Blogs e Colunistas

Arquivo de março de 2010

30/03/2010

às 12:26 \ Corpo

Queloide, a cicatriz rebelde

queloide

O povo Nuer, que vive no Sudão do Sul, é um dos maiores grupos étnicos africanos. No seu ritual de passagem para a vida adulta fazem o gaar: marcam o rosto usando uma navalha. Meninos recebem seis linhas paralelas na testa, meninas recebem marcas puntiformes. Os Nuer têm tendência a queloides. O que é isso?

O queloide é uma cicatriz que cresceu exageradamente, ficando volumosa e elevada. No início é rosado e, com o tempo, vai ficando com a cor da pele.

Ter queloide é uma predisposição individual. Há casos de tendência familiar, e pessoas negras (como as da etnia Nuer) têm maior predisposição que pessoas de pele clara. O queloide aparece em locais de ferimento, como um corte de cirurgia ou após uma queimadura. Também pode aparecer no furo do brinco na orelha ou no local de um piercing. Pessoas com grande tendência desenvolvem quelóide onde havia uma espinha, no local de uma vacina, ou até mesmo sem qualquer estímulo inicial.

Quem percebeu que tem tendência a queloide deve pensar duas vezes antes de se submeter a uma cirurgia desnecessária. Também deve pensar bem antes de colocar piercing ou de fazer tatuagem. Essa predisposição não costuma passar com o tempo, e um corte ou uma ferida que poderiam ter sido evitados podem deixar uma cicatriz maior que a esperada.

Tratamento

A injeção de cortisona diretamente no queloide costuma reduzir o seu tamanho. Apesar de não eliminá-lo completamente, o quelóide fica mais discreto. É comum associar a infiltração de cortisona ao uso domiciliar de gel de silicone.

Outra opção é a remoção cirúrgica, numa tentativa de trocar uma cicatriz grande por uma menor. Mas existe risco do quelóide nascer de novo, às vezes maior que o inicial. Para diminuir esse risco, além de se usar técnicas cirúrgicas apropriadas, costuma-se indicar sessões de radioterapia logo após a cirurgia. Ou realizar infiltrações de cortisona após a cirurgia.
Essas não são as únicas opções de tratamento. De acordo com o caso, pode-se optar pelo congelamento da lesão ou uso de laser. A resposta ao tratamento varia caso a caso.

Por Lucia Mandel

23/03/2010

às 11:54 \ Tratamento

Tratamento de queratoses actínicas

rosto-agua

Tenho 56 anos, minha pele é muito clara e tenho queratoses actínicas no rosto e nos braços. Fui a um dermatologista que me orientou fazer terapia fotodinâmica. Gostaria de saber as vantagens desse tratamento. Costumo me tratar com crioterapia e o resultado, ao meu ver, é muito bom.

(Raul)
As pessoas que durante a vida tomaram muito sol podem desenvolver queratoses actínicas. Essas lesões são pré-cancerosas e costumam aparecer na face, colo, braços e mãos, mas podem aparecer em outros locais da pele. Por serem mais sensíveis ao sol, pessoas de pele clara têm maior risco de desenvolver queratoses actínicas.

Elas precisam ser tratadas. Não é uma questão cosmética, pois podem se transformar em câncer de pele. Existem vários métodos para tratamento, e todos têm como objetivo destruir a queratose.

Um dos métodos mais usados é a crioterapia, tratamento ao qual você se submeteu. Um jato de ar frio congela a lesão. Forma-se uma feridinha ou bolha e a queratose cai. É um excelente tratamento: barato, simples e eficaz. As queratoses devem ser atingidas uma a uma, através dos jatos congeladores.

A crioterapia não atinge apenas a queratose, mas também a pele saudável que fica ao seu redor. Quando é realizada com maior vigor, podem surgir manchas brancas onde havia uma queratose. E como o jato é aplicado de acordo com o critério médico, apenas lesões visíveis ao olho humano são tratadas.

A terapia fotodinâmica é outra opção de tratamento. Aplica-se um creme na área a ser tratada (em toda a face, em todo o couro cabeludo ou nos braços, por exemplo). O creme penetra nas células pré-cancerosas da queratose actínica, mas não nas células normais da pele. Depois, irradia-se a área com uma luz específica. A luz deflagra uma reação química e aquelas células que absorveram o creme são destruídas. Assim, de uma só vez, trata-se uma área toda cheia de queratoses. Além disso, mesmo queratoses pequenas que passariam despercebidas são atingidas.

A terapia fotodinâmica tem sido valorizada no tratamento da pele muito danificada pelo sol, com várias queratoses actínicas e com histórico de câncer de pele. Atinge um grande número de lesões de uma só vez e o resultado estético final é muito bom. Não há risco de cicatrizes ou manchas, e a pele rejuvenesce após o tratamento. Além de eficaz contra queratoses actínicas, a terapia fotodinâmica também cura alguns tipos de câncer de pele. Nesse caso, ela substitui uma cirurgia, evitando cortes e cicatrizes.

Quanto ao seu caso, a opção depende de uma avaliação pessoal. A terapia fotodinâmica vale a pena se você tiver a pele muito danificada pelo sol, com muitas queratoses actínicas. É um tratamento prático. Mas a crioterapia não deixa de ser um excelente método e resolve as queratoses. Apenas, se elas forem numerosas, você tem que voltar mais vezes ao consultório.

Assim, a decisão de qual tratamento escolher depende de uma conversa com seu médico. Mesmo porque existem ainda outras opções, como cremes de uso domiciliar.

Por Lucia Mandel

16/03/2010

às 15:01 \ Doenças

Você só tem a ganhar com o check up de suas pintas

 

exame-pele-450

É simples: você tira a roupa e, em poucos minutos, o dermatologista avalia uma a uma as pintas do seu corpo. A maior parte é conferida a olho nu. Outras podem precisar de lupa especial, que diferencia pintas normais de pintas cancerosas. Se houver pinta suspeita, ela é removida e enviada ao patologista.
Esse exame é simples e importantíssimo porque pode salvar sua vida: o melanoma, o mais agressivo dos cânceres de pele, é curável se detectado nos estágios iniciais.

Faça o check up uma vez por ano

Quando o melanoma é detectado no começo, a taxa de cura é próxima a 100%. Com o tempo, ele se desenvolve e pode se espalhar para outros órgãos. É triste quando uma pessoa descobre um melanoma avançado: a mesma doença que podia ter sido curada, agora provavelmente custará a vida.

Dois estudos científicos publicados recentemente comprovam que, quando o dermatologista confere rotineiramente as pintas de seus pacientes, acaba descobrindo melanomas iniciais. Por isso, mesmo que você nem imagine ter uma pinta suspeita, mesmo que garanta que nenhuma pinta se modificou ao longo do tempo – ou mesmo quando tudo o que espera do dermatologista é uma caprichada no Botox – o exame dermatológico é fundamental.

Grupo de risco

Todo mundo corre risco de ter melanoma, basta estar vivo. Mas existem pessoas mais suscetíveis. Quem passou dos 50 e tem pele clara, quem costuma se queimar ao sol e ficar vermelho e quem já teve queimaduras solares com bolhas está no grupo de risco. Também está quem tem mais de 50 pintas pelo corpo. Ou quem tem na família alguém que já teve melanoma. O risco é maior se o parente for próximo, como mãe, pai ou irmão. Esportistas que passam muito tempo ao ar livre também entram no grupo de risco, e adeptos do bronzeamento artificial idem.

Se você se encaixou no grupo de risco, marque uma consulta com um dermatologista e faça um check up de suas pintas. Se você já vai ao dermatologista para cuidar de assuntos de beleza ou mesmo para olhar uma unha com micose, peça a ele que aproveite e olhe também suas pintas. Porque a detecção precoce é a melhor arma contra o câncer de pele.

Leia também: Câncer de pele – melanoma

Por Lucia Mandel

09/03/2010

às 18:09 \ Tratamento

Qual o melhor tratamento para mancha senil?


Qual o tratamento para as manchas senis que, segundo os dermatologistas, são provocadas pelo sol e que aparecem com a idade
?
(José)

José, manchas senis são manchas escurecidas que aparecem com a idade nas áreas de pele que ficam descobertas, como rosto, mãos, braços e colo. Essas áreas, dia após dia, são expostas aos raios solares. Os efeitos nocivos do sol se acumulam durante a vida. Com o tempo, o sol envelhece e mancha a pele.

O melhor modo de não ter manchas senis é se prevenir. Não se expor ao sol forte e usar filtro solar diariamente. Evitando o acúmulo de radiação solar as manchas podem nem aparecer.

No seu caso as manchas já apareceram, não é mesmo? Então aí vão opções de tratamento:

1. Laser e luz pulsada. São dois tratamentos parecidos e com resultados excelentes. A luz do laser ou do aparelho de luz pulsada atinge o pigmento escuro da mancha e o aquece de tal maneira que ele é destruído. Formam-se casquinhas e, depois de uma semana, a mancha suaviza ou desaparece. Nem sempre uma sessão elimina todas as manchas. Na maioria dos casos uma mesma pessoa se submete a quatro sessões, sendo uma ao mês. O tratamento pode ser feito em qualquer ponto da pele, como rosto, pescoço, colo, mãos ou braços. Quanto mais clara a pele e mais escuras as manchas, melhor o resultado. O tratamento com luz ainda é capaz de eliminar vasinhos dilatados, que também aparecem na pele como efeito da exposição desprotegida ao sol. Uma vantagem desse tratamento é que a pele não manchada não é agredida. Assim, surgem casquinhas apenas sobre as manchas, e a recuperação da pele é rápida.

2. Peeling químico. Para remover manchas senis, o peeling precisa ser de média ou de grande profundidade. Um bom peeling de média profundidade é o de ácido tricloroacético, ou ATA. Ele não deve ser realizado em pessoas de pele escura, sob risco de aparecerem novas manchas. E pode ser repetido, se necessário, a cada mês. A melhora é grande com apenas uma sessão de peeling. A desvantagem é que o peeling não age seletivamente nas manchas. Ele agride toda a pele onde é aplicado. Assim, a descamação é intensa e o incômodo após a sessão é maior.

Além de escolher um bom tratamento, use um creme despigmentante em casa. Ele ajuda a clarear e a evitar que as manchas voltem. Mas dificilmente um creme de uso domiciliar usado isoladamente consegue clarear manchas senis.

Depois de completado o tratamento (qualquer um deles) é importante evitar tomar sol sem proteção. Caso contrário, as manchas voltarão.

Por Lucia Mandel


 

Serviços

 

Assinaturas



Editora Abril Copyright © Editora Abril S.A. - Todos os direitos reservados