Blogs e Colunistas

12/12/2008

às 14:12 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Em um de seus  textos, você escreveu que alterações dermatológicas muitas vezes têm a ver com o lado emocional. Minhas mãos ficam coçando e têm partes muito secas, às vezes ficam feridas. O que devo fazer?
(Cláudio)

Ansiedade ou stress emocional podem causar disidrose nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés. Nesse caso, surgem abruptamente várias pequenas bolhinhas d´água, que coçam bastante. Freqüentemente essas bolhinhas se localizam nas laterais dos dedos das mãos ou dos pés. Quando a disidrose melhora, há leve descamação. Procure um dermatologista para confirmar se esse é mesmo o seu diagnóstico, uma vez que existem outras causas possíveis para coceira e feridas nas mãos. Se você de fato tiver disidrose desencadeada por stress, o dermatologista irá tratar os sintomas da pele, mas você deve prestar atenção no emocional.

Tenho 17 anos  e gostaria de indicação para disfarçar e/ou tratar das minhas estrias (elas são brancas / e eu sou clara). Não sei o  motivo delas terem aparecido, pois sou magrinha e não engordo.
(Marcela)

Estrias antigas, já esbranquiçadas, são difíceis de tratar. Dependendo da avaliação, indica-se tratamento com laser fracionado, que suaviza – mas não elimina – o problema. Para disfarçar, uma boa idéia é usar um creme auto-bronzeador. Ele reage com camada externa da pele, e muda a sua cor. Aplique o auto-bronzeador em toda a pele do corpo, e não apenas na área com estrias.

 
Minha pele é oleosa. Às vezes tenho espinhas e cravos. Já fui a um dermatologista e não resolveu. O que faço?
(Michelle)

Para controlar da oleosidade da pele, costumamos indicar sabonetes apropriados, adstringentes, cremes à base de ácidos e ativos que diminuem a atividade das glândulas produtoras da oleosidade. Se você tem cravos, faça periodicamente limpeza de pele com uma boa esteticista. Mas você tem que entender que mesmo um excelente tratamento não irá mudar a sua tendência à oleosidade. Na luta contra a oleosidade, precisamos manter o tratamento mesmo quando a pele está boa. Se a gente relaxar, a oleosidade volta. Para as manchas, indicamos clareadores ou peelings. Não cutuque as espinhas ou os cravinhos: isso só aumenta a quantidade das manchas que aparecem depois das espinhas.

Por Lucia Mandel

09/12/2008

às 8:16 \ Arquivo

Fraxel – rejuvenescimento a laser


O efeito rejuvenescedor dos tratamentos a laser é fascinante. Eles renovam a pele, melhoram a textura, suavizam rugas, removem manchas. Apesar dessa tecnologia ser relativamente recente, ela já evoluiu muito e hoje existem vários tipos de laseres disponíveis. A vantagem é poder escolher o mais indicado para o seu caso.

Nessa coluna vou falar sobre o Fraxel, um dos laseres mais modernos, extremamente eficiente no poder de recuperação da pele envelhecida. Para você entender o diferencial desse aparelho, aí vai uma breve explicação sobre laseres rejuvenescedores. Antes do Fraxel, os laseres eram divididos em dois grupos básicos: os que machucam muito a pele e os que machucam pouco. Todos eles com a característica de atingir inteiramente a superfície da pele tratada: toda a pele do rosto, do pescoço ou das mãos (característica diferente do Fraxel, como você vai perceber mais adiante).

Na hora de escolher o tratamento, médico e paciente decidiam entre uma agressão mais profunda ou mais suave.

No tratamento mais agressivo, a vantagem é o resultado extremamente eficiente com apenas uma sessão. Há notável suavização das rugas, até das mais profundas; melhora das rugas ao redor dos olhos e lábios; melhora de manchas; retração da pele, num efeito parecido ao de um lifting suave. Em grande parte, o efeito rejuvenescedor desse tratamento vem do estímulo à proliferação do colágeno. Mas esse tratamento é sofrido, pois as camadas mais superficiais da pele são removidas. A pele fica muito machucada e bem avermelhada por pelo menos duas semanas. O tratamento dói, requer curativos e reclusão por um período que pode chegar a um mês. Na correria da vida moderna, para a maioria das pessoas, isso é impraticável.

No tratamento mais suave, a camada mais externa da pele é poupada. As manchas são removidas e estimula-se o colágeno sem deixar a pele ferida. O tratamento é excelente e provoca muito menos lágrimas. São necessárias algumas sessões para o resultado final, que no entanto não vai ser tão bom quanto o do tratamento agressivo.

E finalmente chegamos ao Fraxel, um intermediário entre os dois tipos de tratamento já citados. Ele surgiu de uma descoberta interessante: fazendo uma agressão potente, mas que atinge pontos microscópicos da pele, espalhados pela área de tratamento, o resultado final é muito bom. Para compreender o que significa atingir a pele em pontos isolados, pense em um cano jorrando água. Isso é o laser "comum". Agora, visualize um chuveiro. Isso é o Fraxel. Ele atinge nossa pele em milhares de pontinhos microscópicos, muito mais finos que um fio de cabelo, mas agressivos. Cada pontinho de agressão penetra profundamente da pele, criando colunas de pele tratada entremeadas a áreas de pele sã. O médico seleciona a profundidade da penetração na pele e a densidade da agressão.

Observou-se que a agressão salteada da pele faz com que o corpo, através de um mecanismo de cicatrização e reparo de feridas, produza colágeno. Com isso, a pele por inteira fica mais firme e rugas são apagadas. A agressão salteada também elimina células envelhecidas. Manchas de idade melhoram e a pele rejuvenesce, fica mais macia, mais uniforme e mais tensa. O tratamento também suaviza cicatrizes de acne. Isso tudo com a vantagem de uma recuperação rápida. O Fraxel pode ser aplicado em qualquer local da nossa pele, como rosto, pescoço, colo, braços ou mãos.

Para um bom resultado são necessárias de três a cinco sessões, com intervalos de duas a quatro semanas. Há sensação de queimação por poucas horas, a pele fica inchada por um dia, e avermelhada por menos de uma semana. Nada parecido com o sofrimento causado pelos laseres mais agressivos. E, comparando com os mais suaves, o resultado em relação à suavização das rugas e firmeza da pele é melhor.

Por Lucia Mandel

05/12/2008

às 14:08 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Sofro de calcanhar rachado, às vezes as rachaduras são bem acentuadas, principalmente no verão, e gostaria de saber se existe algum tipo de tratamento. Já tentei alguns cremes, mas sem grandes resultados.
(Solange)

Use um bom hidratante específico para os pés, que contenha ativos para hidratação profunda e para esfoliação. Aplique o produto várias vezes ao dia e, à noite, logo após aplicar o creme, vista uma meia de algodão. Lixe seus pés uma vez por semana, não mais. Mas antes de iniciar esse tratamento, passe por uma avaliação dermatológica: a presença de rachaduras nos pés pode ser um sintoma de psoríase.

Sofro de ictiose moderada segundo médicos dermatologistas, e como em Curitiba o clima é frio, minha pele fica mais desidratada e seca ainda. Gostaria de saber se existe alguma espécie de medicamento ou produto para ingerir que possa ajudar a minha pele a hidratar um pouco mais, porque também não agüento mais passar cremes todos os dias.
(Angelo)

A ictiose é uma condição genética. A pele fica muito ressecada e descama. Essa descamação pode ser mínima, mas há casos em que é intensa, e incomoda demais. O tratamento é focado em melhorar a hidratação da pele, como você vem fazendo. Se o clima estiver frio, o que piora o ressecamento, continue a tomar cuidado na hora do banho. Água quente e sabonete ressecam a pele, e por isso concordo que seus banhos sejam mais espaçados. O uso do sabonete está liberado para uso diário nas partes íntimas, dobras, rosto, mãos e pés. No resto do corpo, use muito pouco sabonete, e poucas vezes por semana. Depois do banho, não tem como escapar: aplique um creme hidratante, que pode conter ativos como alfa-hidroxiácidos ou uréia. Se você estiver com a pele muito ressecada, aplique um óleo depois que a pele absorver o hidratante. Pacientes com ictiose severa podem se beneficiar de retinóides orais, mas isso requer de uma avaliação cuidadosa. Nesse caso o remédio suaviza os sintomas, mas não curam o problema: ao parar o tratamento, a ictiose piora novamente.

Tenho 26 anos e sempre tive umas bolinhas nos braços. Como sou muito branca, às vezes a área fica avermelhada e coça. Já usei o creme Akerat da Avene, mas não melhorou. Existe algum outro tratamento?
(Priscilla)

Pelo que pude entender, você tem queratose pilar, uma condição bastante comum. Ela é uma característica da pele de algumas pessoas: por tendência genética, a pele em alguns pontos do corpo fica áspera, ressecada, com bolinhas muito parecidas com cravos. Mas se a gente espreme essas bolinhas, não sai cravo algum. Há vermelhidão e, às vezes, coceira. É freqüente que a parte superior dos braços seja afetada. Existe tratamento para suavizar ou controlar esse problema. Usamos cremes à base de ácido retinóico ou de ácido salicílico, e hidratantes à base de uréia. Não esfolie a pele afetada: isso piora os sintomas. Casos que não respondem bem a esse tratamento podem melhorar com peelings químicos à base de ácido retinóico. O tratamento consegue controlar temporariamente os sintomas, mas não se cura definitivamente a queratose pilar. Isso significa que a pele melhora com o tratamento, mas, no futuro, o problema acaba voltando. É comum haver melhora no verão.

Por Lucia Mandel

02/12/2008

às 9:42 \ Arquivo

Botox traz felicidade?

"A expressão de uma emoção a intensifica. Por outro lado, a repressão dos sinais exteriores atenua a emoção. Aquele que se permite gestos violentos aumenta sua raiva; quem não controla os sinais de medo sentirá ainda mais medo."
Charles Darwin

A frase acima foi citada em um artigo recentemente publicado em uma das mais conceituadas revistas dermatológicas, o Jornal da Academia Americana de Dermatologia. Nele, os autores, respeitados dermatologistas americanos, discutem a seguinte idéia: será que a aplicação da toxina botulínica para diminuir rugas faciais faz a pessoa se sentir mais feliz, ficar menos brava, ser menos triste e ter menos medo?

A idéia de que a aplicação de Botox possa modular os sentimentos vem de uma teoria chamada "Hipótese do Feedback Facial". Essa teoria, já defendida por Charles Darwin, diz que a expressão facial, mesmo que forçada, influencia nossos sentimentos. Por exemplo, uma pessoa forçada a sorrir em um evento social acaba achando que o evento foi mais prazeroso do que acharia se não sorrisse. Do mesmo modo, uma pessoa que force uma expressão de raiva intensifica seu sentimento. Faça um teste você mesmo: force um sorriso, desses exagerados, com os olhos bem abertos. Mantendo essa expressão durante alguns segundos, tente se sentir triste. Pronto? Concorda que foi difícil? Muitos experimentos científicos, com métodos bem mais adequados e precisos do que esse teste, comprovam que o feedback facial existe.

E o que o Botox tem a ver com isso? Como a toxina impede o movimento exagerado de músculos que causam expressões de raiva, tristeza ou medo, os autores acreditam ser possível que a aplicação faça a pessoa se sentir melhor. Impedida de franzir a testa ou de aproximar as sobrancelhas, o paciente, através o mecanismo do feedback facial, ficaria naturalmente mais feliz, menos agressivo e até mais confiante.

Além disso, ainda de acordo com o estudo, a toxina aumenta a felicidade por outro mecanismo. Um rosto feliz contagia, de modo inconsciente, as pessoas ao redor. O sorriso traz aceitação e união. Por outro lado, a expressão de raiva ou de irritação também se espalha para os outros. Já que o Botox suaviza expressões negativas e deixa o rosto mais sereno, as pessoas ao redor acabam sendo influenciadas, sem se darem conta.

 Em um ambiente mais feliz, cercado de pessoas mais alegres, o paciente amplificaria sua felicidade. E mais: ao se olhar no espelho, ele encontra uma imagem mais serena. O paciente é contagiado pela própria imagem. Se ficar satisfeito com o que vê, e se sorrir, a visualização de sua imagem feliz no espelho acaba aumentando sua felicidade, de maneira inconsciente.

Mas será?

Se o Botox traz felicidade ativando o mecanismo do feedback facial, isso eu não sei. Mas minha opinião, depois de anos vendo e ouvindo pessoas que aplicam a toxina, é que o produto ajuda a trazer felicidade, sim. Ele é um ótimo tratamento de beleza, a melhora das rugas é espantosa. E quando a pessoa gosta do que vê no espelho, se sente melhor, ganha auto-confiança e, por conseqüência, felicidade.
E você, leitor, o que acha? Concorda que o Botox traz felicidade?

Deixo aqui um link para a música Smile, de Charlie Chaplin e Turner-Parson. Aproveite!

"Sorria, pra que serve o choro
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você simplesmente sorrir"

Por Lucia Mandel

28/11/2008

às 14:37 \ Arquivo

Resposta a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Sou paciente de rosácea e gostaria de saber se existem novos tratamentos, além do metronidazol, que já não faz efeito para mim. O laser realmente funciona? Minha rosácea agora está fazendo meu rosto descascar muito, principalmente na minha cabeça. A senhora pode me dar alguma orientação sobre novos tratamentos e sobre o laser?
(Luciana)

O metronidazol não é a única opção no tratamento da rosácea. Existem outros ativos que podem ser usados em cremes (como antibióticos tópicos ou a sulfacetamida) ou, dependendo do caso, por via oral (antibióticos ou isotretinoína). Mesmo com um tratamento que controle os seus sintomas, podem existir fatores que desencadeiam a crise de rosácea. Eles variam um pouco de pessoa para pessoa, sendo que os mais freqüentes são os alimentos condimentados, apimentados ou muito quentes. Outros são as bebidas alcoólicas e as bebidas quentes, como você mesma descreveu. Ao detectar um fator desencadeante, evite-o. Os tratamentos com laser ou com luz pulsada (Quantum, Harmony, StarLux, dentre outros) reduzem ou eliminam vasinhos dilatados que aparecem na pele de quem tem rosácea. Isso diminui a vermelhidão, e é uma excelente opção de tratamento para complementar o tratamento clínico.

Tenho verruga no dedo da mão, já foi queimada por dermatologista, mas ela voltou e agora uso AS infantil para tentar queimá-la. Estou correta nesta procedimento? Qual a solução mais eficiente para a eliminação da verruga?
(Cristina)

Você deve retornar ao dermatologista. Os melhores métodos para tratar uma verruga no dedo da mão são a eletrocoagulação, a crioterapia, ou uma aplicação de produtos corrosivos potentes. Todos esses tratamentos são feitos em consultório: o primeiro usando um aparelho parecido com um bisturi elétrico, o segundo usando um jato de ar gelado, e o terceiro usando uma solução ácida em altas concentrações. Você comentou que já fez um tratamento em consultório dermatológico, e a verruga voltou. Não desanime: isso pode acontecer. Nem sempre o problema é resolvido em uma única sessão de tratamento. É comum que uma mesma verruga precise de duas, eventualmente de três ou até mais sessões de tratamento para desaparecer. Caso haja contra-indicação para um desses procedimentos, optamos por medicamentos que lentamente destróem a verruga. Mas, nesse caso, não usamos o AAS infantil.

Principalmente nos dias quentes de verão, minha mão e meus pés ficam molhados. Se uso algum tipo de sapato aberto com sandálias e rasteirinhas, elas deslizam e criam umas bolinhas de água e calos. Não consigo usar calçados aberto, mesmo precisando por conta do meu trabalho.
(Priscila)

Suar demais nas palmas das mãos e nas plantas dos pés é um incômodo que só quem sofre pode mensurar. As dificuldades são diárias. Só para exemplificar, a caneta escorrega da mão e o chinelo escorrega dos pés. Existem algumas boas opções de tratamento. Uma delas é a aplicação de toxina botulínica (Botox®). Outra é a simpatectomia, cirurgia realizada por uma equipe envolvendo um cirurgião torácico e um cirurgião vascular. Tratamentos paliativos podem ajudar, mas dependem da resposta individual. Nesse caso, indicamos soluções à base de cloridróxido de alumínio ou um tratamento chamado iontoforese.

Hoje tenho 49 anos, mas quando fiz 40 anos começaram a aparecer as primeiras manchas nas mãos. Já fiz todo tipo de tratamento recomendado. Gastei muito dinheiro e as manchas sempre voltam. Você tem alguma sugestão?
(Mirian)

Existem clareadores sem hidroquinona. Mas sem uma avaliação cuidadosa, não é possível definir se eles iriam ajudar. Antes investir em qualquer tratamento, você e seu médico devem definir o que está causando as manchas das suas mãos.

Por Lucia Mandel

25/11/2008

às 12:03 \ Arquivo

Bolhas nos pés – tratamento e prevenção


Uma das façanhas do maratonista Franck Caldeira foi levar o ouro no Pan de 2007. Outra, foi fazer isso sem usar meias, o jeito como ele prefere correr. O fato impressiona porque isso é meio caminho para as bolhas aparecerem. Aliás, foi o que aconteceu: no Pan, ele cruzou a linha de chegada mancando, graças a uma bolha no pé esquerdo.

As incômodas bolhas nos pés são freqüentes em quem pratica esportes (mesmo em quem usa meias.) Elas aparecem nos pontos de tração, como a planta dos pés, ou nos pontos de fricção entre o pé e o tênis, ou entre o pé e a meia. Para essa coluna, selecionei algumas dicas que diminuem a chance das bolhas aparecerem. Elas valem para esportistas mais assíduos e até para aqueles atletas de final de semana.

As dicas

Em primeiro lugar, muito cuidado na hora de comprar seus tênis. Procure um par confortável, com pouca costura na parte interna e que se ajuste perfeitamente ao pé. Isso diminui o atrito entre o pé e o tênis. Escolhido o tênis novo, ele deve ser amaciado pouco a pouco. Mesmo um bom par, quando novo, pode causar bolhas. Nunca faça sua estréia num momento crucial, como numa competição.

Outra causadora de bolhas é a umidade nos pés. À medida que nós suamos, os pés vão ficando úmidos e a predisposição às bolhas aumenta. Por isso existem meias apropriadas, que absorvem mais o suor. Evite correr logo depois de ter tomado um banho quente. E cuidado para não molhar seus tênis ou suas meias se você costuma jogar água na cabeça para se refrescar. Para os que suam demais, é bom usar talco nos pés antes do exercício. Ou então, trocar as meias durante o treino.

Se mesmo assim as bolhas insistem em aparecer, coloque um pouco de vaselina semi-sólida entre os dedos. Isso diminui o atrito entre eles. O mesmo vale para o calcanhar. Ali, a vaselina diminui o atrito entre a pele e a meia. Outra dica é proteger os dedos ou o calcanhar com esparadrapo e aplicar vaselina por cima desse curativo preventivo. E assim que você sentir qualquer dorzinha, pare para avaliar o que está acontecendo. Corrija o problema e coloque um esparadrapo protegendo a pele sensibilizada. Depois, aplique um pouquinho de vaselina sobre esse esparadrapo.

Resolvendo o problema

Se a bolha já apareceu, o melhor a fazer é usar um par de chinelos por uns dias. Assim você dá um tempo para que a pele se recupere. Se não for possível dar uns dias de folga para seus pés, e se a bolha não doer, deixe-a do jeito que está. Ela acaba se rompendo, o líquido sai, e ela cicatriza. Mas se a bolha for dolorida você pode esvaziá-la, com muito cuidado. Para isso, lave as mãos e esterilize uma agulha, esquentando-a no fogo até que fique vermelha. Lave a bolha com água e sabonete e então fure e esvazie delicadamente, sem remover a pele que fica solta. Essa pele solta protege a pele nova, que está se formando no lugar do ferimento.

Deixe o local sempre limpo: use água oxigenada ou um sabonete anti-séptico para limpar a área todos os dias, e depois aplique uma pomada de antibiótico. Deixe a área descoberta se você puder ficar descalço ou, se for usar sapato, cubra com um band-aid, e depois com um esparadrapo. Troque o curativo diariamente. Se o local ficar inchado, muito avermelhado ou se aparecer uma secreção, procure seu médico, porque pode ser que o ferimento tenha infeccionado. E não esvazie a bolha se você for diabético ou se tiver varizes, e nem se tiver qualquer dúvida sobre o procedimento.

Muito bem, agora que você já sabe como tratar as bolhas e, principalmente, como evitá-las, está pronto para caminhar ou correr melhor. Aí, quem sabe, você pode vencer uma maratona ultrapassando na reta final um atleta sem meias, mancando, cheio de bolhas no pé. Boa corrida!

Chegada: Informações sobre treinos, saúde e nutrição. Tudo para tornar a corrida mais prazerosa.

Por Lucia Mandel

21/11/2008

às 15:05 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Meu pai é calvo (não completamente) e eu uso o cabelo um tanto comprido. Gostaria de saber se a tendência a perder cabelo é maior quando usamos um corte longo. Pergunto isso porque eu acho que perco mais cabelo quando deixo ele crescer. Tenho 21 anos.
(Marcos)

O tamanho do fio de cabelo não influencia a evolução da calvície. Corte seu cabelo no tamanho que preferir. Muitas pessoas me contam que vêem mais fios caídos quando o cabelo está comprido. Mas isso acontece pelo simples fato de eles estarem maiores e, conseqüentemente, mais fáceis de serem notados no chão ou no travesseiro.

Tenho umas bolinhas na região abaixo da bolsa dos olhos. Há um ano eu pesava 22 kg mais do que hoje – meu rosto era bem redondo e a pele do rosto era lisa, sem essas bolinhas. Por que agora que emagreci 7 kg (dos 22kg que perdi em mais ou menos 1 ano; 7kg foram agora nos 2 últimos meses) minha pele está assim?
(Marcos)

Você precisa passar por uma avaliação médica. Existem vários diagnósticos possíveis para bolinhas na pele. Uma causa comum de bolinhas na pele da pálpebra inferior é o que chamamos de siringoma. Nesse caso, realizamos sessões de cauterização com um aparelho de radiofreqüência. O resultado do tratamento é muito bom.

A senhora falou sobre a transpiração excessiva no corpo. Meu problema é no rosto. Sou negra, de pele bem escura. Tenho 57 anos e sempre transpirei muito no rosto. Só no rosto. Agora, com a menopausa, o problema piorou. Não consigo segurar maquiagem por mais de meia hora. A maquiagem escorre, de tanto suor. Fui a um dermatologista. Ele mandou aplicar uma loção, que tapava os poros por um temo muito curto e logo depois eu passava a transpirar demais. Será que há algum tratamento mais eficaz?
(Suely)

A transpiração excessiva do rosto é mais difícil de tratar do que a das axilas ou das palmas das mãos. O chá preto inibe a transpiração e ajuda alguns pacientes, mas infelizmente isso não aconteceu com você. Ainda restam opções de tratamento:

-Aplicação de toxina botulínica (Botox®): o produto diminui o suor, e pode ser aplicado na testa, ao redor dos olhos e entre as sobrancelhas.

-Medicamentos anti-colinérgicos ou beta-bloqueadores: esses medicamentos têm alguns efeitos colaterais. Por isso, nem sempre são bem tolerados.

-Simpatectomia. Essa opção cirúrgica requer cuidadosa avaliação prévia.

Algumas vezes o suor facial é desencadeado por alimentos condimentados, cítricos, ou bebidas alcoólicas. Nesse caso, tais alimentos devem ser evitados. Em outros casos, o stress agrava o problema. Se for o caso, preste atenção no emocional, e considere o uso de tranqüilizantes.

Por Lucia Mandel

18/11/2008

às 6:49 \ Arquivo

O banho de sol e a vitamina D

Minha avó, que veio da fria Polônia, sempre me dizia que o brasileiro era muito saudável porque pegava bastante sol. Mas o destino fez com que, anos depois, eu passasse boa parte do meu tempo defendendo justamente o contrário: muito sol não é nada saudável.

Desde que se estabeleceu uma clara associação entre banho de sol e câncer de pele, nós, dermatologistas, insistimos muito na proteção. Quanto mais protegidos estivermos dos raios solares, melhor. E entre todos os raios, o mais cancerígeno é o ultravioleta tipo B (também chamado de UVB), mais presente entre as 10 horas da manhã e as 4 da tarde.

Mas realmente existe uma pitada de verdade nos conselhos da minha avó. O banho de sol estimula nossa pele a produzir vitamina D, fundamental na absorção de cálcio. E o responsável por esse estímulo é ninguém menos que o UVB. Em outras palavras, o perigoso UVB é também importante para nossos ossos. Nas crianças, a falta de vitamina D leva ao raquitismo e a deformidades nos ossos. Nos adultos, deixa os ossos frágeis e favorece a osteoporose.

Recentemente foram descobertos outros benefícios da vitamina D: ela parece diminuir a chance de desenvolvermos alguns tipos de câncer, como o de mama, próstata, cólon e pâncreas. E também pode ajudar em doenças como diabetes, esclerose múltipla e hipertensão. É fácil entender o tamanho da discussão e do debate médico que essas informações causaram.

Nossa necessidade de vitamina D

A necessidade diária de vitamina D depende da idade. Até os 18 anos, precisamos de 400 unidades internacionais (UI) ao dia. Dos 19 aos 50 anos, bastam 200 UI. Dos 51 aos 70, novamente precisamos de 400 UI, e mais para frente precisamos de 600 UI.

É complicado conseguir toda essa quantidade de vitamina na alimentação. O motivo? De todos os alimentos, o mais rico em vitamina D, com 1.360 UI em cada colher de sopa, é o óleo de fígado de bacalhau. Pois é, bleerg. Se você tem estômago para isso, bom apetite. O arengue é outra ótima fonte da vitamina: 85g de arengue têm 1.300 UI. O salmão também é muito bom: 100g fornecem 360 UI da vitamina. O problema é que as boas opções não vão muito além disso. Os outros alimentos não ajudam muito. Por exemplo, a gema de ovo tem só 20 UI. E 100g de fígado de boi têm 15UI.

Os alimentos ao natural são geralmente pobres em vitamina D, mas existem outros enriquecidos com essa vitamina. Nos Estados Unidos, quase todas as marcas de leite de vaca ou de soja são enriquecidas, assim como os cereais matinais prontos para o consumo, muitos pães, iogurtes e sucos de laranja. Mas no Brasil, infelizmente encontramos apenas poucas opções de leite, iogurte e achocolatados enriquecidos com vitamina D. Dada a dificuldade de conseguirmos a vitamina através dos alimentos, restam duas opções: tomar um suplemento, que deve ser prescrito por um médico, ou tomar um pouco de sol.

Bastam poucos minutos por dia

Para a sorte da nossa pele, a quantidade necessária de sol que estimula uma boa produção de vitamina D é pouca. Como não vivemos na Polônia, e sim em um país ensolarado, o sol que pegamos no dia-a-dia costuma ser suficiente. O estímulo que o UVB dá é potente, e bastam apenas 5 a 20 minutos de exposição entre 10 da manhã e 4 da tarde, três vezes por semana, em uma área de pele como face, mãos e braços.

Quanto mais claro seu tom de pele, menor o tempo necessário dessa exposição ao UVB. E conforme a idade vai avançando, o banho de sol deve ser um pouco mais demorado. Passado esse curto tempo de exposição, o melhor a fazer é aplicar o protetor solar para se proteger contra o câncer de pele. Existe um exame laboratorial, feito através de uma amostra de sangue, que mede seu status de vitamina D. Dependendo do resultado, seu médico pode orientar o uso de um suplemento da vitamina.

Por Lucia Mandel

14/11/2008

às 15:36 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Algo me atormenta desde quando comecei a ter pêlos no rosto. Nunca me barbeei com gilete ou navalha, só uso tesoura. Faço isso desde os 18 anos e demoro uns 30 minutos para me barbear com a tesoura. Hoje com 21 anos estou um pouco sem paciência para demorar tanto. O meu tormento sempre foi em relação ao envelhecimento da pele do rosto. Sempre disseram que barbeador envelhece a pele, tornando-a áspera. Qual a melhor forma de fazer a barba?
(Marcos Davi)

Nem o barbeador, nem a navalha aceleram o envelhecimento da pele. Todo esse seu cuidado em aparar a barba com tesoura para retardar os sinais da idade foi desnecessário. Depois de se barbear, use uma loção hidratante e um protetor solar.

Gostaria de saber qual a origem e tratamento para um tipo de acne que aparece na virilha e nádega e que algumas vezes provocam manchas.
(Manuela)

Nessas áreas aparecem com certa freqüência feridinhas parecidas com espinhas, que nós, dermatologistas, chamamos de foliculite. Elas surgem por uma tendência pessoal aos pêlos encravarem, somado ao tipo de roupa que você usa. Roupas apertadas e calça jeans aumentam a chance de você ter foliculite. Para aliviar esse incômodo, esfolie sua pele durante o banho. E, depois de se secar, aplique um bom hidratante. Casos mais intensos melhoram com cremes à base de antibióticos ou de ácido retinóico, e com peelings de cristais. Durante o tratamento evite roupas justas e dê umas férias para sua calça jeans.

Tenho 36 anos, minha pele é morena. Tinha manhas no rosto (melasma) e desde os 30 anos, eu faço tratamento a base de ácido retinóico para clarear as manchas. Gostaria de saber se esse tipo de química tem conseqüências negativas se usado a longo prazo.

Normalmente quem usa ácido retinóico o faz por anos a fio, sem qualquer complicação. No entanto, raramente, e em quem tem tendência, o uso prolongado desse ácido estimula o aparecimento de pequenos vasos sanguíneos na pele.

Não agüento mais ver minha mãe na situação na qual se encontra, com dores, ardência, coceira e similares. Depois de sofrer durante anos com feridas na cabeça, que conseguiu debelar, surgiu uma mancha entre os seios e o pescoço. Em diagnóstico recente, uma médica disse que ela tem pênfigo, o famigerado fogo selvagem. O problema é que o tratamento não avança porque ela é também diabética. O medicamento forte contra pênfigo descompensa a outra doença. A redução da dose retarda a cura. A senhora tem alguma orientação para este caso?
(João Camargo Neto)

O pênfigo é uma doença auto-imune. Significa que o sistema imunológico da sua mãe está produzindo anticorpos contra a pele dela. Esses anticorpos são responsáveis pelas feridas que doem, incomodam, ardem. O tratamento tem como objetivo domar o sistema imunológico desgovernado. A melhor opção para isso é a cortisona, que deve ser mantida por um bom tempo. Mas o tratamento com cortisona tem vários efeitos colaterais, e um deles é causar ou piorar um quadro de diabetes. Por isso, sua mãe precisa ser tratada por um dermatologista e também por um endocrinologista. Outros efeitos colaterais do uso crônico de cortisona são osteoporose, pressão alta, gastrite, catarata. Se o uso da cortisona for inviável, existem outros remédios que regulam o funcionamento do sistema imunológico, como azatioprina ou ciclofosfamida. Eles são uma segunda opção de tratamento, e podem ser usados junto com a cortisona: nesse caso, eles diminuem a dose necessária de cortisona.

Por Lucia Mandel

11/11/2008

às 9:22 \ Arquivo

Compulsões

"De perto, ninguém é normal"
(Caetano Veloso)

Algumas alterações dermatológicas sinalizam que algo não vai bem no lado emocional. Nessa coluna discuto dois desses problemas: a compulsão por arrancar os cabelos e a compulsão por ferir a pele.

A Tricotilomania, ou hábito de arrancar os cabelos

Sabe a expressão "arrancar os cabelos"? Pois isso existe. Muitas pessoas literalmente arrancam os cabelos, principalmente em momentos de stress. O nome do problema: tricotilomania.

A compulsão funciona como um ciclo: antes de puxar o fio de cabelo, a pessoa fica tensa. Pode ser que essa tensão venha de uma tentativa de se controlar. Mas o autocontrole é difícil, a pessoa perde a batalha e acaba puxando o fio. Há um alívio momentâneo e, em seguida, culpa e vergonha, sem falar no medo de ficar careca. Às vezes, chega-se ao ponto do couro cabeludo doer. Durante todo esse ciclo, o paciente sente que está fazendo uma coisa esquisita – e por isso mesmo o hábito incomoda muito. Ele imagina que é o único no mundo a viver esse drama, mas é um engano: a tricotilomania é comum. Por ser algo meio estranho e embaraçoso, vira um segredo guardado a sete chaves, até mesmo das pessoas mais íntimas.

A tricotilomania ataca quando a pessoa está sozinha, fazendo algo que exija concentração, como ler um livro, trabalhar no computador. A mão entra no automático e vai puxando os fios. Em parte, essa compulsão é controlável e dá para evitá-la na frente de outras pessoas, ou durante a prática de um esporte, por exemplo. Por isso, o segredo se mantém por muito tempo.

A mania surge na adolescência, e permanece por anos. É mais freqüente nas mulheres. Pode ser tão intensa que surgem áreas sem cabelos. É nesse momento que o dermatologista é procurado, principalmente quando se trata de criança ou adolescente. Os pais trazem seu filho sem suspeitar que o problema primário não é dermatológico, e sim emocional ou psiquiátrico. Possíveis causas são stress, ansiedade, depressão ou transtorno obsessivo-compulsivo (conhecido como TOC.) Há suspeitas de que também exista influência genética.

O tratamento é feito por um psicólogo ou um psiquiatra. Loções que estimulam o crescimento dos fios pouco ajudam. O paciente deve tentar relaxar, procurar distrações, hobbies. Dentre os tipos de terapia, a mais recomendada nesse caso é a cognitivo-comportamental, que pode ser associada a remédios.

Compulsão po ferir a pele

Esse tipo de comportamento também é comum. A pessoa cutuca a pele com a unha, mexe em cravos e espinhas, morde os lábios. Muitas vezes, antes de cutucar, existe uma sensação de coceira, que estimula a mexer na pele. Ou então, a pessoa se incomoda com pequenas imperfeições, como uma feridinha qualquer. Também nesse caso, é difícil se controlar e não arrancar a casquinha. Igualmente, essa compulsão piora em momentos de stress, de tensão, ou de concentração. Com freqüência há associação com ansiedade, depressão, ou transtorno obsessivo-compulsivo.

O dermatologista, percebendo que a alteração na pele é fruto de auto-agressão, deve estimular o paciente a procurar o que está por trás desse problema. A partir daí, o paciente tem que prestar atenção no emocional, e procurar ajuda especializada.

Por Lucia Mandel
 

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