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pigmentação

16/03/2010

às 15:01 \ Doenças

Você só tem a ganhar com o check up de suas pintas

 

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É simples: você tira a roupa e, em poucos minutos, o dermatologista avalia uma a uma as pintas do seu corpo. A maior parte é conferida a olho nu. Outras podem precisar de lupa especial, que diferencia pintas normais de pintas cancerosas. Se houver pinta suspeita, ela é removida e enviada ao patologista.
Esse exame é simples e importantíssimo porque pode salvar sua vida: o melanoma, o mais agressivo dos cânceres de pele, é curável se detectado nos estágios iniciais.

Faça o check up uma vez por ano

Quando o melanoma é detectado no começo, a taxa de cura é próxima a 100%. Com o tempo, ele se desenvolve e pode se espalhar para outros órgãos. É triste quando uma pessoa descobre um melanoma avançado: a mesma doença que podia ter sido curada, agora provavelmente custará a vida.

Dois estudos científicos publicados recentemente comprovam que, quando o dermatologista confere rotineiramente as pintas de seus pacientes, acaba descobrindo melanomas iniciais. Por isso, mesmo que você nem imagine ter uma pinta suspeita, mesmo que garanta que nenhuma pinta se modificou ao longo do tempo – ou mesmo quando tudo o que espera do dermatologista é uma caprichada no Botox – o exame dermatológico é fundamental.

Grupo de risco

Todo mundo corre risco de ter melanoma, basta estar vivo. Mas existem pessoas mais suscetíveis. Quem passou dos 50 e tem pele clara, quem costuma se queimar ao sol e ficar vermelho e quem já teve queimaduras solares com bolhas está no grupo de risco. Também está quem tem mais de 50 pintas pelo corpo. Ou quem tem na família alguém que já teve melanoma. O risco é maior se o parente for próximo, como mãe, pai ou irmão. Esportistas que passam muito tempo ao ar livre também entram no grupo de risco, e adeptos do bronzeamento artificial idem.

Se você se encaixou no grupo de risco, marque uma consulta com um dermatologista e faça um check up de suas pintas. Se você já vai ao dermatologista para cuidar de assuntos de beleza ou mesmo para olhar uma unha com micose, peça a ele que aproveite e olhe também suas pintas. Porque a detecção precoce é a melhor arma contra o câncer de pele.

Leia também: Câncer de pele – melanoma

Por Lucia Mandel

09/03/2010

às 18:09 \ Tratamento

Qual o melhor tratamento para mancha senil?


Qual o tratamento para as manchas senis que, segundo os dermatologistas, são provocadas pelo sol e que aparecem com a idade
?
(José)

José, manchas senis são manchas escurecidas que aparecem com a idade nas áreas de pele que ficam descobertas, como rosto, mãos, braços e colo. Essas áreas, dia após dia, são expostas aos raios solares. Os efeitos nocivos do sol se acumulam durante a vida. Com o tempo, o sol envelhece e mancha a pele.

O melhor modo de não ter manchas senis é se prevenir. Não se expor ao sol forte e usar filtro solar diariamente. Evitando o acúmulo de radiação solar as manchas podem nem aparecer.

No seu caso as manchas já apareceram, não é mesmo? Então aí vão opções de tratamento:

1. Laser e luz pulsada. São dois tratamentos parecidos e com resultados excelentes. A luz do laser ou do aparelho de luz pulsada atinge o pigmento escuro da mancha e o aquece de tal maneira que ele é destruído. Formam-se casquinhas e, depois de uma semana, a mancha suaviza ou desaparece. Nem sempre uma sessão elimina todas as manchas. Na maioria dos casos uma mesma pessoa se submete a quatro sessões, sendo uma ao mês. O tratamento pode ser feito em qualquer ponto da pele, como rosto, pescoço, colo, mãos ou braços. Quanto mais clara a pele e mais escuras as manchas, melhor o resultado. O tratamento com luz ainda é capaz de eliminar vasinhos dilatados, que também aparecem na pele como efeito da exposição desprotegida ao sol. Uma vantagem desse tratamento é que a pele não manchada não é agredida. Assim, surgem casquinhas apenas sobre as manchas, e a recuperação da pele é rápida.

2. Peeling químico. Para remover manchas senis, o peeling precisa ser de média ou de grande profundidade. Um bom peeling de média profundidade é o de ácido tricloroacético, ou ATA. Ele não deve ser realizado em pessoas de pele escura, sob risco de aparecerem novas manchas. E pode ser repetido, se necessário, a cada mês. A melhora é grande com apenas uma sessão de peeling. A desvantagem é que o peeling não age seletivamente nas manchas. Ele agride toda a pele onde é aplicado. Assim, a descamação é intensa e o incômodo após a sessão é maior.

Além de escolher um bom tratamento, use um creme despigmentante em casa. Ele ajuda a clarear e a evitar que as manchas voltem. Mas dificilmente um creme de uso domiciliar usado isoladamente consegue clarear manchas senis.

Depois de completado o tratamento (qualquer um deles) é importante evitar tomar sol sem proteção. Caso contrário, as manchas voltarão.

Por Lucia Mandel

07/07/2009

às 7:33 \ Arquivo, Doenças

Vitiligo

Em 1993, a apresentadora americana Oprah Winfrey entrevistou Michael Jackson e perguntou se ele clareava a pele por não gostar de ser negro. O cantor negou e revelou sofrer de uma doença que destrói a pigmentação da pele. Disse ainda que usava maquiagem para uniformizar a cor e disfarçar as manchas que a doença causava. Mais tarde, em outras ocasiões, Michael daria nome a essa doença: vitiligo.

Quem tem vitiligo perde melanina, pigmento que dá cor à pele e cabelos. Isso acontece porque as células produtoras de melanina, os melanócitos, são destruídas. Assim, a pele fica com manchas brancas sem pigmentação. Essas manchas podem crescer ou permanecer do mesmo tamanho por anos.

A doença

Não se sabe precisamente por que ocorre a destruição das células. Há influência genética, e cerca de 30% dos portadores têm algum parente com a doença. Michael, na mesma entrevista a Oprah, contou que esse seria seu caso: havia pessoas com vitiligo na família do seu pai. Há também influência do sistema imunológico, que destrói indevidamente os melanócitos. Por isso, alguns pacientes têm, junto com o vitiligo, outras doenças auto-imunes, como lúpus ou alopécia areata (a possibilidade do paciente com vitiligo ter essas outras doenças deve ser investigada pelo médico). Em algumas vezes o problema começa com um stress psicológico ou após uma grave queimadura solar. Em outras vezes, não se encontra nenhuma explicação para o aparecimento da doença. Mas sabe-se que não é contagioso.

No vitiligo, manchas brancas invadem subitamente a pele, seja ela branca, negra ou de qualquer outra cor. Se a pele é branca, as manchas são ainda mais claras, e podem incomodar ou não, dependendo da localização. Se a pele é negra, o incômodo é maior, já que o contraste entre pele sã e pele afetada é marcante.

O início é repentino e qualquer parte do corpo pode ser afetada. É freqüente aparecerem manchas nas mãos, braços, pernas, ao redor dos olhos e ao redor da boca. Cabelos, sobrancelhas, cílios e barba podem clarear. Não existe maneira de predizer a evolução da doença. Não há exame ou qualquer pista que indique se ela irá progredir, melhorar sozinha ou ficar estável. O grau da evolução varia, e em casos extremos, a maior parte da pele é afetada.

Tratamentos

Uma vez descartadas doenças imunológicas associadas, trata-se a parte estética. Infelizmente não há cura definitiva. Quase todas as opções de tratamento buscam frear a evolução e estimular novamente a pigmentação. Mas a tendência ao vitiligo persiste, mesmo em quem responde bem ao tratamento. É comum a pessoa passar por algumas opções de tratamento até encontrar aquele que se aplica melhor a ela.

Seja qual for a opção, o paciente não deve expor a pele branca de vitiligo ao sol. Isso porque a pele afetada, desprovida de pigmento, se queima com facilidade, aumentando a predisposição a câncer de pele. Ainda, ao tomar sol, o resto da pele fica bronzeada, intensificando o contraste com as manchas. Finalmente, queimaduras solares estimulam o aparecimento de novas lesões de vitiligo. Por tudo isso, além de fugir do sol, o paciente deve usar diariamente um filtro com alto fator de proteção solar em toda a pele.

O tratamento para escurecer manchas claras pode ser local ou por via oral. Boas opções de tratamento local são cremes que inibem a resposta imunológica, como a cortisona ou os imunomoduladores tópicos. Outra opção de cremes são os psoralênicos, que intensificam a sensibilidade da pele à luz. Após aplicar o produto, o paciente expõe a mancha a lâmpadas específicas para o tratamento ou até mesmo ao sol, sempre sob rigoroso controle médico.

Tratamentos por via oral são indicados para casos extensos. Boa opção são os psoralênicos, tratamento eficiente e bastante delicado. Outras opções, mais modernas, são o laser (Excimer laser) e o uso de luz ultravioleta tipo B de banda estreita. Tais tratamentos vêm ganhando popularidade por não precisarem da aplicação prévia do psoralênico.

Quem não responde bem a nenhum tratamento, muitas vezes utiliza medidas de camuflagem, como uma boa maquiagem.

É possível um negro ficar branco por causa do vitiligo?

Em casos extremos, quando a maior parte da pele é acometida pela doença, médico e paciente podem optar por um tratamento que, ao invés de estimular a pigmentação da área clara, destrói a pigmentação da pele sem vitiligo através de um creme. A pele fica extremamente sensível ao sol, para sempre. Não se usa esse tratamento se o vitiligo atingir menos que 50% da pele, e nunca em quem não tem vitiligo. Aplica-se o medicamento até a pele ficar uniforme.

Quanto a Michael Jackson, embora ele e sua maquiadora tenham revelado publicamente a doença, as dúvidas nunca foram completamente esclarecidas. Todos vimos sua pele mudar de cor, mas ele nunca mostrou ao público uma mancha típica da doença. Nesse aspecto, o cantor preservou sua privacidade. Se ele tinha ou não vitiligo? Essa e outras especulações sobre a vida do astro ficam agora que ele se foi. Junto com a enorme saudade dos milhões de fãs.

Deixo aqui um vídeo interessante sobre vitiligo. Trata-se de uma entrevista que Lee Thomas, âncora da televisão americana, concedeu em 2008 para a ABC. Ele é negro, sofre da doença e escreveu um livro chamado Turning White (ou Ficando Branco), onde fala de sua condição e de sua luta. A entrevista está em inglês e infelizmente não tem legendas. Mas, mesmo que seu inglês não seja dos mais afiados, assista. As imagens valem a pena por mostrar bem o que é a doença.

Por Lucia Mandel

 

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