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Arquivo da categoria ‘Corpo’

Como cuidar da pele das crianças no verão

terça-feira, 26 de janeiro de 2010 | 10:35

Crianças na praia

Estima-se que 80% da radiação solar que uma pessoa toma durante toda a vida ocorra antes dos 18 anos de idade. Apesar de surpreendente, dá para entender esta informação. Meus filhos, por exemplo, brincam no parquinho enquanto eu fico trancafiada no meu consultório. Além de estarem mais tempo expostos ao sol do que os adultos, crianças têm pele mais fina e mais clara - e, portanto, mais sensível.

Como o efeito cancerígeno da radiação UV se soma durante toda a vida, é fácil compreender que a proteção na infância é fundamental. De fato, estudos mostram que a exposição solar excessiva e desprotegida durante a infância se relaciona ao aparecimento de melanoma na vida adulta.

Aproveite o verão sem se esquecer da saúde

Crianças adoram brincar sob o sol, mas é necessário fazê-las entender que isso pode prejudicar sua saúde no futuro. Tudo bem, tarefa impossível. Então a responsabilidade dos cuidados sobra para os pais. Por isso, preste atenção a essas recomendações, ainda mais importantes nesta época de verão:

1. Evite os horários de pico do sol, entre 10h e 16h. Se vocês não saírem da praia ou da piscina nesse horário, estimule seus filhos a brincarem sob um guarda-sol.

2. Use filtro solar com FPS 30, no mínimo, e que proteja contra UVA e UVB. O produto deve ser aplicado antes de sair de casa, em grande quantidade. Se o seu filho for se molhar, use filtro à prova d´água. Reaplique a cada 2 ou 3 horas ou ainda antes se ele suar ou se molhar. Use também protetor labial. Uma dica: se os olhos do seu filho ardem quando o filtro é aplicado perto das pálpebras, experimente usar o protetor labial na pele próxima à pálpebra inferior. Crianças menores de 6 meses não devem usar filtro solar. Mas também não devem ficar expostas diretamente ao sol forte. Se for inevitável sair sob o sol, cubra a pele da criança e use uma sombrinha.

3. Use uma camiseta. Para incrementar a proteção, escolha roupas feitas com tecidos especiais que protegem mais contra os raios ultravioleta.

4. Use um chapéu, de preferência com abas largas e que proteja orelhas e pescoço. Se o seu filho achar fora de moda e não concordar de jeito nenhum, ofereça um boné.

5. Estimule a criança a usar óculos de sol que garanta proteção UV. Além de câncer de pele, o excesso de sol predispõe a catarata. Se seu filho for contra, experimente deixá-lo escolher a armação.

As crianças aprendem com você

Um último conselho: proteja-se você também. Além de diminuir suas chances de envelhecimento precoce e câncer de pele, você estará educando seus filhos. Sirva de modelo e eles irão cooperar mais na hora de cuidar da pele.

Por Lucia Mandel

Índice Ultravioleta

terça-feira, 29 de dezembro de 2009 | 6:30

sol-praia

A essa altura você já sabe que tomar sol em excesso aumenta o risco de câncer de pele, não é mesmo? Mas sabia que, para ter risco aumentado de câncer, conta o sol que você tomou a vida toda, desde criança? Por isso é que tanto se fala na importância da proteção solar, que deve começar o mais cedo possível.

O efeito cancerígeno do sol acontece por conta dos raios ultravioleta. Existem três tipos deles: os ultravioleta A, B e C (UVA, UVB, UVC). O UVC não nos atinge, porque ele é totalmente filtrado pela camada de ozônio da atmosfera. Sobram o UVA e o UVB. O UVA praticamente não é filtrado pela atmosfera, e chega até nós desde a manhã até o final da tarde. E o UVB é parcialmente filtrado e nos atinge principalmente nos horários em que o sol está mais forte, entre 10 e 16 horas.

O índice ultravioleta (IUV)

O IUV cataloga o grau da potencia da radiação ultravioleta que nos atinge durante uma hora, no horário de pico do sol. A escala vai de 1 a 11. Para chegar ao valor do IUV, algumas variáveis são levadas em consideração, como condições climáticas, estação do ano, presença de nuvens ou neblina, espessura da camada de ozônio, altitude e poluição. O índice, tal qual a previsão do tempo, é calculado para o próprio dia e para alguns dias adiante. É mais uma referencia que você pode usar na hora de planejar sua atividade de lazer. Assim você se programa e aproveita o dia sem esquecer de cuidar da saúde.

Veja abaixo a tabela de IUV disponível no site da Organização Mundial de Saúde (OMS) os cuidados recomendados para cada resultado.

tabela-uva

Índices baixos (1 ou 2) indicam que é seguro sair sem proteção. A proteção é necessária a partir de IUV 3. Nesse caso, fique à sombra nos horários de pico, use filtro solar, roupas, chapéu ou boné e óculos escuros. Índices mais altos, a partir de 8, requerem cuidados intensos. Não se exponha ao sol nos horários próximos ao meio-dia e tome todas as medidas anteriores, com atenção redobrada.
O IUV foi criado por agências americanas, e hoje é calculado para todas as cidades do mundo. As informações sobre o IUV acompanham a previsão do tempo em alguns jornais e meios especializados. Existem vários sites onde você pode obter a informação sobre o IUV da sua cidade. Por exemplo, no Wheather Channel  ou no site do CPTEC – Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos.

Por Lucia Mandel

Queda de cabelos após gravidez

terça-feira, 10 de novembro de 2009 | 12:08

Dra. Lucia tenho um filho de três meses e estou amamentando. Meus cabelos estão caindo muito, estou desesperada. O que devo fazer? Devo tomar vitaminas?
(Claudia)

Claudia, a queda de cabelos é  comum nessa fase. Alguns motivos podem provocar esse incômodo:

1 - Por questões hormonais, os cabelos crescem mais durante a gravidez. É que a taxa de hormônios femininos se eleva, e isso aumenta a duração da fase de crescimento dos fios. Terminada a gestação, diminui a dosagem dos hormônios femininos e muitos fios entram em queda.

2 - O stress emocional e físico do parto pode desencadear um fenômeno chamado eflúvio telógeno pós-parto. Nessa situação, uma boa porcentagem dos fios muda repentinamente da fase de crescimento para a de queda. A crise de eflúvio telógeno dura de quatro a seis meses, e depois melhora sozinha. Por mais que a queda seja intensa, não há risco de se ficar careca.

3 - Gravidez e lactação consomem energia da mulher. É possível que os cabelos estejam caindo por carência nutricional. Isso pode ser identificado através de uma consulta médica detalhada, que inclui a avaliação de exames laboratoriais.

4 - Existe ainda a possibilidade de alguma doença estar por trás da queda de cabelos. Se for esse o caso, a queda somente cessará com a identificação e tratamento do problema inicial.

Estabelecido o diagnóstico, parte-se para o tratamento. Vitaminas ou suplementação de ferro ajudarão numa carência nutricional. Mas se a queda estiver acontecendo pela mudança nas taxas hormonais ou pelo eflúvio telógeno pós-parto, o suplemento de vitaminas ou de ferro não será útil. Nesse caso, o dermatologista pode prescrever uma loção que estimula o funcionamento das raízes dos cabelos.

Alguns conselhos a mais. Descanse sempre que possível, alimente-se bem e fique calma, pois o stress piora o problema. Talvez você sinta, como eu senti, que essa fase é uma loucura e que é impossível dar conta de tudo. Mas as coisas se ajeitam, a gente dá conta e no final vê que é mais fácil do que parece.
Leia também Vida Longa aos Cabelos

Por Lucia Mandel

Envelhecimento das mãos

terça-feira, 27 de outubro de 2009 | 9:38

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Tenho 43 anos e percebi que minhas mãos estão envelhecendo rapidamente, a pele ficou ressecada e estão surgindo manchas senis. Qual o melhor tratamento? Existe algum modo de prevenir que o problema se agrave?
(Roberta)

Roberta, muita gente se preocupa com o envelhecimento do rosto e esquece de outras áreas como pescoço, colo e mãos. Antes das dicas para cuidar das suas mãos, você precisa saber o que causa o envelhecimento da pele.

Os inimigos

Existem dois grupos de fatores que causam o envelhecimento da pele: os fatores internos e os externos.

Os internos são determinados pela genética. Independem do que a gente faça, e fogem ao nosso controle. Pela genética, a partir dos 30 anos diminui a produção de colágeno e elastina, proteínas que dão firmeza e elasticidade à pele. A hidratação natural da pele também é afetada. A pele das mãos vai ficando fina, menos elástica e ressecada. Como se não bastasse, com o tempo a quantidade de gordura sob a pele diminui. Por isso, veias e tendões das mãos ficam visíveis.

Os fatores externos são agentes do meio ambiente que aceleram o envelhecimento da pele. Nesse grupo, o estilo de vida conta muito. O principal agente externo de envelhecimento das mãos é o sol. Quer uma prova? Estique os braços para frente e olhe a pele do dorso das mãos e dos braços. Agora compare com a pele da parte interna dos braços. É menos manchada, não é? Essa diferença acontece porque um lado do braço toma sol enquanto o outro não.

No caso das mãos, outro fator externo é o contato com produtos químicos, como detergentes e sabões, que ressecam a pele. Por isso, muitas donas de casa têm mãos sensibilizadas. Se esse for seu caso, minimize o contato com detergentes. Use luva ao lidar com produtos de limpeza e hidrate constantemente as mãos com cremes potentes, que podem ser prescritos por um dermatologista.

Prevenindo o envelhecimento

Precisa falar? Evite se expor ao sol forte e passe diariamente nas mãos um filtro com FPS 30 ou mais. Como uma parcela dos raios solares ultrapassa o vidro das janelas, aplique o protetor mesmo se ficar dentro de casa. Uma dica que vale ouro: deixe um frasco com filtro solar no carro e passe o creme nas mãos antes de ligar o motor. Ou então, use luvas com tecidos especiais que bloqueiam os raios ultravioleta. Assim você previne manchas e preserva o colágeno da sua pele.

Os tratamentos

1.    Cremes. Além do filtro solar, use nas mãos hidratantes que contenham, por exemplo, um ou mais desses elementos: uréia, lactato de amônio, ácido hialurônico ou silicone. Você também pode usar cremes à base de ácido retinoico à noite, e isso deve ser prescrito por um dermatologista. O tratamento com cremes hidrata, melhora a textura da pele e retarda o envelhecimento, mas dificilmente remove manchas.

2.    Laser para manchas. O tratamento com laser ou luz pulsada para remover manchas senis é fantástico. Bastam algumas sessões e as manchas somem ou suavizam consideravelmente. O laser queima a mancha sem agredir a pele normal. Depois da sessão surgem casquinhas que caem em duas semanas.

3.    Laser para estimular o colágeno. Boas opções são os laseres fracionados, como o Fraxel ou o Pixel. Eles agridem a pele em pontinhos salteados e estimulam a formação de colágeno novo.

4.    Peelings químicos. Gosto do efeito dos peelings à base de ácido tricloroacético (ATA), que removem manchas e melhoram a qualidade do colágeno. Esse tratamento requer cuidados após a sessão, pois a pele fica muito sensível. O peeling de ATA funciona melhor em pessoas de pele clara. Quem tem pele negra ou morena não deve se submeter a esse tratamento, sob risco de as manchas se agravarem.

5.    Ácido hialurônico injetável. O ácido hialurônico (aquele que se usa nos preenchimentos faciais) absorve muita água. Por conta dessa característica, surgiram formulações com ele que, injetadas na pele, incrementam a hidratação local. O efeito é pele rejuvenescida e mais firme. Para o tratamento dar certo, é preciso repetir a aplicação algumas vezes por ano.

A decisão de qual tratamento é melhor para você vai depender da avaliação do seu dermatologista. Boa sorte.

Por Lucia Mandel

Filtro solar e saúde da pele

terça-feira, 29 de setembro de 2009 | 11:19

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Neste mês a Academia Americana de Dermatologia mudou sua orientação padrão sobre o uso dos filtros solares. Até hoje a recomendação era usar um filtro com fator de proteção solar (FPS) igual ou maior que 15. Agora, a recomendação é escolher um filtro com FPS 30 ou mais. Nesse texto, explico o porque da mudança.

O que significa FPS?

O FPS indica quanto tempo a mais você pode se expor ao sol antes de ficar vermelho. Por exemplo, se você fica vermelho depois de 10 minutos exposto ao sol sem proteção, ao aplicar um FPS 15 esse tempo se multiplica por 15. Nesse caso você pode ficar ao sol por 150 minutos antes de ficar vermelho. Usando FPS 30, serão 300 minutos. Mas o FPS indica a proteção somente contra os raios UVB. Os raios ultravioleta A (UVA) não contam na determinação do FPS. A medida da proteção anti-UVA é outra e também está indicada no rótulo dos filtros solares.

Modo de aplicar

A mudança na recomendação americana não se deve à ineficácia de um filtro com FPS 15. Se for bem aplicado, ele preserva a saúde da pele. O problema é que quase ninguém usa o filtro da maneira padronizada nos testes de medição do FPS. Isso porque a quantidade padrão usada no teste é muito maior que a aplicada na vida real. Para dar uma idéia: uma pessoa com 1,60m e 70kg precisaria aplicar 30g de filtro antes de ir à praia para garantir que o FPS seja aquele impresso no rótulo. Se levarmos em consideração a reaplicação depois de 3 horas de praia, são mais 30g. Assim, em dois ou três dias essa pessoa consumiria um tubo de 120ml de filtro para garantir o FPS do rótulo.

O bom senso diz que há algo errado nessa conta. Praticamente não existe quem use essa quantidade de filtro solar.

Usando menos filtro que a quantidade padrão, o grau da proteção cai. A pessoa acha que está com o FPS indicado no rótulo, mas na prática está com um FPS menor. Baseada nessas considerações, a Academia Americana de Dermatologia decidiu pela segurança. A orientação quanto ao valor mínimo do FPS aumentou para que as pessoas não se iludam com uma falsa sensação de proteção. Lembre-se: agora, praia só com FPS 30 ou mais.

Por Lucia Mandel

Como tratar a celulite

terça-feira, 22 de setembro de 2009 | 7:00

No verão, um dos métodos mais utilizados contra a celulite é a canga amarrada na cintura. A boa notícia é que existem outros métodos, e essa coluna vai mostrar alguns deles. Mas antes, algumas considerações. Primeiro, lembre-se que quase toda mulher tem celulite (só as de revista não têm, mas aí o remédio milagroso é o Photoshop). Umas têm mais, outras menos. Pode-se dizer que a celulite praticamente faz parte da anatomia da mulher, é inevitável. Mas o grau varia conforme características genéticas, hormonais e hábitos de vida.

Outra consideração: o melhor modo de lutar contra a celulite é ter um estilo de vida saudável. Pouco adianta se submeter a tratamentos sofisticados e caros se você não se alimentar corretamente ou levar uma vida sedentária. O efeito do tratamento, nesse caso, não dura. Lembre-se que você tem que superar oponentes fortíssimos, que estimulam a formação da celulite, como tendência genética e presença de estrógeno, um hormônio feminino.

Agora sim. Considerações feitas, leia nesse texto quais são os melhores modos de combater sua celulite.

Você precisa ter força de vontade e tempo. Por exemplo, para fazer ginástica, já que levar vida sedentária é pedir para ter celulite. Também é importante planejar um bom cardápio, comprar os alimentos certos e prepará-los adequadamente. Não é fácil, a rotina corrida nos faz ceder aos alimentos prontos congelados ou à tentação das frituras. Outra dificuldade: quem é que gosta de beber mais água do que o necessário para matar a sede? Não é fácil. Mas para diminuir a celulite, são necessários aproximadamente 2 litros de água por dia. Coma frutas, verduras e legumes frescos. Inclua no cardápio alimentos integrais, com alto teor de fibras, que ajudam a digestão. Evite frituras e gorduras em excesso, doces, refrigerantes, e não exagere no sal e nas bebidas alcoólicas.

Se você fuma, pare. Isso aumenta o problema. E, para quem toma pílula anticoncepcional, um alerta: ela contribui para a celulite. Quanto maior a dosagem hormonal, pior. Mesmo pílulas de baixa dosagem dão sua contribuição indesejada.

Os tratamentos

Quando um problema tem muitas opções de tratamento, ou ele é muito fácil de resolver, ou muito difícil. No caso da celulite, a existência de várias opções indica que nenhuma é ideal. Não existe tratamento milagroso. Nada é 100% eficiente, e os resultados não são definitivos. Mesmo assim vale a pena investir em um tratamento, pois a celulite fica mais discreta. A escolha depende da avaliação do médico, e o resultado varia com as características individuais. Selecionei para este post os métodos que considero melhores.

Os tratamentos se baseiam em algumas premissas: diminuir o acúmulo de líquidos e gordura nas pernas, melhorar a circulação e melhorar a qualidade do colágeno que sustenta a pele da área afetada.

1. Drenagem linfática manual. É uma massagem suave com movimentos que vão dos pés para a cintura, acompanhando o caminho dos vasos linfáticos. A retenção de líquidos e o inchaço nas pernas diminuem e, nos casos leves de celulite, o resultado é bom. É simples, eficaz, barato e muito popular. Casos moderados ou severos de celulite requerem tratamentos mais intensos, mas a drenagem não deve ser abandonada porque serve como um complemento e ajuda a manter os resultados.

Conforme a indicação do médico, além da drenagem linfática, pode-se associar tratamentos mais intensos.

2. Intradermoterapia. É a injeção de medicamentos sob a pele, diretamente na área afetada pela celulite. Melhora a circulação e ajuda a quebrar e esvaziar células de gordura. O tratamento dói, mas funciona.

3. Ultrassom. Quebra e esvazia células de gordura. A aplicação pode complementar o tratamento à base de medicamentos injetáveis.

4. Radiofrequencia. Além de ajudar a esvaziar as células que armazenam a gordura, melhora a firmeza da pele das pernas e glúteos.

5. Radiofrequencia + Luz infravermelha + Massagem. Ataca a gordura, suaviza o inchaço das pernas e melhora a qualidade da pele.

6. Subcisão. Casos muito avançados e com grandes depressões na pele melhoram com a ruptura de fibras de colágeno que repuxam a pele para dentro. Isso é feito através da subcisão, que é um procedimento cirúrgico.

Por Lucia Mandel

Espinhas aumentam o risco de depressão

terça-feira, 15 de setembro de 2009 | 9:43

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Há algum tempo li um artigo científico que gostaria de discutir aqui. Foi publicado no Jornal da Academia Americana de Dermatologia e mostra como a presença de acne afeta a auto-estima e a satisfação com o próprio corpo entre adolescentes.

O artigo relata os resultados de uma pesquisa com 4.000 adolescentes noruegueses de 18 anos respondendo a um questionário sobre sua qualidade de vida. Algumas perguntas:  “Tenho orgulho de mim mesmo?”, “Existem momentos em que me sinto inútil?” Também foram feitas perguntas sobre o quanto o adolescente estava satisfeito com seu corpo. Sobre espinhas, uma única pergunta: “Você teve espinhas na semana passada?”, sendo as opções de respostas:  “não”, “um pouco”, “relativamente muita” ou “muita”.

Com as respostas, foram separados dois grupos. Quem respondeu que teve “relativamente muita” ou “muita”, entrou para o grupo de “adolescentes com acne”. Os outros ficaram no grupo “sem acne”. E foram feitas comparações.

No grupo afetado pelas espinhas, houve mais gente se sentindo inútil e com pouco amor-próprio. Os autores concluíram que houve maior taxa de depressão e baixa auto-estima entre os adolescentes com acne. Um detalhe: as garotas com espinhas mostraram maior índice de sentimentos depressivos que os garotos.

Mais profundo que a pele

Em meu consultório vejo muitos adolescentes sofrendo com suas constantes espinhas. Realmente não é nada fácil, apesar de muitas pessoas acharem que é natural, coisa de adolescente, um incômodo que vai passar logo. Porém, mais do que uma questão cosmética, espinhas podem causar depressão e ansiedade. Principalmente em uma fase da vida onde a auto-imagem ainda está se consolidando, quando relações pessoais são fortalecidas, e a insegurança é grande. Como se não bastasse, é nessa conturbada fase que o adolescente toma decisões importantes sobre seu futuro pessoal e profissional.

Procure tratamento

Quando encorajo o adolescente e seus pais a procurar solução para a acne, sei que estou cuidando não só da pele, mas de todo um estilo de vida dele e da sua família. As espinhas atormentam dia e noite o adolescente e podem deixar marcas profundas.

Fonte: Self-esteem and body satisfaction among late adolescents with acne: Results from a population survey (Journal of the American Academy of Dermatology, vol 59, pags 746-751).

Por Lucia Mandel

Existe protetor solar em comprimido?

terça-feira, 1 de setembro de 2009 | 7:20

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Nem lembro quantas vezes escrevi sobre a importância de se proteger contra o sol. Está provado que tomar sol é cancerígeno, causa manchas e acelera o aparecimento de rugas. Que bom seria se essa proteção pudesse ser oferecida por um comprimido, não é mesmo? Uma pílula e pronto: a pele ficaria resistente aos efeitos da radiação ultravioleta. Nada de se lambuzar com cremes ou de evitar o horário de pico do sol.

Pois é, talvez um dia isso vire realidade. Conforme a ciência evolui, saúde e beleza ganham aliados: existem estudos demonstrando que algumas substâncias antioxidantes, quando ingeridas como comprimidos, aumentam a resistência da pele contra o sol.

Os antioxidantes

O princípio do antioxidante nesse caso é diminuir a formação de radicais livres causada pela exposição ao sol. Os radicais livres envelhecem e predispõem a câncer de pele. Os antioxidantes, portanto, incrementam a defesa da pele. Não impedem que os raios solares nos atinjam, mas diminuem os danos causados.

Polypodium leucotomos (extrato de uma planta), chá verde, isoflavonas, genisteína (derivada da soja), zinco, vitamina C, vitamina E e betacaroteno são exemplos de antioxidantes que podem ser tomados em comprimidos e estão chamando a atenção da comunidade médica. Estudos mostram que a vermelhidão causada pelo sol demora mais para acontecer em quem toma antioxidante. Há pesquisadores que relatam menor incidência de carcinoma de pele, um tipo de câncer, em grupos tratados com esses protetores solares por via oral. Mas essas conclusões e a extensão do benefício ainda são assunto de investigação.

Protetor solar via oral e melasma

Há muita discussão sobre o uso do antioxidante por via oral na luta contra o melasma. Quem tem melasma sabe que toda a proteção é fundamental durante o tratamento e para evitar que as manchas voltem. Muitos médicos já prescrevem o produto para pessoas com melasma, e de fato há estudos endossando tal conduta. Mas, novamente, ainda não há consenso.

Confie desconfiando

Minha opinião é que essas substâncias podem ajudar, mas ainda não substituem de maneira alguma o filtro em creme. Como o grau do benefício ainda não está definido, é importante saber que mesmo tomando um filtro solar por via oral você não pode diminuir o fator de proteção do seu filtro em creme. Se sua pele precisa de um creme com FPS 30, continue a usá-lo enquanto você estiver tomando protetor solar em comprimidos. Sim, fazer o quê: por enquanto você ainda tem que pedir ajuda para passar creme nas costas.

Por Lucia Mandel

Sauna faz bem para a pele?

terça-feira, 18 de agosto de 2009 | 7:34

sauna

Um dos pequenos prazeres de inverno é se refugiar no ambiente quente da sauna. E enquanto a gente sua e esquece da vida, aproveita para cuidar da pele. A sauna pode ajudar nossa beleza. Nesta coluna discuto o que é verdade e o que é mito sobre o assunto.

Aumento de suor e perda de peso

Uma das crenças em torno da sauna é que suando eliminamos toxinas. Também se diz que sauna ajuda a emagrecer. Sinto informar, mas nada disso tem fundamento científico. Transpirar a mais não ajuda a saúde. E infelizmente, não emagrece: o peso que se perde com o suor é recuperado quando se bebe água.

Dilatação dos vasos sanguineos

No calor, vasos sanguíneos que nutrem a pele se dilatam, deixando-nos com aparência corada. O aumento de fluxo sanguíneo aumenta a nutrição e a oxigenação da pele. Mas como o tempo de sauna é curto, o efeito não é significativo. A pele não rejuvenesce simplesmente por se fazer sauna.

Dilatação dos poros

O calor dilata os poros, e assim fica mais fácil eliminar impurezas. Cravos superficiais vão embora. Quem tem espinhas e frequenta sauna já sabe: alguns cravos somem, espinhas com pus amolecem (e com sorte podem até estourar), e cistos de acne melhoram.

Para aproveitar os benefícios dessa limpeza de pele, seja sua pele oleosa, mista ou normal, antes de entrar na sauna tome um banho e lave rosto e corpo com um sabonete apropriado. Para quem tem pele seca, o sabonete deve ser usado com moderação. Depois do banho, não aplique creme nenhum no rosto ou no corpo, porque isso dificulta a eliminação do suor.
Se sua pele for oleosa, com cravos e espinhas, assim que sair da sauna faça uma leve esfoliação usando um sabonete líquido esfoliante. Assim, os cravos superficiais serão eliminados naturalmente. Controle a tentação e não esprema os cravos que insistirem em ficar, e muito menos as espinhas: para evitar inflamação, o melhor é uma limpeza de pele profissional.

Cuidados após a sauna

Confesso que nunca tive coragem de tomar a torturante ducha fria pós-sauna. Esse choque térmico, apesar de revigorante, não é obrigatório. Bela notícia, não é?

Antes de você se trocar e ir embora aproveite para aplicar cremes de tratamento para rosto e corpo. A pele quente e úmida tem maior capacidade de absorção. Assim, se você usa um creme de tratamento para espinhas, aplique nesse momento. Isso vale também para hidratantes, cremes anticelulite ou para cremes anti-idade.

Quando evitar

O calor pode piorar algumas condições de pele. Nada de sauna se você tem rosácea. Além disso, o suor pode desencadear uma crise de coceira em quem tem dermatite atópica.

Outras dicas para frequentar sauna sem prejudicar sua saúde.

1. Não permaneça na sauna por mais de 15 minutos
2. Saia se você se sentir tonto, fraco ou confuso.
3. Não consuma bebidas alcoólicas durante a sauna e beba ao menos um copo de água ao sair.
4. Se você tem problemas cardíacos ou de circulação, consulte seu médico antes de frequentar a sauna.
5. Evite sauna durante a gestação.

Por Lucia Mandel

A bundinha assada do bebê

terça-feira, 21 de julho de 2009 | 7:00

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Já te mostrei as milhares de fotos que eu tenho de quando meus filhinhos eram bebês? Tá bom, vou te poupar dessa corujice e vamos ao assunto: como evitar as assaduras com uma troca de fraldas caprichada.

Por que a assadura acontece?

O bebê passa tempo demais com fraldas. Ou melhor, passa todo o tempo de fraldas. Consequentemente, a pele fica sem ventilação. Fica quente e úmida e, por isso, mais sensível a irritações. Some-se a isso o contato prolongado com fezes e urina, e pronto: surgem lesões vermelhas, inchadas, e às vezes formam-se feridas.

Prevenção

O melhor modo de evitar assaduras é deixar a pele coberta pelas fraldas sempre limpa e seca. Na hora da troca, limpe com algodão umedecido em água morna. Se ficarem resíduos, complemente a limpeza com algodão embebido em óleo de amêndoas doces. Funciona muito bem lavar o bumbum do nenê diretamente na água corrente da pia, usando um sabonete apropriado para peles sensíveis. Outra opção é usar um syndet, sabonete especial menos agressivo. E enxágue bastante, para tirar completamente o sabonete.

Depois, seque cuidadosamente. Se você não se importa em levar um banho de xixi de vez em quando, deixe o nenê sem fraldas por um tempinho, para arejar. Antes de colocar uma fralda nova, aplique um creme preventivo para assaduras, que forma uma barreira entre a pele do bebê e a urina e as fezes.

Fraldas descartáveis x fraldas de pano

As fraldas descartáveis contêm um gel que absorve a urina, mantendo a pele mais seca. Os ecologistas podem não gostar, mas o fato é que as descartáveis são mais eficientes que as de pano na prevenção de assaduras.

E a comida?

A alimentação do bebê também conta. É que, dependendo da dieta, as fezes se modificam. Bebês amamentados com leite materno assam menos do que os que tomam fórmulas industrializadas. A partir dos 6 meses de idade, quando a alimentação varia, as assaduras podem aparecer. Nessa situação, o culpado pode ser um tipo de alimento específico. Identificado o vilão, ele deve ser suspenso da dieta por um tempo. Mais tarde, com o amadurecimento do sistema digestivo, o problema passa.

Meu bebê assou. E agora?

Os cuidados são os mesmos de quando ele não tinha assadura, mas redobrados. Não use lenços umedecidos, pois podem causar irritação de pele. Se a assadura não melhorar depois de dois dias com as medidas mencionadas, consulte o pediatra. Existem outras causas de irritação e vermelhidão, como alergias ou infecções por fungos ou bactérias. Nesse caso, o problema só melhora com um tratamento específico.

Por Lucia Mandel