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03/02/2009

às 7:33 \ Arquivo

Bicho geográfico

Ele até que tem um apelido simpático: bicho geográfico. E levou essa fama porque fica debaixo da pele, desenhando linhas que se parecem com mapas inexistentes. Um mapa da Parasitolândia aqui, um do Reino do Nojo ali, e assim vai, trabalhando sem parar, principalmente no verão. Você já foi vítima? Pois é, o bicho geográfico é frequente em várias praias do nosso país.

A preferência do parasita

O parasita, de nome oficial Ancylostoma, gosta mesmo é de infectar gatos e cachorros, para se desenvolver em seus intestinos. Ele atinge essas vítimas preferenciais quando elas comem ovos ou larvas do parasita, animais já contaminados, ou ainda quando as larvas penetram através da pele. Depois de contaminados, os bichanos eliminam os ovos deste parasita junto com suas fezes. Ovos que viram larvas, ávidas por encontrar um novo hospedeiro.

Nós não somos os hospedeiros preferidos. Mas se a gente entrar em contato com as larvas, elas perfuram e entram na nossa pele. Assim como faz nos gatos e cachorros, o parasita tenta se aprofundar para atingir outros órgãos. Mas, para nossa sorte, a pele humana é uma barreira que essa larva não consegue transpor. Ela não ultrapassa além das camadas mais superficiais. E então fica por ali mesmo, cavando túneis, andando sem rumo, dando uma de cartógrafo.

As lesões características do bicho geográfico são justamente os túneis que o parasita vai cavando e que conseguimos enxergar pela transparência da pele. São sulcos avermelhados, sinuosos e que coçam.

Por uma praia sem gatos e cachorros

Aí vem a pergunta: como será que um parasita de cães e gatos chegou à areia da praia que você frequenta? Acertou: é claro que o Rex, o Totó e o Rufus estiveram por ali, fazendo suas necessidades básicas, sem constrangimento nenhum, na areia fofinha onde você se deita.
Foram eles que despejaram na areia os ovos do parasita. Por isso, se o Totó for seu, não o leve à praia. Também não se esqueça de dar vermífugos para ele, e de recolher suas fezes nos lugares públicos. Outro lugar em que se pega bicho geográfico são os parquinhos infantis onde não há restrição à entrada de cães e gatos. As larvas ficam na areia ou na terra que as crianças brincam.

O tratamento e a prevenção

Para acabar com o parasita, basta tomar um vermífugo ou passar uma pomada. A larvinha morre e tudo termina bem. E para prevenir o problema, use um chinelo em praias frequentadas por cães e gatos. Ao se sentar, use esteira ou canga. Cuide-se neste verão. A não ser que em vez de tatuagem de henna, você queira voltar da praia com um belo mapa-mundi desenhado na pele.

Por Lucia Mandel

27/01/2009

às 1:20 \ Arquivo

Acabe com suas espinhas

Conheço muito bem o sofrimento de quem tem acne. Tive muitas espinhas na adolescência. Usei os mais diversos cremes, tomei antibióticos, fiz promessa, derramei lágrimas. O resultado dos tratamentos era bom, mas a tendência de ter acne persistia. Esperei que a fase das espinhas passasse (e como esperei!), mas não passou. Então me submeti a um tratamento que na época era novo, muito temido por seus efeitos colaterais, e que só se recomendava nos casos mais graves: a isotretinoína.

Para o meu enorme alívio de adolescente, foi o que resolveu definitivamente o problema. Finalmente eu podia abrir um lindo sorriso (ou quase lindo, por causa do aparelho). Hoje sou uma médica entusiasta desse medicamento, que já provou ser extremamente eficaz. Gosto também do efeito dos cremes de uso tópico, dos peelings e dos antibióticos que tratam a acne. Mas a isotretinoína tem uma vantagem: quase sempre o resultado é permanente.

Como funciona?

A isotretinoína diminui definitivamente o tamanho e a atividade das glândulas sebáceas, responsáveis pela oleosidade da pele. Também reduz a formação dos cravos e combate bactérias que se aproveitam do sebo para proliferar e acabam inflamando as espinhas. A melhora é enorme, mesmo nos casos mais graves, com cistos. Após sete a nove meses de tratamento com a isotretinoína, o problema estará resolvido, poupando anos de tratamento com outros remédios e evitando cicatrizes definitivas.

Existe uma pequena chance do problema voltar, mas se isso ocorrer, será num grau bem mais leve do que antes. Por outro lado, o tratamento com isotretinoína tem muitas contra-indicações e efeitos colaterais. Por isso, nem todos podem se submeter a ele. Quem toma o remédio tem que estar muito bem orientado e motivado. Muitas vezes, a isotretinoína só é prescrita quando os cremes e os antibióticos não resolvem.

Os possíveis riscos

O remédio é teratogênico. Isso significa que uma mulher que fique grávida enquanto toma a isotretinoína corre o risco de gerar um bebê com malformações. Como o remédio se acumula na gordura do corpo, esse risco continua por um mês após a interrupção do uso. Por isso, a prescrição e a venda dele são rigidamente controlados. As mulheres devem fazer testes de gravidez antes e durante o tratamento, e devem usar dois métodos anticoncepcionais simultaneamente, durante o tratamento e no mês seguinte a ele.

Se você estiver tomando o medicamento, não doe sangue: isso põe em risco as gestantes que precisem de transfusão. A isotretinoína pode também agredir o fígado, causando a chamada hepatite medicamentosa. Daí a necessidade de se realizar exames de sangue que avaliem a função hepática antes e durante o tratamento. Evite consumir bebidas alcoólicas durante o uso do remédio.

Efeitos colaterais

Há uma associação do medicamento com depressão, mas não existe consenso sobre o grau dessa associação. Há relatos de crises depressivas em pessoas que estavam tomando o remédio. Mas isso pode ser, ou não, uma coincidência, já que tanta gente toma a isotretinoína. De qualquer maneira, ao menor sinal de alteração do humor, como irritabilidade, choro ou falta de atenção, o médico deve ser comunicado. Pode ser o caso de suspender o tratamento.

Há outros efeitos colaterais bem menos graves, como ressecamento dos lábios, do nariz, dos cabelos, da pele e dos olhos. São incômodos, mas temporários: assim que o tratamento terminar, eles passam. E mais um cuidado: durante o tratamento, a pele fica muito sensível ao sol, o que exige rigorosa proteção solar. Tomar a isotretinoína é um sacrifício, eu sei. Mas no caso de inúmeros adolescentes e jovens, vale muito a pena. Se você também é uma vítima das cruéis espinhas, devia avaliar o assunto junto com seu médico.

Por Lucia Mandel

20/01/2009

às 7:55 \ Arquivo

Armas contra a dengue

O Ministério da Saúde divulgou recentemente um mapeamento da dengue no Brasil. Foram avaliados 161 municípios. A situação é preocupante. Existem cinco cidades sob risco de surto e 71 em estado de alerta, incluindo 14 capitais, como Rio de Janeiro, Vitória e Salvador. Em São Paulo, três municípios estão em estado de alerta: São Sebastião, Piracicaba e Ribeirão Preto. Nesses locais, um descuido nas medidas de combate à dengue pode levar a um surto, como o que aconteceu no Rio em 2007. As epidemias costumam acontecer no verão, durante ou após períodos de chuva. Clicando aqui você tem acesso a esses dados. Procure sua cidade, veja a situação em que ela se encontra. Se você vive em um lugar de risco, cuide-se. Use e abuse dos repelentes de insetos. Eles não são a principal arma para o controle da epidemia, mas ajudam na proteção pessoal.

Os repelentes de insetos

Depois de aplicados, eles vão evaporando, e criam uma barreira com cheiro e gosto desagradável aos insetos. Os repelentes industrializados adequados são à base de DEET (dietil-toluamida) ou de icaridina. O DEET é o ingrediente mais freqüentemente usado. Foi descoberto pelo exército americano quando pesquisava um repelente para proteger seus soldados na II Guerra Mundial. Ele afasta mosquitos, moscas e carrapatos. Milhões de pessoas usam todos os anos repelentes à base de DEET. Mas apesar de ser seguro, podem ocorrer reações adversas como alergias de pele e até intoxicação, caso a pessoa exagere na aplicação. Para minimizar os riscos de efeitos colaterais, a concentração de DEET é dosada. Os repelentes específicos para crianças têm concentrações mais baixas. E crianças com menos de 2 anos de idade não podem usar o produto.

Um problema do DEET é que ele estraga tecidos, como a lycra, além de couro e plásticos, causando a destruição de armações de óculos, por exemplo. E também danifica superfícies envernizadas ou pintadas, inclusive a pintura de automóveis. A icaridina é um ativo mais recente, com eficácia comparável à do DEET. Ela é menos irritante para a nossa pele e não estraga tecidos ou plástico. Mas também não deve ser usada em crianças com menos de 2 anos de idade. E, para crianças entre 2 e 10 anos, recomenda-se uma concentração reduzida do ativo. Já os repelentes à base de óleo de citronela não são confiáveis em caso de surto de dengue. Funcionam por pouquíssimo tempo, porque evaporam rápido.

Pílulas que afastam mosquitos

Tomar complexo de vitamina B ajuda um pouco. Depois de ingerida, a vitamina B produz um cheiro que é eliminado pelos poros e que afasta os mosquitos, sem incomodar as pessoas. Esse método começa a funcionar a partir de uma semana de uso do comprimido. Mas atenção: não confie completamente na proteção que a cápsula oferece. As loções à base de DEET ou icaridina são bem mais eficientes. E outro detalhe: o complexo B pode causar espinhas, se você tiver tendência.

Como proteger as crianças pequenas

Como todos os repelentes são proibidos para as crianças com menos de 2 anos, a única saída é afastá-las dos locais com muitos mosquitos nos horários críticos, de manhã cedo e ao final da tarde. Coloque telas nas janelas e instale mosquiteiros.

Por Lucia Mandel

16/01/2009

às 0:36 \ Arquivo

A plástica da Dilma

Vi nos jornais as fotos do "antes" e "depois" da nossa ministra. Muito bom o resultado do seu tratamento estético. Não é que ela ficou bonita? O resultado não lembra nem de longe aquele efeito artificial das plásticas de antigamente. Hoje um bom cirurgião valoriza a naturalidade. O efeito final é suavizar as rugas, dar um ar descansado, definir o contorno da mandíbula, mas sem esticar demais. Na maioria das vezes, para manter essa naturalidade, é preferível que sobrem algumas marcas, alguns sulcos. Depois, eles podem ser melhorados nos tratamentos dermatológicos.

Por exemplo, se restarem rugas entre as sobrancelhas, dando um ar bravo, podemos suavizá-las com Botox. E se sobrar entre os cantos da boca e o nariz um pouco do sulco conhecido como bigode chinês – e é bom que sobre, pois isso significa que o rosto não foi exageradamente esticado – aplica-se um preenchedor. Isso vale também para os lábios. Como não dá para querer repuxar essa região, pois o resultado é desastroso, depois da plástica os lábios podem ser retocados com preenchedores e laseres.

Ao redor dos olhos, novamente o Botox ou laseres de última geração. E se ainda houver necessidade de melhorar a textura e beleza da pele após a plástica, pode-se fazer peeling ou usar um laser fracionado. Com a evolução da tecnologia da beleza, a soma da cirurgia plástica com o tratamento para eliminar ou suavizar rugas atinge ótimos resultados. Vide a Dilma, prontinha para os flashes e as câmeras.

Por Lucia Mandel

13/01/2009

às 6:38 \ Arquivo

Olheiras: o que fazer?

Olheiras, no dicionário Aurélio: S. f. pl. Manchas escuras ou azuladas que aparecem nas pálpebras inferiores, em conseqüência de enfermidade, insônia, ou cansaço físico ou mental.
 
Muita gente não sabe, mas essas razões são apenas parte da verdade. As olheiras surgem por esses e alguns outros motivos que veremos a seguir:

As causas

1. Vascularização
Algumas pessoas, por questões genéticas, têm grande número de vasos sanguíneos sob a pálpebra inferior. Como a pele da pálpebra é muito fininha, consegue-se enxergar esses vasos por transparência. Se essa for a causa da olheira, ela tem um tom arroxeado.

Além disso, os vasos sanguíneos dessa região são estreitos e frágeis. O fluxo de sangue é lento e pode haver escape de células sanguíneas para fora dos vasos. As células "perdidas" são destruídas pelo organismo. Como produto das reações químicas envolvidas na destruição, surge um pigmento marrom, a hemossiderina. O acúmulo de hemossiderina acentua as olheiras.  Nesse caso, a olheira fica acastanhada.

Qualquer estímulo que cause dilatação dos vasos acaba aumentando as olheiras. É o caso da bebida alcoólica e, nas mulheres, da época perto da menstruação.

2. Pigmentação
Por causas genéticas, algumas pessoas acumulam melanina na pálpebra inferior. Esse pigmento acastanhado escurece a área. A idade e a exposição ao sol também aumentam a quantidade de melanina de toda a pele, inclusive dessa região, acentuando a olheira.

A maioria das olheiras é causada por esses dois fatores citados, mas existem outros que podem influenciar. Eles aparecem a seguir:

3. Espessura da pele da pálpebra inferior
Quanto mais fina, mais visível serão os vasos sangüíneos. Portanto, também se enxerga com facilidade a hemossiderina que se acumula, mesmo em pequena quantidade. Como a pele fica mais fina com a idade, o problema vai aumentando.

4. Hereditariedade

5. Sol
O bronzeado acentua a pigmentação, aumentando as olheiras.

6. Cansaço
Ao contrário do que se pensa, quando a pessoa fica cansada, não são as olheiras que escurecem: é a pele do rosto que fica pálida e o contraste deixa a olheira mais visível. Solução nesse caso: em vez de trabalhar tanto e dormir tão pouco, ganhar na loteria e ir morar em uma praia paradisíaca.

7. Alergia
Pessoas com rinite, dermatite atópica ou asma têm mais olheiras.

8. Configuração óssea
Algumas pessoas têm olheiras porque os olhos são mais fundos. Nesse caso, o preenchimento com ácido hialurônico ajuda.

9. Bolsas de gordura
Não são propriamente olheiras, mas também incomodam. Variam de tamanho de acordo com a tendência pessoal e costumam aumentar com a idade.

Os tratamentos

1. Compressas geladas com chá de camomila ou chá verde
Contraem os vasos e melhoram as olheiras causadas por excesso de vascularização. Cremes com derivados da camomila, como o alfa-bisabolol ou o azuleno, são úteis. O efeito, apesar de bom, é temporário. 

2. Luz pulsada ou laseres de ação para pigmento
Suavizam as olheiras que surgem por acúmulo de pigmento. A luz pulsada também reduz os vasos da região. São necessárias 4 a 6 sessões, uma por mês. A pálpebra fica avermelhada e um pouco inchada. Em alguns casos, surgem casquinhas.

3. Laser com ação vascular
Esse tratamento destrói os vasos que causam a olheira. É eficaz caso o principal motivo do problema seja vascular.

4. Evitar o sol

5. Usar cremes
São várias opções: renovadores celulares, estabilizadores vasculares, que melhoram a circulação e inibem sangramentos, clareadores e tensores. O efeito de um creme anti-olheiras varia muito de pessoa para pessoa.

Por Lucia Mandel

06/01/2009

às 7:17 \ Arquivo

As roupas e a proteção solar

Os tuaregues são um povo nômade do deserto do Saara, onde o sol não é lá dos mais bonzinhos. Eles se cobrem com um véu azul característico, o tagelmust, com o qual acreditam se defender dos maus espíritos, além de se proteger contra a violência do sol e das rajadas de areia durante suas viagens em caravanas. Usam a roupa como um turbante, cobrindo todo o rosto, exceto os olhos.

Se você não é um tuaregue, provavelmente não conta com a opção do tagelmust para se proteger do sol neste verão. Mas o fato é que, além do filtro, as roupas também são uma grande arma para se defender dos raios ultravioleta. Nesta coluna, a discussão é sobre o grau de proteção solar dado por diferentes tipos de tecidos, e sobre roupas especialmente incrementadas que aumentam a proteção solar.

Antes de mais nada, uma explicação: para medir a proteção de uma roupa, é usado o FPU, ou Fator de Proteção Ultravioleta. Ele mede a porcentagem dos raios ultravioleta A e B que ultrapassam o tecido. Por exemplo: o FPU 5 significa que um em cada cinco raios ultrapassa o tecido e chega na nossa pele; o FPU 50, que um em cada 50 raios atinge a pele.

Uma boa proteção começa com FPU 15. Ela é muito boa a partir de FPU 25 e excelente a partir de FPU 40. As roupas vendidas em lojas especializadas para proteção solar costumam ter FPU 50.

As roupas e seus FPUs

Se você é mãe ou pai, posso apostar que já deixou seu filho na praia usando uma camiseta branca de algodão, e que se sentiu seguro com a proteção solar que esse tipo de roupa oferece. Se você pratica esportes ao ar livre, provavelmente já confiou na mesma roupa. Afinal, algodão deixa a pele respirar, e a cor clarinha é a ideal em dias muito quentes porque não esquenta. Mas será que a proteção solar desse tecido é bom mesmo? Vamos ver.

O FPU depende de algumas variáveis:

1. Tipo de fio. Os tecidos que naturalmente protegem mais contra a radiação ultravioleta são os mais pesados, como o algodão, o linho, a sarja. No entanto, existem tecidos sintéticos leves, como o poliéster, que também protegem bem.

2. Densidade da trama. Quanto mais densa a trama, maior a proteção. É possível avaliar se um tecido filtra bem os raios ao observá-lo contra a luz. Se passar pouca luz, o FPU deve ser bom. Caso contrário, mau sinal.

3. Cor.
Quanto mais escuro o tecido, maior o FPU. O pigmento ajuda a absorver os raios ultravioleta, e por isso a cor escura pode aumentar o FPU do tecido em até 5 vezes. Ponto negativo para a confortável camiseta branca de algodão. Outro detalhe: como o branco reflete a luz, a camiseta branca de algodão acaba refletindo a radiação solar em direção ao rosto de quem usa. Mas apesar do FPU de tecidos claros ser menor que o de tecidos escuros, roupas claras são as mais indicadas para serem usadas sob o sol, pois esquentam menos, são mais confortáveis e ajudam a proteger contra a insolação.

4. Umidade. Se molhar, a camiseta estica e as tramas se abrem. Com isso, o FPU cai.

5. Roupa folgada ou apertada. Se a roupa for mais folgada, o FPU aumenta. Se o tecido for esticado, como no caso de uma roupa apertada, a trama perde a densidade e o FPU cai.

Em vista desses fatores, conclui-se que em geral um tecido claro, leve e com trama solta não tem FPU ideal. Sinto informar, mas a camiseta branca de algodão tem FPU baixo, em torno de 6. Molhada, ela perde metade do seu fator de proteção. Conclusão: pais, continuem a vestir seus filhos com roupas de algodão branco, mas não confiem completamente na proteção que o tecido oferece. O ideal é usar junto um filtro solar.

Poliéster protege mais que algodão: se for branco, o FPU é 16. Se for vermelho, 29. Preto, 34. Roupas desse material são encontradas em lojas esportivas, pois são levinhas e absorvem o suor.

As roupas especiais

Existem roupas especiais, feitas com tecido de altíssimo FPU. Essa tecnologia surgiu há mais de uma década, na Austrália, onde a preocupação com a exposição ao sol é extrema, já que a incidência de melanoma é muito alta no país. Há lojas brasileiras especializadas que oferecem roupas com essa tecnologia. Elas utilizam tecidos nacionais para a confecção, e os enviam para a Austrália para realizar testes de eficiência de FPU.

Nessas roupas tecnológicas, o tecido usado é a poliamida. Na hora de confeccionar a fibra usa-se um protetor solar: o dióxido de titânio. Ele se incorpora à fibra e é o responsável pela proteção solar do tecido. Por isso, o FPU é excelente independente da cor do tecido, e isso não se perde nas lavagens. Enquanto a roupa não for danificada, o FPU se mantém. Além de camisetas, encontramos várias outras roupas com essa tecnologia: bonés, viseiras, maiôs, luvas e sombrinhas.

Não estamos no deserto do Saara, mas por aqui o sol também é cruel. Portanto, não se esqueça de se proteger muito bem neste verão.

Por Lucia Mandel

26/12/2008

às 10:48 \ Arquivo

Cuidado com a insolação

Sou homeotérmica. A propósito, você também é. Não, não se trata de nenhuma doença, nem de algo raro. Esse nome enjoado significa que nosso organismo é capaz de manter nossa temperatura em uma faixa constante, mesmo que a gente vá para um lugar muito quente ou muito frio. Quando estamos num lugar frio, nosso corpo toma providências para que a temperatura interna não caia: a gente treme, se arrepia, a pele fica pálida. Se a gente vai para um lugar quente, o corpo trata de se resfriar.

Esse controle da temperatura é fundamental porque nós funcionamos por volta dos 37 graus. É nessa temperatura que nossas enzimas, nossas células e nossas proteínas vivem bem.

O calor do verão

Quando a gente está num lugar quente, nosso corpo esquenta. Nesse momento, entra em ação um centro regulador da temperatura corporal, que fica no cérebro e toma as devidas providências. A principal é a produção de suor. O suor molha a pele e, conforme evapora, rouba nosso calor e a temperatura corporal cai.

Esse mecanismo é fundamental para manter nossa saúde em dias quentes, na praia, na piscina, durante a prática de exercícios. A gente se esquenta, sua, e assim vamos mantendo o equilíbrio. Mas, em algumas situações, esse sistema pode falhar. É aí que ocorre a insolação.

Por que a insolação acontece?

Ela acontece se a gente não colabora com nosso mecanismo natural de resfriamento. Conforme suamos, perdemos água. Em dias muito quentes a quantidade de suor é grande, e precisamos compensar essa perda de água do corpo. Caso contrário, corremos o risco de desidratar. Aí, nosso organismo automaticamente muda o foco de atenção: é a desidratação que se torna a prioridade. E, nesse momento, elimina-se qualquer gasto a mais de água. Nosso suor diminui ou simplesmente desaparece. Então, sem o seu principal mecanismo de resfriamento, nosso corpo esquenta. Esquenta muito, e rápido. E isso é grave.

Por isso, para aproveitar o verão sem risco de insolação, adote algumas medidas simples que ajudam a manter seu corpo frio.

1. Fique à sombra nos momentos mais quentes do dia.
2. Use roupas claras, que refletem os raios de sol e por isso esquentam menos. A roupa deve ser folgada, para permitir o suor. Prefira roupas de algodão, ou de fibras naturais e leves;
3. Use um chapéu ou um boné, de preferência com furos nas laterais, que permitem a evaporação do suor da cabeça;
4. Adapte sua rotina de exercícios para momentos do dia em que a temperatura não for tão quente. Ou então, diminua o ritmo do exercício, e faça pausas para beber água e se resfriar;
5. Borrife água no seu corpo. Deixe um borrifador, desses de regar plantas, na geladeira, para usá-lo quando chegar em casa;
6. Mergulhe periodicamente na piscina ou no mar, ou tome duchas frias ao longo do dia;
7. Beba muitos líquidos, não espere sentir sede. Vale tomar água, água de coco, sucos, bebidas esportivas. Nos dias quentes, precisamos ingerir ao menos 3 litros para compensar nossas perdas.
8. Não exagere nas bebidas alcoólicas, que desidratam;
9. Prefira alimentos leves;
10. Cuide das crianças e dos idosos. Não se esqueça dos seus animais de estimação.

E, finalmente, como não poderia deixar de ser, não se esqueça de aplicar um bom protetor solar. Assim, você se previne contra o câncer de pele.

Cuide-se, e boas férias!

Por Lucia Mandel

19/12/2008

às 10:10 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Como escolher a potência adequada do filtro solar, que fica desproporcionalmente mais caro à medida que aumenta o fator de proteção. Qual o melhor custo/benefício?
(Rosa)

Pessoas de pele clara devem usar FPS 30, no mínimo. Se sua pele for morena, o FPS 15 já é suficiente. Nas duas situações, o produto deve ser reaplicado com freqüência. Se você estiver na praia ou piscina, reaplique a cada 2 horas ou até antes, se você suar ou se molhar. No dia a dia, se você fica em locais cobertos, o filtro deve ser aplicado pela manhã e reaplicado na hora do almoço.

Gostaria de saber se o sol é bom para quem tem psoríase.
(Norberto)

Sim, o sol melhora as lesões de psoríase. A exposição deve ser curta e regular, por exemplo 10 a15 minutos ao dia. Não exagere, pois uma queimadura pode até piorar a psoríase. Além disso, como em qualquer outra pessoa, o sol aumenta a predisposição ao câncer de pele. Por isso, passe filtro solar nas áreas de pele sã, e exponha sem proteção, por um curto período, apenas as áreas com lesões.

Existem muitas estâncias climáticas para tratamento da doença em lugares ensolarados. As clínicas na região do Mar Morto, em Israel, são bastante procuradas. Acredita-se que a combinação do sol com propriedades minerais da água do Mar Morto sejam benéficas.

Sofro com melasma há mais de cinco ano. Gostaria de saber se existe algum remédio oral que possa melhorar esse problema.
(Rafaela)

Não costumo indicar esse tipo de tratamento. Recentemente foram descobertos ativos ingeridos que diminuem, em testes de laboratório, a vermelhidão que acontece após a exposição ao sol. Isso pode ser interessante. Mas, na minha opinião, ainda devemos esperar resultados mais consistentes.

Por Lucia Mandel

16/12/2008

às 9:06 \ Arquivo

Herpes labial


Existe uma característica marcante no vírus que causa o herpes labial: ele fica entrincheirado no organismo humano para sempre. Depois do contágio, nossos mecanismos de defesa nunca mais conseguem eliminá-lo. Quando ele não se manifesta causando as incômodas feridas labiais, fica num estado que chamamos de latente. Em outras palavras, fica dormente, não se multiplica, aguardando um momento de fragilidade do seu hospedeiro para voltar a atacar.

O contágio geralmente acontece na infância. O vírus passa através de contato direto, como um beijo, ou então por objetos recentemente usados, como um copo infectado.

Na época do contágio, raramente há sintomas. O vírus está mais preocupado em atravessar a pele e infectar o nervo. É lá que ele fica em estado latente, à espera de um momento para se ativar. Nosso sistema imunológico não consegue eliminar este vírus, mesmo havendo produção de anticorpos contra ele.

As feridas labiais começam a incomodar, em geral, a partir da adolescência. Não se sabe exatamente por que o vírus se ativa, mas isso acontece em momentos em que a pessoa está fragilizada. Alguns fatores que facilitam a reativação: exposição ao sol, ao vento, stress, ou doenças que baixem nossa resistência. E também o ciclo menstrual.

Ao se reativar, o vírus causa uma ferida no mesmo local onde, anos antes, houve o primeiro contato dele com a pele. Apesar de mais freqüentes nos lábios, as feridas podem aparecer em qualquer local do corpo. Antes de aparecerem, a pessoa sente uma coceira e uma queimação. A pele fica avermelhada e surgem pequenas bolhas que estouram em poucos dias. Em uns dez dias, a ferida seca e acaba sumindo.

Uma pessoa passa herpes para os outros no momento em que as bolhas estouram. O líquido que fica dentro delas é repleto de vírus. Por isso, não cutuque as feridinhas: além de contaminar as outras pessoas, isso piora sua própria situação, infectando outros pontos da sua pele. Também é importante nessa fase que você lave suas mãos bastante, e evite beijar outra pessoa.

Como é o tratamento?

O tratamento é feito com medicamentos antivirais, que impedem a multiplicação do vírus. O paciente deve começar a tratar assim que sentir coceira ou queimação, anteriores ao aparecimento das lesões. Essas sensações mostram que o vírus está ativo. E com tratamento precoce, a crise será mais branda.

A escolha do medicamento depende de cada caso. A opção mais eficaz é à base de antivirais de uso oral, mas também existem cremes à base de antivirais. E para a melhora, é importante também descansar e comer bem. Mas lembre-se que depois do tratamento o vírus continua lá, alojado no sistema nervoso, à espera de uma próxima oportunidade para sua reativação.

Existe um segundo tipo de vírus de herpes, que causa principalmente lesões genitais. A capacidade de permanecer no organismo após a infecção inicial é a mesma nos dois vírus, e os tipos de ferida são semelhantes. Mas dessa vez, fico por aqui, o herpes genital é tema para outro texto. Até a próxima!

Por Lucia Mandel

12/12/2008

às 14:12 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Em um de seus  textos, você escreveu que alterações dermatológicas muitas vezes têm a ver com o lado emocional. Minhas mãos ficam coçando e têm partes muito secas, às vezes ficam feridas. O que devo fazer?
(Cláudio)

Ansiedade ou stress emocional podem causar disidrose nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés. Nesse caso, surgem abruptamente várias pequenas bolhinhas d´água, que coçam bastante. Freqüentemente essas bolhinhas se localizam nas laterais dos dedos das mãos ou dos pés. Quando a disidrose melhora, há leve descamação. Procure um dermatologista para confirmar se esse é mesmo o seu diagnóstico, uma vez que existem outras causas possíveis para coceira e feridas nas mãos. Se você de fato tiver disidrose desencadeada por stress, o dermatologista irá tratar os sintomas da pele, mas você deve prestar atenção no emocional.

Tenho 17 anos  e gostaria de indicação para disfarçar e/ou tratar das minhas estrias (elas são brancas / e eu sou clara). Não sei o  motivo delas terem aparecido, pois sou magrinha e não engordo.
(Marcela)

Estrias antigas, já esbranquiçadas, são difíceis de tratar. Dependendo da avaliação, indica-se tratamento com laser fracionado, que suaviza – mas não elimina – o problema. Para disfarçar, uma boa idéia é usar um creme auto-bronzeador. Ele reage com camada externa da pele, e muda a sua cor. Aplique o auto-bronzeador em toda a pele do corpo, e não apenas na área com estrias.

 
Minha pele é oleosa. Às vezes tenho espinhas e cravos. Já fui a um dermatologista e não resolveu. O que faço?
(Michelle)

Para controlar da oleosidade da pele, costumamos indicar sabonetes apropriados, adstringentes, cremes à base de ácidos e ativos que diminuem a atividade das glândulas produtoras da oleosidade. Se você tem cravos, faça periodicamente limpeza de pele com uma boa esteticista. Mas você tem que entender que mesmo um excelente tratamento não irá mudar a sua tendência à oleosidade. Na luta contra a oleosidade, precisamos manter o tratamento mesmo quando a pele está boa. Se a gente relaxar, a oleosidade volta. Para as manchas, indicamos clareadores ou peelings. Não cutuque as espinhas ou os cravinhos: isso só aumenta a quantidade das manchas que aparecem depois das espinhas.

Por Lucia Mandel
 

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