeamento de pensamento para responder a pergunta sem misturar as coisas!
    Donde podemos concluir que:
    Imaginem que 65 % das mulheres, provavelmente as com menos instrução, responderam sobre as roupas “indecentes” , como uma tentativa de punição às “piriguetes sem vergonha” demonificadas pela péssima mídia que faz parte do dia a dia do brasileiro, e “arqui-rivais” delas no que diz respeito aos seus homens… Em minha humilde opinião, foi por aí quer a coisa rolou, ninguem quando respondeu a esta pergunta pensou em filhas, irmãs e mães sendo estupradas, a coisa foi um “gatilho” infeliz!Frases mal feitas…e o pensamento foi para as “ladras de homens” criadas pelas brilhantes novelas achatadoras de consciência.Foram perguntas erradas dirigidas a uma faixa de pesquisados sem a inteira noção da coisa, e notem, nesta mesma pesquisa, 91% (de memoria) são a favor de CADEIA para homens usando de violência com mulheres.Ou seja, a sociedade não é tão tola assim .. estou errado? Notaram que alguma coisa fedeu ?

    Felipe Moura Brasil comenta:

    Tratei desses assuntos, repito, no meu outro artigo: http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/03/29/estupro-machismo-culpa-levante-a-plaquinha-eu-nao-mereco-ser-enganada-pelo-ipea-e-mais-maioria-defende-pena-de-morte-ou-prisao-perpetua-a-estupradores/.

  • Fábio Veras

    -

    31/3/2014 às 17:04

    Excelente texto! Muito esclarecedor!

  • Valmir Gonçalves Garcia

    -

    31/3/2014 às 20:18

    INFELIZMENTE TEMOS QUE CONVIVER COM O AMADORISMO EXISTENTE EM TODOS OS SETORES DO GOVERNO MUNICIPAL, ESTADUAL, FEDERAL, E AGORA COM ESTES INSTITUTOS QUE MAL SABEM CONSTRUIR UM QUESTIONÁRIO PARA EXTRAIR A OPINIÃO DA POPULAÇÃO.

  • Romell

    -

    31/3/2014 às 20:24

    O Ministério Público deveria investigar os coordenadores dessa pesquisa, pois é uma falta de responsabilidade tamanha, gente de miolo mole, gente perversa, gente irresponsável.

  • Valmir Gonçalves Garcia

    -

    31/3/2014 às 20:28

    Continuando… 3810 entrevistados não representam de formal alguma a opinião do povo brasileiro que está indignado com todo o tipo de violência cada vez mais crescente na sociedade. Pesquisa muito, mas muito mal direcionada mesmo!!!

  • maria josé pinto

    -

    31/3/2014 às 20:29

    Em minha casa usamos muito a expressão” atacar”, quando na verdade estamos muito a fim de fazer alguma coisa. “Atacar um doce, um prato de comida, uma cerveja, um churrasco…” E OBSERVEM BEM: NÃO ACHAMOS QUE ELES MEREÇAM SER ESTUPRADOS! FUI CLARA?

  • Cristiano

    -

    31/3/2014 às 20:35

    Claro que a pesquisa foi feita pra gerar um escândalo, aproveitando o gancho que as redes sociais estão dando pra tudo. Quem tem uma bagagem de conhecimento percebe isso facilmente. Parabéns pelo texto.

  • sérgio

    -

    1/4/2014 às 1:43

    Esse artigo é um dos mais bem escritos, e os opositores dizem que foi feito um “contorcionismo”, só que não mostram os pontos “ludibriados”. E essa pesquisa está errada mesmo, pois a grande maioria não concordou em vários sites de notícia!

  • Elisa Alecrim

    -

    1/4/2014 às 2:28

    O resultado da pesquisa seria muito diferente se perguntassem : ” o que você faria com o estuprador da sua filha ? ”
    Seria a opinião sincera da sociedade a respeito de tanta violência no Brasil.
    A manipulação da pesquisa é idêntica à das eleições e intenções de votos. O Brasil não tem jeito. Na minha opinião é irreversível.

  • Ronaldo Ferreira Machado

    -

    1/4/2014 às 9:05

    O que é mais preocupante nessa pesquisa e que a mídia não divulgou, foram que 41,5% não têm nem o ensino fundamental completo e que a renda per capta dos entrevistados é de R$ 531,26, ou seja, uma parcela específica da população de pouca formação e baixa renda. É claro que o certo mesmo seria extratificar a amostra (o perfil dos entrevistados) com as características do universo (população). É como como se determinado “gueto social” (sem nenhuma conatação pejorativa), independente de classe social, religiosidade, preferência sexual, enfim, uma série de ‘randcaps’, representasse a opinião de uma pais tão diversificado. O mais preocupante é que a mídia internacional já trata dessas questões como REALMENTE O QUE PENSA O BRASILEIRO. Aí cabe a pergunta: como fica a imagem do país no exterior? não poderá comprometer a indústria brasileira do turismo num futuro próximo? Como resolver esse estrago? Imaginemos uma outra pesquisa; entrevistáriamos alguns ‘endinheirados’ do país e se chegaria a conclusão que o brasileiro adora tomar champanhe… essa informação reflete a realidade da maioria da população brasileira? imagina o que aconteceria se os maiores fabricantes dessa bebida no mundo instalassem suas fábricas por aqui? Acredito que o IPEA, como órgão do governo federal deveria vir a público e se desculpar primeiramente e depois ratificar tamanha insensatez… Foi um tremendo tiro no próprio pé…

  • Dimas

    -

    1/4/2014 às 9:13

    Este tipo de matéria serve para abafar outros temas que estavam em evidencia como o caso da Petrobras…

  • Ricardo Sigwalt

    -

    1/4/2014 às 13:35

    parabéns pelo artigo… fazia tempo que não lia um comentário tão bacana e construtivo vindo desta revista/website.

  • Ijar

    -

    1/4/2014 às 14:34

    Correto: Pesquisa Estatística qualitativa como esta tem que seguir padrões técnicos que vão desde o universo, coleta dos dados, tratamento dos dados e, finalmente resultados. Quando se trata de perguntas, perguntas não podem induzir respostas. Questões tem que ser feitas dentro de um padrão rigoroso para evitar que o pesquisado responda o que você quer. Não verifiquei toda a pesquisa, mesmo porque não vi todas as questões. Mas há pelo menos uma contradição séria no que li. 65% seriam a favor de ataques. Garanto que se a pergunta fosse do tipo “mulher com roupa curta fica mais sensual?”, a resposta teria sido similar: mulher que usa roupa curta fica mais sensual. Por que não peguntaram o que você acha de mulher que usa roupa curta: a) fica mais sensual; b) chama mais a atenção; c) merece ser atacada; d)merece ser discriminada…. e daí por diante, o resultado teria sido outro. Virou uma síndrome hoje: estupro (merece toda a atenção, mas atenção séria, sobre aspectos de segurança e aplicação da lei) e racismo (muito mal colocado no Brasil). Seguinte: a violência e o desrespeito tem que ser coibido, venha de mulher para mulher, de homem para homem, de homo para homo etc. O estupro é um desrespeito, e mais, é crime. Ponto. No Brasil as autoridades teem mania de sair pelas portas do fundo. Viram aquela proposta de um vagão só para mulheres por causa dos acochadores? Qual é o problema real? Na hora do pico todo mundo acocha todo mundo. Nunca vi tamanha falta de respeito para com o cidadão. Um vagão não resolve o problema. O verdadeiro problema é quantidade e qualidade no nosso transporte público! Mas este cura caro, requer investimentos, novos coletivos, bastante o suficiente para todos poderem viajar sentados, uma nova logística de horários entre 7 e 9 horas, 11 e 14 horas e 17 e 20 horas para começar o trabalho diário, almoço e fim de expediente, respectivamente. Ora… isto é problema! Aí as “otoridades” veem a público com soluções tipo “vagão só para mulheres”. O Brasil precisa urgentemente se tornar um país sério e que mostre respeito pelo cidadão brasileiro que enfim é quem paga as contas.

  • Ijar

    -

    1/4/2014 às 15:10

    Pronto. Levei um tempinho mas lí a reportagem. Isso mesmo. Perguntas mal feitas que induzem respostas, inclusão de conceitos imprecisos como mulher saber se comportar e vai por aí. A pesquisa não foi séria.

  • vanny marques

    -

    1/4/2014 às 15:14

    Parabéns… seu parecer está absolutamente correto!!!

  • Rafael

    -

    1/4/2014 às 16:10

    Excelente!
    Isso sim deveria virar manchete e capa de jornais…

  • Bruno

    -

    1/4/2014 às 18:07

    Enfim, bom senso!
    Eu cansei de levar pedrada ao dizer que o estopim da revolução se deu por motivos míopes (rs). O número 65% não era representativo e que a pergunta era mal formulada.

    Compartilharei aos 4 cantos.

  • Milena

    -

    1/4/2014 às 22:41

    Quando eu ouvi sobre esta pesquisa, logo criei desconfiança intelectual. Não é isso o que eu ouço das pessoas, nunca ouvi de ninguém de nenhum homem que a culpa do estupro é da vítima. Mas fazem tanto alarde no facebook com graficozinhos, desenhinhos, frases de impacto e etc… Enfim, não conheço o IPEA e por isso não há razão pessoal minha para confiar num instituto só porque ele é público. Coisas públicas vivem fazendo porcarias.

  • Débora

    -

    2/4/2014 às 8:02

    Eu li no site Revolta Brasil que o Lula afirmou que a imprensa estava pegando pesado com a Dilma pelo fato dela ser mulher. Sem dúvida a pesquisa fajuta e essa campanha tem a finalidade de dizer sublinarmente que quem não vota na Dilma é machista. E outra, apareceu uma propaganda na televisão muito suspeita, do TSE. O link: https://www.youtube.com/watch?v=hF0VFyOoV6o

  • Lena Casas Novas

    -

    2/4/2014 às 11:24

    No primeiro dia que foi publicada a pesquisa, eu fiz uma análise técnica e percebi que todos estavam passando por idiota. Eu já estava desistindo de acreditar que alguém iria se prestar ao trabalho como eu de fazer uma análise na metodologia.

    http://www.lenacasasnovas.com.br

  • Thays

    -

    2/4/2014 às 17:28

    Minha dúvida é porque querem que a gente pense q o povo pensa a culpa dos estupros é, em última instância, das mulheres… xiii, ficou meio confuso, mas é isso…

  • Rodrigo

    -

    2/4/2014 às 22:56

    Putz, vejo uma mulher de saia curta e shortinho e já fico todo excitado, n sou estuprador mas a mulherada tem q entender q é difícil o cara ver e ficar quieto, é hormônio. Por favor, ajuda o sexo masculino, usa vestido maior e calça.

  • marcela llerena

    -

    3/4/2014 às 8:34

    Concordo plenamente com os fatos e muito me abalo ao saber o quanto somos burros aqui nesse país.
    Somos faceis de manipular feito pessoas que moram no meio do mato e recebem a visita do primo da cidade. O primo do campo nunca saiu do campo e nao entende nada sobre o mundo do primo da cidade. Entao, tudo que lhe for contado o caipira só ira concordar.

  • Suellem Souza

    -

    3/4/2014 às 13:53

    Ninguém deve ser estuprada por conta de um short, porém, nós mulheres devemos ter o mínimo de decência e o pior de tudo é que as mesmas que se “vestem” quase nuas ainda reclamam quando “pessoas” olham para a mesma. Como o Rodrigo disse, o homem olhar para uma mulher atraente e com roupas curtas o fazem ficar excitado, afinal, ele é homem e os hormônios existem e isso é natural do ser humano, assim como mulheres também se excitam quando olham um homem que possuem o padrão de beleza que elas gostam ou até mesmo o carro que gostam… O problema mesmo consiste em que muitas querem andar nua e não querem que ninguém diga um “A” para tais atitudes.Sem falar que estupradores não atacam somente mulheres, mas também crianças e idosos e cá entre nós, quem faz uma coisa desse tipo, é alguém que não é 100% saudável mentalmente.

  • Nxforte

    -

    3/4/2014 às 23:28

    Felipe, quando saiu a divulgação da pesquisa, achei meio estranho o IPEA tratar de comportamento. /// Vocês SÉRIOS aí do IPEA: como deixaram “colegas” fazerem esse estrago com a credibilidade de vocês desse jeito???

    Ah, é claro que mulher nenhuma merece ser estrupada. É um crime safado.

  • Antonia Maria de Jesus Abreu

    -

    4/4/2014 às 20:40

    Eu não não sou machista, porém acho que as jovens de hoje se vestem para se mostrar(aparcer), isso não siginifica

  • Oziel Nascimento

    -

    4/4/2014 às 20:53

    Concordo plenamente com o seu comentário sobre a pesquisa do IPEA, cheguei até colocar para alguns amigos meu ponto de vista sobre a pesquisa que é praticamente igual ao seu comentário. Um abraço.

  • Antonia Maria de Jesus Abreu

    -

    4/4/2014 às 20:56

    Eu não sou machista, porém acho que as jovens estão abusando do modo de se vestir, oquê aguçam a vontade dos tarados, portanto devemos alertar e observar nossos filhos e filhos a se comportarem como cavalheiros,respeitosos, pois além das vestimentas tem que haver o respeito com o próximo”, a mídia mostra o lado pobre,; os poderosos só fazem propaganda, pois tem segurança e não correm risco, andam em carros prtoegidos etcc

  • Eduardo

    -

    5/4/2014 às 0:14

    O petismo tem sua indústria de panfletagem, gráficos e estatísticas próprios, onde todos retratam, ou uma realidade mais fantasiosa ou mentirosa, ou muito mais pessimista e cruel, só dependendo de quem queria cooptar ou destruir!

    Enfim o Ipea foi desmoralizado, todo e qualquer dado econômico que a partir de agora esse instituto que (também) completa 50 anos de existência, sempre sério e muito respeitado, será visto com desconfiança, com incredibilidade!

    Enfim conseguiram aquilo que deram início aqui:
    http://veja.abril.com.br/211107/p_086.shtml

  • Edvaldo

    -

    5/4/2014 às 19:42

    Parabéns, muito bom seu texto!
    Existe uma confusão entre responsável e culpado.
    Na construção do questionário, é importante manter o foco na questão a ser investigada durante a elaboração da pergunta, procurando usar palavras simples e perguntas objetivas que procure reduzir ao máximo possível a chance de interpretações diferentes da desejada. Outro ponto importante, é garantir que a aplicação do questionário seja o mais padronizado possível nas diferentes populações alvo da pesquisa.
    Não está muito claro a metodologia desta pesquisa e, devido o assunto, acredito que existam alguns problemas de metodologia na pesquisa.

  • Valdir Severino.o

    -

    6/4/2014 às 18:52

    Filipe foi muito boa a sua observação, mas no Brasil o problema não é como a mulher se veste ou deixa de se vestir, o problema é da justiça ou falta dela, no Brasil aproximadamente 46.000 (quarenta e seis mil) querempessoas são assassinadas por ano, sem falar em diversos outros crime que se cometem diariamente, enquanto tiver Juiz que manda prender e juiz que manda soltar, não vai acabar o estupro e nenum outro crime, é preciso uma reforma no sistema judiciário brasileiro urgente, se querem que diminua o índice de criminalidade de qualquer natureza.

  • Manoelli Rupolo

    -

    7/4/2014 às 10:28

    Excelente texto!
    A midia destorce o pensamento humano. O que podia ser uma pesquisa movida pelo respeito, para buscar soluções RACIONAIS para determinados comportamentos humanos, virou uma PIADA e, PRINCIPALMENTE, UM DESRESPEITO PARA NÓS MULHERES. Eu discordo totalmente que estar com roupas curtas atraem ainda mais os “estupradores”.. Até porque já vi mulheres de calça jeans e jaqueta sendo MUITO mais vulgar do que uma de saia e regata. Acredito que o comportamente se baseia em um todo, e não somente na roupa que as mulheres vestem!! NENHUMA mulher merece ser abusada/atacada! ACORDA BRASIL, NÃO É A ROUPA DE UMA PESSOA QUE DEFINE SEU CARATER E SEU COMPORTAMENTO.

  • Thiago

    -

    7/4/2014 às 17:16

    A culpa dos estupros não é das mulheres, nem dos homens, mas tão somente do estuprador. Lógico. Tão simples, mas os nossos sociólogos não concordam com a simplicidade, ou com a lógica, eles têm que inventar sempre um fenômeno social para justificar sua utilidade. Na cabeça perturbada dessa gente o estuprador, como qualquer outro algoz da sociedade, é apenas uma vítima dos impulsos. Eles não conseguem provar nada do que dizem sem antes distorcer a realidade até que esta se adeque aos seus absurdos teóricos.
    E o pior é que o povo brasileiro cai na lábia dessa gente. E não somente isso: O brasileiro começa a pensar segundo o que o sociólogo determina. “cultura do machismo”, “cultura do estupro”, isso não existe aqui, mas basta que um de seres mal intencionados inclinados à promoção da destruição radical de toda ordem social, e com o poder econômico e político nas mãos, diga ao povo que isso existe, e o povo acreditará que vivemos em um país islâmico.
    O brasileiro é mais dócil de se programar do que uma TV.

  • Andreza

    -

    3/5/2014 às 11:18

    não se deveria atribuir a culpa dos vários casos de estrupo as mulheres,pois elas são as que sofrem mais com o abuso e perseguições. os crimes ocorrentes no brasil de estrupo e pedofilia também tem como culpados a queles que comente tal barbaridade. nesse aso a sociedade tem que prestar atenção , pois esses mal elementos estão em torda parte, e não jugar, afastar quem sofre com isso.

  • maria de lourdes

    -

    18/5/2014 às 23:21

    Certo,mas e a vulgaridade feminina? Nós mulheresbrasileiras somos vistas como prostitutas no exterior,será que os gringos também são todos machistas ou será que nós não contribuimos com essa imagem? Estou farta dessa patifaria feminista,que nos incentiva a sermos objetos sexuais,provocar os homens das maneiras mais baixas possíveis,e depois ficar nessa m* de mimimi vitimista quando o tiro sai pela culatra!E o pior que nem podemos ao menos tocarmos no assunto sem o patrulhamneto deessas desajustadas que insistem em pintar um quadro de vitimismo insano.A eficiência dessa lavagem cerebral se comprava nos comentários que aqui li.E vamos que vamos,continuando anos reduzirmos é bundas e peitos!! E viva a hipocrisia desses homens aqui: mulher pode se vestir como vagabunda,não é? Mas minha namorada não,minha esposa não,minha filha não…ao invés de nos ensinar anos vermos como seres-humanos,pesquisas como essa só agrava o quadro de vulgarização exttema que temos neste país,cultura que cria tarados e depois os condenam!

  • Horminda

    -

    19/9/2014 às 23:22

    Eu concordo plenamente com o comentário de maria de lourdes e não é só o modo de se vestir é o caráter é o q si tem dentro de suas cabeças a maioria tambem é descomprometidas com tudo.

 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados