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O ativista

Cesare Battisti, condenado por assassinato e novamente preso, Lula, ex-presidente da República, e Luís Roberto Barroso, ministro do STF – muito a ver

O público foi informado há pouco que o cidadão italiano Cesare Battisti foi preso por tentar atravessar a fronteira terrestre entre o Brasil e a Bolívia, em Corumbá, no Mato Grosso do Sul, levando consigo 6.000 dólares e 1.300 euros não declarados às autoridades. É ilegal. Chamam a isso de evasão de divisas, crime previsto no Código Penal Brasileiro. Está rigorosamente proibido pelos nossos superiores das repartições alfandegárias, policiais, fiscais, fazendárias e outras ainda mais alarmantes. Mas vamos com calma. Ninguém vai morrer por causa disso; são coisas que acontecem na rotina agitada das nossas fronteiras, por onde passam todos os dias, e pelos dois lados, coisas muitos piores que aquele dinheirinho – carros roubados, toneladas de cocaína vendidas pelo companheiro Evo Morales, fuzis de combate e mais ou menos tudo que se possa imaginar de ilegal. (De mais a mais, o que são esses 6 mil dólares e uns quebrados no país dos 51 milhões dos Geddels, das sondas marítimas para a Petrobras ou das “Operações Estruturadas” da Odebrecht?) O que há de esquisito nessa história banal é que ela não tem nada de banal, quando se presta 30 segundos de atenção na “narrativa”, como se diz hoje.

Para começo de conversa, o cidadão detido foi descrito universalmente como um “ativista”. Que raio seria isso – um “ativista”? Um sujeito muito ativo, que não para quieto? Que está em movimento perene, como no moto-contínuo, ou vive correndo de um lado para outro? Seria o contrário, talvez, de um “passivista”? Faça a sua escolha. O certo é que Cesare Battisti não é ativista coisa nenhuma – é um quádruplo homicida, condenado à prisão perpétua pela Justiça da Itália num processo juridicamente impecável, por assassinar friamente quatro pessoas em seu país, durante os anos 70. Após sua condenação, escapou do presídio e fugiu para o Brasil, onde está desde 2007 – e onde desfruta, desde 2010, os privilégios de “asilado político”. Mas como ele é um homem de esquerda – praticou seus homicídios na condição de matador do grupo “Proletários Armados Pelo Comunismo” – foi ressocializado e promovido à ocupação de “ativista”, ou às vezes de “militante”. Em alguns casos, talvez por vergonha de descreverem o cidadão com palavras flagrantemente falsas, é chamado de “italiano” – o que o homem não deixa de ser, claro, mas continua servindo como uma maneira de esconder o que ele realmente fez.

Para continuação de conversa, o Brasil deve o seu convívio com o personagem hoje detido no xadrez de Corumbá ao ex-presidente Lula – que desprezando as leis internacionais, o pedido legítimo de extradição feito pelo governo da Itália, que apenas pedia de volta um múltiplo assassino, e a decência comum, recusou-se a permitir que os crimes de Battisti fossem punidos e deu-lhe asilo no Brasil. Recebe dele agora, como agradecimento pelo presente que lhe deu, uma tentativa de tráfico de divisas na fronteira. Mais que isso, Lula vê o seu protegido violar o próprio Estatuto dos Refugiados que se comprometeu a obedecer, e que proíbe um asilado de sair do território brasileiro sem autorização prévia. A pena para isso é a perda da condição de refugiado.

Enfim, para término de conversa, temos que um ministro do Supremo Tribunal Federal, nada menos que isso, foi o advogado que defendeu Battisti perante a justiça brasileira durante o seu processo de extradição. Trata-se do hoje ministro Luís Roberto Barroso, um dos 11 juízes supremos no Brasil. Barroso, quando defendia Battisti, disse que o “clima” político da Itália durante os processos contra seu cliente criou uma justiça de exceção que negava aos acusados da “extrema esquerda” as garantias do devido processo legal. “A democracia italiana era mais truculenta do que a ditadura brasileira”, afirmou ele. Trata-se de uma mentira, pura e simples, no terreno dos fatos. Não é uma interpretação, é apenas uma falsidade – uma das mais grosseiras que já foram ditas na história do sistema judiciário deste país. Está dito. Não pode ser mais apagado.

O ministro Barroso, hoje, nos dá lições sobre aborto, democracia, ligações homoafetivas e mais uma imensa coleção de temas que tocam nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Não voltou a falar das vantagens apresentadas pela justiça da “ditadura militar” no Brasil em relação à justiça da democracia na Itália.

 

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  1. Paulo Roberto Correa Lima

    QUE COISA HEM ?

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  2. José Santos

    Não esqueçamos do ex-senador Eduardo Suplici, que, à época, moveu meio mundo em favor do italiano.

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  3. José Carlos Colodette

    Barroso é um homem sem moral, mente a mais não poder.

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  4. Nádia Sanchez

    Não esquecer também a bizarrice cometida pelo STF que, em 2009, autorizou a extradição do criminoso, mas decidiu também que a última palavra sobre o assunto seria do Presidente da República.

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