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14/11/2008

às 15:36 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Algo me atormenta desde quando comecei a ter pêlos no rosto. Nunca me barbeei com gilete ou navalha, só uso tesoura. Faço isso desde os 18 anos e demoro uns 30 minutos para me barbear com a tesoura. Hoje com 21 anos estou um pouco sem paciência para demorar tanto. O meu tormento sempre foi em relação ao envelhecimento da pele do rosto. Sempre disseram que barbeador envelhece a pele, tornando-a áspera. Qual a melhor forma de fazer a barba?
(Marcos Davi)

Nem o barbeador, nem a navalha aceleram o envelhecimento da pele. Todo esse seu cuidado em aparar a barba com tesoura para retardar os sinais da idade foi desnecessário. Depois de se barbear, use uma loção hidratante e um protetor solar.

Gostaria de saber qual a origem e tratamento para um tipo de acne que aparece na virilha e nádega e que algumas vezes provocam manchas.
(Manuela)

Nessas áreas aparecem com certa freqüência feridinhas parecidas com espinhas, que nós, dermatologistas, chamamos de foliculite. Elas surgem por uma tendência pessoal aos pêlos encravarem, somado ao tipo de roupa que você usa. Roupas apertadas e calça jeans aumentam a chance de você ter foliculite. Para aliviar esse incômodo, esfolie sua pele durante o banho. E, depois de se secar, aplique um bom hidratante. Casos mais intensos melhoram com cremes à base de antibióticos ou de ácido retinóico, e com peelings de cristais. Durante o tratamento evite roupas justas e dê umas férias para sua calça jeans.

Tenho 36 anos, minha pele é morena. Tinha manhas no rosto (melasma) e desde os 30 anos, eu faço tratamento a base de ácido retinóico para clarear as manchas. Gostaria de saber se esse tipo de química tem conseqüências negativas se usado a longo prazo.

Normalmente quem usa ácido retinóico o faz por anos a fio, sem qualquer complicação. No entanto, raramente, e em quem tem tendência, o uso prolongado desse ácido estimula o aparecimento de pequenos vasos sanguíneos na pele.

Não agüento mais ver minha mãe na situação na qual se encontra, com dores, ardência, coceira e similares. Depois de sofrer durante anos com feridas na cabeça, que conseguiu debelar, surgiu uma mancha entre os seios e o pescoço. Em diagnóstico recente, uma médica disse que ela tem pênfigo, o famigerado fogo selvagem. O problema é que o tratamento não avança porque ela é também diabética. O medicamento forte contra pênfigo descompensa a outra doença. A redução da dose retarda a cura. A senhora tem alguma orientação para este caso?
(João Camargo Neto)

O pênfigo é uma doença auto-imune. Significa que o sistema imunológico da sua mãe está produzindo anticorpos contra a pele dela. Esses anticorpos são responsáveis pelas feridas que doem, incomodam, ardem. O tratamento tem como objetivo domar o sistema imunológico desgovernado. A melhor opção para isso é a cortisona, que deve ser mantida por um bom tempo. Mas o tratamento com cortisona tem vários efeitos colaterais, e um deles é causar ou piorar um quadro de diabetes. Por isso, sua mãe precisa ser tratada por um dermatologista e também por um endocrinologista. Outros efeitos colaterais do uso crônico de cortisona são osteoporose, pressão alta, gastrite, catarata. Se o uso da cortisona for inviável, existem outros remédios que regulam o funcionamento do sistema imunológico, como azatioprina ou ciclofosfamida. Eles são uma segunda opção de tratamento, e podem ser usados junto com a cortisona: nesse caso, eles diminuem a dose necessária de cortisona.

Por Lucia Mandel

11/11/2008

às 9:22 \ Arquivo

Compulsões

"De perto, ninguém é normal"
(Caetano Veloso)

Algumas alterações dermatológicas sinalizam que algo não vai bem no lado emocional. Nessa coluna discuto dois desses problemas: a compulsão por arrancar os cabelos e a compulsão por ferir a pele.

A Tricotilomania, ou hábito de arrancar os cabelos

Sabe a expressão "arrancar os cabelos"? Pois isso existe. Muitas pessoas literalmente arrancam os cabelos, principalmente em momentos de stress. O nome do problema: tricotilomania.

A compulsão funciona como um ciclo: antes de puxar o fio de cabelo, a pessoa fica tensa. Pode ser que essa tensão venha de uma tentativa de se controlar. Mas o autocontrole é difícil, a pessoa perde a batalha e acaba puxando o fio. Há um alívio momentâneo e, em seguida, culpa e vergonha, sem falar no medo de ficar careca. Às vezes, chega-se ao ponto do couro cabeludo doer. Durante todo esse ciclo, o paciente sente que está fazendo uma coisa esquisita – e por isso mesmo o hábito incomoda muito. Ele imagina que é o único no mundo a viver esse drama, mas é um engano: a tricotilomania é comum. Por ser algo meio estranho e embaraçoso, vira um segredo guardado a sete chaves, até mesmo das pessoas mais íntimas.

A tricotilomania ataca quando a pessoa está sozinha, fazendo algo que exija concentração, como ler um livro, trabalhar no computador. A mão entra no automático e vai puxando os fios. Em parte, essa compulsão é controlável e dá para evitá-la na frente de outras pessoas, ou durante a prática de um esporte, por exemplo. Por isso, o segredo se mantém por muito tempo.

A mania surge na adolescência, e permanece por anos. É mais freqüente nas mulheres. Pode ser tão intensa que surgem áreas sem cabelos. É nesse momento que o dermatologista é procurado, principalmente quando se trata de criança ou adolescente. Os pais trazem seu filho sem suspeitar que o problema primário não é dermatológico, e sim emocional ou psiquiátrico. Possíveis causas são stress, ansiedade, depressão ou transtorno obsessivo-compulsivo (conhecido como TOC.) Há suspeitas de que também exista influência genética.

O tratamento é feito por um psicólogo ou um psiquiatra. Loções que estimulam o crescimento dos fios pouco ajudam. O paciente deve tentar relaxar, procurar distrações, hobbies. Dentre os tipos de terapia, a mais recomendada nesse caso é a cognitivo-comportamental, que pode ser associada a remédios.

Compulsão po ferir a pele

Esse tipo de comportamento também é comum. A pessoa cutuca a pele com a unha, mexe em cravos e espinhas, morde os lábios. Muitas vezes, antes de cutucar, existe uma sensação de coceira, que estimula a mexer na pele. Ou então, a pessoa se incomoda com pequenas imperfeições, como uma feridinha qualquer. Também nesse caso, é difícil se controlar e não arrancar a casquinha. Igualmente, essa compulsão piora em momentos de stress, de tensão, ou de concentração. Com freqüência há associação com ansiedade, depressão, ou transtorno obsessivo-compulsivo.

O dermatologista, percebendo que a alteração na pele é fruto de auto-agressão, deve estimular o paciente a procurar o que está por trás desse problema. A partir daí, o paciente tem que prestar atenção no emocional, e procurar ajuda especializada.

Por Lucia Mandel

07/11/2008

às 15:48 \ Arquivo

Respostas a leitores

Possuo um hemangioma (cor avermelhada) de grande extensão nas minhas costas e no busto. Procurei um dermatologista que disse ser esta uma mancha que essa especialidade não trata. Procurei então um angiologista e ele me indicou no mínimo três sessões a laser para resolver o problema, sem garantias de que realmente a mancha sumirá. Fiz a primeira sessão e observei que alguns pontos clarearam um pouco, mas precisamente onde a mancha era mais superficial. Esse é mesmo o tratamento indicado para hemangioma?
(Julia)

O laser é uma boa arma usada no tratamento de hemangiomas, lesões na pele causadas por aumento no número de vasos sangüíneos. Mas a chance de o tratamento dar certo, bem como o número de sessões necessárias depende do tipo de hemangioma que você tem. Pela breve descrição que você me dá, imagino que você fará mais do que três sessões. O tratamento pode ser feito por um cirurgião vascular ou por um dermatologista. O especialista escolhido deve ser especializado em tratamentos a laser.

Estou passando uma vez por semana um autobronzeador da marca Lancôme. Alguns amigos disseram que o produto é perigoso porque, uma vez que acelera a produção de melanina pode também desencadear reações cancerígenas. Será que isso é verdade? Ah, em tempo: Se eu tomar sol nesse período em que estou usando o produto corro algum tipo de risco? Manchas, feridas e afins? Por último: por que dizem que eu não devo passar o produto no rosto?
(Juliana)

Juliana, não há perigo em usar cremes autobronzeadores: eles não são cancerígenos. Eles não aceleram nossa produção de melanina. O que eles fazem é mudar a cor da camada mais externa da nossa pele, através de uma reação química. A pele fica com uma cor parecida com a do bronzeado, não exatamente igual. Em algumas pessoas a cor fica um pouco alaranjada, principalmente em quem é muito clarinho e aplica o creme com muita freqüência. O produto não é tóxico, e você pode usá-lo no rosto – existem inclusive apresentações específicas para a face. Você pode sair ao sol enquanto estiver usando o autobronzeador. Mas como esse "bronzeado" não é verdadeiro, ele não aumenta a resistência da sua pele a queimaduras. Por isso, use e abuse do protetor solar.

Gostaria de saber quais os tratamentos mais eficazes para combater olheiras, pois, apesar da pouca idade, tenho a área dos olhos bastante escurecida.
(Daniele)

Em primeiro lugar precisamos descobrir por que as olheiras estão se formando. As principais causas de olheiras são:

1) Aumento do número de vasos sangüíneos que irrigam as pálpebras inferiores.
2) Acúmulo de pigmento na pele das pálpebras inferiores

Quando os vasos são o componente principal das olheiras, usamos cremes à base de vitamina K ou a luz pulsada. Para um efeito imediato e fugaz, vale aplicar compressas de chá de camomila gelado. Para tratar olheiras causadas por acúmulo de pigmento, usamos cremes clareadores, peelings, laser ou luz pulsada. Nem sempre a olheira é sinal de cansaço. Mas em muitos casos observamos melhora se, junto com o tratamento, o paciente relaxar e descansar mais.

 

Por Lucia Mandel

04/11/2008

às 13:12 \ Arquivo

Tratamentos modernos para diminuir o suor

Se você assiste Seinfeld, talvez se lembre de um episódio em que George participa de uma reunião sobre uma onda de furtos na empresa. Antes da reunião, ele tinha feito ginástica. Por isso suava muito durante a discussão do problema, o que gerou certa desconfiança. Mais tarde, diretamente confrontado pelo seu chefe, teve outra crise de suor, desencadeada por comida apimentada. Resultado: George, apesar de inocente, acaba incriminado. Seu chefe achou que o suor era prova irrefutável de culpa.

Quem sua muito realmente sofre com isso e enfrenta constrangimentos em diversas situações. É a chamada hiperidrose, que atinge 1% da população. Esse excesso de suor pode ocorrer nas mãos, axilas, pés ou cabeça. E a quantidade de suor na região afetada é grande. As mãos chegam a pingar.  É comum a pessoa com hiperidrose evitar o aperto de mão. Outros não conseguem escrever sem um paninho ao lado para enxugar. Se o problema for nos pés, a pessoa tem dificuldade em usar chinelos, sandálias ou sapatos, que escorregam nos pés sempre úmidos. Quem tem o problema nas axilas muitas vezes leva roupa extra para o trabalho e troca quando ela fica exageradamente molhada. Ou seja, é uma chateação atrás da outra.

O suor normal

Existe um controle fino na regulagem do suor humano. Esse controle é relacionado ao ajuste da temperatura corporal, que precisa se manter entre 36 e 37°C para que as reações químicas necessárias à vida ocorram normalmente. Se a temperatura do corpo aumentar, nosso sistema nervoso entra em ação: manda mensagens que estimulam as glândulas secretoras do suor. O suor é produzido e enviado para a superfície da pele através dos poros. Conforme ele evapora, nossa temperatura cai. O responsável por esse ajuste é o sistema nervoso autônomo. Como o nome diz, ele funciona com independência, regulando outras funções importantes e fora do nosso controle, como os batimentos do coração ou a dilatação das pupilas.

Não se sabe por que algumas pessoas suam mais. Não se observa qualquer alteração no sistema nervoso ou nas glândulas produtoras de suor. As glândulas são iguais às de quem nem lembra que sua: têm o mesmo tamanho, o mesmo número e estão onde deveriam estar. O que se sabe é que o estresse e o nervosismo agravam o problema. E parece irônico, mas o próprio medo de suar aumenta o suor.

Como se livrar desse transtorno?

Excluída a presença de doenças que aumentem o suor, como o hipertireoidismo, outras alterações hormonais ou doenças neurológicas, parte-se para o tratamento.
A primeira opção costuma ser com produtos de uso tópico à base de cloridróxido de alumínio, que ajudam nos casos mais leves. Após duas semanas de uso, a quantidade de suor já diminui. Daí, fazemos um esquema de manutenção.

Se o caso for mais severo, ou se não houver boa resposta ao tratamento tópico, restam outras opções. Uma excelente alternativa é a aplicação de toxina botulínica. O produto impede a comunicação entre o nervo e a glândula do suor. Sem receber estímulo do sistema nervoso, a glândula fica inativa. Usamos o produto para diminuir o suor das axilas, mãos e pés. O efeito dura aproximadamente meio ano. Depois, repete-se a aplicação. Existem também cirurgias que ajudam a controlar o problema de modo mais definitivo

No caso das axilas, pode-se recorrer a uma remoção das glândulas de suor, através de uma cirurgia que se parece muito com a lipoaspiração. Cânulas finas aspiram e removem as glândulas. Os casos de hiperidrose nas palmas das mãos e nas axilas também têm outra opção cirúrgica: a simpatectomia endoscópica. Essa cirurgia danifica o caminho por onde o impulso nervoso é conduzido antes de chegar às glândulas, o seu destino final. O tratamento é feito por uma equipe que inclui um cirurgião torácico e um cirurgião vascular. O problema desse tratamento é que os pacientes compensam a diminuição de suor nas palmas e axilas suando mais nas costas e barriga.

Existem ainda outros tratamentos, como a iontoforese. Nela, coloca-se a área afetada imersa em um aparelho contendo água. O aparelho emite uma leve corrente elétrica. As sessões de tratamento duram meia hora, e devem ser diárias até que o suor diminua, o que pode levar até dois meses. Depois, as sessões vão se espaçado até chegar a uma ou duas vezes por semana, no periodo de manutenção.

Também existe tratamento à base de medicamentos por via oral, que prejudicam a comunicação entre o nervo e a glândula. São chamados de anticolinérgicos. Esse tipo de medicamento tem vários efeitos colaterais, como boca seca, visão turva, constipação e retenção urinária. Por isso, raramente é indicado.Além do tratamento, é importante que o paciente preste atenção no emocional, procurando ajuda especializada. Muitas pessoas melhoram a hiperidrose tomando antidepressivos ou ansiolíticos.

Deu pra ver que existem soluções, não é mesmo? Ainda que algumas delas apresentem efeitos colaterais, outras são simples e eficientes. Então faça uma consulta ao seu medico e você verá o resultado: menos suor e menos lágrimas na sua vida.

Por Lucia Mandel

31/10/2008

às 15:39 \ Arquivo

Respostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Há algum tempo, a minha filha de 7 anos tem apresentado odor desagradável nas axilas. Posso usar algum tipo de desodorante? Por que esse tipo de odor ocorre em crianças?
(Rogério)

É incomum que crianças dessa idade tenham mau cheiro axilar. Explico: existem dois tipos de glândulas de suor, as écrinas e as apócrinas. As primeiras, écrinas, ficam espalhadas pelo corpo todo, e existem desde nosso nascimento. O suor desse tipo de glândula raramente causa mau cheiro. As glândulas apócrinas ficam em apenas alguns lugares do nosso corpo, como nas axilas, e se desenvolvem a partir da puberdade. É o suor das glândulas apócrinas que, associado à ação de bactérias, leva ao mau cheiro. Sendo assim, geralmente o mau cheiro axilar só começa depois da puberdade.

Crianças de 7 anos não têm muitas glândulas apócrinas e, por isso, não costumam ter mau cheiro axilar. Mas se ela tiver muita produção nas suas glândulas écrinas, as bactérias podem atacar, resultando num cheiro ruim. Nesse caso, uma limpeza cuidadosa e o uso de cremes à base de antibióticos ajudariam. Use roupas de algodão e de cores claras, e evite ambientes pouco ventilados. Mas a situação é infreqüente, e como existem doenças que podem mudar o cheiro da pessoa (como problemas renais ou hormonais), recomendo que você leve sua filha a um médico.

Tenho alergia por várias coisas, mas agora apareceu um tipo de alergias bem diferente. É como uma urticária, que atacou meu corpo todo com uma coceira que não agüento. Fui ao médico que me receitou Prometazina, mas não resolveu.
(Lourdes)

Uma das principais providências a se tomar num caso de urticária é investigar o motivo de ela ter aparecido. Pode ser um remédio que você esteja tomando, um alimento, uma infecção, ou ainda outras causas diversas. Descoberta a causa desencadeante, evite-a ou trate-a. Mas, infelizmente, na maioria dos casos não descobrimos essa causa. Para controlar os sintomas da urticária usamos anti-histamínicos, e a prometazina é um remédio desse tipo. O tratamento deve ser mantido por certo tempo. Se não estiver funcionando, retorne ao seu médico. Pode ser o caso de trocar o tipo de anti-histamínico, ou de aumentar a dose.

Tenho muita vergonha de mim, não mostro o meu corpo por nada e não tenho namorado por medo. Tenho 22 anos, e desde os 13 sofro com excesso de pêlos no corpo. Minha pele está toda manchada e áspera por causa dos pelos encravados que a esfoliação nem sempre resolve. Qual o tratamento mais barato?
(Anônimo)

Nem sempre o excesso de pêlos significa uma doença. Isso pode ser simplesmente uma característica individual, determinada por questões genéticas. Mas existem doenças que levam ao excesso de pêlos, como problemas hormonais. Por isso, não tem como escapar: procure ajuda especializada para saber se está tudo bem com sua saúde. Você já passou tempo demais sofrendo sozinha, e isso não pode continuar. Para controlar o excesso de pêlos, uma vez estabelecido o diagnóstico, o laser é a melhor arma. Se for algo fora do seu orçamento, e se a depilação com cera lhe causa problemas, use um creme depilatório.

Tenho 50 anos e sempre tive manchas marrons na mão direita, começam na metade dos dedos e vão até o pulso, me causando constrangimento e vergonha. Já tentei vários cremes, já foi tirado um pedacinho da pele para exames há muito tempo atrás, até que desisti. Não tomo sol, e sempre uso filtro solar, tenho a pele clara. O que posso fazer?
(
Rosangela)

Infelizmente não é possível ajudá-la com base na sua descrição. Manchas marrons podem ter uma infinidade de significados. Mas você conta que já fez uma biópsia de pele. A biópsia é um excelente exame, muito útil quando o dermatologista não conclui um diagnóstico durante a consulta. Geralmente depois desse exame dá para definir o que está acontecendo, e as perspectivas de melhora com o tratamento. Procure o laudo e volte ao seu dermatologista. Boa sorte!

Por Lucia Mandel

28/10/2008

às 9:48 \ Arquivo

Melasma. Por que justo comigo?

Um dos motivos mais freqüentes de consulta ao dermatologista é o aparecimento de manchas na pele. E, dentre os vários tipos de manchas que costumamos tratar, um dos mais incômodos é o melasma. As mulheres em idade fértil são as maiores vítimas. As manchas são escurecidas e atingem principalmente as bochechas, testa, nariz e a pele acima do lábio superior. A pele dessas regiões acumula melanina, um pigmento acastanhado, levando ao escurecimento. A causa exata do problema é desconhecida.  Mas existem alguns fatores que pioram o quadro:

- Tendência genética

- Influência hormonal: o problema muitas vezes começa ou piora com o uso de anticoncepcionais ou durante a gestação. Como não dá para adivinhar qual gestante tem tendência ao melasma, recomenda-se que todas usem filtro solar diariamente.

- Luz solar e luz visível: os raios ultravioleta, presentes na luz solar, estimulam a produção de melanina, agravando a situação. Conta até mesmo aquela pouca quantidade de sol que pegamos ao andar na rua no dia-a-dia, ou aqueles raios que passam pelo vidro das janelas. Também a luz visível, seja do sol ou emitida por lâmpadas, é prejudicial.

Como eu me livro dessas manchas?

Antes de começar o tratamento, quem tem melasma precisa compreender que sua pele é extremamente sensível à luz. E que essa sensibilidade não muda, mesmo com o tratamento. Por isso, se você tem, proteja-se diariamente contra a luz solar e contra a luz visível. Faça chuva ou faça sol. A proteção deve continuar mesmo depois que o problema for tratado. Se você relaxar depois que a pele clarear, a mancha volta.

O filtro solar deve proteger contra os raios ultravioleta A e B.  Os melhores são os mais opacos, que associam filtros solares químicos aos físicos, como o dióxido de titânio ou o óxido de zinco. Use no mínimo um com FPS 30.

Repasse a cada 3 horas, ou até antes, se você suar ou se molhar .Na praia e na piscina o cuidado deve ser redobrado: além do filtro, use boné, e fique na sombra durante os horários de pico do sol. A resposta ao tratamento é pior em quem toma pílula anticoncepcional. Se o incômodo com as manchas for grande, pense em trocar o método contraceptivo.

O dermatologista consegue avaliar se o acúmulo de melanina na pele é superficial ou profundo. Isso influencia no sucesso do tratamento, já que o acúmulo superficial do pigmento é mais fácil de tratar que o profundo.

Felizmente existem bons clareadores disponíveis que podem ser usados em cremes de uso domiciliar. É o caso da hidroquinona, da tretinoína, ácido glicólico e outros mais. Normalmente complementamos o tratamento com peelings químicos realizados em consultório. Nos casos muito resistentes, existem alguns laseres que podem ajudar.

O resultado costuma aparecer após um ou dois meses de tratamento. Em aproximadamente meio ano a melhora é grande. Depois disso, recomendo um tratamento de manutenção, enfatizando sempre a proteção solar.

Por Lucia Mandel

24/10/2008

às 16:40 \ Arquivo

Repostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Todos aqui de casa temos um suor axilar com cheiro forte. Iniciamos a nossa estratégia de combate ao mau cheiro com um belo banho pela manhã, seguido do uso de desodorante. Já usamos várias marcas de desodorante, e, invariavelmente, no fim do dia, o cheiro de suor misturado com o perfume do desodorante era insuportável. Após várias tentativas, encontramos um desodorante sem perfume, que não é anti-perspirante, de uma boa marca. Essa solução funcionou durante muito tempo, entretanto, ultimamente, parece que o desodorante não está mais funcionando. Gostaria de perguntar que outras soluções existem, e se há alguma restrição quanto ao uso de desodorantes anti-perspirantes, se eles tem alguma vantagem (ou desvantagem).
 (Rosa)
Vou dividir minha resposta em itens:
O cheiro exagerado do suor. Na maioria das vezes, o que causa a piora do mau cheiro não é o suor em si, mas a presença de bactérias na axila, que reagem com o suor. Por isso, experimente usar um sabonete anti-séptico e aplique um creme à base de antibiótico por alguns dias, além de manter o uso do desodorante.
A quantidade exagerada de suor. Se vocês suam muito, ou seja, se a quantidade de suor axilar do seu pessoal for exagerada, pense em aplicar toxina botulínica - o famoso Botox. O produto diminui a produção de suor, e o efeito dura em média seis meses.
O desodorante anti-perspirante. Minha caixa postal, assim como provavelmente a sua, também foi vítima de spams alarmistas falando sobre perigos do desodorante anti-perspirante. Pura lenda, sem qualquer fundamento. Não há relação entre desodorante anti-perspirante e câncer de mama, nem entre ele e mastite. O produto tampouco prejudica a eliminação de toxinas. A principal função do suor é regular a temperatura do corpo; para as toxinas, temos o fígado e os rins. A diminuição da quantidade de suor das axilas não causa problemas na regulagem da nossa temperatura corporal. Minha opinião sobre a escolha do tipo de desodorante (anti-perspirante ou não, com ou sem perfume): fica ao gosto do freguês.
Este ano fiz uma cirurgia de melanoma, na região lombar. Apesar das características estarem no limites Clarck III e 1 mm de espessura, o médico tirou bastante material, foi feita uma segunda biópsia e não havia mais nada de malignidade. Estou fazendo o acompanhamento trimestral, já fiz dois acompanhamentos e tudo está bem, mas continuo preocupada. Há risco de aparecer outros melanomas?  Como posso fazer para me resguardar mais? O tratamento é este mesmo?  Qual a chance de cura?  Depois de quantos anos posso considerar-me curada?
(Rosa Virgínia)

Seu melanoma foi removido num estágio que ainda é considerado inicial. Num caso localizado, quando a doença ainda não se espalhou e nem afetou os gânglios, a remoção da lesão com uma boa margem de segurança costuma resolver o problema. A chance de você ficar curada é alta. Costuma-se manter retornos trimestrais por dois anos após a cirurgia. A partir daí, a freqüência de retornos cai gradativamente. Considero um paciente curado depois de 5 a 8 anos de seguimento. Para se resguardar, além do acompanhamento médico você deve se proteger do sol, mesmo em dias nublados. Quem teve um melanoma tem uma chance maior do que a média da população a desenvolver um novo melanoma - mas isso não quer dizer que essa chance seja alta. Significa que você deve ficar atenta, e manter para sempre um acompanhamento dermatológico.

Os tratamentos de colágeno, em especial na região do pescoço, são também indicados para portadores de rosácea?
(Jane)

Quem tem rosácea pode se submeter a tratamentos com laser, infravermelho ou radiofreqüência, sem qualquer contra-indicação.

Tenho a pele clara e quando me exponho ao sol fico vermelha. Impossível ficar bronzeada! Já estava até conformada, quando encontrei nos cremes autobronzeadores uma solução. Mas gostaria de saber se esses cremes autobronzeadores oferecem algum risco à saúde ou à pele. E também se há algum risco em expor a pele ao sol durante o uso desses cremes (usando FPS, é claro). Porque, por mais que se tente evitar o sol, no verão fica muito difícil resistir à praia e à piscina.
(Juliana)

Os autobronzeadores têm um ativo que reage com a camada mais externa da pele, chamada de camada córnea. O resultado dessa reação química é a mudança de cor da camada córnea. A pele fica com um tom parecido com o do bronzeado. Conforme a pele se renova, a camada córnea descama, e esse falso bronzeado vai embora. O produto não é tóxico. Não há mal algum em usá-lo regularmente, mesmo que você tenha muitas pintas ou tendência a câncer de pele. O único risco é você ser alérgica ao produto. Você pode se expor ao sol enquanto estiver sob efeito do autobronzeador. Mas não se engane: esse "bronzeado" não é verdadeiro e não aumenta sua resistência a queimaduras. Capriche no bloqueador solar, que deve ter no mínimo um fator 15. Reaplique a cada 3 horas, ou até antes, se você suar ou se molhar. E fique à sombra durante os horários de pico do sol.
 

Por Lucia Mandel

21/10/2008

às 10:22 \ Arquivo

Estrias, as marcas do corpo

Certas pessoas com conhecimentos esotéricos se dizem capazes de enxergar fatos sobre você lendo as linhas da sua mão. Dermatologistas conseguem fazer o mesmo lendo um certo tipo de linha da sua pele: as estrias. Sim, porque as estrias dizem muito sobre a pessoa. Por exemplo, contam que você é mãe. Deduram se você tem dificuldade para controlar o peso. Mostram que você exagerou nos exercícios, e ganhou massa muscular rápido demais. Ou que cresceu de maneira rápida na puberdade.

As estrias surgem justamente quando a pele não consegue acompanhar a velocidade de crescimento do corpo. Ela se estica tanto, que acaba provocando o rompimento das fibras elásticas e fibras de colágeno que ficam na derme, a segunda camada da nossa pele. Em uma descrição mais técnica, podemos dizer que a estria é uma ferida da derme que, com o tempo, cicatriza. No começo, ela é avermelhada, e a pele que a recobre é fina e macia. Com a cicatrização, a estria vai clareando, até ficar branca. Se as estrias forem discretas, tudo bem. Mas se forem muito aparentes, podem incomodar bastante.

Estria tem solução?

A resposta é: em termos. Se conseguirmos estimular a produção de novas fibras de colágeno na derme afetada, a estria diminui, fica mais fina, menos profunda e mais discreta. Mas é difícil fazê-la desaparecer por completo. Todos os tratamentos atuais se baseiam na idéia de estimular a produção de colágeno na nossa derme. Vamos ver um a um quais são os mais realizados pelos dermatologistas. Quanto antes você procurar o tratamento, melhor: as estrias recentes respondem mais ao tratamento do que as antigas. Mas nem todas as pessoas conseguem bons resultados: tem gente que melhora muito, e há quem fique frustrado com o resultado final.

Os tratamentos:

Cremes à base de ácido retinóico
Funcionam nas estrias recentes. Aplica-se o produto uma ou duas vezes ao dia, associado com cremes regeneradores e filtro solar, pois o ácido deixa a pele sensível. Também pode ser associado ao ácido glicólico e à vitamina C. É preciso ter regularidade na aplicação e muita paciência durante o tratamento. Para as pessoas que respondem ao tratamento, a melhora aparece após cerca de quatro meses. Raramente indico esse tratamento isoladamente. Normalmente, ele complementa um procedimento mais agressivo, feito em consultório médico.

Peelings químicos
Além de estimular a produção de colágeno, os peelings provocam renovação da epiderme, camada mais superficial da pele, o que também ajuda na recuperação. Um dos peelings mais usados é o de ácido retinóico. Realiza-se em média oito sessões, com intervalos semanais.

Peeling de cristais ou microabrasão
Baseia-se no estímulo ao colágeno através do lixamento da pele. O tratamento também deixa a superfície da pele mais regular. Realiza-se uma sessão por semana, por aproximadamente três meses. Pode ser feito tanto nas estrias recentes quanto nas mais antigas. Em certos casos, aplica-se um peeling químico após algumas das sessões de microdermabrasão.

Intradermoterapia
Com uma agulha fina, injetamos diretamente na derme medicamentos que estimulam a formação de colágeno. São oito a dez sessões, com intervalo semanal.

Tratamentos com laser
São os mais eficientes. Nesse grupo, além dos laseres, incluo a Luz Pulsada. Recentemente, surgiram laseres fracionados, que têm resultados muito bons, como o Fraxel ou o Starlux 1540 fracionado. A luz aquece a derme, estimulando a formação de novas fibras de colágeno. Se a estria for recente, a melhora é grande. Mesmo estrias antigas respondem bem a esse tratamento: elas retraem e ficam mais discretas. A luz também melhora a qualidade da epiderme. Em média, são necessárias de 4 a 6 sessões.

A maioria dos pacientes faz tratamentos combinados. Por exemplo: laser + peeling + cremes para uso em casa.

E, como a origem de todo o problema é uma limitação na elasticidade, use um bom hidratante diariamente, principalmente nos períodos em que sua pele estiver sofrendo o estiramento (lembra? Adolescência, gravidez, ganho de peso, aumento de massa muscular e por aí vai). Hidratada, a pele tem maior elasticidade e menor propensão às estrias.

Mesmo sem ler a sua mão, adivinho nesse instante o seu futuro: com um bom tratamento, suas estrias vão diminuir e você vai se sentir mais bonita.

Por Lucia Mandel

17/10/2008

às 15:18 \ Arquivo

Repostas a leitores

As perguntas abaixo foram selecionadas pela redação entre dezenas de e-mails enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

A foliculite no couro cabeludo está associada a acne? Pois tenho problemas severos de acne e agora estou com foliculite.
(Katia)

Na foliculite ocorre uma inflamação da pele do couro cabeludo. O quadro é agravado pela ação de bactérias. Isso tem que ser tratado, pois há risco de algumas áreas ficarem definitivamente sem cabelos. O problema pode acontecer em quem tem um grau avançado de acne, mas isso não é obrigatório. Procure um dermatologista.

Há um mês fui diagnosticado com urticária solar. Os meus sintomas são: vertigem, chiado no peito, dificuldade para respirar, sensação de aperto no tórax, inchaço na língua, lábios ou face, ardor, aceleração dos batimentos cardíacos. Eu sou carteiro e trabalhei dez anos na rua isso pode ter sido desencadeado o problema?

A urticária solar é uma reação anormal à luz do sol, ou até mesmo à luz artificial visível. Nesse caso, após a exposição à luz, o corpo libera substâncias químicas causadoras de alergia, como a histamina. Na maioria das vezes, só a pele é afetada, e surgem lesões elevadas e avermelhadas que coçam muito. Quando a alergia passa, tudo volta ao normal. Mais raramente o problema é mais sério, e acontecem os sintomas que você descreveu: os lábios incham, o peito chia e a pessoa tem dificuldade de respirar. Os batimentos cardíacos aceleram e há uma sensação de vertigem.

Na maioria das vezes não se sabe por que, de uma hora para a outra, a pessoa fica sensível à luz. Por isso, não dá para dizer que o fato de você ser carteiro e ter se exposto muito à luz solar tenha causado o problema. Uma menor parte dos casos acontece secundariamente a doenças, como o lúpus. E existem alguns remédios que podem desencadear a reação, como a aspirina. Mas nesse caso, ao suspender o remédio, a reação passa.

Quem tem a condição deve evitar o máximo possível a exposição desprotegida à luz do sol. Use roupas para proteger sua pele, e aplique um bom filtro solar que inclua dióxido de titânio ou óxido de zinco na formulação. Os remédios mais indicados são os anti-histamínicos, e é esse tipo de medicação que você está tomando. Se não funcionar, existem outras opções para tratamento. Retorne ao seu médico.

Tenho 40 anos e trato meu rosto com Vitacid gel e Azelam creme em dias alternados, à noite. Durante o dia, uso protetor solar, orientação da minha dermatologista, mas não sei se este produto serve para prevenção de rugas, gostaria de um produto para a minha idade.
(
Cláudia)

O Vitacid gel é à base de tretinoína, excelente ativo anti-idade e anti-sinais. O Azelan creme melhora cravos e trata um grau leve a moderado de acne. Se você tem a pele oleosa, com alguns cravos e algumas espinhas, esse tratamento está bem indicado. E continue usando filtro solar diariamente. Seu tratamento, em teoria, está ótimo. Para incrementar, peça para a sua dermatologista avaliar a possibilidade de acrescentar um creme anti-oxidante e um hidratante para serem usados pela manhã.

Ouvi falar a respeito do StarLux 1540 Fractional. Gostaria de saber se esse tipo de tratamento é eficaz para estrias brancas?
(Roberta)

Roberta, o StarLux 1540 Fractional é um dos tratamentos mais modernos para estrias, com resultados muito bons. Ele atua no colágeno da nossa pele, e estimula sua proliferação. As estrias retraem e ficam mais discretas, mesmo as mais antigas. Esse laser também melhora a qualidade da superfície da pele. Em média, são necessárias de 4 a 6 sessões mensais. O resultado do tratamento varia caso a caso.

Por Lucia Mandel

14/10/2008

às 12:10 \ Arquivo

Tratamentos com botox


O lugar: Springfield. O problema: excesso de poluição ambiental. A solução governamental: isolar a cidade em uma cúpula impermeável. O noticiário local traz a péssima notícia: está faltando de tudo, de mantimentos a botox. O resultado: desespero absoluto da população. Isso se passou na fictícia cidade dos Simpsons. Mas se fosse por aqui, acho que a falta de botox causaria pânico semelhante. A toxina botulínica, que é o princípio ativo do Botox, já virou artigo de primeira necessidade.

O sucesso do tratamento com a toxina é merecido. O resultado da aplicação é impressionante, com raras exceções. Como num passe de mágica, desaparece grande parte das rugas do rosto. E a pessoa ganha uma aparência descansada.

Como age a toxina botulínica?

O medicamento impede a comunicação entre nervo e músculo. Isso significa que mesmo que você queira movimentar o músculo afetado pela toxina e seu cérebro ordene uma contração, a informação não chega. O músculo permanece relaxado. Isso é chamado de "denervação química". É um excelente recurso para combater as rugas causadas justamente por excesso de contração muscular.

O que você deve esperar do tratamento?

Ele melhora as rugas de expressão, formadas pelo franzir da testa, entre as sobrancelhas e ao redor dos olhos. Elas aparecem depois de muitos anos de contração muscular repetida. Quando o músculo do rosto contrai, ele repuxa a pele que o recobre. E com o tempo, a pele perde a elasticidade e acaba "quebrando". Como a toxina relaxa o músculo, a ruga melhora. Desaparecem pés de galinha e aquelas marcas na testa que dão um ar de preocupação e de tensão. O tratamento tem outro resultado positivo: eleva um pouco a sobrancelha.

Além das rugas do terço superior da face, usamos a toxina para tratar algumas outras marcas, como rugas no pescoço e no colo. E também é possível elevar os cantos da boca, que caem com o tempo, deixando um ar triste.

Se você ainda não tem a pele muito marcada, mas já percebe o aparecimento de rugas delicadas, também pode se beneficiar do tratamento. Isso porque a toxina tem um efeito preventivo. O processo de formação das rugas não se reverte naturalmente e as marcas hoje suaves acabam piorando com o tempo. Começando a se tratar mais cedo, você evita o desenvolvimento delas.

A aplicação do produto é simples e pouco dolorida. Ele é injetado diretamente no músculo que causa a ruga. O resultado é rápido e o efeito dura em média seis meses. À medida que vai passando, tudo volta ao que era antes. Se você gostar, repete a aplicação.

Um detalhe fundamental: não é bom exagerar na dose de aplicação. Em doses moderadas, o medicamento relaxa em vez de paralisar o músculo, e o resultado fica bem natural. Já ficou no passado aquela história da expressão congelada, ou plastificada. Além de melhorar as rugas, a toxina é usada com outras finalidades: em certas doenças oftalmológicas e neuromusculares. E para inibir o suor das axilas, palmas das mãos e plantas dos pés.

Seu médico deve avaliar se este é o melhor tratamento anti-rugas no seu caso. Existem outras opções, como os preenchimentos, peelings e laser. Elas podem até mesmo ser utilizadas em conjunto, se for necessário. Por último, não se esqueça: apesar da toxina botulínica ser um procedimento relativamente simples em mãos treinadas, é um tratamento médico. Portanto, tem riscos e contra-indicações, que devem ser discutidos antes da aplicação.

Por Lucia Mandel
 

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