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Arquivo de novembro de 2009

30/11/2009

às 23:24 \ Sem categoria

Micose de pele

Getty
Há mais fungos, vírus e bactérias no céu e na Terra do que podemos imaginar. A todo instante nos deparamos com vários deles e, algumas vezes, o resultado do encontro é uma doença. É o caso da micose de pele, problema que ocorre pelo contato com fungos causadores de feridas na pele.

Existem milhares de tipos de fungos, tantos que são até classificados como um reino biológico à parte. E é um reino bastante amplo. Há espécies boas de comer, como o cogumelo shiitake ou a caríssima trufa branca . Algumas são venenosas ou alucinógenas. Existem outras causadoras de doenças. Há fungos que, se inalados, atacam os pulmões. E existe um grupo de fungos, invisíveis a olho nu, que causam doenças exclusivamente na pele.

Esses fungos se alimentam das células mortas que ficam na camada mais superficial da nossa pele. Ou então de restos de células que ainda estejam aderidos a ela. Em outras palavras, a pele é seu alimento. Circulam por aí e podemos nos deparar com eles no chão, em animais ou no contato com pessoas que estejam infectadas. Também podemos ter contato com estes fungos na piscina do clube, nos utensílios de salões de beleza, em toalhas contaminadas, ou em qualquer outro lugar.  Ocorrido o contato, se houver as condições apropriadas que você verá a seguir, a micose se desenvolverá.

As condições apropriadas

Para a infecção se desenvolver, além de alimento o fungo precisa de calor e umidade. Por isso, os locais mais comuns onde se desenvolve a micose são aqueles cobertos, abafados e quentes, como pés e virilha.

Os sintomas

A pele com micose coça, fica avermelhada e descama. Podem se formar bolhinhas d’água, principalmente nos pés. Se a micose for entre os dedos do pé, a pele amolece e fica esbranquiçada. Na virilha, a pele fica bem vermelha, e o limite entre pele com micose e pele sã costuma ser nítido. A micose da virilha vai aumentando de tamanho e chega a invadir a coxa. Unhas afetadas ficam espessas, opacas, amareladas e descamam. Ou então ficam com manchas brancas.

Como se prevenir

1. Evite contato com o fungo
Fugir completamente do contato com algo que a gente não enxerga é impossível, não é mesmo? Mas em alguns lugares a probabilidade de haver um fungo desses é maior. É o caso das piscinas: quando uma pessoa com micose nos pés caminha descalça, vai espalhando fungos pelo caminho. O mesmo vale para vestiários de clubes ou academias. E também para os apetrechos de manicure e pedicure, se não forem devidamente esterilizados. Por isso, use chinelos nas piscinas e nos vestiários de clubes e academias. Não use toalhas, roupas, pentes ou calçados de outras pessoas. Sempre use seu próprio material de manicure.

2. Não deixe sua pele quente e úmida
Seque-se bem depois do banho. Preste atenção especial na hora de secar os pés e os espaços entre os dedos. Capriche também na virilha. Se você tem maior predisposição à micose, seque essas regiões com papel higiênico, que absorve bem a umidade. No verão, sempre que possível, use calçados abertos, e ande descalço em casa. Prefira roupas de fibras naturais e evite tecidos sintéticos. Roupas ideais para o verão devem ser leves e ventiladas, que deixem a pele respirar. Homens devem evitar permanecer horas com o calção molhado na praia ou piscina porque isso aumenta o risco de se ter micose na virilha.

3. Outras dicas
Esportistas devem variar o par de tênis ao longo da semana e deixar arejando aqueles que não estiverem sendo usados. Observe a pele do seu bichinho de estimação: a micose dele pode passar para você.

Por Lucia Mandel

24/11/2009

às 6:02 \ Respostas

Respostas a leitores

As perguntas foram selecionadas pela redação e enviados à colunista. Todas as questões selecionadas foram respondidas por Lucia Mandel. As respostas, porém, não eliminam em nenhum caso ou hipótese a indicação de uma consulta com seu médico de confiança.

Nunca tive catapora. No ano passado, por conta do stress do serviço, tive herpes zoster. Demorei a ir ao médico e o vírus lesionou o nervo. A dor é horrível.  Tive de fazer um longo tratamento.  Agora na minha sala de aula ocorre um surto de catapora. Corro risco?
(Renata)

Para desenvolver herpes zoster a pessoa obrigatoriamente já teve contato anterior com o vírus da catapora: afinal, zoster é a reativação desse vírus, que fica dormente no organismo de quem já teve catapora. Talvez sua catapora tenha sido leve e passou desapercebida. Como só se pega uma vez, não há risco de se infectar no surto da escola. Do mesmo modo, é raro que uma pessoa desenvolva duas crises de zoster na vida. Consulte um médico e discuta a possibilidade de fazer um exame de sangue que confirme sua imunidade à catapora.
 
Gostaria de informações sobre vacina para zoster. Onde encontro?
(Freitas)

A vacina para zoster ainda não está disponível no Brasil. A previsão para chegada é 2010.

Tenho herpes zoster, comecei o tratamento com aciclovir via oral e de uso tópico. Existe possibilidade de passar catapora para meu sobrinho de três mess? O zoster passa através da relação sexual?
(Claudio)

O líquido das bolhas de herpes zoster contém vírus causador de catapora. Por isso, enquanto o zoster está na fase de bolhas, a catapora é transmitida. Evite contato com seu sobrinho, que ainda não tomou a vacina para catapora, até as bolhas secarem. A mesma resposta se aplica ao contato com todas as pessoas. Não se transmite zoster na relação sexual. Mas enquanto o portador estiver com bolhas na pele, transmite catapora a quem não tiver imunidade à doença.

Estou no final do tratamento tomando aciclovir e paracetamol, porém as dores continuam. Existe remédio para reduzir as dores?
(Antonio)

Crises de zoster são muito doloridas, e o paracetamol nem sempre é suficiente para tratar a dor. É frequente o uso de analgésicos mais potentes, como codeína associada ao paracetamol. Dependendo do caso, a cortisona por via oral também ajuda, pois tem ação anti-inflamatória. Retorne ao médico para avaliar o melhor tratamento no seu caso.

Sofri uma cirurgia e durante minha recuperação tive herpes zoster. É possível que a cirurgia tenha desencadeado a doença?
(Sergio)

Por se tratar de reativação de um vírus, é comum o zoster aparecer em momentos de baixa imunidade ou de fragilidade. Assim, não é estranho que o problema tenha aparecido após uma cirurgia.

Fiz tratamento com antivírus e corticosteróide e em sete dias as bolhas secaram, mas as manchas claras começaram a ficar escuras. Elas desaparecerão ou vou ter de fazer algum tipo de tratamento?

É possível que, após uma crise de herpes zoster, apareçam manchas escurecidas na pele no local onde as bolhas ficavam. Aplique seu filtro solar com regularidade e espere um pouco. As manchas são temporárias, e devem clarear mesmo sem tratamento.

Estou com 77 anos e já tive herpes duas vezes, só que a dermatologista me disse que da primeira vez não foi zoster. Posso ter herpes novamente?
(Rita)

É possível ter duas crises de herpes zoster na vida, mas isso é raro. Quanto ao herpes simples, é comum que uma mesma pessoa tenha várias crises, pois é uma doença completamente diferente do zoster. As duas são causadas por vírus, mas o vírus que causa o herpes simples não é o mesmo que causa herpes zoster.

Por Lucia Mandel

17/11/2009

às 7:58 \ Beleza

Por que a ginástica facial não é uma boa ideia

careta-espelho

Sempre escuto alguém falar maravilhas sobre exercícios faciais. À primeira vista, a ideia de exercitar o rosto até que parece coerente. Se exercícios para o corpo ajudam a manter a juventude por mais tempo, por que o mesmo não pode acontecer com o rosto? Segundo os defensores das caretas terapêuticas, a musculação faria o rosto ficar durinho. Com músculos firmes, rugas seriam preenchidas e a flacidez diminuiria. Além disso, os exercícios trariam benefícios extras, como a melhora da circulação sanguínea e da oxigenação da pele.

Teoria exposta, aí vai a pergunta: será que isso faz sentido?

Não. Na verdade, fazer careta na frente do espelho mais atrapalha que resolve o problema.

Para o envelhecimento do rosto, conta a soma de alguns fatores, como a piora da qualidade do colágeno e da elastina, fibras que sustentam e dão elasticidade à pele. Esta piora deixa a pele fina, flácida e menos elástica. Além disso, com o tempo, os ligamentos que sustentam nossa musculatura se afrouxam, acentuando a flacidez, e a camada de gordura que fica sob a pele do rosto diminui. Infelizmente, nada disso melhora com musculação. Pelo contrário: movimentos repetidos na pele pouco elástica causam rugas.

Esse é o caso das rugas de expressão que ficam entre as sobrancelhas ou na testa, que se agravam se a pessoa fizer movimentos repetidos. O mesmo acontece com os pés de galinha e as rugas que ficam ao redor dos lábios. Não por acaso um tratamento altamente eficiente para eliminar rugas é a toxina botulínica, que justamente relaxa os músculos da face para apagar rugas de expressão.

Por isso, nada de ficar fazendo caretas na frente do espelho. Poupe seu tempo e sua energia para tratamentos comprovadamente eficientes.

Leia também:

Por que nossa pele envelhece

O que causa os pés de galinha

Por Lucia Mandel

10/11/2009

às 12:08 \ Corpo

Queda de cabelos após gravidez

Dra. Lucia tenho um filho de três meses e estou amamentando. Meus cabelos estão caindo muito, estou desesperada. O que devo fazer? Devo tomar vitaminas?
(Claudia)

Claudia, a queda de cabelos é  comum nessa fase. Alguns motivos podem provocar esse incômodo:

1 - Por questões hormonais, os cabelos crescem mais durante a gravidez. É que a taxa de hormônios femininos se eleva, e isso aumenta a duração da fase de crescimento dos fios. Terminada a gestação, diminui a dosagem dos hormônios femininos e muitos fios entram em queda.

2 - O stress emocional e físico do parto pode desencadear um fenômeno chamado eflúvio telógeno pós-parto. Nessa situação, uma boa porcentagem dos fios muda repentinamente da fase de crescimento para a de queda. A crise de eflúvio telógeno dura de quatro a seis meses, e depois melhora sozinha. Por mais que a queda seja intensa, não há risco de se ficar careca.

3 - Gravidez e lactação consomem energia da mulher. É possível que os cabelos estejam caindo por carência nutricional. Isso pode ser identificado através de uma consulta médica detalhada, que inclui a avaliação de exames laboratoriais.

4 - Existe ainda a possibilidade de alguma doença estar por trás da queda de cabelos. Se for esse o caso, a queda somente cessará com a identificação e tratamento do problema inicial.

Estabelecido o diagnóstico, parte-se para o tratamento. Vitaminas ou suplementação de ferro ajudarão numa carência nutricional. Mas se a queda estiver acontecendo pela mudança nas taxas hormonais ou pelo eflúvio telógeno pós-parto, o suplemento de vitaminas ou de ferro não será útil. Nesse caso, o dermatologista pode prescrever uma loção que estimula o funcionamento das raízes dos cabelos.

Alguns conselhos a mais. Descanse sempre que possível, alimente-se bem e fique calma, pois o stress piora o problema. Talvez você sinta, como eu senti, que essa fase é uma loucura e que é impossível dar conta de tudo. Mas as coisas se ajeitam, a gente dá conta e no final vê que é mais fácil do que parece.
Leia também Vida Longa aos Cabelos

Por Lucia Mandel

03/11/2009

às 11:56 \ Beleza

Transplante de cabelos

calvicie

Com o avançar dos anos, o homem com tendência à calvície vê no espelho uma progressão de eventos padronizada e temida: as entradas aumentam, os fios de cabelo da parte superior da cabeça vão afinando e o couro cabeludo vai aparecendo. Mais anos se passam, mais fiozinhos dão adeus e, sem tratamento, a calvície evolui até um grau que varia com a genética pessoal. Geralmente atinge fios que estão na frente, na parte superior e na coroa do couro cabeludo. Mas existe uma faixa de irredutíveis e heroicos fios, atrás e na lateral, que se mantém praticamente intacta, mesmo em quem tem grande tendência à calvície.

Pois é, nem todos os fios da mesma cabeça têm o mesmo comportamento. Uns estão destinados a cair, outros não. Quem decide o destino de cada fio é a sensibilidade de cada um aos hormônios masculinos. E essa sensibilidade fica na raiz que produz o fio. Uma raiz sensível é lentamente envenenada pelo hormônio masculino: ela diminui de tamanho, em um processo chamado de miniaturização. Consequentemente, produz um fio cada vez mais fino até simplesmente parar de funcionar. A raiz insensível, por outro lado, não se abala: produz seu fio pela vida toda. Justamente naquela faixa lateral e posterior do couro cabeludo, aquele bravo pelotão de fios que resistem à calvície, se concentram raízes insensíveis ao hormônio masculino.

A realocação de recursos

A ideia básica de um transplante de cabelos é a realocação de folículos, nome oficial das raízes. Quando uma raiz não sensível ao hormônio masculino é removida da faixa posterior do couro cabeludo e colocada em uma área calva, ela continua capaz de produzir seu fio de cabelo. O cabelo transplantado cresce normalmente, com a vantagem de ser insensível ao hormônio masculino. Ele não irá afinar ou cair com o tempo.

E o cabelo de boneca?

O efeito estético do transplante depende da técnica e do capricho do cirurgião. Se as raízes não forem separadas adequadamente antes do implante, os cabelos nascem em tufos, resultando em um efeito desastroso parecido com cabelo de boneca. Esse estilo de transplante já ficou no passado. Nos seus primórdios, rodelas de couro cabeludo com diâmetro de um lápis eram removidas da área doadora e enxertadas na área calva. Com o tempo, os enxertos foram ficando cada vez menores e o resultado melhorou sensivelmente.

O transplante baseado na unidade folicular

Através do microscópio, podemos enxergar que nosso cabelo nasce em grupinhos de um, dois, três ou quatro fios juntos. Cada um desses grupinhos é chamado de unidade folicular. As unidades foliculares ficam espalhadas por todo o couro cabeludo. Mas existem particularidades. Por exemplo, na linha da frente, há preferencialmente unidades foliculares de um fio só.

Hoje em dia um bom transplante de cabelos implanta unidades foliculares, e não rodelas de couro cabeludo. O passo a passo é assim: o cirurgião remove uma faixa de cabelos da área doadora. Com a ajuda de microscópios especiais, auxiliares isolam uma a uma as unidades foliculares dessa faixa. Ao final, o cirurgião tem nas mãos grupos de unidades foliculares com um, dois, três ou quatro fios. O cabelo é então implantado na área desejada, através de pequenas incisões feitas com uma lâmina de bisturi muito fina.

Em geral, as unidades foliculares de um fio são colocadas na linha de frente, próximas à testa. As unidades com maior número de fios vão preferencialmente para trás, conferindo maior densidade. Existem várias sutilezas na hora da colocação dos implantes, como o tamanho e a profundidade da incisão, sua angulação e seu direcionamento. Essas variáveis influenciam o resultado final. Um bom cirurgião, com uma equipe preparada, consegue imitar a natureza. Há casos em que é difícil perceber que o cabelo é transplantado, mesmo se olharmos de perto.

Se o que você mais deseja da vida é o seu belo topete de volta, procure um bom profissional e vá tirando da gaveta seus pentes e escovas.
Leia mais sobre calvície masculina.

Por Lucia Mandel


 

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