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barba

08/02/2011

às 8:02 \ Beleza

Barba incômoda

Tenho pelos encravados na barba, mas tenho medo de fazer tatamento com laser porque posso me arrepender, não quero uma pele completamente lisa. A senhora tem alguma sugestão?
(Lair)

Você sabe por que o pelo encrava? Depois que nasce e ultrapassa a pele, ele se curva e penetra de novo na pele. Ou então, nem chega a ultrapassá-la: cresce por baixo dela. A pele inflama, fica avermelhada, inchada e dolorida. Fica também mais propensa a infecções por bactérias, e nesse caso surgem pequenas bolinhas com pus, como se fossem espinhas. Homens de barba grossa e com pelos enrolados são os mais afetados. Isso é um problema para quem quer ou precisa estar sempre com barba bem feita. O pescoço é área preferencial para ter pelos encravados, e o desconforto aumenta ainda mais para  quem precisa usar camisa e gravata: o colarinho fica raspando numa pele já sensibilizada.

O tratamento ideal é a depilação a laser, porque elimina os pelos que tendem a encravar. Outras sugestões, que comentarei a seguir, apenas suavizam o incômodo. Mas não eliminam a causa do encravamento, e não resolvem completamente e nem definitivamente a situação.

Para uma depilação completa da barba são necessárias ao menos cinco sessões de laser. Ao decidir tratar sua barba com depilação a laser, você pode restringir a aplicação a poucas sessões. Com duas, três ou quatro sessões, alguns pelos são eliminados e outros não, o que deixa a barba mais rala. E os pelos que sobram ficam mais finos. Assim, o incômodo com pelos encravados diminui consideravelmente e sua barba não desaparece completamente.
Você também pode restringir ao pescoço suas sessões de depilação a laser. É possível definir uma faixa a ser depilada e preservar a barba do rosto e de alguns centímetros abaixo da mandíbula.

Se mesmo assim o laser não for uma opção para você, algumas dicas ajudam a diminuir o incomodo com pelos encravados:

1.    Faça sua barba durante o banho, quando os pelos estão macios.
2.    Use um aparelho de barbear com apenas uma lâmina. Quanto mais rente o barbeado, maior a chance de encravamento.
3.    Faça a barba no sentido do crescimento dos pelos. O barbeado contra o crescimento dos pelos fica mais rente e aumenta a tendência ao encravamento.
4.    Esfolie a pele três vezes por semana.
5.    Use loção pós-barba com ativos calmantes, como azuleno ou alfabisabolol.
6.    Para aliviar a inflamação, faça compressas geladas com chá de camomila, ou borrife água termal gelada na pele sensiblizada.
7.    Dê um dia de folga toda semana para sua pele, e nesse dia não se barbeie.
8.    Dependendo da avaliação de seu dermatologista, use cremes à base de cortisona ou antibiótico.

Por Lucia Mandel

11/09/2009

às 14:04 \ Respostas

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho pelos já brancos na barba, estes também podem ser eliminados pelo procedimento a laser?Há algum tempo me informaram que pelos brancos não são removíveis a laser, espero que isto tenha mudado.
(Jovino)

 Jovino, isso ainda não mudou. Pelos brancos não respondem à depilação a laser. Cor branca não absorve a luz do laser. Assim sendo, as raízes dos pelos brancos não se aquecem o suficiente para serem destruídas. 

Existe algum perigo no uso do laser, ao fazer a barba, por exemplo, de aparecimento de queloides?
(Ricardo)

É possível fazer depilação a laser em pessoas com tendência a queloides. Mas a energia usada na sessão precisa ser dosada. Isso diminui a agressão à pele e, assim, o risco de se desenvolverem queloides é minimizado. Nesse caso, como a energia do laser é menor, o número de sessões necessárias para se completar o tratamento é maior que o habitual.

O laser para depilação pode ser aplicado nas sobrancelhas?
(Carlos)

O laser é capaz de eliminar os pelos das sobrancelhas, mas eu não indico esse tratamento. A maioria dos aparelhos de laser tem ponteiras grandes, incapazes de fazer com precisão o delicado desenho da sobrancelha. No entanto, se suas sobrancelhas são unidas, os pelos que ficam acima do nariz podem ser removidos com laser.

Por Lucia Mandel

07/07/2009

às 7:33 \ Arquivo, Doenças

Vitiligo

Em 1993, a apresentadora americana Oprah Winfrey entrevistou Michael Jackson e perguntou se ele clareava a pele por não gostar de ser negro. O cantor negou e revelou sofrer de uma doença que destrói a pigmentação da pele. Disse ainda que usava maquiagem para uniformizar a cor e disfarçar as manchas que a doença causava. Mais tarde, em outras ocasiões, Michael daria nome a essa doença: vitiligo.

Quem tem vitiligo perde melanina, pigmento que dá cor à pele e cabelos. Isso acontece porque as células produtoras de melanina, os melanócitos, são destruídas. Assim, a pele fica com manchas brancas sem pigmentação. Essas manchas podem crescer ou permanecer do mesmo tamanho por anos.

A doença

Não se sabe precisamente por que ocorre a destruição das células. Há influência genética, e cerca de 30% dos portadores têm algum parente com a doença. Michael, na mesma entrevista a Oprah, contou que esse seria seu caso: havia pessoas com vitiligo na família do seu pai. Há também influência do sistema imunológico, que destrói indevidamente os melanócitos. Por isso, alguns pacientes têm, junto com o vitiligo, outras doenças auto-imunes, como lúpus ou alopécia areata (a possibilidade do paciente com vitiligo ter essas outras doenças deve ser investigada pelo médico). Em algumas vezes o problema começa com um stress psicológico ou após uma grave queimadura solar. Em outras vezes, não se encontra nenhuma explicação para o aparecimento da doença. Mas sabe-se que não é contagioso.

No vitiligo, manchas brancas invadem subitamente a pele, seja ela branca, negra ou de qualquer outra cor. Se a pele é branca, as manchas são ainda mais claras, e podem incomodar ou não, dependendo da localização. Se a pele é negra, o incômodo é maior, já que o contraste entre pele sã e pele afetada é marcante.

O início é repentino e qualquer parte do corpo pode ser afetada. É freqüente aparecerem manchas nas mãos, braços, pernas, ao redor dos olhos e ao redor da boca. Cabelos, sobrancelhas, cílios e barba podem clarear. Não existe maneira de predizer a evolução da doença. Não há exame ou qualquer pista que indique se ela irá progredir, melhorar sozinha ou ficar estável. O grau da evolução varia, e em casos extremos, a maior parte da pele é afetada.

Tratamentos

Uma vez descartadas doenças imunológicas associadas, trata-se a parte estética. Infelizmente não há cura definitiva. Quase todas as opções de tratamento buscam frear a evolução e estimular novamente a pigmentação. Mas a tendência ao vitiligo persiste, mesmo em quem responde bem ao tratamento. É comum a pessoa passar por algumas opções de tratamento até encontrar aquele que se aplica melhor a ela.

Seja qual for a opção, o paciente não deve expor a pele branca de vitiligo ao sol. Isso porque a pele afetada, desprovida de pigmento, se queima com facilidade, aumentando a predisposição a câncer de pele. Ainda, ao tomar sol, o resto da pele fica bronzeada, intensificando o contraste com as manchas. Finalmente, queimaduras solares estimulam o aparecimento de novas lesões de vitiligo. Por tudo isso, além de fugir do sol, o paciente deve usar diariamente um filtro com alto fator de proteção solar em toda a pele.

O tratamento para escurecer manchas claras pode ser local ou por via oral. Boas opções de tratamento local são cremes que inibem a resposta imunológica, como a cortisona ou os imunomoduladores tópicos. Outra opção de cremes são os psoralênicos, que intensificam a sensibilidade da pele à luz. Após aplicar o produto, o paciente expõe a mancha a lâmpadas específicas para o tratamento ou até mesmo ao sol, sempre sob rigoroso controle médico.

Tratamentos por via oral são indicados para casos extensos. Boa opção são os psoralênicos, tratamento eficiente e bastante delicado. Outras opções, mais modernas, são o laser (Excimer laser) e o uso de luz ultravioleta tipo B de banda estreita. Tais tratamentos vêm ganhando popularidade por não precisarem da aplicação prévia do psoralênico.

Quem não responde bem a nenhum tratamento, muitas vezes utiliza medidas de camuflagem, como uma boa maquiagem.

É possível um negro ficar branco por causa do vitiligo?

Em casos extremos, quando a maior parte da pele é acometida pela doença, médico e paciente podem optar por um tratamento que, ao invés de estimular a pigmentação da área clara, destrói a pigmentação da pele sem vitiligo através de um creme. A pele fica extremamente sensível ao sol, para sempre. Não se usa esse tratamento se o vitiligo atingir menos que 50% da pele, e nunca em quem não tem vitiligo. Aplica-se o medicamento até a pele ficar uniforme.

Quanto a Michael Jackson, embora ele e sua maquiadora tenham revelado publicamente a doença, as dúvidas nunca foram completamente esclarecidas. Todos vimos sua pele mudar de cor, mas ele nunca mostrou ao público uma mancha típica da doença. Nesse aspecto, o cantor preservou sua privacidade. Se ele tinha ou não vitiligo? Essa e outras especulações sobre a vida do astro ficam agora que ele se foi. Junto com a enorme saudade dos milhões de fãs.

Deixo aqui um vídeo interessante sobre vitiligo. Trata-se de uma entrevista que Lee Thomas, âncora da televisão americana, concedeu em 2008 para a ABC. Ele é negro, sofre da doença e escreveu um livro chamado Turning White (ou Ficando Branco), onde fala de sua condição e de sua luta. A entrevista está em inglês e infelizmente não tem legendas. Mas, mesmo que seu inglês não seja dos mais afiados, assista. As imagens valem a pena por mostrar bem o que é a doença.

Por Lucia Mandel


 

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