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Arquivo da categoria Arquivo

05/06/2009

às 14:37 \ Arquivo, Respostas

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho 24 anos e sofro com acne há uns cinco anos. Já usei muitos remédios tópicos, mas nada resolveu, agora meu médico receitou o Roacutan, estou com medo de tomar por causa dos efeitos colaterais. O que você acha?
(Selma)

Não é fácil decidir tomar isotretinoína. Como há vários efeitos colaterais, alguns sérios e assustadores, o paciente e sua família devem refletir, conversar, pesar bem pró-s e contras. Por um lado, as espinhas incomodam. Por outro lado, será que vale a pena tomar um remédio tão forte que pode sobrecarregar o fígado? Será que vale a pena dar um tempo nas bebidas alcoólicas, fazer exame de sangue para monitorar uma possível – mas improvável – hepatite medicamentosa, parar de tomar sol durante o tratamento? Isso sem falar na questão da má-formação no nenê se a mulher engravida durante ou um mês após terminar o tratamento. Pensando assim, o tratamento parece um tiro de canhão. Afinal, são só espinhas, não é mesmo? Mas há casos e casos.

Para uma pessoa com poucas espinhas, o tratamento não vale à pena. Mas se as espinhas incomodam muito, a qualidade de vida se prejudica. A pessoa nunca se sente bonita, a autoestima é afetada. Estudos mostram maior incidência de depressão em adolescentes com quadros moderados ou severos de acne. Além disso, se você tem tendência a cicatrizes de acne, esse é o melhor jeito de preveni-las. Se seu médico receitou o tratamento é porque, na visão dele, há indicação para o uso. Agora, cabe a você decidir se vale à pena. Todo paciente que decide tomar isotretinoína precisa estar muito motivado, e muitíssimo bem orientado. Mas com bom acompanhamento médico e com boa indicação para o uso, o tratamento é excelente.

Leia a coluna que escrevi sobre essa questão

Gostaria de saber se existe tratamento para queloides. Sou negro e um dos médicos que consultei disse que se trata de um problema comum a pessoas de minha etnia e que o tratamento é longo e sem garantia de sucesso. Meus queloides são do tipo, como disse o médico, espontâneos. Não caí, nem fiz qualquer intervenção cirúrgica, eles aparecem, primeiramente coça em uma parte do corpo e depois aos poucos ele vai crescendo. Moro no Rio e ficaria agradecido se pudesse me indicar algum especialista no assunto ou  qualquer orientação.
(João)

O queloide é uma alteração na cicatrização da pele. As cicatrizes ficam volumosas, maiores do que se esperaria numa cicatrização normal. A tendência ao problema é uma característica individual, e pessoas de pele negra têm maior propensão. Há casos em que a predisposição é tanta que o queloide surge por traumas mínimos na pele, como uma espinha, um arranhão, uma picada de inseto ou no local do furo do brinco na orelha. O tratamento nem sempre é fácil, pois a lesão pode voltar. Mas existem opções. Um dos tratamentos mais utilizados é a infiltração de corticoides. Isso diminui o volume do queloide, mas não o elimina completamente. Dependendo do tamanho e do volume da lesão, é possível removê-lo cirurgicamente. Nesse caso, técnicas cirúrgicas especiais diminuem a chance de recidiva. Além disso, com a mesma finalidade, logo depois da cirurgia o paciente passa por sessões de betaterapia.

Uma dermatologista me preescreveu ácido retinoico para eu usar a noite. Fiz como ela me falou, minha pele ficou extremamente seca, quando eu acordava não conseguia nem falar sentia que a pele “ia rasgar se Eu mexesse com os lábios”. Sempre leio sobre os benefícios desse ácido. Minha dúvida é; eu tenho alergia, ou será que junto com outros componentes da fórmula que ela me passou é que o produto não deu certo?
(Vislene)

Existem duas possibilidades para o ressecamento e irritação da pele após o uso de ácido retinoico. Uma é a pele ser intolerante ao produto. Nesse caso, seu dermatologista indicará outro ativo para o cuidado da pele. Outra possibilidade, mais provável, é sua pele ser sensível à concentração de ácido do seu creme. Converse com seu dermatologista: existem medidas que podem ser tomadas. Por exemplo, pode-se diminuir a concentração de ácido do creme. Ou então, diminuir a frequência de uso: você aplicaria o creme noite sim, noite não, ou com frequência menor ainda. Outra possibilidade: seu dermatologista pode indicar um hidratante regenerador da pele. Assim, você usa o ácido em algumas noites e o regenerador em outras.

Por Lucia Mandel

02/06/2009

às 6:59 \ Arquivo, Doenças

Calvície feminina

Existe uma variedade feminina de calvície, que mina a autoestima e tortura suas vítimas. Os cabelos vão diminuindo em força e em número, de maneira lenta e progressiva. Nesse tipo de calvície, não ocorrem áreas completamente calvas, nem as entradas tão características dos homens. Nas mulheres afetadas, os fios de cabelo da parte superior da cabeça ficam finos e rarefeitos e não crescem como antes.

Isso acontece pela ação de hormônios masculinos nas raízes dos cabelos. Toda mulher tem hormônios masculinos, em uma concentração menor que os homens. No caso da mulher com tendência à calvície, os hormônios estão em ordem. O problema é que as raízes dos cabelos são hiperssensíveis a esses hormônios. O que a genética determina é a quantidade das raízes sensíveis e sua localização no couro cabeludo.

A ação do hormônio masculino

As raízes sensíveis são “envenenadas” pelo hormônio masculino, e ficam menores. Esse processo vai piorando com o tempo. Consequentemente, os fios de cabelo se tornam finos, rarefeitos e não crescem como antes. Essa situação progride lentamente ao longo dos anos. O problema pode começar cedo, a partir dos 20 anos, mas como a evolução é lenta, boa parte das pacientes nem se dá conta de quando seus cabelos começaram a fraquejar. Muitas vezes as pacientes percebem, depois de certo tempo, que a risca dos cabelos está ficando cada vez mais visível. Outras mulheres só detectam o problema quando os fios da área superior da cabeça já estão fininhos e ralos. É comum a paciente contar que, ao se olhar no espelho, enxerga o couro cabeludo através dos fios de cabelo. O problema piora ainda mais depois da menopausa, quando diminuem os hormônios femininos.

O tratamento

Assim que os primeiros sinais forem detectados é necessário procurar um médico para encaminhar a realização de exames que excluam doenças hormonais e também outras causas de queda de cabelos. Confirmada a suspeita de calvície feminina, é a vez do tratamento. Quanto antes começar, melhor. Ele deve ser mantido por longo tempo, na maioria dos casos por toda a vida. Se for interrompido, os hormônios masculinos voltarão a agir. Com um bom tratamento é possível prevenir, estacionar ou até reverter o processo de miniaturização dos fios.

Há remédios que bloqueiam a ação dos hormônios masculinos nas raízes dos cabelos. E loções que estimulam o funcionamento dessas raízes. Se o tratamento começar na fase inicial da doença, o resultado é muito bom. Mas se o problema já estiver evoluído, os resultados variam.

Caso não seja possível reverter a calvície apenas com remédios, existe a possibilidade do transplante de cabelos. Hoje em dia o resultado é natural, muito diferente daquele efeito de cabelo de boneca dos transplantes antigos.

Todos podem evitar alguns fatores que contribuem de outras maneiras para a queda de cabelos, como fumo, uso excessivo do secador, escova e chapinhas. Não puxe exageradamente os fios ao se pentear. Preocupe-se com a qualidade da alimentação e discuta com seu médico se no seu caso seria recomendável um suplemento vitamínico.

Leia também: 

-Vida longa aos cabelos: 9 de junho de 2008

-Calvície masculina: 4 de agosto de 2008
-Vida longa aos cabelos: 9 de junho de 2008

-Calvície masculina: 4 de agosto de 2008

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-Calvície masculina: 4 de agosto de 2008

Por Lucia Mandel

29/05/2009

às 14:06 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Tenho 43 anos e apresento flacidez, especialmente no contorno do rosto e no pescoço. Isso me incomoda bastante e parece que está piorando rapidamente. O que eu poderia fazer para reverter esse processo (ou, pelo menos, para impedir que ele avance muito rápido) antes de recorrer a uma cirurgia plástica?
(Cleusa)

Se a plástica não for uma opção, seja porque a flacidez não é acentuada, seja por motivos pessoais, existem tratamentos dermatológicos que suavizam a flacidez do rosto e da região abaixo da mandíbula. Tais tratamentos se baseiam no aquecimento do colágeno, fibra que sustenta a pele. O aquecimento retrai a pele e estimula a formação de colágeno novo. Isso pode ser conseguido através de aparelhos emissores de radiofrequência (como o Accent ou o Thermacool) ou com o uso de luz infravermelha (Titan ou Starlux Deep IR). Consulte um dermatologista para definir o melhor a fazer no seu caso. Leia também texto, que discute essa questão.

Gostaria de saber quando se tem um rosto muito oleoso e com muita espinha o que se deve fazer, existe alguma receita caseira?
(Renata)

Sou completamente contra o uso de receitas caseiras para cuidar da pele com espinhas. Voto a favor da ciência e da tecnologia: indústrias e pesquisadores investiram tempo, dinheiro e raciocínio para criar os produtos que você encontra na farmácia. Consulte um dermatologista, ele irá indicar produtos adequados para controlar as espinhas e a oleosidade da pele.

Tenho 25 anos e nunca usei creme hidratante, nem para face, nem para o corpo. Meu problema não é o envelhecimento, ao contrário, sempre aparentei uma idade muito menor (hoje ainda pareço uma adolescente). Não uso maquiagem e nem me exponho muito ao sol, e por isso não consigo ver a necessidade de passar três cremes por dia no rosto (para limpar, tonificar e hidratar). Gostaria de uma orientação sobre o que devo usar. Porém admito que tenho medo de começar a usar cremes e aí sim a minha pele se "acostumar" com o produto e envelhecer muito mais rápido se eu deixar de usá-los.
(Vanessa)

Mulheres jovens sem queixas com a pele também se beneficiam com o uso de produtos de cuidados com a pele, como um sabonete suave, um hidratante com filtro solar durante o dia e um creme com ação antioxidante à noite. De acordo com uma avaliação individual, pode-se indicar o uso de cremes à base de ácidos. Durante o tempo em que o creme está sendo usado, a pele só tem a agradecer. Além de deixá-la ainda mais bonita, o uso de cremes apropriados retarda o envelhecimento. Quanto ao medo de viciar a pele, esqueça, isso não existe. Se você desistir do tratamento, não irá envelhecer mais rápido.

Por Lucia Mandel

26/05/2009

às 7:40 \ Arquivo

Como usar o ácido retinoico

Figurinha carimbada nas prescrições dermatológicas, o ácido retinoico tem propriedades excelentes: suaviza rugas, melhora a qualidade do colágeno e aumenta a firmeza da pele. Além disso, clareia e previne manchas escurecidas na pele e melhora sua textura. Ele também controla a oleosidade e previne erupções de acne nas pessoas com tendência a espinhas. Como se vê, méritos não faltam.

E tem mais: ele também serve como preparo da pele para procedimentos rejuvenescedores. Por exemplo, um peeling facial ou a ação de alguns laseres rejuvenescedores têm resultados melhores em pessoas que já estejam usando ácido retinoico.

O produto só tem pontos positivos, com exceção de raros casos de contraindicações e de alguns efeitos colaterais. Por causa desses efeitos, muitas pessoas têm dificuldade em usar o ácido retinoico. A essas pessoas dedico o texto de hoje.

Quais são as possíveis dificuldades?

Com frequência, o início do tratamento é difícil e incômodo. O produto resseca a pele. Ela fica sensível, avermelhada e descamativa. Como os benefícios são muitos, o importante nessa fase é respirar fundo e não desistir.

O ideal é começar a usar o produto lentamente, apenas em alguns dias na semana. Por exemplo, aplicar o creme com ácido retinoico somente em uma a cada três noites. Nas outras noites, usar um creme hidratante e regenerador. Se tudo correr bem, na terceira semana de tratamento usar o ácido uma noite sim, outra não. E no segundo mês de tratamento aplicar o produto todas as noites, ou pelo menos cinco noites por semana, com duas noites de descanso.

Se a pessoa for mais sensível ainda, e não conseguir usar o creme nem três noites na semana? Insisto: o importante é não desistir. Usar o quanto for possível. É melhor passar o creme uma vez na semana do que não passar. Em casos extremos, é possível deixar o creme agindo apenas por algumas horas, e depois enxaguar. Com o tempo, mesmo que demore meses, a pele se acostuma e fica mais resistente, e a pessoa aumenta o tempo e a frequência de uso.

Outras dicas que aumentam a resistência da pele:

- Aplicar com a pele bem seca: aguardar meia hora após ter lavado o rosto para passar o creme.
- Misturar o creme com um hidratante para peles sensíveis.
- Usar uma pequena quantidade e espalhar o máximo possível.
- Usar um produto com baixa concentração do ativo.
Se mesmo seguindo todas essas recomendações o ácido continuar a irritar a pele, provavelmente a pessoa seja intolerante ao produto. Nesse caso, o melhor pode ser usar outros ativos, felizmente eles existem.

O ácido retinoico deixa a pele sensível ao sol. Por isso, é preciso usar um filtro solar todos os dias durante o tratamento. Se a pessoa gosta de ficar sob o sol (não deveria), melhor suspender o uso do ácido durante o verão. E, nas grávidas e lactantes, ele é contraindicado.

O ácido retinoico é um medicamento vendido sob prescrição médica. Um ativo similar é o adapaleno, que também requer receita médica para a venda. É possível encontrar versões mais suaves do ativo nos chamados cosmecêuticos, de venda livre. São o retinol e o retinaldeído, que não possuem os efeitos incômodos do ácido retinoico, mas por outro lado, têm ação menos intensa.

Por Lucia Mandel

22/05/2009

às 14:10 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Eu fiquei muito interessado nos tratamentos para cicatrizes de acne, porém fiquei com algumas dúvidas. Eles são eficientes para homens e mulheres? E há uma idade ideal para realizá-los?
(Rodrigo)

Os tratamentos para cicatrizes de acne podem ser feitos tanto por homens quanto por mulheres. Quanto à idade, existem algumas considerações a fazer: o ideal é que a fase de acne já tenha passado antes de tratarmos as cicatrizes. Não vale a pena investir nesse tratamento se a pessoa ainda tem chance de desenvolver novas cicatrizes. Além disso, algumas modalidades de tratamento são doloridas e exigem um cuidado especial com a pele. Um paciente muito jovem pode ter dificuldade para colaborar com o pós-operatório e comprometer o resultado do tratamento. Os tratamentos devem ser muito bem selecionados para pessoas de pele morena ou negra: procedimentos como a dermabrasão ou o laser não fracionado podem resultar em manchas escurecidas.

Estou com flacidez na barriga resultado da gravidez – meu filho está com 4 anos. Faço hidroginástica, tomo muita água e me alimento bem, estou dentro do peso ideal. No meu entendimento não é caso de lipo, pois o que tenho é flacidez. Pergunto, há tratamentos para dar uma firmada nesta barriga mole?
(Cibele)

Em alguns casos, mesmo quando não há excesso de gordura a cirurgia plástica pode ser boa opção no tratamento da flacidez abdominal. A cirurgia é capaz de remover o excesso de pele e suavizar a flacidez muscular. Se você não tiver indicação para cirurgia plástica ou, se por motivos pessoais, essa não for a sua escolha, você pode pensar em um tratamento com radiofrequência (como o Thermacool ou o Accent), ou com luz infravermelha (como o Titan). Consulte um especialista da sua confiança para definir qual a melhor conduta no seu caso.

No meu oitavo mês de gestação ganhei algumas estrias, eu sempre usei óleo, não coçava a barriga, mas mesmo assim elas apareceram. Sempre ouço falar que depois que a estria aparece é impossível tirá-la. É verdade?
(Michelle)

Michelle, estrias antigas respondem menos ao tratamento que as recentes. Mas se elas estão incomodando, vale a pena investir no tratamento: apesar de não eliminá-las, o tratamento faz com que fiquem mais discretas. Uma boa opção é o laser fracionado. Ele estimula a formação de colágeno novo, e isso causa retração da estria. Realiza-se uma sessão por mês, num total de 4 a 6 sessões. Existem ainda outras opções, como a microdermabrasão ou os peelings químicos. Procure um especialista para definir o melhor a fazer no seu caso.

Qual a diferença entre o peeling profundo  e o laser fraxel  na pele facial para rejuvenecimento?
(Clara)

No peeling profundo, ou Peeling de Fenol, uma substância química age sobre a pele, removendo as camadas superficiais. Além de renovar toda a pele, há um estímulo para a retração do colágeno, fibra que sustenta a pele. O poder rejuvenescedor, com apenas uma sessão, é marcante. É um tratamento agressivo, feito em centro cirúrgico, com o paciente sedado. O pós-operatório é delicado, requer curativos especiais e afastamento das atividades habituais por um período que varia de 2 a 4 semanas. Tamanho investimento, dependendo da indicação, compensa bastante. O resultado final é muito bom.

O Fraxel não é tão agressivo. O laser atinge a pele em minúsculos pontinhos, como se fosse um chuveiro, mesclando áreas de pele tratada com áreas de pele não tratada. Isso possibilita um tratamento eficaz com recuperação rápida, sem muitos transtornos. Não há necessidade de sedação: a dor é controlada com cremes anestésicos, com um jato de ar gelado e, dependendo do caso, com um analgésico. A pele fica inchada por um ou dois dias, e avermelhada por menos de uma semana. Não há necessidade de curativos. O tratamento é mais prático, mas a melhora por sessão de tratamento é menor do que a do peeling profundo. Costuma-se repetir a aplicação de Fraxel a cada 2 a 4 semanas, e o número total de sessões pode variar dependendo do caso, sendo em média 4 sessões por paciente.

Por Lucia Mandel

19/05/2009

às 7:38 \ Arquivo

Dermatologia e lipoaspiração

Uma das áreas de atuação do dermatologista é a cirurgia dermatológica. Além de remover verrugas, pintas, tumores de pele, entre outras coisas, o cirurgião dermatológico ainda é apto a realizar alguns tipos de cirurgias cosméticas. É o caso da lipoaspiração.

Entrevistei o doutor Carlos D´Apparecida S. Machado Filho, Regente da disciplina de Dermatologia da Fundação ABC, em São Paulo. Há 20 anos ele coordena o serviço de Cirurgia Dermatológica, importante centro de referência na área.

Doutor Machado, dermatologista sabe fazer lipoaspiração?
Sim, alguns são aptos a fazer lipoaspiração.

Como é feita a preparação desse profissional?

O treinamento dura um ano, após a residência médica em dermatologia. Esses profissionais realizam um mínimo de 50 lipoaspirações, sempre sob a orientação de um preceptor experiente. Também há grande enfoque na parte teórica: fazemos seminários, aulas de anatomia e de anestesia local tumescente.

Quais as diferenças entre a lipo feita por um dermatologista e aquela feita pelo cirurgião plástico?

Tecnicamente são semelhantes. A diferença é justamente a antestesia local tumescente. Enquanto o cirurgião plástico aplica no local a ser lipoaspirado pequena quantidade de anestesia e complementa o efeito analgésico com anestesia geral, na técnica dermatológica injetamos no local maior volume de anestésico. A solução anestésica é mais diluída, porém em maiores quantidades. Isso produz a tumescência: a área a ser lipoaspirada fica dura e a os vasos sanguíneos se fecham por pressão do liquido, fazendo com que a gordura aspirada saia sem sangue.
 
O paciente toma anestesia geral?

Não. Com a anestesia local tumescente, não há necessidade de complementação com anestesia geral. No máximo, fazemos uma sedação oral.

Por ser anestesia local, a lipo pode ser feita em consultório médico?

Não. Deve ser feita em hospital.

Em média, qual o volume de gordura que se aspira na lipoaspiração tumescente?

Em torno de 300 ml de gordura por paciente.

Se a lipo feita por dermatologistas não aspira grandes volumes de gordura, quem se beneficia com o tratamento?

O tratamento beneficia pacientes portadores de gordura localizada.

Nos EUA a cultura de lipoaspiração feita por dermatologistas é bastante difundida. O mesmo não acontece no Brasil? Por quê?

Creio que isso acontece por vários motivos. Primeiro porque lá os dermatologistas realizam lipoaspiração há muitos anos. Em segundo lugar, creio, há uma diferença cultural. Lá existe a cultura do mérito, ou seja, se um colega demonstra que sabe fazer porque tem treinamento adequado, não importa qual seja sua especialidade, ele faz. Aqui o julgamento de mérito não existe. Há um corporativismo, ou seja: se é cirurgião plástico, sabe fazer. Se não é, não sabe. Em terceiro lugar a atividade de marketing é nula por parte da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Existe risco de perfuração de abdome?

Hoje, se levarmos em conta os EUA e Europa, já existem mais de 500.000 lipoaspirações dermatológicas, sem nenhum relato de perfuração. Como as cirurgias são feitas com anestesia local, preservam a consciência do paciente e a sensibilidade muscular. Movimentos de cânula em sentido errado são percebidos pelo paciente, que reage imediatamente.

Os cirurgiões estão tomando algum cuidado especial referente à contaminação por micobactérias?

A tendência é usar cânulas descartáveis, pois as infecções não ocorrem por deficiência de assepsia durante a operação, mas sim por contaminação das cânulas.

Por Lucia Mandel

15/05/2009

às 14:32 \ Arquivo

Respostas e leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Eu tenho problema de calvície. Fui a dois dermatologistas e depois de exames sanguíneos me indicaram finasterida. A queda parou. Eu tomo desde julho de 2003 nunca tive nenhum efeito colateral, mas gostaria de saber até quando posso usar sem prejudicar minha saúde.
(Ricardo)

O uso da finasterida para a calvície masculina pode ser mantido por tempo indeterminado, sempre sob supervisão médica. Salvo raras exceções, como pacientes alérgicos ou que tenham efeitos colaterais, não há problemas relacionados ao uso a longo prazo desse remédio.

Gostaria de saber qual a diferença (se existe) entre o colágeno em pó e o em cápsulas e qual a medida a ser ingerida diariamente.
(Adrienne)

Não indico o uso de colágeno por via oral para melhorar a firmeza da pele: não há comprovação da eficácia desse tratamento. Gosto, no entanto, do efeito de suplementos antioxidantes. Eles ajudam a combater os radicais livres, que aceleram nosso envelhecimento. Além disso, alguns antioxidantes aparentemente diminuem o dano que a radiação solar causa na pele.

Tenho 37 anos. O que mais me incomoda é o famoso "bigode chinês" , atualmente uso um produto da Avène – Eluage gel -  para tentar amenizar o problema, acontece que o resultado através de um cosmético é muito lento, por isso gostaria de informações sobre um tratamento mais rápido.
(Maria José)

O Eluage gel é um creme à base de retinaldeído e ácido hialurônico fragmentado. Essa combinação estimula a produção de colágeno e hidrata a pele. O produto é indicado para melhorar a firmeza da pele e suavizar rugas, como o bigode chinês ou as rugas ao redor dos olhos. O efeito de um creme como preenchedor de rugas é muito mais suave do que um preenchimento feito em consultório médico, quando injetamos um material sob a ruga para suavizá-la. Consulte um dermatologista para avaliar se você se beneficiará de um tratamento desse tipo. 

Por Lucia Mandel

12/05/2009

às 7:54 \ Arquivo

Tratamentos para cicatrizes de acne

Enfim, livre das espinhas. Passou a fase. Mas hoje seu espelho pode mostrar outro problema: as cicatrizes que ficaram. Ter cicatriz depois das espinhas é uma tendência pessoal. Costuma acontecer em quem teve um caso de acne mais grave, com cistos. Também aparece nos que cutucaram muito as espinhas.

Foi isso que aconteceu com você? Pois então, é a você mesmo que eu dedico essa coluna, que fala de como suavizar essas marcas. Dependendo de como são as cicatrizes e do tratamento escolhido, elas melhoram bastante e podem até desaparecer.
Aí vão boas opções de tratamento:

Preenchimento

Funciona muito bem se sua cicatriz desaparece ao esticarmos a pele. Injetamos sob a cicatriz uma substância que aumenta o volume local. O objetivo é deixar a cicatriz no mesmo plano que a pele ao redor. O melhor preenchedor é o ácido hialurônico, que dura mais ou menos um ano. Passado esse tempo, é hora de repetir o tratamento.

Subcisão

Se sua cicatriz não desaparece quando a pele é esticada, não dá para usar o preenchimento. É que nesse caso existem fibras de colágeno que repuxam a pele para baixo e precisam ser cortadas. Isso é feito com a subcisão. Depois da subcisão, forma-se um hematoma que desaparece em mais ou menos duas semanas.  O tratamento pode precisar de várias sessões.

Peeling químico

Neste tratamento, uma solução química age sobre a pele. Dependendo da solução aplicada, o peeling pode ser superficial, médio ou profundo. Os peelings superficiais renovam a epiderme, camada mais superficial da pele. Ao se regenerar, ela fica mais uniforme. Funcionam nas manchas deixadas pela acne, mas não nas cicatrizes.

Um ataque mais profundo também melhora a qualidade da derme, segunda camada da pele. Quanto mais profundo esse ataque, maior o grau da suavização das cicatrizes profundas. Se suas cicatrizes são assim, você deve realizar alguns peelings médios ou profundos. Aumentando a profundidade do peeling, aumentam também o desconforto e os riscos de efeitos colaterais.

Dermabrasão e microdermabrasão

Na dermabrasão, uma lixa remove a epiderme e parte da derme. A profundidade dessa abrasão é controlada diretamente pelo médico, que determina o momento de parar. Com o tempo, nasce uma pele nova, de superfície bem mais regular e com muito menos cicatrizes. A melhora, após uma única sessão, é muito grande. As cicatrizes superficiais somem e as profundas ficam menores.

Como você deve estar imaginando, perder toda a camada mais superficial da pele é bastante agressivo e dolorido. A aparência logo após o tratamento impressiona. Você deve se afastar de suas atividades normais por um período de 3 a 4 semanas. E, por alguns meses, fuja do sol. Tendo paciência para aguentar essa fase, o tratamento compensa.
Na microdermabrasão, conhecida como peeling de cristais, um aparelho joga e aspira pequenas partículas na pele. Isso também remove células, mas o efeito é superficial, e muitas vezes nem ultrapassa a epiderme. A profundidade da agressão também varia de acordo com o desejo do médico.

Laser

A agressão é semelhante àquela que acontece na dermabrasão. O laser remove completamente a epiderme, camada mais superficial da pele, e parte da derme, segunda camada da pele. Ele aquece essas camadas com tanta intensidade que as células simplesmente evaporam.
Assim como na dermabrasão, a aparência logo depois do tratamento também é desagradável, e a pessoa deve cuidar bastante da pele sensibilizada. O período de afastamento varia de 2 a 4 semanas, dependendo do laser usado.

Laser fracionado

Por causa da eficiência do laser, mas dos problemas causados por tamanha agressividade, surgiu a ideia do laser fracionado, um tratamento mais moderno. Imagine o laser convencional como um cano jogando água, e o laser fracionado como um chuveiro.

O laser fracionado produz milhares de pontinhos tratados em meio à pele não atingida. A agressão salteada regenera o colágeno da derme e renova a epiderme, com um tempo de recuperação rápido. O desconforto após a sessão é pequeno. A melhora por sessão é menor que no laser convencional, e por isso realizamos algumas sessões. Mas o efeito é muito bom.

Por Lucia Mandel

08/05/2009

às 13:51 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Por prescrição médica, eu utilizo Vitanol A 0,025 em noites alternadas no rosto há uma semana, e com o recorrer dos dias surgiram alguns efeitos colaterais: crostas avermelhadas (região de pele grossa e descamação) , descamação e coceira no rosto. O motivo pelo uso é por causa de cicatrizes deixadas pela acne e pela oleosidade da pele. Uso todos os dias filtro solar (Spectraban 35 FPS base color), e lavo o rosto pela manhã para retirar o ácido. Por favor me esclareça essa duvida se é normal acontecer isso com a pele fazendo uso deste medicamento?
(Fabiana)

O Vitanol A é um creme à base de ácido retinoico, ativo amplamente usado no controle da oleosidade e no combate às espinhas. Ele tem ainda outras ações: melhora a qualidade do colágeno e aumenta a firmeza da pele. Tais méritos fazem com que esse ácido seja um dos ingredientes ativos mais prescritos pelos dermatologistas. Mas nem sempre a aplicação é simples. O ácido retinoico pode deixar a pele sensível, principalmente no início do tratamento. A pele fica ressecada, avermelhada e com descamação. Se isso aconteceu com você, entre em contato com seu dermatologista: existem algumas medidas que podem ajudar, como diminuir ainda mais a frequência de uso do creme, baixar temporariamente a concentração de ácido ou acrescentar uma loção hidratante não oleosa aos seus cuidados diários. Siga as orientações e seja persistente. Em geral, após algumas semanas, a pele se habitua ao tratamento.

Li uma reportagem sua sobre o método a Laser Fraxel. Tenho bolsas debaixo dos olhos que me incomodam muito e que  deixam uma expressão muito cansada e envelhecida. Gostaria, que me indicasse algumas opções de locais seguros e confiáveis para fazer tal aplicação,  apenas nas áreas das bolsas e pálpebras.
(Elizabeth)

O Fraxel é um bom tratamento de rejuvenescimento da pálpebra inferior, pois o laser suaviza rugas finas e aumenta a firmeza da pele. Mas esse tratamento não elimina bolsas de gordura. Nesse caso, indica-se a cirurgia plástica.

Tenho sofrido muito com a oleosidade do meu couro cabeludo e com caspas. Antes eu tinha um cabelo normal das raízes até as pontas, no entanto, há alguns meses  meu cabelo mudou para pior.
(Sanzia)

Tanto a oleosidade dos cabelos quanto a caspa ocorrem por tendência pessoal. Nas pessoas que já têm predisposição, o frio e o stress o agravam o quadro. Felizmente, um bom tratamento costuma controlar o problema.  Usamos shampoos ou loções capilares com medicamentos como piritionato de zinco, cetoconazol, sulfeto de selênio, dentre outros. Se o problema for intenso, podemos usar por curto período de tempo uma loção mais potente, à base de cortisona. Não há cura definitiva e o problema pode voltar futuramente. Também vale a pena cuidar da alimentação, comer verduras e legumes, evitar bebidas alcoólicas e beber ao menos dois litros de água por dia.

Por Lucia Mandel

05/05/2009

às 7:35 \ Arquivo

Anestesia e medicina

A anestesia foi descoberta um pouco antes de 1850. Antes dela, médico e paciente só se decidiam pela cirurgia em casos extremos, como um sofrimento inconcebível ou uma desesperança absoluta. Para suportar a tortura, o paciente tomava ópio ou aguardente e era amarrado à mesa de operações. Nessa época, um bom cirurgião tinha que ser rápido. Cada segundo desperdiçado era uma eternidade para o paciente, uma extensão do pesadelo. Foi nessas circunstâncias que o doutor John Collins Warren se consagrou como cirurgião, assumindo o posto de professor-chefe de cirurgia na Escola de Medicina de Harvard. Warren era rápido, sistemático e firme o suficiente para se manter impassível frente aos gritos dos pacientes.

A descoberta da anestesia partiu de uma observação casual de Horace Wells, dentista de uma cidadezinha de Connecticut. Ali, Wells e sua esposa participaram de uma festa onde os convidados consumiam gás hilariante, uma moda de então. Wells viu quando outro participante da festa, depois de ter inalado o gás, ferira gravemente a perna, e percebeu que ele não esboçava sinal de dor. Ao contrário: continuava a dançar, cantar e rir. Wells foi falar com o sujeito, que se espantou ao perceber que sua perna sangrava. Na manhã seguinte, Wells inalou gás hilariante e pediu a seus assistentes que arrancassem um dente seu. E assim um desconhecido dentista de uma pequena cidadezinha americana percebeu a existência de algo que modificaria o mundo.

Wells foi a Boston e procurou Warren. O cirurgião deixou que o dentista testasse seu experimento em uma de suas cirurgias. Frente a uma plateia incrédula, composta em sua maioria por cirurgiões e estudantes de medicina, Wells relatou sua descoberta. Warren perguntou se alguém da plateia se voluntariava para remover um dente. O tímido Wells tremia enquanto fazia um voluntário inalar gás hilariante até dormir. Mas, por um desses acasos do destino, a experiência foi malsucedida, e a vítima acordou urrando de dor. Há controvérsias sobre o motivo do fiasco: talvez a dose inalada tenha sido baixa, talvez o desconhecido voluntário tivesse abusado de bebidas alcoólicas e por isso era resistente a esse tipo de anestesia. Vaiado e humilhado, Wells deixou a sala de operações. Sua vida se tornaria um martírio. Abandonou sua carreira e, depois de muitos reveses, acabou se suicidando.

Mas um ex-assistente seu, que estava presente no fatídico dia em Boston, não abandonou os experimentos. Foi ele quem, dois anos depois, voltou a procurar Warren e provou que era possível operar sem dor. Warren fez sua primeira cirurgia em um paciente anestesiado através da inalação de éter em 1846. Contam que, ao término dessa operação, Warren, o impassível, chorava.
 
É necessário sentir dor em tratamentos estéticos?

Voltando aos tempos atuais, alguns tratamentos rejuvenescedores são um pouco doloridos. É o caso do preenchimento, quando se injeta um material sob a pele para suavizar rugas e repor volumes que naturalmente se perdem com o avançar da idade. Quando o preenchimento é realizado sem anestesia, a dor é tolerável, mas incômoda. Para diminuí-la, usa-se cremes anestésicos e, se a aplicação for nos lábios ou sob a ruga conhecida como bigode chinês, é necessário fazer um bloqueio nervoso – anestesia muito parecida com aquela que se toma no consultório do dentista. 

Em abril deste ano foi lançado no Brasil um preenchedor à base de ácido hialurônico, o material preferido entre os dermatologistas, que inclui anestésico na sua formulação. Assim, a aplicação se tornou praticamente indolor. A evolução tecnológica transformou o que já era bom em algo ainda melhor.

Pena que o dentista Horace Wells não viveu para ver como sua incrível descoberta mudou os rumos da medicina. Sem a anestesia, estaríamos todos roucos de tanto gritar nos consultórios médicos.
 
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Por Lucia Mandel

 

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