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Hospital das Clínicas de São Paulo

24/08/2010

às 15:36 \ Corpo

Reunião de sábado

Sabadão, dia de folga, o que fazer? Que tal se reunir com amigos para um bom papo sobre a dermatite atópica? Para quem sofre com esta condição, na qual a pele está predisposta a desenvolver reações alérgicas, não existe programa melhor.

O ponto de encontro é o ambulatório de dermatologia do Hospital das Clínicas de São Paulo. As cadeiras são colocadas formando um grande círculo. Ali, junto com os pacientes e convidados, se sentam os dermatologistas Roberto Takaoka e Valeria Aoki, coordenadores da AADA, ou Associação de Apoio à Dermatite Atópica. Também comparecem à reunião outros dermatologistas, psicóloga e pedagoga. A reunião do grupo de apoio da AADA acontece quase todos os meses, há 20 anos. O evento reúne, além dos portadores dessa condição, também seus familiares e especialistas no tratamento. Como os vários pacientes e seus familiares têm queixas e vivem situações parecidas, a reunião é uma grande troca de experiências e aprendizados.

Roberto Takaoka acredita que uma interação como essa enriquece os conhecimentos de todos os participantes, tanto pacientes quanto profissionais. Melhora a relação entre médico e paciente e, como consequência, faz com que o tratamento da dermatite seja mais eficaz. E só de participar de uma dessas reuniões, pude ter uma ideia de como esta iniciativa é realmente boa.

A reunião

Um a um os presentes se identificaram e falaram de seu problema. Uma mãe contou que seu
filho não quis ir à reunião naquele sábado, mas ela decidiu ir mesmo sem ele. Ela achava que a troca de informações com as outras pessoas poderia ajudá-la a cuidar do filho. Alguns compareceram para conhecer mais sobre seu problema e opções de tratamento. Outros queriam só falar, como forma de terapia.

Ficamos sabendo um pouco de cada um. Não só dos pacientes e familiares, mas também dos dermatologistas, da psicóloga e da pedagoga que fazem parte da associação. Qualquer pessoa que ali estava e que desejasse falar, perguntar ou apenas expor seu ponto de vista podia fazê-lo sem constrangimento. Enquanto os adultos conversavam, as crianças brincavam e desenhavam em uma sala ao lado, monitoradas pela pedagoga da AADA.

Além de falar sobre tratamentos, medicamentos e efeitos colaterais, os participantes discutiram questões do dia a dia. Qual filtro solar é mais indicado para peles tão sensíveis? Como lidar com crises noturnas de coceira? O que fazer para estabilizar o lado emocional quando a coceira é infernal e desestabiliza qualquer um? Como tomar banho durante a crise, quando até mesmo a água batendo na pele provoca ardor? Eram todas dúvidas cotidianas, mas fundamentais.

A associação

A AADA (www.aada.org.br) , além de organizar reuniões de apoio, promove outras atividades. Para médicos, organiza simpósios, eventos de atualização científica e estimula a realização de pesquisas sobre dermatite atópica. Para pacientes e familiares, o site da associação traz informações confiáveis sobre a doença e seu tratamento.

A importância do apoio a doentes crônicos

Uma boa relação médico-paciente ajuda o tratamento das mais variadas condições de saúde. Ainda mais quando essa condição tem forte componente emocional. Por isso, iniciativas como essa dos médicos Roberto Takaoka e Valeria Aoki  e de toda a equipe da AADA, são extremamente importantes.

Para mim e para dezenas de pessoas presentes, aquele foi um excelente sábado.

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Por Lucia Mandel

 

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