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06/01/2009

às 7:17 \ Arquivo

As roupas e a proteção solar

Os tuaregues são um povo nômade do deserto do Saara, onde o sol não é lá dos mais bonzinhos. Eles se cobrem com um véu azul característico, o tagelmust, com o qual acreditam se defender dos maus espíritos, além de se proteger contra a violência do sol e das rajadas de areia durante suas viagens em caravanas. Usam a roupa como um turbante, cobrindo todo o rosto, exceto os olhos.

Se você não é um tuaregue, provavelmente não conta com a opção do tagelmust para se proteger do sol neste verão. Mas o fato é que, além do filtro, as roupas também são uma grande arma para se defender dos raios ultravioleta. Nesta coluna, a discussão é sobre o grau de proteção solar dado por diferentes tipos de tecidos, e sobre roupas especialmente incrementadas que aumentam a proteção solar.

Antes de mais nada, uma explicação: para medir a proteção de uma roupa, é usado o FPU, ou Fator de Proteção Ultravioleta. Ele mede a porcentagem dos raios ultravioleta A e B que ultrapassam o tecido. Por exemplo: o FPU 5 significa que um em cada cinco raios ultrapassa o tecido e chega na nossa pele; o FPU 50, que um em cada 50 raios atinge a pele.

Uma boa proteção começa com FPU 15. Ela é muito boa a partir de FPU 25 e excelente a partir de FPU 40. As roupas vendidas em lojas especializadas para proteção solar costumam ter FPU 50.

As roupas e seus FPUs

Se você é mãe ou pai, posso apostar que já deixou seu filho na praia usando uma camiseta branca de algodão, e que se sentiu seguro com a proteção solar que esse tipo de roupa oferece. Se você pratica esportes ao ar livre, provavelmente já confiou na mesma roupa. Afinal, algodão deixa a pele respirar, e a cor clarinha é a ideal em dias muito quentes porque não esquenta. Mas será que a proteção solar desse tecido é bom mesmo? Vamos ver.

O FPU depende de algumas variáveis:

1. Tipo de fio. Os tecidos que naturalmente protegem mais contra a radiação ultravioleta são os mais pesados, como o algodão, o linho, a sarja. No entanto, existem tecidos sintéticos leves, como o poliéster, que também protegem bem.

2. Densidade da trama. Quanto mais densa a trama, maior a proteção. É possível avaliar se um tecido filtra bem os raios ao observá-lo contra a luz. Se passar pouca luz, o FPU deve ser bom. Caso contrário, mau sinal.

3. Cor.
Quanto mais escuro o tecido, maior o FPU. O pigmento ajuda a absorver os raios ultravioleta, e por isso a cor escura pode aumentar o FPU do tecido em até 5 vezes. Ponto negativo para a confortável camiseta branca de algodão. Outro detalhe: como o branco reflete a luz, a camiseta branca de algodão acaba refletindo a radiação solar em direção ao rosto de quem usa. Mas apesar do FPU de tecidos claros ser menor que o de tecidos escuros, roupas claras são as mais indicadas para serem usadas sob o sol, pois esquentam menos, são mais confortáveis e ajudam a proteger contra a insolação.

4. Umidade. Se molhar, a camiseta estica e as tramas se abrem. Com isso, o FPU cai.

5. Roupa folgada ou apertada. Se a roupa for mais folgada, o FPU aumenta. Se o tecido for esticado, como no caso de uma roupa apertada, a trama perde a densidade e o FPU cai.

Em vista desses fatores, conclui-se que em geral um tecido claro, leve e com trama solta não tem FPU ideal. Sinto informar, mas a camiseta branca de algodão tem FPU baixo, em torno de 6. Molhada, ela perde metade do seu fator de proteção. Conclusão: pais, continuem a vestir seus filhos com roupas de algodão branco, mas não confiem completamente na proteção que o tecido oferece. O ideal é usar junto um filtro solar.

Poliéster protege mais que algodão: se for branco, o FPU é 16. Se for vermelho, 29. Preto, 34. Roupas desse material são encontradas em lojas esportivas, pois são levinhas e absorvem o suor.

As roupas especiais

Existem roupas especiais, feitas com tecido de altíssimo FPU. Essa tecnologia surgiu há mais de uma década, na Austrália, onde a preocupação com a exposição ao sol é extrema, já que a incidência de melanoma é muito alta no país. Há lojas brasileiras especializadas que oferecem roupas com essa tecnologia. Elas utilizam tecidos nacionais para a confecção, e os enviam para a Austrália para realizar testes de eficiência de FPU.

Nessas roupas tecnológicas, o tecido usado é a poliamida. Na hora de confeccionar a fibra usa-se um protetor solar: o dióxido de titânio. Ele se incorpora à fibra e é o responsável pela proteção solar do tecido. Por isso, o FPU é excelente independente da cor do tecido, e isso não se perde nas lavagens. Enquanto a roupa não for danificada, o FPU se mantém. Além de camisetas, encontramos várias outras roupas com essa tecnologia: bonés, viseiras, maiôs, luvas e sombrinhas.

Não estamos no deserto do Saara, mas por aqui o sol também é cruel. Portanto, não se esqueça de se proteger muito bem neste verão.

Por Lucia Mandel

26/12/2008

às 10:48 \ Arquivo

Cuidado com a insolação

Sou homeotérmica. A propósito, você também é. Não, não se trata de nenhuma doença, nem de algo raro. Esse nome enjoado significa que nosso organismo é capaz de manter nossa temperatura em uma faixa constante, mesmo que a gente vá para um lugar muito quente ou muito frio. Quando estamos num lugar frio, nosso corpo toma providências para que a temperatura interna não caia: a gente treme, se arrepia, a pele fica pálida. Se a gente vai para um lugar quente, o corpo trata de se resfriar.

Esse controle da temperatura é fundamental porque nós funcionamos por volta dos 37 graus. É nessa temperatura que nossas enzimas, nossas células e nossas proteínas vivem bem.

O calor do verão

Quando a gente está num lugar quente, nosso corpo esquenta. Nesse momento, entra em ação um centro regulador da temperatura corporal, que fica no cérebro e toma as devidas providências. A principal é a produção de suor. O suor molha a pele e, conforme evapora, rouba nosso calor e a temperatura corporal cai.

Esse mecanismo é fundamental para manter nossa saúde em dias quentes, na praia, na piscina, durante a prática de exercícios. A gente se esquenta, sua, e assim vamos mantendo o equilíbrio. Mas, em algumas situações, esse sistema pode falhar. É aí que ocorre a insolação.

Por que a insolação acontece?

Ela acontece se a gente não colabora com nosso mecanismo natural de resfriamento. Conforme suamos, perdemos água. Em dias muito quentes a quantidade de suor é grande, e precisamos compensar essa perda de água do corpo. Caso contrário, corremos o risco de desidratar. Aí, nosso organismo automaticamente muda o foco de atenção: é a desidratação que se torna a prioridade. E, nesse momento, elimina-se qualquer gasto a mais de água. Nosso suor diminui ou simplesmente desaparece. Então, sem o seu principal mecanismo de resfriamento, nosso corpo esquenta. Esquenta muito, e rápido. E isso é grave.

Por isso, para aproveitar o verão sem risco de insolação, adote algumas medidas simples que ajudam a manter seu corpo frio.

1. Fique à sombra nos momentos mais quentes do dia.
2. Use roupas claras, que refletem os raios de sol e por isso esquentam menos. A roupa deve ser folgada, para permitir o suor. Prefira roupas de algodão, ou de fibras naturais e leves;
3. Use um chapéu ou um boné, de preferência com furos nas laterais, que permitem a evaporação do suor da cabeça;
4. Adapte sua rotina de exercícios para momentos do dia em que a temperatura não for tão quente. Ou então, diminua o ritmo do exercício, e faça pausas para beber água e se resfriar;
5. Borrife água no seu corpo. Deixe um borrifador, desses de regar plantas, na geladeira, para usá-lo quando chegar em casa;
6. Mergulhe periodicamente na piscina ou no mar, ou tome duchas frias ao longo do dia;
7. Beba muitos líquidos, não espere sentir sede. Vale tomar água, água de coco, sucos, bebidas esportivas. Nos dias quentes, precisamos ingerir ao menos 3 litros para compensar nossas perdas.
8. Não exagere nas bebidas alcoólicas, que desidratam;
9. Prefira alimentos leves;
10. Cuide das crianças e dos idosos. Não se esqueça dos seus animais de estimação.

E, finalmente, como não poderia deixar de ser, não se esqueça de aplicar um bom protetor solar. Assim, você se previne contra o câncer de pele.

Cuide-se, e boas férias!

Por Lucia Mandel

19/12/2008

às 10:10 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Como escolher a potência adequada do filtro solar, que fica desproporcionalmente mais caro à medida que aumenta o fator de proteção. Qual o melhor custo/benefício?
(Rosa)

Pessoas de pele clara devem usar FPS 30, no mínimo. Se sua pele for morena, o FPS 15 já é suficiente. Nas duas situações, o produto deve ser reaplicado com freqüência. Se você estiver na praia ou piscina, reaplique a cada 2 horas ou até antes, se você suar ou se molhar. No dia a dia, se você fica em locais cobertos, o filtro deve ser aplicado pela manhã e reaplicado na hora do almoço.

Gostaria de saber se o sol é bom para quem tem psoríase.
(Norberto)

Sim, o sol melhora as lesões de psoríase. A exposição deve ser curta e regular, por exemplo 10 a15 minutos ao dia. Não exagere, pois uma queimadura pode até piorar a psoríase. Além disso, como em qualquer outra pessoa, o sol aumenta a predisposição ao câncer de pele. Por isso, passe filtro solar nas áreas de pele sã, e exponha sem proteção, por um curto período, apenas as áreas com lesões.

Existem muitas estâncias climáticas para tratamento da doença em lugares ensolarados. As clínicas na região do Mar Morto, em Israel, são bastante procuradas. Acredita-se que a combinação do sol com propriedades minerais da água do Mar Morto sejam benéficas.

Sofro com melasma há mais de cinco ano. Gostaria de saber se existe algum remédio oral que possa melhorar esse problema.
(Rafaela)

Não costumo indicar esse tipo de tratamento. Recentemente foram descobertos ativos ingeridos que diminuem, em testes de laboratório, a vermelhidão que acontece após a exposição ao sol. Isso pode ser interessante. Mas, na minha opinião, ainda devemos esperar resultados mais consistentes.

Por Lucia Mandel

16/12/2008

às 9:06 \ Arquivo

Herpes labial


Existe uma característica marcante no vírus que causa o herpes labial: ele fica entrincheirado no organismo humano para sempre. Depois do contágio, nossos mecanismos de defesa nunca mais conseguem eliminá-lo. Quando ele não se manifesta causando as incômodas feridas labiais, fica num estado que chamamos de latente. Em outras palavras, fica dormente, não se multiplica, aguardando um momento de fragilidade do seu hospedeiro para voltar a atacar.

O contágio geralmente acontece na infância. O vírus passa através de contato direto, como um beijo, ou então por objetos recentemente usados, como um copo infectado.

Na época do contágio, raramente há sintomas. O vírus está mais preocupado em atravessar a pele e infectar o nervo. É lá que ele fica em estado latente, à espera de um momento para se ativar. Nosso sistema imunológico não consegue eliminar este vírus, mesmo havendo produção de anticorpos contra ele.

As feridas labiais começam a incomodar, em geral, a partir da adolescência. Não se sabe exatamente por que o vírus se ativa, mas isso acontece em momentos em que a pessoa está fragilizada. Alguns fatores que facilitam a reativação: exposição ao sol, ao vento, stress, ou doenças que baixem nossa resistência. E também o ciclo menstrual.

Ao se reativar, o vírus causa uma ferida no mesmo local onde, anos antes, houve o primeiro contato dele com a pele. Apesar de mais freqüentes nos lábios, as feridas podem aparecer em qualquer local do corpo. Antes de aparecerem, a pessoa sente uma coceira e uma queimação. A pele fica avermelhada e surgem pequenas bolhas que estouram em poucos dias. Em uns dez dias, a ferida seca e acaba sumindo.

Uma pessoa passa herpes para os outros no momento em que as bolhas estouram. O líquido que fica dentro delas é repleto de vírus. Por isso, não cutuque as feridinhas: além de contaminar as outras pessoas, isso piora sua própria situação, infectando outros pontos da sua pele. Também é importante nessa fase que você lave suas mãos bastante, e evite beijar outra pessoa.

Como é o tratamento?

O tratamento é feito com medicamentos antivirais, que impedem a multiplicação do vírus. O paciente deve começar a tratar assim que sentir coceira ou queimação, anteriores ao aparecimento das lesões. Essas sensações mostram que o vírus está ativo. E com tratamento precoce, a crise será mais branda.

A escolha do medicamento depende de cada caso. A opção mais eficaz é à base de antivirais de uso oral, mas também existem cremes à base de antivirais. E para a melhora, é importante também descansar e comer bem. Mas lembre-se que depois do tratamento o vírus continua lá, alojado no sistema nervoso, à espera de uma próxima oportunidade para sua reativação.

Existe um segundo tipo de vírus de herpes, que causa principalmente lesões genitais. A capacidade de permanecer no organismo após a infecção inicial é a mesma nos dois vírus, e os tipos de ferida são semelhantes. Mas dessa vez, fico por aqui, o herpes genital é tema para outro texto. Até a próxima!

Por Lucia Mandel

12/12/2008

às 14:12 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Em um de seus  textos, você escreveu que alterações dermatológicas muitas vezes têm a ver com o lado emocional. Minhas mãos ficam coçando e têm partes muito secas, às vezes ficam feridas. O que devo fazer?
(Cláudio)

Ansiedade ou stress emocional podem causar disidrose nas palmas das mãos ou nas plantas dos pés. Nesse caso, surgem abruptamente várias pequenas bolhinhas d´água, que coçam bastante. Freqüentemente essas bolhinhas se localizam nas laterais dos dedos das mãos ou dos pés. Quando a disidrose melhora, há leve descamação. Procure um dermatologista para confirmar se esse é mesmo o seu diagnóstico, uma vez que existem outras causas possíveis para coceira e feridas nas mãos. Se você de fato tiver disidrose desencadeada por stress, o dermatologista irá tratar os sintomas da pele, mas você deve prestar atenção no emocional.

Tenho 17 anos  e gostaria de indicação para disfarçar e/ou tratar das minhas estrias (elas são brancas / e eu sou clara). Não sei o  motivo delas terem aparecido, pois sou magrinha e não engordo.
(Marcela)

Estrias antigas, já esbranquiçadas, são difíceis de tratar. Dependendo da avaliação, indica-se tratamento com laser fracionado, que suaviza – mas não elimina – o problema. Para disfarçar, uma boa idéia é usar um creme auto-bronzeador. Ele reage com camada externa da pele, e muda a sua cor. Aplique o auto-bronzeador em toda a pele do corpo, e não apenas na área com estrias.

 
Minha pele é oleosa. Às vezes tenho espinhas e cravos. Já fui a um dermatologista e não resolveu. O que faço?
(Michelle)

Para controlar da oleosidade da pele, costumamos indicar sabonetes apropriados, adstringentes, cremes à base de ácidos e ativos que diminuem a atividade das glândulas produtoras da oleosidade. Se você tem cravos, faça periodicamente limpeza de pele com uma boa esteticista. Mas você tem que entender que mesmo um excelente tratamento não irá mudar a sua tendência à oleosidade. Na luta contra a oleosidade, precisamos manter o tratamento mesmo quando a pele está boa. Se a gente relaxar, a oleosidade volta. Para as manchas, indicamos clareadores ou peelings. Não cutuque as espinhas ou os cravinhos: isso só aumenta a quantidade das manchas que aparecem depois das espinhas.

Por Lucia Mandel

09/12/2008

às 8:16 \ Arquivo

Fraxel – rejuvenescimento a laser


O efeito rejuvenescedor dos tratamentos a laser é fascinante. Eles renovam a pele, melhoram a textura, suavizam rugas, removem manchas. Apesar dessa tecnologia ser relativamente recente, ela já evoluiu muito e hoje existem vários tipos de laseres disponíveis. A vantagem é poder escolher o mais indicado para o seu caso.

Nessa coluna vou falar sobre o Fraxel, um dos laseres mais modernos, extremamente eficiente no poder de recuperação da pele envelhecida. Para você entender o diferencial desse aparelho, aí vai uma breve explicação sobre laseres rejuvenescedores. Antes do Fraxel, os laseres eram divididos em dois grupos básicos: os que machucam muito a pele e os que machucam pouco. Todos eles com a característica de atingir inteiramente a superfície da pele tratada: toda a pele do rosto, do pescoço ou das mãos (característica diferente do Fraxel, como você vai perceber mais adiante).

Na hora de escolher o tratamento, médico e paciente decidiam entre uma agressão mais profunda ou mais suave.

No tratamento mais agressivo, a vantagem é o resultado extremamente eficiente com apenas uma sessão. Há notável suavização das rugas, até das mais profundas; melhora das rugas ao redor dos olhos e lábios; melhora de manchas; retração da pele, num efeito parecido ao de um lifting suave. Em grande parte, o efeito rejuvenescedor desse tratamento vem do estímulo à proliferação do colágeno. Mas esse tratamento é sofrido, pois as camadas mais superficiais da pele são removidas. A pele fica muito machucada e bem avermelhada por pelo menos duas semanas. O tratamento dói, requer curativos e reclusão por um período que pode chegar a um mês. Na correria da vida moderna, para a maioria das pessoas, isso é impraticável.

No tratamento mais suave, a camada mais externa da pele é poupada. As manchas são removidas e estimula-se o colágeno sem deixar a pele ferida. O tratamento é excelente e provoca muito menos lágrimas. São necessárias algumas sessões para o resultado final, que no entanto não vai ser tão bom quanto o do tratamento agressivo.

E finalmente chegamos ao Fraxel, um intermediário entre os dois tipos de tratamento já citados. Ele surgiu de uma descoberta interessante: fazendo uma agressão potente, mas que atinge pontos microscópicos da pele, espalhados pela área de tratamento, o resultado final é muito bom. Para compreender o que significa atingir a pele em pontos isolados, pense em um cano jorrando água. Isso é o laser "comum". Agora, visualize um chuveiro. Isso é o Fraxel. Ele atinge nossa pele em milhares de pontinhos microscópicos, muito mais finos que um fio de cabelo, mas agressivos. Cada pontinho de agressão penetra profundamente da pele, criando colunas de pele tratada entremeadas a áreas de pele sã. O médico seleciona a profundidade da penetração na pele e a densidade da agressão.

Observou-se que a agressão salteada da pele faz com que o corpo, através de um mecanismo de cicatrização e reparo de feridas, produza colágeno. Com isso, a pele por inteira fica mais firme e rugas são apagadas. A agressão salteada também elimina células envelhecidas. Manchas de idade melhoram e a pele rejuvenesce, fica mais macia, mais uniforme e mais tensa. O tratamento também suaviza cicatrizes de acne. Isso tudo com a vantagem de uma recuperação rápida. O Fraxel pode ser aplicado em qualquer local da nossa pele, como rosto, pescoço, colo, braços ou mãos.

Para um bom resultado são necessárias de três a cinco sessões, com intervalos de duas a quatro semanas. Há sensação de queimação por poucas horas, a pele fica inchada por um dia, e avermelhada por menos de uma semana. Nada parecido com o sofrimento causado pelos laseres mais agressivos. E, comparando com os mais suaves, o resultado em relação à suavização das rugas e firmeza da pele é melhor.

Por Lucia Mandel

05/12/2008

às 14:08 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Sofro de calcanhar rachado, às vezes as rachaduras são bem acentuadas, principalmente no verão, e gostaria de saber se existe algum tipo de tratamento. Já tentei alguns cremes, mas sem grandes resultados.
(Solange)

Use um bom hidratante específico para os pés, que contenha ativos para hidratação profunda e para esfoliação. Aplique o produto várias vezes ao dia e, à noite, logo após aplicar o creme, vista uma meia de algodão. Lixe seus pés uma vez por semana, não mais. Mas antes de iniciar esse tratamento, passe por uma avaliação dermatológica: a presença de rachaduras nos pés pode ser um sintoma de psoríase.

Sofro de ictiose moderada segundo médicos dermatologistas, e como em Curitiba o clima é frio, minha pele fica mais desidratada e seca ainda. Gostaria de saber se existe alguma espécie de medicamento ou produto para ingerir que possa ajudar a minha pele a hidratar um pouco mais, porque também não agüento mais passar cremes todos os dias.
(Angelo)

A ictiose é uma condição genética. A pele fica muito ressecada e descama. Essa descamação pode ser mínima, mas há casos em que é intensa, e incomoda demais. O tratamento é focado em melhorar a hidratação da pele, como você vem fazendo. Se o clima estiver frio, o que piora o ressecamento, continue a tomar cuidado na hora do banho. Água quente e sabonete ressecam a pele, e por isso concordo que seus banhos sejam mais espaçados. O uso do sabonete está liberado para uso diário nas partes íntimas, dobras, rosto, mãos e pés. No resto do corpo, use muito pouco sabonete, e poucas vezes por semana. Depois do banho, não tem como escapar: aplique um creme hidratante, que pode conter ativos como alfa-hidroxiácidos ou uréia. Se você estiver com a pele muito ressecada, aplique um óleo depois que a pele absorver o hidratante. Pacientes com ictiose severa podem se beneficiar de retinóides orais, mas isso requer de uma avaliação cuidadosa. Nesse caso o remédio suaviza os sintomas, mas não curam o problema: ao parar o tratamento, a ictiose piora novamente.

Tenho 26 anos e sempre tive umas bolinhas nos braços. Como sou muito branca, às vezes a área fica avermelhada e coça. Já usei o creme Akerat da Avene, mas não melhorou. Existe algum outro tratamento?
(Priscilla)

Pelo que pude entender, você tem queratose pilar, uma condição bastante comum. Ela é uma característica da pele de algumas pessoas: por tendência genética, a pele em alguns pontos do corpo fica áspera, ressecada, com bolinhas muito parecidas com cravos. Mas se a gente espreme essas bolinhas, não sai cravo algum. Há vermelhidão e, às vezes, coceira. É freqüente que a parte superior dos braços seja afetada. Existe tratamento para suavizar ou controlar esse problema. Usamos cremes à base de ácido retinóico ou de ácido salicílico, e hidratantes à base de uréia. Não esfolie a pele afetada: isso piora os sintomas. Casos que não respondem bem a esse tratamento podem melhorar com peelings químicos à base de ácido retinóico. O tratamento consegue controlar temporariamente os sintomas, mas não se cura definitivamente a queratose pilar. Isso significa que a pele melhora com o tratamento, mas, no futuro, o problema acaba voltando. É comum haver melhora no verão.

Por Lucia Mandel

02/12/2008

às 9:42 \ Arquivo

Botox traz felicidade?

"A expressão de uma emoção a intensifica. Por outro lado, a repressão dos sinais exteriores atenua a emoção. Aquele que se permite gestos violentos aumenta sua raiva; quem não controla os sinais de medo sentirá ainda mais medo."
Charles Darwin

A frase acima foi citada em um artigo recentemente publicado em uma das mais conceituadas revistas dermatológicas, o Jornal da Academia Americana de Dermatologia. Nele, os autores, respeitados dermatologistas americanos, discutem a seguinte idéia: será que a aplicação da toxina botulínica para diminuir rugas faciais faz a pessoa se sentir mais feliz, ficar menos brava, ser menos triste e ter menos medo?

A idéia de que a aplicação de Botox possa modular os sentimentos vem de uma teoria chamada "Hipótese do Feedback Facial". Essa teoria, já defendida por Charles Darwin, diz que a expressão facial, mesmo que forçada, influencia nossos sentimentos. Por exemplo, uma pessoa forçada a sorrir em um evento social acaba achando que o evento foi mais prazeroso do que acharia se não sorrisse. Do mesmo modo, uma pessoa que force uma expressão de raiva intensifica seu sentimento. Faça um teste você mesmo: force um sorriso, desses exagerados, com os olhos bem abertos. Mantendo essa expressão durante alguns segundos, tente se sentir triste. Pronto? Concorda que foi difícil? Muitos experimentos científicos, com métodos bem mais adequados e precisos do que esse teste, comprovam que o feedback facial existe.

E o que o Botox tem a ver com isso? Como a toxina impede o movimento exagerado de músculos que causam expressões de raiva, tristeza ou medo, os autores acreditam ser possível que a aplicação faça a pessoa se sentir melhor. Impedida de franzir a testa ou de aproximar as sobrancelhas, o paciente, através o mecanismo do feedback facial, ficaria naturalmente mais feliz, menos agressivo e até mais confiante.

Além disso, ainda de acordo com o estudo, a toxina aumenta a felicidade por outro mecanismo. Um rosto feliz contagia, de modo inconsciente, as pessoas ao redor. O sorriso traz aceitação e união. Por outro lado, a expressão de raiva ou de irritação também se espalha para os outros. Já que o Botox suaviza expressões negativas e deixa o rosto mais sereno, as pessoas ao redor acabam sendo influenciadas, sem se darem conta.

 Em um ambiente mais feliz, cercado de pessoas mais alegres, o paciente amplificaria sua felicidade. E mais: ao se olhar no espelho, ele encontra uma imagem mais serena. O paciente é contagiado pela própria imagem. Se ficar satisfeito com o que vê, e se sorrir, a visualização de sua imagem feliz no espelho acaba aumentando sua felicidade, de maneira inconsciente.

Mas será?

Se o Botox traz felicidade ativando o mecanismo do feedback facial, isso eu não sei. Mas minha opinião, depois de anos vendo e ouvindo pessoas que aplicam a toxina, é que o produto ajuda a trazer felicidade, sim. Ele é um ótimo tratamento de beleza, a melhora das rugas é espantosa. E quando a pessoa gosta do que vê no espelho, se sente melhor, ganha auto-confiança e, por conseqüência, felicidade.
E você, leitor, o que acha? Concorda que o Botox traz felicidade?

Deixo aqui um link para a música Smile, de Charlie Chaplin e Turner-Parson. Aproveite!

"Sorria, pra que serve o choro
Você descobrirá que a vida ainda vale a pena
Se você simplesmente sorrir"

Por Lucia Mandel

28/11/2008

às 14:37 \ Arquivo

Resposta a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Sou paciente de rosácea e gostaria de saber se existem novos tratamentos, além do metronidazol, que já não faz efeito para mim. O laser realmente funciona? Minha rosácea agora está fazendo meu rosto descascar muito, principalmente na minha cabeça. A senhora pode me dar alguma orientação sobre novos tratamentos e sobre o laser?
(Luciana)

O metronidazol não é a única opção no tratamento da rosácea. Existem outros ativos que podem ser usados em cremes (como antibióticos tópicos ou a sulfacetamida) ou, dependendo do caso, por via oral (antibióticos ou isotretinoína). Mesmo com um tratamento que controle os seus sintomas, podem existir fatores que desencadeiam a crise de rosácea. Eles variam um pouco de pessoa para pessoa, sendo que os mais freqüentes são os alimentos condimentados, apimentados ou muito quentes. Outros são as bebidas alcoólicas e as bebidas quentes, como você mesma descreveu. Ao detectar um fator desencadeante, evite-o. Os tratamentos com laser ou com luz pulsada (Quantum, Harmony, StarLux, dentre outros) reduzem ou eliminam vasinhos dilatados que aparecem na pele de quem tem rosácea. Isso diminui a vermelhidão, e é uma excelente opção de tratamento para complementar o tratamento clínico.

Tenho verruga no dedo da mão, já foi queimada por dermatologista, mas ela voltou e agora uso AS infantil para tentar queimá-la. Estou correta nesta procedimento? Qual a solução mais eficiente para a eliminação da verruga?
(Cristina)

Você deve retornar ao dermatologista. Os melhores métodos para tratar uma verruga no dedo da mão são a eletrocoagulação, a crioterapia, ou uma aplicação de produtos corrosivos potentes. Todos esses tratamentos são feitos em consultório: o primeiro usando um aparelho parecido com um bisturi elétrico, o segundo usando um jato de ar gelado, e o terceiro usando uma solução ácida em altas concentrações. Você comentou que já fez um tratamento em consultório dermatológico, e a verruga voltou. Não desanime: isso pode acontecer. Nem sempre o problema é resolvido em uma única sessão de tratamento. É comum que uma mesma verruga precise de duas, eventualmente de três ou até mais sessões de tratamento para desaparecer. Caso haja contra-indicação para um desses procedimentos, optamos por medicamentos que lentamente destróem a verruga. Mas, nesse caso, não usamos o AAS infantil.

Principalmente nos dias quentes de verão, minha mão e meus pés ficam molhados. Se uso algum tipo de sapato aberto com sandálias e rasteirinhas, elas deslizam e criam umas bolinhas de água e calos. Não consigo usar calçados aberto, mesmo precisando por conta do meu trabalho.
(Priscila)

Suar demais nas palmas das mãos e nas plantas dos pés é um incômodo que só quem sofre pode mensurar. As dificuldades são diárias. Só para exemplificar, a caneta escorrega da mão e o chinelo escorrega dos pés. Existem algumas boas opções de tratamento. Uma delas é a aplicação de toxina botulínica (Botox®). Outra é a simpatectomia, cirurgia realizada por uma equipe envolvendo um cirurgião torácico e um cirurgião vascular. Tratamentos paliativos podem ajudar, mas dependem da resposta individual. Nesse caso, indicamos soluções à base de cloridróxido de alumínio ou um tratamento chamado iontoforese.

Hoje tenho 49 anos, mas quando fiz 40 anos começaram a aparecer as primeiras manchas nas mãos. Já fiz todo tipo de tratamento recomendado. Gastei muito dinheiro e as manchas sempre voltam. Você tem alguma sugestão?
(Mirian)

Existem clareadores sem hidroquinona. Mas sem uma avaliação cuidadosa, não é possível definir se eles iriam ajudar. Antes investir em qualquer tratamento, você e seu médico devem definir o que está causando as manchas das suas mãos.

Por Lucia Mandel

25/11/2008

às 12:03 \ Arquivo

Bolhas nos pés – tratamento e prevenção


Uma das façanhas do maratonista Franck Caldeira foi levar o ouro no Pan de 2007. Outra, foi fazer isso sem usar meias, o jeito como ele prefere correr. O fato impressiona porque isso é meio caminho para as bolhas aparecerem. Aliás, foi o que aconteceu: no Pan, ele cruzou a linha de chegada mancando, graças a uma bolha no pé esquerdo.

As incômodas bolhas nos pés são freqüentes em quem pratica esportes (mesmo em quem usa meias.) Elas aparecem nos pontos de tração, como a planta dos pés, ou nos pontos de fricção entre o pé e o tênis, ou entre o pé e a meia. Para essa coluna, selecionei algumas dicas que diminuem a chance das bolhas aparecerem. Elas valem para esportistas mais assíduos e até para aqueles atletas de final de semana.

As dicas

Em primeiro lugar, muito cuidado na hora de comprar seus tênis. Procure um par confortável, com pouca costura na parte interna e que se ajuste perfeitamente ao pé. Isso diminui o atrito entre o pé e o tênis. Escolhido o tênis novo, ele deve ser amaciado pouco a pouco. Mesmo um bom par, quando novo, pode causar bolhas. Nunca faça sua estréia num momento crucial, como numa competição.

Outra causadora de bolhas é a umidade nos pés. À medida que nós suamos, os pés vão ficando úmidos e a predisposição às bolhas aumenta. Por isso existem meias apropriadas, que absorvem mais o suor. Evite correr logo depois de ter tomado um banho quente. E cuidado para não molhar seus tênis ou suas meias se você costuma jogar água na cabeça para se refrescar. Para os que suam demais, é bom usar talco nos pés antes do exercício. Ou então, trocar as meias durante o treino.

Se mesmo assim as bolhas insistem em aparecer, coloque um pouco de vaselina semi-sólida entre os dedos. Isso diminui o atrito entre eles. O mesmo vale para o calcanhar. Ali, a vaselina diminui o atrito entre a pele e a meia. Outra dica é proteger os dedos ou o calcanhar com esparadrapo e aplicar vaselina por cima desse curativo preventivo. E assim que você sentir qualquer dorzinha, pare para avaliar o que está acontecendo. Corrija o problema e coloque um esparadrapo protegendo a pele sensibilizada. Depois, aplique um pouquinho de vaselina sobre esse esparadrapo.

Resolvendo o problema

Se a bolha já apareceu, o melhor a fazer é usar um par de chinelos por uns dias. Assim você dá um tempo para que a pele se recupere. Se não for possível dar uns dias de folga para seus pés, e se a bolha não doer, deixe-a do jeito que está. Ela acaba se rompendo, o líquido sai, e ela cicatriza. Mas se a bolha for dolorida você pode esvaziá-la, com muito cuidado. Para isso, lave as mãos e esterilize uma agulha, esquentando-a no fogo até que fique vermelha. Lave a bolha com água e sabonete e então fure e esvazie delicadamente, sem remover a pele que fica solta. Essa pele solta protege a pele nova, que está se formando no lugar do ferimento.

Deixe o local sempre limpo: use água oxigenada ou um sabonete anti-séptico para limpar a área todos os dias, e depois aplique uma pomada de antibiótico. Deixe a área descoberta se você puder ficar descalço ou, se for usar sapato, cubra com um band-aid, e depois com um esparadrapo. Troque o curativo diariamente. Se o local ficar inchado, muito avermelhado ou se aparecer uma secreção, procure seu médico, porque pode ser que o ferimento tenha infeccionado. E não esvazie a bolha se você for diabético ou se tiver varizes, e nem se tiver qualquer dúvida sobre o procedimento.

Muito bem, agora que você já sabe como tratar as bolhas e, principalmente, como evitá-las, está pronto para caminhar ou correr melhor. Aí, quem sabe, você pode vencer uma maratona ultrapassando na reta final um atleta sem meias, mancando, cheio de bolhas no pé. Boa corrida!

Chegada: Informações sobre treinos, saúde e nutrição. Tudo para tornar a corrida mais prazerosa.

Por Lucia Mandel
 

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