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Arquivo da categoria Doenças

26/07/2011

às 8:00 \ Doenças

A importância do kit manicure

Pintar as unhas não é uma idéia nova. Os chineses já abanavam suas mãozinhas para secar o esmalte desde o ano 3000 a.C. Tanto mulheres quanto homens pintavam as unhas. As cores demonstravam a posição social da pessoa. Por exemplo, durante a dinastia Chou, só a família real podia usar cor dourada ou prateada. E as cores reais depois mudaram para vermelho e em seguida preto.

Hoje, você pode pintar suas unhas nas cores que bem entender. Só não vale descuidar, porque ir à manicure tem seus riscos. Mas são riscos que podem ser facilmente evitados se você levar seu próprio kit-manicure. Ou então, se o salão que você frequenta esterilizar adequadamente materiais reaproveitáveis como alicates ou espátulas de metal, e jogar fora os materiais descartáveis após cada uso. Não fique sem graça de se assegurar disso, é para a sua saúde.

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Por Lucia Mandel

28/06/2011

às 12:03 \ Doenças, Tratamento

O computador da saúde

Imagine um doente que chega a um Posto de Saúde, também chamado de Unidade Básica de Saúde (UBS), onde não há médicos especialistas nas várias áreas da medicina. O que o clínico geral desse posto deve fazer se o caso exige conhecimento especializado de uma área médica específica? Encaminhar esse doente a centros mais completos e distantes? Ou existe outra alternativa?

Para esclarecer essa indagação conversei com o Dr. Chao Lung Wen, chefe do Departamento de Telemedicina da Faculdade de Medicina da USP. Nesse departamento faz-se uso de tecnologias que permitem ações médicas à distância.

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Por Lucia Mandel

31/05/2011

às 13:37 \ Doenças

Inovação no diagnóstico de melanoma

O melanoma é um tipo agressivo de câncer de pele. Se for descoberto em estágio avançado, pode levar à morte. Mas é curável quando descoberto no início. Por isso é fundamental que as pintas sejam sempre examinadas. Na maioria das vezes um bom dermatologista é capaz de olhar e reconhecer se uma pinta é benigna ou não. Quando necessário, uma lupa especializada ajuda na identificação.

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Por Lucia Mandel

19/04/2011

às 19:53 \ Doenças

Combate ao suor excessivo

A hiperidrose, ou excesso de suor, é um transtorno e só quem sofre com isso sabe como atrapalha a vida. Há quem sue excessivamente nas mãos. Aí fica difícil escrever: a caneta escorrega, gotas de suor molham o papel. Um simples cumprimento de mãos pode virar constrangimento. O excesso de suor também pode acontecer nas axilas, forçando a pessoa a levar roupas extras para o trabalho, ou então na cabeça ou nos pés.

O tratamento varia de acordo com a quantidade de suor e sua localização. Casos leves melhoram com medidas simples, como uso de cremes à base de sais de alumínio. Quando a quantidade de suor é grande, a aplicação de toxina botulínica pode ajudar. Ela bloqueia temporariamente a ação da glândula do suor, resolvendo a questão por alguns meses. Outra opção, definitiva, é a cirurgia torácica. A condução nervosa que chega até as glândulas do suor é interrompida, deixando-as inativas.

O que não existe, até o momento, é um tratamento por via oral satisfatório. Mas essa situação pode mudar. É a conclusão de um estudo realizado na Universidade de São Paulo pelos cirurgiões Dr. José Ribas Milanez de Campos, Dr. Nelson Wolosker e Dr. Paulo Kauffman.

Neste post entrevisto o Dr. José Ribas Milanez de Campos, professor assistente de Cirurgia Torácica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Qual a porcentagem da população brasileira que tem hiperidrose? Não temos estatísticas no Brasil a esse respeito. Mas, baseados em estudos feitos em Israel e nos Estados Unidos, estima-se que aproximadamente 2% da população mundial têm sintomas compatíveis com a hiperidrose. Nessas pessoas, o excesso de suor compromete a qualidade de vida.

Quais os tratamentos tradicionalmente usados? Entre as opções de tratamento clínico temos adstringentes, loções antissépticas e antiperspirantes à base de alumínio, úteis nos casos mais leves. Outra opção é a toxina botulínica, que tem efeito temporário. E, para um efeito definitivo, principalmente nos casos intensos, é indicada a cirurgia. Existe grande dificuldade no tratamento por via oral. O tratamento, à base de medicamentos chamados anticolinérgicos, tem muitos efeitos colaterais. Por conta disso, é pouco utilizado. Mas acredito que temos agora um novo panorama com a opção do cloridrato de oxibutinina, droga anticolinérgica usada por nosso grupo.

Como se iniciou o uso desse medicamento no ambulatório de hiperidrose? Em nosso ambulatório para tratamento da hiperidrose, que existe há 11 anos no Hospital das Clínicas de São Paulo, já atendemos aproximadamente 6.000 pacientes. Operamos mais de 2.100 pessoas, mas dois terços dos nossos pacientes precisavam de outro tipo de tratamento que não o cirúrgico. Baseados em alguns relatos de casos e na experiência de outros ambulatórios que usavam cloridrato de oxibutinina no tratamento de hiperidrose compensatória (uma complicação da cirurgia de hiperidrose), começamos a usar esse mesmo medicamento desde o início do tratamento da sudorese excessiva. Foi uma grata surpresa.

Como é o tratamento? Após avaliação inicial, verificamos os sintomas e quais doenças poderiam estar relacionadas. Pedimos alguns exames e, se tudo estiver normal, começamos a tratar o suor excessivo com dose baixa, diária e contínua do medicamento, sempre examinando os pacientes a cada quatro semanas e adaptando a dose a cada um deles. Após os primeiros 30 dias já se vê um resultado satisfatório.

Qual é esse resultado? O que temos observado é que a maioria dos pacientes melhora. Mais da metade deles retorna feliz e satisfeito com o resultado do tratamento. O controle do suor melhora a auto-estima, a qualidade de vida e alivia um sofrimento que aflige nossos pacientes há muito tempo. Nos pacientes que não melhoram com a medicação e nos que não toleram o remédio, a melhor possibilidade é o tratamento cirúrgico.

Quais são os efeitos colaterais? O efeito colateral principal é boca seca. Poucos pacientes se queixaram de distensão abdominal, dificuldade para urinar, visão dupla ou sonolência, sintomas que podem ocorrer com doses elevadas desse tipo de medicação. Em dose baixa, os pacientes se adaptam e quase sempre toleram bem o tratamento. É importante evitar álcool e medicamentos sedativos durante o tratamento.

Existem contra-indicações? Sim, o grupo de medicamentos anticolinérgicos tem suas contra-indicações, e por isso a indicação deve ser feita sempre por um médico preparado. É contra-indicado, por exemplo, para portadores de glaucoma, mas existem várias outras restrições.

É um estudo inédito? Todos os que se aventuram a falar que o estudo é inédito acabam cometendo erros. Consideramos nosso estudo um dos primeiros sobre o assunto no Brasil, talvez até no mundo, usando essa medicação nessa dosagem para a finalidade específica do tratamento do suor excessivo. Temos mais de 500 pacientes envolvidos e a maioria deles está satisfeita. Estamos contentes e continuaremos a estudar até os resultados finais da pesquisa.

O senhor acredita que esse pode se tornar o tratamento preferido para a hiperidrose? Creio que isso pode acontecer. Acredito que esse medicamento usado com cuidado, bem avaliado, em dose baixa, diária e por um período de meses, sempre sob supervisão médica, é um tratamento efetivo para reduzir o suor dos pacientes com sintomas leves ou moderados de hiperidrose. Nesses casos o controle pode ser parcial ou total. Outra finalidade desse tratamento clínico será a seleção daqueles que realmente necessitam de um tratamento complementar como a cirurgia. Vamos ter mais tempo para decidir. Isso melhora nosso julgamento clínico antes de partirmos para uma solução definitiva, mas sem dúvida mais agressiva, que é a terapia cirúrgica.

Por Lucia Mandel

22/03/2011

às 11:35 \ Doenças

Tecnologia e dermatite atópica


Quantas mensagens de texto você manda por dia do seu celular? Pergunta difícil, provavelmente você já perdeu a conta. Agora, outra pergunta tão difícil quanto a primeira: qual a relação entre as mensagens de texto e a dermatite atópica? Não sabe? Então, antes de ler a mensagem que acabou de chegar no seu celular, leia o texto abaixo.

Dermatologistas da Universidade de Harvard mostraram que um recurso tecnológico consegue incrementar o tratamento da dermatite atópica, aumentando sua eficácia. Ao final do estudo, que durou 6 semanas e contou com a participação de 20 portadores de dermatite, a maioria dos participantes tinha melhorado sua dermatite. Dos participantes, 85% declarou que gostaria de continuar a usar o dispositivo e que poderia recomendá-lo a um amigo. Sabe o que foi que esses médicos estudaram? Justamente a influência de mensagens de texto enviadas para os celulares dos pacientes e a evolução da dermatite atópica. Cada paciente recebia diariamente uma mensagem de texto. Algumas vezes, era simplesmente para lembrá-lo de seguir seu tratamento. Outras vezes, a mensagem tinha caráter educativo, com informações sobre a dermatite.

O tratamento funciona quando o paciente colabora

As inovações tecnológicas aumentam as possibilidades na medicina. Segundo este estudo, mandar um torpedo fez diferença na evolução de uma doença de pele de difícil tratamento. Isso porque, para qualquer tratamento funcionar, conta muito o empenho do paciente em seguir o plano traçado pelo seu médico.

No caso da dermatite atópica, isso é fundamental. O tratamento é trabalhoso e envolve mudanças de estilo de vida. Para melhorar da dermatite, e para manter-se sem ela, a pessoa tem que se preocupar diariamente com sua condição de pele. Deve evitar uma série de fatores agravantes, deve tomar banhos curtos, maneirar no sabonete, passar hidratante, aplicar cremes medicamentosos, enfim, o paciente precisa compreender seu tratamento, concordar com ele e estar motivado.

Como deu para ver neste estudo, um lembrete do médico contendo algumas palavras explicativas sobre o problema e dadas de modo agradável através de um recurso simples e amigável que é o torpedo, fizeram toda a diferença.

Fonte: “Text messages as a reminder aid and educational tool in adolescents and adults with atopic dermatitis: A pilot study.” Journal of the American Academy of Dermatology. 2010; March:62(3)suppl 1:AB10.

Por Lucia Mandel

18/01/2011

às 7:04 \ Doenças

Alergia nas mãos

Imagine se você fosse um professor de colégio com uma terrível alergia a giz. Você simplesmente não conseguiria dar aula, para desespero seu e felicidade dos alunos menos aplicados. Ter mãos sensíveis e propensas a alergias é um grande inconveniente. Qualquer pessoa pode desenvolver essa sensibilidade, em qualquer momento da vida. Existem pessoas mais expostas, como, por exemplo, quem mexe com água e detergente, caso das donas de casa. Ou então os que, pela profissão, entram em contato com substâncias químicas irritantes, como médicos, enfermeiros ou dentistas que usam diariamente luvas de látex. Ou o professor, o dia todo com um giz na mão.

Quando expostas ao elemento que desencadeia a sensibilidade da pele, as mãos desenvolvem uma reação chamada eczema: ficam avermelhadas, coçam, descamam, e surgem pequenas bolhas e rachaduras na pele.

O primeiro conselho que se dá a uma pessoa com eczema de mãos é evitar contato com o agente causador da sensibilidade. Mas na maioria das vezes esse conselho é difícil de ser posto em prática. Afinal, como evitar contato com água e detergente se o trabalho de casa tem que ser feito? Por isso, além dessa orientação geral, existem outras recomendações para quem tem mãos sensíveis. Aqui estão algumas delas:

1.    Ao lavar as mãos, use água fria e sabonete sem perfume e para pele sensível. Seque com delicadeza: em vez de esfregar as mãos na toalha, dê tapinhas na toalha. E, com as mãos levemente úmidas, passe hidratante.

2.    Deixe na pia um pote de hidratante específico para mãos propensas a alergia, para usar depois de lavar suas mãos. Um bom ingrediente para o hidratante de mãos sensíveis é vaselina. Assim como o sabonete, o hidratante também deve ser sem perfume. Passe uma camada fina, para suas mãos não ficarem excessivamente engorduradas. Se você estiver usando algum creme de tratamento, ele deve ser aplicado antes do hidratante.

3.    Deixe no local de trabalho seu sabonete e seu hidratante de mãos. Assim você evitará o uso de sabonetes agressivos e poderá reaplicar o hidratante várias vezes ao dia.

4.    Durante uma crise alérgica, evite usar álcool gel nas mãos. Mesmo fora de crise, use o produto apenas se necessário.

5.    Ao fazer o trabalho doméstico, use luvas de borracha. As luvas devem evitar completamente o contato com a água. Se entrar água na luva, interrompa seu trabalho, seque suas mãos e troque de luvas. Se o uso de luvas de borracha também agredir sua pele, use luvas de algodão embaixo das luvas de borracha. Pode ser incômodo no início, mas dá para se acostumar a trabalhar dessa maneira. Use água fria ou morna também na cozinha, evitando água quente.

6.    Se você é profissional da saúde e tem alergia a luvas de látex, use luvas hipoalergênicas e sem talco.

7.    Se você é professor e desenvolveu sensibilidade a giz, procure giz anti-alérgico, ou use dedais de borracha. E vá em frente com sua aula.

8.    Se a causa de sua alergia for uma incógnita, converse com seu dermatologista sobre a possibilidade de fazer um teste alérgico de contato. O teste apontará os prováveis culpados pelo incômodo.

Por Lucia Mandel

04/01/2011

às 21:49 \ Doenças

Nossos heróicos pés

Eles suportam nosso peso, nossas caminhadas, o impacto da ginástica. Estão na sua função, claro, que cumprem com dignidade, nos dando também o equilíbrio que precisamos para ficar em pé. E como retribuímos? Mantendo-os presos o dia inteiro, confinados em sapatos.

Micose nos pés

A prisão dentro de sapatos tem conseqüências. Uma delas é que os pés passam o dia abafados, quentes e úmidos. Assim, tornam-se ambiente propício ao desenvolvimento de micoses, causadas por fungos que se alimentam de pele. A pele afetada coça, fica vermelha e descama. Se a micose for entre os dedos dos pés, a pele fica esbranquiçada e amolecida.

Para tratar, usam-se cremes antifúngicos. Se a micose for extensa, o dermatologista pode indicar o uso de antifúngicos por via oral. Quem tem micose deve secar bem os pés, porque pele seca dificulta o crescimento de fungos e facilita o tratamento. E sempre que possível, mantenha os pés arejados e use calçados abertos.

Micose nas unhas dos pés

Além dos pés, os fungos também podem atacar unhas. Elas ficam espessas, amarelas e descamam. O melhor tratamento é por via oral, que deve ser iniciado o quanto antes. Conforme o tempo passa, a micose vai aumentando e o tempo de tratamento se prolonga. Às vezes leva um ano até curar uma micose de unhas. O uso de esmaltes antifúngicos pode funcionar se a micose for detectada logo no início.

Olho de peixe

O que todo mundo chama de olho de peixe é uma verruga causada por vírus. Como ela fica na sola do pé, vai sofrendo a pressão do corpo e fica achatada. Alguém deve ter achado que lembrava um olho de peixe, daí o apelido.

O tratamento é demorado. O ideal é associar um tratamento em casa a sessões de cauterização em consultório. O portador de olho de peixe deve ser rigoroso e persistente no tratamento. Só assim a verruga some.

Por Lucia Mandel

24/11/2010

às 14:21 \ Doenças, Sem categoria

Queratose actínica

Talvez você nunca tenha ouvido falar nesse nome esquisito. Mas a queratose actínica é um dos principais motivos de consulta ao dermatologista. É uma feridinha áspera, de cor avermelhada ou esbranquiçada, que não sara nunca. A maioria das pessoas procura o dermatologista para removê-la apenas por questão estética. Nem desconfia que aquela lesão, aparentemente inofensiva, pode um dia se transformar em câncer de pele.

Ela é muito frequente no nosso país ensolarado. Você sabe que o sol causa envelhecimento precoce da pele e predispõe a câncer de pele, não é mesmo? Pois uma das manifestações disso é o aparecimento de queratoses actínicas, que são consideradas pré-cancerosas. A chance delas um dia virarem carcinoma de pele é de 20%.

A lesão começa minúscula, quase invisível, e dá para sentir que está ali se deslizarmos o dedo pela pele, porque ela é áspera e endurecida. Com o tempo ela se desenvolve e pode ser vista com facilidade.

Como as queratoses refletem os exageros ao sol, elas aparecem em locais não cobertos pela roupa. Assim, são comuns no rosto, decote da blusa, braços, mãos. Nos calvos, invadem couro cabeludo e orelhas. Outros locais de risco são nuca e lábio inferior. Quem tem pele clara e mais de 50 anos de idade é muito mais propenso.

Tratamento

Se você tem queratoses actínicas, não relaxe e procure tratamento. Existem várias maneiras de tratá-las, e listarei alguns dos métodos mais usados.
1.    Congelamento. Um jato de ar frio congela e destrói a queratose. O método é prático, eficaz, e realizado em consultório. Depois da aplicação, forma-se uma ferida ou bolha, que cicatriza em alguns dias. Em geral, o tratamento não deixa marca após a cicatrização, mas existe risco de ficar uma mancha branca definitiva.

2.    Raspagem e eletrocoagulação. O tratamento é realizado em consultório médico. O efeito estético final também costuma ser bom.

3.    Uso de cremes. Quando as queratoses são numerosas, pode ser mais prático passar um creme em toda a área afetada (todo o couro cabeludo por exemplo) do que tratar as lesões uma a uma. O tratamento com cremes é feito em casa e dura algumas semanas.

4.    Terapia fotodinâmica. Também indicada para pessoas com muitas queratoses. É um tratamento feito com um creme que é ativado por luz. O creme penetra especificamente nas células pré-cancerosas das queratoses. Depois, o médico ilumina a área tratada com uma luz especial. Daí ocorrem reações químicas que destróem as lesões. Mesmo lesões invisíveis a olho nu se curam com este método.

O melhor tratamento varia caso a caso e depende da avaliação do dermatologista. O importante é saber que não dá para deixar uma queratose actínca sem tratamento na sua pele. O que hoje é um probleminha simples pode se transformar em uma dor de cabeça bem maior no futuro.

Por Lucia Mandel

16/11/2010

às 13:48 \ Doenças, Sem categoria

Herpes zoster

Eu gostaria de ter informações sobre herpes zoster. Minha mãe está há 32 dias sentindo muita dor. As bolhas já secaram, e eu não sei se é normal a dor permanecer tanto tempo? Gostaria de mais informações para poder ajudá-la.
(Renata)

Renata, o melhor nesse momento é procurar um neurologista. Pela sua descrição, sua mãe está com um tipo de dor persistente que pode acontecer após a crise de herpes zoster. O nome do problema é ‘nevralgia pós herpética’, e tem tratamento.

O zoster não afeta apenas a pele. O vírus causador, além das bolhas, também promove inflamação no nervo que chega até a pele. E essa inflamação pode deixar sequela, que varia de acordo com o nervo acometido. Uma possível sequela é a dor, que tem intensidade e duração variáveis. Assim, há pessoas que se incomodam menos, mas há quem sofra muito, a ponto de ter sua qualidade de vida prejudicada. A duração do incômodo varia de pessoa para pessoa e não há como prever o que acontecerá com sua mãe. A dor pode durar algumas semanas, mas também pode persistir por um ano ou mais. Com acompanhamento de um neurologista, é possível contornar a situação.

Quando uma pessoa desenvolve o zoster, deve procurar um dermatologista rapidamente. O tratamento adequado e feito a tempo diminui a chance de aparecerem sequelas neurológicas.

Por Lucia Mandel

26/10/2010

às 13:26 \ Doenças

Diário da Psoríase

Vinte e nove de outubro é o Dia Mundial da Psoríase. É um dia importante para explicar a doença, falar dos tratamentos existentes e esclarecer que não é contagiosa. A propósito da data, quero transcrever trechos de uma história escrita por John Updike  (1932 – 2009), o talentoso escritor americano que era portador de psoríase. Ele viveu parte de sua vida numa época em que ainda não havia tratamento para isso, e transformou seu enorme sofrimento em arte, escrevendo a respeito. Mas ele teve a sorte de usufruir dos avanços do tratamento nessa área, e pôde controlar sua psoríase aos 42 anos de idade. Em um de seus livros, Problemas e Outras Histórias, está o conto Do Diário de um Leproso. Nessa história de ficção, que tem fortes pinceladas autobiográficas, estão os trechos transcritos abaixo. A história foi publicada pela primeira vez na revista americana The New Yorker.

“Há muito tempo sou ceramista, solteiro e leproso. Lepra não é exatamente o que tenho, mas o que na Bíblia é chamado de lepra (veja Levítico 13, Exodo 4:6, Lucas 5:12-13) era provavelmente essa coisa, que tem um nome grego esquisito que me causa dor só de pensar em escrever. A forma da doença é a seguinte: manchas, placas e avalanches de pele em excesso, produzidas pela derme por um erro metabólico insignificante mas persistente, se expandem e lentamente migram pelo corpo como líquen se espalhando num túmulo. Eu sou prateado, com escamas. Poças de flocos se formam onde quer que eu descanse minha carne. Toda manhã passo aspirador na minha cama. Minha tortura é superficial como a pele: não há dor, nem mesmo coceira; nós, leprosos, vivemos longamente e somos, ironicamente, saudáveis em outros aspectos. Sensuais, apesar de asquerosos para sermos amados. Olhar agudo, apesar de odiarmos nos olhar. O nome da doença, espiritualmente falando, é Humilhação.”

“Nas sombras do restaurante Ken´s eu peço uma sopa, que está morna. Mesmo assim é bom estar fora de casa. A garçonete é linda, seus braços pura porcelana. Quando ela se inclina para colocar o sanduíche de pastrami na minha frente, quero me esconder para sempre entre seus seios frescos, perfeitos e flexíveis. Ela me olha e não sabe que sou leproso. Se eu despisse meus braços e peito ela fugiria aos berros. Uns revestimentos de lã e fibras sintéticas me salvam do seu horror, meu envolvimento com a humanidade é muito perigoso”

A história termina bem. Tal qual Updike, o personagem encontra salvação no tratamento PUVA, método eficaz que continua sendo usado atualmente. Então, nosso sofrido protagonista controla suas feridas e se sente livre como os outros homens.

Assista também ao vídeo sobre o tema, feito pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Por Lucia Mandel

 

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